Nos últimos dez anos, Portugal registou uma das evoluções mais preocupantes da Europa em matéria de mortalidade materna. Segundo dados da OCDE ("Health at a Glance 2025"), o país foi o 2.º da Europa onde a mortalidade materna mais aumentou entre 2011-13 e 2021-23: passou de 5,2 para 14 mortes por 100 mil nascimentos, um crescimento de +8,8 pontos. Esta inversão é particularmente significativa, porque coloca Portugal como o 4.º pior país europeu, logo após países de leste, que não são propriamente referências em termos de cuidados de saúde, como a Letónia, a Roménia e a Hungria. A mortalidade materna é um indicador central da qualidade dos cuidados de saúde, da capacidade de resposta do sistema e das condições de acompanhamento da gravidez, parto e pós-parto. O agravamento verificado em Portugal sugere fragilidades acumuladas na organização dos serviços, dificuldades de acesso a cuidados obstétricos e pressão crescente sobre maternidades e seus profissionais.
Ao mesmo tempo, outros países europeus conseguiram evoluções positivas relevantes: a Islândia e a Irlanda reduziram drasticamente estes casos e eliminaram praticamente a mortalidade materna, e Turquia, Lituânia, Estónia, Suíça, Dinamarca, Eslováquia e Noruega, também apresentam melhorias bastante significativas. A tendência portuguesa, sendo recente e abrupta, exige atenção. O aumento da mortalidade materna não é apenas um alerta estatístico — é um sinal crítico sobre a capacidade do sistema de saúde proteger mulheres e recém-nascidos em momentos de maior vulnerabilidade (Mais Liberdade, Mais Factos)

Sem comentários:
Enviar um comentário