domingo, novembro 20, 2022

EUA. Portugal lança campanha de turismo em Nova Iorque

 

O Turismo de Portugal lançou a nova campanha para o mundo a partir de Times Square, em Nova Iorque. Close to US - perto de nós - é o novo slogan de promoção também junto do mercado norte-americano, que continua a bater recordes de turistas em Portugal. Num evento associado foi inaugurada no Museu Madam Tussauds a figura de cera de Cristiano Ronaldo. Reportagem do correspondente da RTP nos Estados Unidos, João Ricardo de Vasconcelos.

Mundial do Catar. Presidente da FIFA fala em hipocrisia europeia

 

O presidente da FIFA acusa de hipocrisia aqueles que falam dos migrantes que trabalharam na construção dos estádios. Gianni Infantino realçou que o Catar fez muitos progresso reconhecidos internacionalmente. Na véspera da abertura do Mundial, garantiu que todos são bem vindos ao Catar, independentemente da orientação sexual ou religião. Gianni Infantino disse hoje sentir-se "árabe", "gay" e "trabalhador migrante", criticando fortemente as "lições morais" dos críticos do Qatar, que classificou de "hipocrisia". "Hoje sinto-me qatari, sinto-me árabe, hoje sinto-me africano, hoje sinto-me gay, hoje sinto-me incapacitado, hoje sinto-me como um trabalhador migrante", afirmou num longo e teatral monólogo em conferência de imprensa, citado pela agência France Presse (AFP), na véspera de arrancar o Mundial2022 de futebol no Qatar. "Traz-me de volta à minha história pessoal, porque sou filho de trabalhadores migrantes", disse Gianni Infantino, acrescentando saber o que significa ser discriminado, ser assediado, como estrangeiro. "Em criança, fui discriminado (na Suíça) porque era ruivo e tinha sardas, era italiano, falava mal alemão", acrescentou. Confrontado com as muitas críticas de que a FIFA tem sido alvo devido às condições de trabalho dos trabalhadores nos locais do Campeonato do Mundo, Gianni Infantino disse que a federação internacional foi uma das poucas a preocupar-se com o seu destino. "O que está a acontecer neste momento é profundamente, profundamente injusto", declarou aos jornalistas, na conferência de imprensa. No seu entender, "as críticas ao Mundial são hipócritas".  "Pelo que nós, europeus, fizemos nos últimos 3.000 anos, devemo-nos desculpar pelos próximos 3.000 anos antes de dar lições morais aos outros. Estas lições morais são apenas hipocrisia", vincou o presidente da FIFA.

Lagarde: "É improvável que a recessão reduza a inflação"

 

A presidente do Banco Central Europeu assume um cenário de recessão na Zona Euro e admite que, apesar disso, a inflação poderá não baixar. Christine Lagarde avisa que os juros vão continuar a subir, para travar o aumento dos preços.

TAP permite alteração de voos comprados para os dias de greve

 

A TAP vai permitir a alteração de voos comprados para os dias de greve dos tripulantes de cabina sem qualquer penalização. O Sindicato do Pessoal de Voo convocou greve para os dias 8 e 9 de dezembro. A companhia aérea esclarece que quem quiser pode remarcar os voos entre 28 de novembro e 19 de dezembro. Numa mensagem na rede social Twitter, a TAP diz ainda que está em negociações com o sindicato dos tripulantes de cabine no sentido de chegar a um acordo e evitar a greve.

Imagem inédita. Filha de Kim Jong-un apareceu em público

 

Pela primeira vez, a filha de Kim Jong-un apareceu em público. Estas fotografias foram divulgadas pela Coreia do Norte. São de ontem, no local de lançamento do míssil intercontinental. A agência noticiosa estatal informou que o líder norte coreano "supervisionou pessoalmente" o lançamento na companhia da filha e da primeira dama Ri Sol-ju. Raramente há notícias sobre familiares próximos da dinastia Kim, que tem governado o país desde 1940. Fala-se que Kim Jong-un tem três filhos, mas a informação nunca foi confirmada.

Isabel dos Santos procurada pela Interpol a pedido da justiça angolana

 

Há um mandado de captura internacional para a empresária Isabel dos Santos, a pedido da justiça angolana. A filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos é suspeita de peculato, fraude e associação criminosa. Isabel dos Santos diz que não tem conhecimento do mandado e acrescenta que as autoridades sabem a sua morada.

Carlos Costa. Telefonema do primeiro-ministro foi "muito curto, irritado e agreste"

 

O ex-governador do Banco de Portugal insiste que o primeiro-ministro lhe telefonou por causa de Isabel dos Santos. Numa entrevista à CNN, Carlos Costa classificou ontem esse telefonema como muito curto, irritado e agreste. António Costa desmentiu esse contacto e revelou que vai processar Carlos Costa por difamação.

Costa: executivo vai taxar lucros excessivos dos supermercados

 

A taxa sobre lucros excessivos nos supermercados vai ser de 33 por cento, idêntica à que vai ser aplicada no setor da energia. A proposta de lei do Governo já seguiu para a Assembleia da República e vai incidir sobre as empresas que neste e no próximo ano tenham lucros pelo menos 20 por cento acima dos registados nos últimos quatro anos.

Há uma sangria de médicos no SNS

Até setembro deste ano, meteram os papéis para a reforma mais de 600 médicos do Serviço Nacional de Saúde. Segundo o Diário de Noticias, serão mais de 1000 na mesma situação até dezembro. A Associação Portuguesa de Medicina Geral afirma para haver uma solução "não basta atirar dinheiro para cima das carreiras".

PRR: Há "risco" na atribuição de casas na Madeira que pode comprometer novo desembolso

 

O alerta é dado pelo presidente da Comissão de Acompanhamento do PRR, Pedro Dominguinhos, em entrevista ao Negócios e à Antena 1. Constrangimentos na construção, devido à inflação e escassez de matérias-primas, podem atrasar entrega de 190 habitações sociais apoiadas na Madeira. O presidente da Comissão de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Pedro Dominguinhos, considera que a atribuição de habitações na região autónoma da Madeira pode derrapar, devido às dificuldades existentes na construção, com a subida da inflação. O alerta foi dado numa entrevista ao Negócios e à Antena 1.

"Há aqui, diria, um risco adicional porque temos algumas metas, até final do ano, como é o caso da entrega de habitações na Madeira, que podem naturalmente colocar em causa [um novo pedido de desembolso do PRR]", referiu Pedro Dominguinhos. O gestor e "monitor" do PRR referiu que as dificuldades que a indústria da construção está a sentir são conhecidas e verificam-se por via "quer pelo aumento dos preços e, sobretudo, pela escassez de matérias-primas".

O acordo estabelecido com Bruxelas prevê que, até ao final deste ano, sejam 190 habitações sociais apoiadas a famílias que vivam em condições indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso de uma habitação adequada. Essas habitações têm de ter "necessidades energéticas primárias, pelo menos, 20% inferiores aos requisitos dos edifícios com necessidades quase nulas de energia" e, pelo menos, "90 metros quadrados".

Pedro Dominguinhos sublinhou, no entanto, que "há um conjunto de metas que até agora foram cumpridas e a perspetiva de serem cumpridas no próximo pedido de reembolso também são elevadas", colocando Portugal mais perto de apresentar um novo pedido de desembolso de mais verbas do PRR no primeiro trimestre do próximo ano (Jornal de Negócios, texto da jornalista Joana Almeida)

Inflação alta trama economia...

BCE veio alertar que as famílias com rendimentos mais baixos serão duramente atingidas pela inflação e pelas taxas de juro, que irão voltar a subir já em dezembro. A economia portuguesa está a dar sinais de abrandamento face a «um contexto de elevada inflação». O alerta foi dado pelo Instituto Nacional de Estatística ao referir que «os indicadores de curto prazo (ICP) relativos à atividade económica na perspetiva da produção, disponíveis para setembro, apontam para uma desaceleração da atividade», após ter acelerado em agosto, retomando o perfil de abrandamento registado entre março e julho e registando a taxa mais baixa desde março de 2021”.

Também o indicador de clima económico, que sintetiza os saldos de respostas extremas das questões relativas aos inquéritos qualitativos às empresas, diminuiu entre agosto e outubro, «reforçando o movimento descendente iniciado em março e atingindo o mínimo desde abril de 2021».  O montante global de levantamentos nacionais, pagamentos de serviços e compras em terminais TPA apresentou um crescimento homólogo de 12,9% em outubro (14,2% no mês anterior). 

O caso explosivo da venda do Banif

Ex-governador do Banco de Portugal arrasou as ‘negociatas’ feitas pelo Governo em várias instituições financeiras, como BES, BIC e Banif. A venda deste último levou mesmo Marques Mendes a pedir uma investigação por parte do Ministério Público. O caso Banif é aquele que carece de maiores explicações e que é visto por Luís Marques Mendes como o «mais explosivo». Foi desta forma que o conselheiro de Estado analisou todos os ‘casos’ que surgem no livro O Governador, de Luís Rosa, sobre os dois mandatos de Carlos Costa à frente do Banco de Portugal (BdP), sugerindo mesmo a abertura de inquérito por parte do Ministério Público – curiosamente, entre as personalidades presentes no auditório da Fundação Gulbenkian que serviu de palco à apresentação da obra encontrava-se a antiga procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. Em causa está o processo de venda da instituição financeira ao Santander no final de 2015 por 150 milhões de euros, apesar de a operação ter envolvido um apoio total de 2,4 mil milhões de euros por parte dos cofres do Estado. Na altura, o Banco de Portugal justificou esta venda com as «imposições das instituições europeias e a inviabilização da venda voluntária do Banif que conduziram a que a alienação decidida fosse tomada no contexto de uma medida de resolução», garantindo que «esta solução é também a que melhor protege a estabilidade do sistema financeiro português».

sábado, novembro 19, 2022

Mundial 2022: Os números da vergonha que o Qatar não quer ver nem mostrar



Entre trabalhadores mortos ou feridos, direitos humanos desrespeitados e milhões de dólares gastos são muitos os valores que ajudam a perceber as vozes críticas contra a realização do campeonato naquele país. À medida que se aproxima o início do Mundial de Futebol, no próximo domingo, 20, mais e novos factos vão sendo revelados sobre a preparação desta competição, a maior e mais importante a nível futebolístico. Com as equipas de jornalistas de todo a mundo já no terreno, mais notícias serão publicadas sobre os direitos humanos e dos trabalhadores da construção dos estádios de futebol desrespeitados pelas autoridades daquele país do Médio Oriente. Estes números, que ficarão na História do desporto, não abonam em nada a favor da competição. E, por mais que Gianni Infantino, presidente da FIFA, peça para que o foco seja apenas o futebol, é impossível.

0 - Número de cláusulas ou condições de direitos humanos referentes à proteção dos trabalhadores solicitadas pela FIFA às autoridades do Qatar, ao conceder os direitos de ser o país anfitrião da prova mundial.

200 mil milhões de dólares - quantia gasta pelo Qatar na preparação do Mundial de Futebol, mais 189 mil milhões de dólares do que os 11 mil milhões gastos pela Rússia em 2018.

Um novo paradigma? Supremo espanhol condena utilizador do Facebook por comentários de terceiros

Se tem por hábito deixar insultos na caixa de comentários, o melhor é passar a agir com cautela. Em Espanha, os donos de perfis no Facebook já foram responsabilizados por comentários de terceiros. O que começou com um post de protesto contra os vizinhos que, durante anos, tentaram impedir a realização de obras numa vivenda, acabou com uma condenação dos autores do post, não por aquilo que tinham escrito, mas sim pelos comentários ao mesmo. Numa decisão inédita, o Supremo Tribunal Espanhol decidiu que os donos dos perfis no Facebook também são responsáveis pelo o que terceiros escrevem, cabendo-lhes a tarefa de moderar, condenando um cidadão espanhol a pagar três mil euros de indemnização por insultos feitos por outras pessoas na caixa de comentários. Num acórdão de 3 de novembro deste ano, os juízes começaram por absolver o autor do post, referindo que o texto não tinha a “gravidade e intensidade” suficientes para constituir um crime de ofensa à honra, nem quando o autor acusou os vizinhos – que embargaram as obras – de serem homofóbicos e de manterem construções ilegais. O problema colocou-se com os comentários, quando várias pessoas, em apoio ao autor do post, entraram numa espiral de insultos: “lixo”, “ralé” ou “eu acabo com eles” e “contrata um capanga”. E aqui o Supremo espanhol não perdoou, considerando que o dono de um perfil tem poderes para “bloquear, ocultar, contestar” todos os que comentam nas sua página e não, como no caso concreto, até agradecer as mensagens de apoio. Por isso, “não pode desinteressar-se pelo que outros utilizadores publicam no seu perfil”, considerando que estes são os únicos responsáveis pelo que escrevem (Visão)

"A Europa está a jogar um jogo muito perigoso". Primeiro-ministro húngaro diz que sanções à Rússia vão levar à guerra

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, classificou as sanções da União Europeia contra a Rússia como um "passo em direção à guerra", reforçando que a estratégia adotada por Bruxelas "é perigosa". “Quem intervem economicamente num conflito militar toma uma posição”, afirmou o líder nacionalista, na sua tradicional entrevista semanal a uma rádio próxima do Governo. “Pouco a pouco, estamos a deslizar para a guerra”, insistiu, mostrando-se preocupado com a quantidade de medidas adotadas para sancionar a ofensiva russa na Ucrânia. Viktor Orban critica regularmente as sanções europeias, apesar de ter votado a favor da sua adoção, ao lado dos seus parceiros, culpando-as pelos reveses económicos no país da Europa Central. A economia húngara contraiu no terceiro trimestre (em relação ao segundo) e a inflação ultrapassou os 20 por cento, chegando a 45% na alimentação. O Governo lançou uma “consulta nacional” sobre a questão e colou cartazes no país onde se vê a imagem de um míssil acompanhada da mensagem “As sanções de Bruxelas estão a arruinar-nos”. O primeiro-ministro disse estar pronto para lutar contra um possível novo pacote de sanções e garantir que a Hungria, muito dependente dos hidrocarbonetos russos, fique “isenta”, como aconteceu com o embargo ao petróleo. “Agora estamos a fornecer armas destrutivas, estamos a treinar soldados ucranianos no nosso próprio território, estamos a impor sanções energéticas. (…) Estamos a tornar-nos parte integrante” do conflito, defendeu Orban. “Ainda não somos alvos militares, mas estamos prestes a tornar-nos beligerantes. A Europa está a jogar um jogo muito perigoso”, concluiu (Sapo)


Com o inverno à porta, contestação à inflação na Europa ameaça causar instabilidade política



Greves e protestos por salários equiparados a uma inflação sem precedentes devido à guerra russa na Ucrânia, que aumentou os preços da energia e dos alimentos, ameaçam intensificar-se no inverno e causar instabilidade política na Europa. A cerca de um mês do início da estação mais fria no continente europeu, a onda de contestação já começou em vários países, com milhares a protestar na Plaza Mayor em Madrid; uma greve geral em França, onde 100.000 pessoas também saíram à rua esta semana em várias cidades exigindo aumentos salariais que acompanhem o ritmo da inflação; milhares numa marcha em Berlim; manifestantes na Roménia a tocarem buzinas para expressar revolta contra o aumento do custo de vida; e, no Reino Unido, uma greve sem precedentes dos enfermeiros e outra no setor ferroviário. Isto, depois de os primeiros protestos terem ocorrido em setembro, por exemplo com uma concentração de 70.000 pessoas na República Checa a contestar a forma como o Governo estava a lidar com a crise energética, e manifestações em cidades alemãs como Colónia e Leipzig. Apesar de os preços do gás natural terem caído em relação aos recordes registados no verão e de os Governos terem investido, desde setembro de 2021, 576 mil milhões de euros em iniciativas para aliviar as despesas com a energia das famílias e empresas, segundo o ‘think tank’ Bruegel, de Bruxelas, tal não se revelou suficiente para muitos manifestantes. Os preços da energia elevaram a inflação nos 19 países da Zona Euro para um recorde de 9,9% em setembro, tornando mais difícil para as pessoas a compra dos bens de que necessitam. Muitas não veem outra alternativa a não ser ir para a rua protestar. Embora a estabilização dos preços da energia e um outono ameno tenham representado para os europeus um bem-vindo intervalo, uma nova sondagem sugere que a crise para a qual a Europa está a preparar-se neste inverno já chegou. Uma em cada quatro pessoas diz estar em situação precária, ao passo que a maioria dos europeus já passaram mal por causa de dificuldades financeiras, revelou o mais recente estudo de opinião da organização não-governamental (ONG) francesa Secours Populaire, citado pela Euractiv (rede de meios de comunicação pan-europeia independente). A Secours Populaire, o instituto de investigação IPSOS e os seus parceiros europeus entrevistaram 6.000 cidadãos europeus sobre a questão da precariedade em seis países: França, Itália, Grécia, Alemanha, Polónia e Reino Unido. “Há um aumento muito acentuado da precariedade na Europa”, declarou a secretária-geral da Secours Popular, Henriette Steinberg. Os números finais mostram que 51% dos inquiridos na Grécia dizem que uma despesa inesperada pode deitá-los abaixo. Este número é de 18% na Alemanha e de entre 20% e 25% em França, Itália, Polónia e Reino Unido. “Existe uma preocupação crescente entre os europeus de que cada vez mais pessoas não conseguem encontrar soluções viáveis para se sustentarem e às suas famílias”, indicou Steinberg. A maioria dos europeus já se confrontou com escolhas complicadas devido a uma situação financeira difícil: alguns tiveram de diminuir as deslocações, reduzir o aquecimento, comprar menos alimentos para conseguir pagar a prestação do empréstimo da casa, pedir ajuda a familiares e arranjar empregos adicionais para sobreviver. “Apercebemo-nos de que todos os europeus têm as mesmas preocupações: alimentação, cuidados de saúde, habitação e condições para criar os filhos. Esta é a vida quotidiana de dezenas de milhões de pessoas”, observou a responsável da ONG. Em outubro, a inflação anual na Zona Euro — que já tinha registado um recorde de 9,9% em setembro — subiu para 10,6%, segundo o Eurostat, gabinete de estatística da União Europeia. Mas, para alguns europeus, poupar dinheiro não é suficiente: 42% dos inquiridos já pediram a familiares para lhes emprestarem ou darem dinheiro para conseguirem sobreviver. Este número é “um sinal de alarme”, segundo Steinberg, porque significa que “estas pessoas já não têm como sobreviver”. A taxa de endividamento é mais elevada na Grécia (63%), seguida do Reino Unido, Itália e Polónia (entre 40% e 41%), França (36%) e Alemanha (35%). Mas pedir empréstimos não é sustentável a longo prazo, porque, argumentou a deputada francesa Aurélie Trouvé, citada pela Euractiv, por um lado, “as pessoas não se atrevem a pedir dinheiro aos seus familiares, ou estes simplesmente não podem ajudá-las”, e, por outro lado, “é provável que as famílias contraiam empréstimos ao consumo, mas essa solução de emergência pode ser arriscada, perante o aumento das taxas de juro”. “O risco mais grave seria o surgimento de uma crise financeira e bancária, como durante a crise do ‘subprime’ em 2007, nos Estados Unidos, se as famílias já não tiverem solvência”, declarou Trouvé, que defende a reposição do poder de compra das famílias mais pobres para relançar o crescimento económico. “Se as famílias já não tiverem poder de compra, então a procura ficará a meio-gás e entrará em queda. Se a procura colapsar, a produção também colapsa e, com ela, os empregos”, alertou, acrescentando: “É um círculo vicioso, estamos a caminhar para uma catástrofe social”. A empresa de consultoria de risco Verisk Maplecroft, citada pela agência de notícias norte-americana Associated Press (AP), também partilha a opinião de que as consequências da guerra na Ucrânia – invadida pela Rússia a 24 de fevereiro deste ano — “aumentaram drasticamente o risco de agitação civil na Europa”. Os líderes europeus apoiaram fortemente a Ucrânia, enviando armas para o país, impondo sanções políticas e económicas à Rússia e “comprometendo-se ou vendo-se obrigados a abdicar do petróleo e do gás natural russos baratos, mas a transição não está a ser fácil e ameaça minar o apoio público” aos Governos europeus. “Não há uma solução rápida para a crise energética”, sustentou Torbjorn Soltvedt, analista da Verisk Maplecroft, acrescentando que “o mais provável é que a inflação seja pior no próximo ano do que tem sido este ano”. Tal significa que a relação entre a pressão económica e a opinião popular sobre a guerra na Ucrânia “será realmente testada”, comentou (Sapo)

TAP contesta espaço dado à EasyJet

 

Sentiu-se desconforto dentro da TAP com a transferência da easyJet do terminal 2 para o 1, o que aconteceu depois de a companhia low cost ter ficado com 18 slots (faixa horária para aterrar e levantar voo) diários que a transportadora aérea portuguesa se viu obrigada a abdicar, como penalização pela aprovação do plano de reestruturação por Bruxelas. A TAP não se queixou formalmente, mas questiona o acesso da easyJet às mangas (posições de contacto), um bem escasso no congestionado aeroporto Humberto Delgado e cobiçado por tornar as operações mais eficientes e a circulação dos passageiros mais rápida. Em carta enviada ao presidente da ANA, Thierry Ligonnière, a 14 de novembro, a que o Expresso teve acesso, a TAP afirma que a concessionária está a adotar “práticas que discriminam positivamente a easyJet na utilização do terminal 1”, e que isso tem não só um impacto “adverso na sua operação, como distorce a concorrência”. E apresenta números, dizendo que desde 31 de outubro, data em que a easyJet passou para o terminal 1, até 12 de novembro, a TAP teve acesso a 640 mangas, para um total de 1799 voos (36%), enquanto para a easyJet foram disponibilizadas 241 mangas para um total de 386 voos (62%).

Madeira pode comprometer objetivos????

 

O time-sharing, a Madeira dos anos 70 e o ‘olho Pestana’

 

Meio século depois, o hotel quase falido no Funchal que herdou do pai transformou-se num grupo presente em 16 países. Mas nem tudo foi fácil. Dionísio Pestana chegou à Madeira em 1976, para tomar conta do hotel que o pai tinha criado quatro anos antes. Para tentar salvar o negócio. Hoje, 50 anos depois, tem um grupo com mais de 100 hotéis em 16 países. Tudo começou na África do Sul, em Joanesburgo, onde a família vivia e onde Dionísio nasceu, em 1952. A família Pestana tinha negócios na área do comércio e a certa altura foi aconselhada a investir fora do país. Como recorda em entrevista ao Expresso: “O meu pai emigrou e fez investimentos na área do retalho. Quando já tinha algum dinheiro, o advogado lá na África do Sul, que era uma pessoa com visão, disse que o país ia ter os seus problemas com o apartheid. Como falávamos a mesma língua que em Moçambique, disse que devíamos fazer um investimento em Lourenço Marques ­(atual Maputo).” Assim nasceu o Prédio Funchal, ao lado da Sé, “um prédio de rendimento”.

Uma aposta que gerou dinheiro para depois investir no primeiro hotel na Madeira. “Um desafio feito pelo governador da Madeira, que na altura ia muitas vezes à África do Sul.” Manuel Pestana, o pai de Dionísio, decidiu arriscar, ainda que pouco ou nada soubesse do negócio. “O meu pai só ficava num hotel de vez em quando, mas, tirando isso, não sabia o mínimo de hotelaria.” Comprou um terreno em 1966, começa as obras em 1968 e o hotel Pestana Carlton abre portas em novembro 1972. Há precisamente 50 anos, um período de boom no turismo madeirense. O arranque não foi fácil. Dio­nísio recorda: “Em 1972 abre um mês, no inverno é fraco, 1973 era o lançamento, só que não era como hoje, era telex, páginas amarelas e operadores, grupos, nem sequer operadores grandes, então não era fácil.” Ao fim de um ano, decidem “arranjar uma companhia internacional para fazer a gestão”. Escolheram a Sheraton, mas o contrato era leonino e custou, mais tarde, a ser desfeito. Entretanto, chegou o 25 de Abril de 1974, com toda a turbulência que isso implicou, e as coisas agravaram-se.

Dionísio Pestana Presidente do Grupo Pestana: "Tenho um medo imenso do lóbi dos empreiteiros”

 

A pandemia mudou tudo, e o turismo foi um dos sectores que mais sofreu. O Grupo Pestana investia €50 a €60 milhões e parou tudo. Neste momento, Dionísio Pestana está a rever a estratégia e, com a inflação em máximos de três décadas, vai concentrar-se “na receita e em controlar as despesas”. Tem medo do lóbi da construção, que, diz, destruiu o Algarve, e quer passar aos filhos um grupo sem problemas.

Como é que olha para os próximos anos do turismo em Portugal?

Olho para um futuro com potencial muito grande. Mas ainda há muita coisa para fazer. Para diversificar um pouco. É uma coisa que está muito concentrada.

Em termos geográficos?

Geográficos. No tempo de Cavaco Silva não havia ordenamento e fizeram barbaridades. O Algarve foi o primeiro. Tenho um medo imenso do lóbi dos empreiteiros. E faziam aquilo do dia para a noite. Foi o negócio imobiliário, aquelas 200 mil camas paralelas no Algarve, que matou o destino. Agora, se eu não posso construir um hotel perto da praia, o que é que vou vender no Algarve? Tenho de arranjar alternativas. Há muita maneira hoje de fazer turismo.

A pandemia mostrou como Portugal continua a ter uma localização absolutamente inacreditável dentro da União Europeia.

Tem, tem. O potencial está lá. Mas não vamos deixar fazer mais Portimão, as Albufeiras, isso é que já não. O turista também já não procura isso, mais depressa vai às vilas piscatórias.

Direitos humanos: Escolha do Catar muito criticada

 

O tema dos Direitos Humanos está a gerar grandes polémicas. Os enviados da RTP falaram com o diretor da Organização internacional do Trabalho, que desmente o número de mortos na construção dos estádios que vão acolher o Mundial. As organizações não-governamentais avançam com cerca de 6.500. O presidente da República vai estar no primeiro jogo de Portugal no Catar.

Marcelo e o Mundial de futebol: "Catar não respeita os direitos humanos" mas, "enfim, esqueçamos isto"...

 

Marcelo explicou aos jogadores que este será "um campeonato muito difícil", não só por uma inédita calendarização no inverno europeu, como pelas "condições muito difíceis, da construção dos estádios aos direitos humanos". O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que "o Catar não respeita os direitos humanos", a três dias do arranque do Mundial2022 de futebol, mas vai assistir ao jogo Portugal-Gana, em 24 de novembro.

"O Catar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa. Começámos muito bem e terminámos em cheio", disse Marcelo Rebelo de Sousa, na zona de entrevistas rápidas no Estádio José Alvalade. O Presidente da República falava após a vitória de Portugal sobre a Nigéria, por 4-0, no último particular antes da partida para o Catar, na sexta-feira, para disputar o Campeonato do Mundo. Marcelo explicou aos jogadores que este será "um campeonato muito difícil", não só por uma inédita calendarização no inverno europeu, como pelas "condições muito difíceis, da construção dos estádios aos direitos humanos".

Direitos das mulheres no Catar: Questão silenciada pela FIFA

 

Direitos Humanos no Catar: Tema devia ter-se colocado antes da escolha, diz Macron

 

Também o presidente de França foi confrontado com a questão dos Direitos Humanos no Catar. Emmanuel Macron diz que essas perguntas deveriam ter sido colocadas na altura em que o país foi escolhido, não agora.

Contra as aldrabices dos do costume: Tribunal de Contas arrasa medidas “inúteis” do Ministério da Economia durante a pandemia

 

O Tribunal de Contas chumbou o anterior Ministério da Economia e da Transição Digital (METD) no exame à eficácia das medidas tomadas em reação ao impacto adverso da pandemia de covid-19 na economia em 2020. No período analisado, o ministro da Economia do governo liderado por António Costa era Pedro Siza Vieira. Segundo os resultados da auditoria que o Tribunal de Contas revelou esta quinta-feira, 15 das 24 medidas extraordinárias tomadas pelo METD não “tiveram execução financeira até 31/12/2021, não obstante 16 das 24 medidas constarem do Programa de Estabilização Económica e Social vigente até ao final de 2020”. “Verifica-se que para nove dessas medidas não foram reportados orçamento, execução financeira, meta e resultado até 31/12/2021, e para as outras quinze o respetivo indicador mede a sua execução financeira e não o cumprimento do seu objetivo, não sendo apropriado para avaliação direta da sua eficácia. Além disso, para seis das 15 medidas com orçamento não foi reportada execução financeira até 31/12/2021”, critica o Tribunal de Contas. “As deficiências detetadas”, diz este órgão fiscalizador, “evidenciam que, até 31/12/2021, a reação ao impacto adverso da pandemia não estava a ser adequada para assegurar a recuperação da economia e confirmam como principais riscos das medidas indicadas: incompletude e insuficiência da informação reportada; insuficiente grau de execução das medidas; ineficácia das medidas”.

EUA repreenderam Zelensky por afirmar em vídeo que “os mísseis russos atingiram a Polónia”

O conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, repreendeu o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, por culpar a Rússia pelo míssil que atingiu a Polónia e resultou na morte de duas pessoas, num vídeo partilhado nas redes sociais. No seu discurso diário habitual, cerca de uma hora após ter sido divulgado que os destroços se encontravam em território polcao, Zelensky afirmou: “Os mísseis russos atingiram a Polónia”, considerando o incidente como “uma escalada muito significativa”. Esta comunicação do presidente da Ucrânia foi feita pouco tempo depois do incidente, o que levou Sullivan a aconselhar Zelensky a “ser mais cauteloso nas suas declarações públicas”, uma vez que não foi ainda confirmada a responsabilidade do sucedido, relata a CNN Internacional. Sullivan ligou para o gabinete de Zelensky e recomendou “mais cuidado” na forma como estavam a falar sobre o sucedido. Embora o presidente ucraniano tenha pedido, na terça -feira à noite, para conversar com Joe Biden, não chegaram a entrar em contacto.

Menos de metade dos portugueses poupa para a reforma

 

Menos de metade dos portugueses (42,7%) está neste momento a poupar para a sua reforma — ainda que a proporção de pessoas a poupar para outros fins seja superior. O maior incentivo para a poupança para a reforma é a previsão de quebra de rendimentos no futuro, seguido de quem acredita que terá custos maiores com a saúde e de quem pretende ter dinheiro para viajar. Estas são algumas das conclusões de um inquérito coordenado pelo professor universitário Fernando Alexandre, sobre a poupança de longo prazo em Portugal, e que será apresentado na conferência anual da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) desta quinta-feira, 17 de novembro. O inquérito insere-se num estudo alargado que está a ser realizado em parceria entre o supervisor e a Universidade do Minho. Neste inquérito, que contou com uma amostra superior a 1700 pessoas, foi concluído que 67% de quem respondeu poupa, seja qual for o destino desse dinheiro. A maioria dos inquiridos deixa de lado um montante fixo de forma regular. Só que depois, olhando especificamente para a poupança para a reforma, a percentagem desce para 42,7%, deixando menos de metade dos portugueses expostos aos rendimentos que possam ter quando deixarem a fase ativa da vida.

BCE: Riscos cada vez maiores para o sistema financeiro

 

O aumento da probabilidade de uma recessão técnica na zona euro, inflação elevada, condições financeiras mais restritivas e menor liquidez está a aumentar os riscos para o sistema financeiro. O aumento da probabilidade de uma recessão técnica na zona euro, inflação elevada, condições financeiras mais restritivas e menor liquidez está a aumentar os riscos para o sistema financeiro. O alerta é do vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE). “As famílias e empresas em toda a Zona Euro já estão a sentir os efeitos de uma inflação mais elevada e de uma atividade económica mais fraca, no meio da atual crise energética provocada pela guerra na Ucrânia”, afirmou Luis de Guindos. Já esta terça-feira, o BCE tinha afirmado que aqueles com rendimentos mais baixos irão ser “duramente” mais atingidos pela inflação e pelas subidas das taxas de juro a partir do final deste ano e correm mesmo o risco de não conseguir pagar as suas dívidas. Um alerta que levou João César das Neves ao garantir que “o risco não é futuro, mas presente”, garantindo ainda que “já estamos a viver essa realidade e  que ela vai agravar-se nos próximos tempos”.

Nota: a guerra e as cautelas de todos nós

 

Recomendo que as pessoas, nesta fase do conflito que continua a ameaçar não apenas, e dramaticamente, a Ucrânia mas todos os europeus - ameaçá-los sobretudo em termos económicos e ainda não chegamos a 2023 em que a pobreza é uma forte ameaça para muitas famílias europeias... - que haja o bom senso e a inteligência e o pragmatismo q.b. para separarmos o trigo do joio. Obrigatoriamente.

Uma coisa é a vergonha criminosa e sanguinária de Putin e dos seus bandalhos no Kremlin quando invadiram a Ucrânia e continuam por lá a matar e a destruir, outra coisa é nos deixarmos enganar - como se a ingenuidade e a verdade existissem no espaço mediático em tempos de guerra - pela propaganda, pela manipulação, pelas mentiras e as idiotices da propaganda, quer dos beligerantes, quer dos seus aliados. E neste caso, e sobretudo a propaganda de Kiev. 

Porque a propaganda de Moscovo - falamos de uma ditadura que esmaga a comunicação social, persegue e prende jornalistas ou até os manda matar - há muito que conhecemos e sabemos que vale Zero. O problema é que os ucranianos, em termos de uma balança da verdade "versus" a mentira, para lá caminham, igualando ou até piorando (as cópias rafeiras são sempre piores que os originais asquerosos) a esquizofrenia doentia e mentirosa da propaganda mais nojenta e mentirosa que por causa disso, e em tempos de guerra não pode ser aceite como verdade absoluta e muito menos como uma verdade factual. 

E não nos esqueçamos: os russos, mesmo os milhões que pretensamente estão contra a guerra, não podem ainda manifestar livremente em defesa das suas ideias e pensamentos, por que vivem num pais que é uma ditadura sanguinária, sem princípios morais, liderada por uma corja bandidos e corruptos ladrões. Não nos esqueçamos que em Portugal demoramos quase 50 anos a dar a volta a uma situação semelhante... (LFM)

Portugal entre os países que mais confiaram no Governo durante a pandemia

O nível de confiança dos portugueses na informação fornecida pelo Governo durante a pandemia destaca-se quando comparado com outros países, principalmente em janeiro, mês em que Portugal se posicionou como o país onde este nível foi maior. Entre abril de 2020 e janeiro deste ano assinalaram-se níveis de confiança permanentemente baixos em França e no Reino Unido, enquanto que Portugal encontra-se no topo da lista acompanhado pelos Países Baixos e Dinamarca, segundo a análise do European COVID-19 Survey (ECOS) que tem como foco monitorizar “as perceções e comportamentos da população ao longo do tempo relativamente à pandemia”. A situação pandémica fez com que, nos primeiros meses após a propagação do coronavírus, a população de diversos países confiasse menos nos conselhos e medidas impostas pelos diferentes governos para conter a doença. No Reino Unido registou-se um decréscimo significativo, passando de 84% em abril de 2020 para 63% em setembro do mesmo ano contudo, os britânicos foram recuperando a confiança no governo a partir de abril de 2021.

quinta-feira, novembro 17, 2022

Elias Burgsdorff: a visão de quem escreve os discursos de Ursula von der Leyen

Há uma equipa responsável por escrever os discursos da Presidente da Comissão Europeia. Elias von Burgsdorff é alemão e o mais novo dos três redatores. Ao Europa Minha, explica como é o dia a dia de um escritor de discursos e descreve ainda como é trabalhar com Ursula Von der Leyen.

sábado, novembro 12, 2022

Previsões de Bruxelas: Portugal cresce apenas 0,7 por cento em 2023


A Comissão Europeia prevê que a economia portuguesa cresça 0,7 por cento em 2023. É cerca de metade da previsão do Governo. Bruxelas prevê ainda que a inflação em Portugal fique este ano nos 8 por cento e desça para 5,8 por cento no próximo ano.

Cabaz de Natal: produtos alimentares aumentaram 30 por cento

 

Os produtos alimentares estão a registar aumentos consecutivos de preço. O leite, os ovos, a farinha ou o açúcar sofreram aumentos na casa dos 30%. A RTP foi uma mercearia fazer as compras para o Natal e ver quão mais caro pode ser o cabaz este ano.

Madeira: Hoteleiros e agentes de viagens estão reticentes em relação ao próximo ano

 

Perante as incertezas, os hoteleiros e agentes de viagens admitem que os números turísticos devem ficar abaixo, na Região, em relação ao deste ano.

Madeira: Incertezas económicas podem representar uma ameaça para o setor turístico

 

Uma preocupação deixada por conferencistas e governantes na Conferência Anual do Turismo, promovida pela Ordem dos Economistas.

António Costa vai processar o antigo governador do Banco de Portugal

 

Carlos Costa afirmou que o primeiro-ministro lhe fez um telefonema a dizer que não podia tratar mal a filha do presidente de Angola no processo do Banco de Portugal para afastar Isabel dos Santos da Administração do banco BIC.

Acionistas da TAP aprovam alterações ao capital da companhia

 

Estas alterações servem para dar cumprimento ao plano de reestruturação, “inscrito nos compromissos que a empresa e o Estado português têm com Bruxelas”, diz o administrador financeiro da TAP. Os acionistas da TAP aprovaram esta sexta-feira, em assembleia geral, uma proposta do Estado para um aumento do capital, seguido de redução em igual valor, e injeção de dez milhões de euros, confirmou à Lusa o CFO da companhia. Segundo Gonçalo Pires, estas alterações servem para dar cumprimento ao plano de reestruturação, “inscrito nos compromissos que a empresa e o Estado português têm com Bruxelas”.

Na convocatória, disponível no site da companhia, o Estado deu conta da ordem de trabalhos, na reunião magna da TAP SGPS, para “a realização de um aumento de capital social da Sociedade do atual montante de 15.000.000,00 euros para o montante de 239.093.530,00 euros” na “modalidade de entradas em espécie a subscrever pela acionista República Portuguesa, representada pela Direção Geral do Tesouro e Finanças (DGTF), mediante a conversão das prestações acessórias na Sociedade de que é titular a República Portuguesa, representada pela DGTF, no montante de 224.093.530,00 euros com a emissão de 22.409.353 novas ações ordinárias escriturais, com o valor nominal de 10,00 euros (dez euros)” cada uma.

Açores: Bolieiro critica o PS-A em relação à revisão constitucional

O líder regional do PSD fala em "derrota por incapacidade". José Manuel Bolieiro garante que serão introduzidos conteúdos autonómicos na proposta do Partido Social-Democrata, a nível nacional.

PS-Açores não inclui autonomias regionais na revisão constitucional apresentada na República

 

Os socialistas açorianos querem uma posição consensual, formalmente aprovada pelo parlamento regional. Berto Messias diz que o PS está comprometido com o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido pela Comissão para a Reforma da Autonomia, que pertence ao parlamento regional.

Administrador da TAP diz que tripulantes "podem vir a ganhar mais" do que em 2019, mas só se "trabalharem mais"

 

O administrador com o pelouro financeiro da TAP (CFO), Gonçalo Pires, garantiu que "todos os tripulantes de cabine da TAP podem vir a ganhar mais do que ganhavam em 2019", mas que para isso têm de "trabalhar mais". Em entrevista à Lusa, a propósito da renegociação dos acordos de empresa que está a decorrer na companhia, e que motivou a convocação de uma greve pelo Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC), Gonçalo Pires disse que a proposta da TAP assenta no aumento da produtividade. “Não queremos confundir ninguém, é preciso ter uma discussão informada e perceber que a reação do sindicato dos tripulantes de cabine à proposta da TAP” deve ser “enquadrada no mundo real”, referiu, salientando que não há “mais oportunidades para fazer da TAP uma empresa financeiramente sustentável”, tendo em conta as ajudas de Estado, de 3,2 mil milhões de euros, o que obriga a “administração a rever a estrutura de custos da empresa e fazer tudo o que está ao seu alcance para tornar a empresa financeiramente rentável”.

Ladrão atropelado recebe indemnização de 40 mil euros e dono da casa é processado por homicídio na forma tentada


Um jovem assaltante de 19 anos vai receber uma indemnização de 40 mil euros por ter sido atropelado quando fazia um assalto a uma residência. O caso aconteceu em 2019, em Guimarães.  O ladrão, Paulo Pinto, foi atropelado pelo dono da residência, acabando por processar o homem pelos danos que sofreu e exigiu cerca de 80 mil euros de indemnização. Pelo assalto, Paulo foi condenado a pena suspensa. O Tribunal da Relação de Guimarães (TRG) decidiu dar razão ao assaltante e ordenou à seguradora do condutor a pagar a quantia, numa primeira instância, de 32 352 euros. Agora, o Tribunal aumentou a indemnização, sendo que o assaltante irá receber 40 mil euros. Segundo a imprensa nacional, o acórdão do TRG admite que "estando em causa suspeita da prática de um crime de furto, em flagrante delito, a lei autoriza a detenção por qualquer pessoa, se não estiver presente nem puder ser chamada em tempo útil numa autoridade judiciária ou entidade policial", mas conclui que "os meios empregues na execução dessa detenção não podem ser excessivos ou desproporcionados". O dono da propriedade foi ainda alvo de processo por homicídio na forma tentada. A seguradora contestou a ação, ao afirmar que " mesmo que se provasse o atropelamento doloso, não estava obrigado a indemnizar eventos nos quais a utilização de um veículo é manisfestante instrumental à atuação do agente, sendo aquele o único responsável". Argumento que os juízes não aceitaram.

quinta-feira, novembro 10, 2022

Este ano regista mais processos de insolvência entrados na comarca da Madeira

 

O ano de 2022 regista mais processos de insolvência entrados na comarca da Madeira em relação ao primeiro semestre do ano passado. Mais de 80 por cento são pessoas singulares.

Hoteleiros consideram mau para a Região o cancelamento de operações aéreas

 

O mercado alemão é para já o mais atingido, mas há outras procedências como é o caso de França. O Governo Regional lembra que os cancelamentos são compensados por novas rotas, já a partir de dezembro.

Madeira: Vinte e um por cento dos jovens desempregados na Região tem ensino superior

 

Em setembro deste ano, 21 % (263) dos jovens desempregados tinham curso superior. No terceiro trimestre do ano, a taxa de desemprego na Madeira fixou-se nos 6,2 %.

Tripulantes da TAP podem ganhar até 50% mais que na British Airways e voam menos

Comparação entre os vencimentos máximos das duas companhias feito pela TAP conclui que tripulantes portugueses podem chegar a salários muito superiores, mesmo voando menos. Sindicato contesta números. Os tripulantes da TAP podem ganhar até mais 50% do que os colegas da British Airways, mesmo com os cortes salariais em vigor, segundo as conclusões de uma comparação feita por uma consultora para a companhia, a que o ECO teve acesso. Os tripulantes da transportadora aérea britânica fazem também mais horas de voo. O principal sindicato que representa a classe diz que valores são “falsos” e “inflacionados”. Segundo o estudo comparativo, um comissário assistente de bordo pode conseguir uma remuneração total 30% superior à de um tripulante de cabine da British Airways, tendo em conta as atuais condições salariais em vigor na companhia aérea portuguesa, que aplica um corte salarial de 25% aos vencimentos superiores a 1.410 euros. A diferença é ainda maior no caso de um supervisor de cabine, o último nível da carreira, em que a remuneração total, incluindo as componentes fixa e variável, pode ser 50% superior ao salário máximo da carreira de tripulante na British Airways.

Portugal é o 8.º país que recebeu mais fundos do PRR

 

Portugal já recebeu cerca de 20% do total do PRR, mas apenas mil milhões chegaram efetivamente ao terreno. Já Espanha executou mais de metade (59%) das verbas que recebeu de Bruxelas. A Comissão Europeia pagou a Portugal 3,3 mil milhões de euros dos 16,6 mil milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Isto significa que Portugal recebeu já 19,9% da bazuca, ou seja, é o oitavo país que já recebeu mais verbas comunitárias ao abrigo dos planos de resiliência, estando 1,3 pontos percentuais acima da média comunitária. Mas os pagamentos efetivos aos beneficiários públicos e privados estão aquém deste registo. A execução dos planos de resiliência tem sido alvo de discussão política em toda a Europa. Marcelo Rebelo de Sousa fez, aliás, um aviso público à ministra da Coesão, Ana Abrunhosa, sobre a execução do PRR. “Não lhe perdoo“, disse o Presidente da República sobre uma má execução da bazuca europeia. Portugal surge no oitavo lugar, medido pela percentagem de fundos recebidos em função do pacote global do PRR de cada Estado-membro. E quem lidera? Espanha, que tem o segundo maior envelope financeiro, de 69,5 mil milhões de euros, já recebeu 31 mil milhões, o que corresponde a uma taxa de 44% e põe o país vizinho na liderança do ranking.

Mais de 60% dos portugueses deseja uma semana de trabalho de quatro dias

 

Mais de oito em cada 10 trabalhadores portugueses (86%) gostariam de ver reduzida a duração da sua semana de trabalho, aponta o inquérito "O estado da compensação 2022-23". Mais de 60% dos trabalhadores deseja uma semana de trabalho de quatro dias, com 23,9% a manifestar interesse numa semana de trabalho de 32 horas, mesmo que isso signifique um corte de salário, segundo os resultados de “O estado da compensação 2022-23”, organizado pela Coverflex. Mais de oito em cada 10 trabalhadores portugueses (86%) gostariam de ver reduzida a duração da sua semana de trabalho e, 62,1%, se lhe fosse dada essa opção, gostaria de concentrar a semana de trabalho de 40h em quatro dias. Os dados do estudo sobre o futuro do trabalho levado a cabo pela Coverflex, startup que opera na área de benefícios aos trabalhadores, surge num momento em que o Governo discute com os parceiros sociais o futuro piloto sobre a semana de quatro dias que deverá arrancar em 2023. Uma proposta que não tem colhido boa recetividade junto dos representantes das empresas. Os dados do inquérito – realizado, entre 14 de setembro e 4 de outubro de 2022, junto a 1.438 pessoas, maioritariamente entre os 25 e os 34 anos (46,5%), dos quais 51,1% do sexo feminino, na sua maioria da região de Lisboa (41,7%) – relevam ainda que 23,9% dos trabalhadores estaria disponível a uma jornada de trabalho de 32h, em vez das atuais 40h, mesmo que isso implique uma redução salarial. Apenas 14% dos inquiridos continua a preferir o atual modelo de 40h/cinco dias.

Quase uma em cada 4 crianças portuguesas em risco de pobreza e exclusão social, aponta Eurostat

 

Cerca de uma em cada quatro crianças portuguesas com menos de 18 anos (22,9%) vivia, em 2021, em situação de pobreza ou exclusão social, um valor abaixo da média da União Europeia (UE 24,4%), segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat. De acordo com o serviço de estatística da UE, a pobreza e a exclusão social abrangem ainda 22,5% das pessoas acima dos 18 anos, com a média da UE a registar um valor aquém do de Portugal (21,1%). Entre os Estados-membros, em 2021, as maiores percentagens de crianças em risco de pobreza e exclusão social foram registadas na Roménia (41,5%), Espanha (33,4%) e Bulgária (33,0%) e as menores, por seu lado, na Eslovénia (11,0%), Finlândia (13,2%) e República Checa (13,3%). O Eurostat sublinha que as crianças que crescem em situação de pobreza e exclusão social têm maior dificuldade em obter bons resultados escolares, em ser saudáveis e a perceber o seu potencial no futuro. Correm ainda maior risco de desemprego, pobreza e exclusão social em adultos (Multinews, texto do jornalista Pedro Zagacho Gonçalves)

CDS-PP avança com despedimento coletivo

 

O CDS-PP avançou com o despedimento coletivo de, pelo menos, seis trabalhadores, na sequência das debilidades financeiras que o partido enfrenta e após a perda de representação parlamentar no Parlamento, apurou o ECO. Fonte oficial do partido liderado por Nuno Melo diz apenas que “o CDS não comenta questões internas na comunicação social”. A intenção foi comunicada a seis trabalhadores “a 12 de maio deste ano pela atual direção do partido” com a justificação da “perda total representação parlamentar na Assembleia da República“, bem como da própria reestruturação da organização interna do partido, conta ao ECO António Miguel Lopes, um dos visados neste processo e que avançou no passado dia 28 de outubro com uma ação judicial contra o CDS-PP, em conjunto com Alexandra Uva, por não concordar com o decorrer do processo. Militante há 36 anos e a trabalhar ao serviço do CDS desde 1998, António Miguel Lopes ocupou várias funções dentro do partido, desde assessor do gabinete da Presidência, coordenador do gabinete de comunicação e até dar “apoio ao gabinete autárquico nacional na direção”, função que desempenhava até ao seu último dia de trabalho, a 31 de agosto deste ano.

Sondagem: Portugueses consideram que aumentos salariais não são suficientes


Os aumentos salariais, anunciados pelo Governo e acordados no âmbito da Concertação Social, "não são suficientes", na ótica dos portugueses. Essa insatisfação é generalizada, desde o salário mínimo à valorização da remuneração na Função Pública e nos privados. É uma das conclusões da sondagem feita pela Aximage para o JN, TSF e DN. Os inquiridos consideram, ainda, insuficiente o apoio de três mil milhões de euros para aliviar os custos da energia nas empresas. Em ambos os casos, as opiniões são transversais a todas as faixas etárias (a partir da maioridade) e colhem simpatizantes de todos os partidos, incluindo aqueles que votaram no Partido Socialista nas últimas eleições legislativas. No que toca ao acordo de rendimentos, firmado entre o Governo, os parceiros sociais e o setor privado, a maioria dos inquiridos (65%) garante já ter ouvido falar das medidas consagradas no documento. No entanto, não estão satisfeitos com os valores acordados para a subida faseada do ordenado mínimo, que crescerá para os 760 euros no próximo ano e chegará aos 900 em 2026. Mais de metade dos inquiridos afirma que os valores "não são suficientes", enquanto 28% consideram "suficientes" e 6% não têm opinião formada.

Quatro idosos por dia são vítimas de violência. Muitas vezes na família

 

O último relatório da APAV, referente ao ano de 2021, revela que uma média de quatro idosos por dia são vítimas de violência. A partir de Coimbra, a Fundação Bissaya Barreto e a linha SOS Pessoa Idosa registaram o dobro dos pedidos de ajuda. Agressões de familiares aumentam. A vítima é geralmente do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 70 e os 74 anos. Um total de 1594 pessoas idosas foram vítimas de crime e de violência no ano passado, o que corresponde a uma média de quatro pessoas por dia. Os dados são da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e foram disponibilizados a propósito do Dia Internacional da Pessoa Idosa, que se celebrou no início do mês. No que diz respeito ao perfil da vítima, esta é geralmente do sexo feminino (cerca de 75,5%), com idades compreendidas entre os 70 e os 74 anos. Já o autor do crime é, em cerca de 52,3% das situações, do sexo masculino e com uma média de idades (16%) acima dos 65 anos. Em cerca de 29% dos casos, a vítima é pai ou mãe do autor do crime.

Opinião alheia: Os pobres mais pobres

Portugal torna a despertar para a pobreza. E se uma região liderasse todos os rankings de subdesenvolvimento do país ou de toda a UE? Essa região existe e são os Açores. Quase não há um indicador em que o arquipélago não se distinga pela negativa. Lisboa assobia para cima, os políticos, intelectuais e corporações locais assobiam para o lado. Nem os pobres se indignam: não chegam a saber que são pobres. O paraíso tem verso sombrio. Há uns tempos perguntaram-me por que razão faço tanta questão que o meu filho, com nascimento aprazado para este outono, cresça nos Açores, onde nasci e vivo desde 2012. Ensaiei argumentos numa crónica de jornal — a centralidade da geografia, a presença do mar, a exuberância da natureza — e até cheguei a aflorar a importância, para uma avaliação geral, da paleta socioeconómica disponível: “Porque poderá conhecer uma razoável abundância e todos os géneros de pobreza, contanto consigamos ajudá-lo a munir-se de curiosidade e de amor.” Mas, agora que penso nisso com mais cuidado, percebo que deixei o mais importante de fora.

Quero que o meu filho cresça nos Açores porque, à partida, crescerá inserido na classe média. Nenhum outro lugar em Portugal é tão privilegiado para uma família de classe média como os Açores. Entretanto, um rico vive tão bem no arquipélago como — é da sua condição — onde quer que seja. Já um pobre vive pior do que em qualquer outra região do país, em alguns casos até da Europa. E para o percebermos não precisamos de exercer uma motricidade muito fina. Nem sequer de visitar de facto as ilhas: basta-nos abrir o site do Instituto Nacional de Estatística (INE) ou mesmo o da Pordata.

Um em cada dez trabalhadores era pobre em 2019. Mas rendimento não é o único fator

 

Em 2019, 439.242 trabalhadores viviam em situação de pobreza, o que representa cerca de 10% das 4,5 milhões de pessoas que trabalhavam em Portugal naquele ano. Cerca de 10% das pessoas que trabalhavam em Portugal em 2019 eram pobres, sendo o rendimento apenas um dos fatores, segundo um relatório divulgado esta sexta-feira que sublinha a importância dos apoios sociais para a mitigação da pobreza. As conclusões constam da nota intercalar dedicada à pobreza no trabalho do relatório “Portugal, Balanço Social”, da Nova School of Business and Economics (Nova SBE), Fundação “la Caixa” e o BPI. Em 2019, 439.242 trabalhadores viviam em situação de pobreza, o que representa cerca de 10% das 4,5 milhões de pessoas que trabalhavam em Portugal naquele ano.

Os dados são anteriores à pandemia da Covid-19 e à atual crise financeira, que poderão aumentar os níveis de pobreza face à inflação, mas a escolha foi intencional, explicou à Lusa Susana Peralta, uma das autoras, afirmando que o objetivo era analisar uma situação estrutural, reportando, por isso, “a um momento em que o mercado de trabalho estivesse a funcionar normalmente”. Relativamente aos resultados, a economista e docente na Nova SBE explicou que a pobreza no trabalho resulta do rendimento, mas não só.

Berardo reclama fim do arresto da sua colecção, que diz valer 1,5 mil milhões de euros

 

Advogados do empresário citam nova avaliação feita pelo galerista norte-americano Gary Nader. Ministério da Cultura lembra que as avaliações posteriores a 2006 “foram feitas sem acesso à colecção”. A Associação Colecção Berardo entregou esta quarta-feira, no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, um requerimento pedindo a revogação da acção de arresto judicial que em Julho de 2019 visou a colecção de arte contemporânea do empresário José Berardo, depositada no Centro Cultural de Belém (CCB) desde 2006. O argumento que os advogados do empresário invocam para esta nova diligência, revelada esta manhã pelo Diário de Notícias, é uma avaliação que terá sido realizada no passado mês de Setembro pelo galerista e coleccionador norte-americano Gary Nader. O conjunto das 862 peças que constituem o fundo da Colecção Berardo sediada no CCB atinge, de acordo com esta nova avaliação, um valor próximo de 1,5 mil milhões de euros, soma que cobre com grande vantagem os 962 milhões de euros das reclamadas dívidas do empresário à Caixa Geral de Depósitos, ao BCP e ao Novo Banco. “Não tendo havido manifestamente desvalorização da garantia [dada em 2008, quando a Colecção Berardo foi avaliada pela Christie’s em 316 milhões de euros], antes tendo havido a valorização [agora] verificada, esta acção [o arresto] não pode proceder”, defendem os advogados Henrique Abecasis e Carlos Costa Caldeira num documento a que o PÚBLICO teve acesso.

Coleção Berardo. 1,8 mil milhões, fim do arresto e adeus ao CCB?

 

Valorização das obras abre portas ao fim da apreensão judicial. Advogados de Joe Berardo contestam pretensões "abusivas e de má-fé" de Novo Banco, CGD e BCP. Ministério da Cultura admite negociar com quem for o proprietário da coleção se as obras saírem do CCB. O que em 2008 valia quase 316 milhões de euros, avaliação feita pela Christie"s, e em 2009 mais de 509 milhões, avaliação da Gary Nader, vale hoje quase 1,5 mil milhões de euros. A nova avaliação da arrestada Coleção Berardo, também da Gary Nader, ontem entregue no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, na ação principal de que depende o arresto da coleção, sustenta o requerimento dos advogados de Joe Berardo que contesta o pedido "de indemnização" do Novo Banco, CGD e BCP alegando que é "fundado numa pretensa desvalorização do penhor". "É abusivo e de má-fé alegar a insuficiência da garantia para cobrança de todo o crédito, pois tal insuficiência já se verificava, aliás, aquando da constituição do penhor e nunca poderia fundar o direito a qualquer indemnização" que, ainda, não foi quantificada pelos bancos, argumentam.