Sob as ruas movimentadas de Istambul existe um mundo que nasceu há mais de 1.480 anos, um reino subterrâneo onde o silêncio ecoava entre 336 colunas erguidas para sustentar o império. A Cisterna da Basílica foi construída no ano 532 d.C., durante o reinado do imperador Justiniano, quando a velha Constantinopla pulsava como o coração do mundo. Ali, entre sombras e gotas que caíam como relógios d’água, armazenava-se o que havia de mais precioso para uma cidade sitiada inúmeras vezes: água, trazida por quilômetros de aquedutos desde o Mar de Mármara. Cada coluna, cada arco e cada pedra parecia carregar o peso de séculos de batalhas, crenças e segredos.
Por muito tempo, esse lugar sagrado dormiu esquecido. Caminhantes passavam por cima dele sem imaginar o oceano silencioso escondido sob seus pés. E quando exploradores do século XIX e início do século XX finalmente desceram até lá, encontraram a cisterna ainda cheia, tão profunda que só era possível navegar em pequenas embarcações. A foto de 1930 revela justamente esse momento: um homem deslizando em um barco, cercado por colunas que parecem emergir de um reino perdido… como se tivesse descoberto uma catedral submersa.
E então chegamos a 2022. A antiga escuridão deu lugar à iluminação etérea, reflexos verdes e esculturas modernas que dialogam com o passado, mas sem apagá-lo. Ainda é o mesmo templo de pedra construído por Justiniano… apenas visto agora com novos olhos. A Cisterna continua ali, imóvel e eterna, lembrando ao mundo que a história não desaparece, ela apenas muda a forma como é iluminada (fonte: Facebook, Tché)

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