sábado, setembro 24, 2022

Opinião: Cimeiras não chegam...

Este ano foram retomadas as cimeiras insulares, Madeira-Açores, iniciadas em 1977. Recordo-me que nesse ano estive em Ponta Delgada a acompanhar a primeira edição destes encontros. Mota Amaral e Ornelas Camacho lideravam os primeiros governos insulares, Alberto João Jardim era o lider parlamentar do PSD na Assembleia Regional da Madeira (não tenho a certeza mas julgo que era Natalino Viveiros no caso do PSD-Açores) e as autonomias regionais, constitucionalmente consagradas em 1976, davam ainda os seus primeiros mas ambiciosos passos.

Não duvido que é importante retomar estes encontros, sobretudo depois de anos de interregno. Houve uma altura em que haviam Cimeiras alargadas tambem às Canárias, apesar das diferentes especificidades autonómicas entre os 3 arquipélagos, neste caso visando uma estratégia comum no plano europeu e da construção do conceito da ultraperiferia, realidade que só anos depois (considerando o ano de 1977) foi institucionalizada no quadro comunitário.

É importante retomar por que estas cimeiras têm que ser úteis, não apenas usadas poara fins mediáticos sempre idiotas em determinados momentos em que em cima da mesa estão assuntos substancialmente mais importantes que essa palhaçada mediática que alimenta tantos egos na política dos dias que correm. Estas Cimeiras não devem ter subjacente uma lógica partidária. Mas no fundo foi isso que aconteceu, sobretudo depois do PS ter chegado (com Carlos César)ao poder nos Açores, altura em que distanciamento entre Madeira e Açores foi crescendo. As Cimeiras são, devem ser, encontros institucionais destinados a analisar questões comuns e a definir estratégias iguais por parte das ilhas junto do sempre desconfiado, pouco amistoso e centralista poder político em Lisboa. Independentemente dos avanços, que nunca foram significativos até hoje, há que pressionar, na certeza de que não chegam apenas as Cimeiras e os documentos nelas assinados. Há todo um trabalho político, em Lisboa, que tem que ser persistente, pragmático e construtivo, atitude que, sem submissões, assume sempre uma dimensão fundamental na obtenção de algum sucesso no processo reivindicativo das autonomias.

sexta-feira, setembro 23, 2022

Sondagem: Os mais atingidos pela crise admitem ceder à Rússia

 

Apoio da população à resistência ucraniana é maioritário, mas 32% admitem ceder à Rússia para acabar com a guerra. Entre os mais vulneráveis, a maioria já é outra. “A guerra vai ter custos enormes para a vida de todos”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa em março, pouco depois de Vladimir Putin ter dado ordem de invasão da Ucrânia. Passaram sete meses desde esse dia, o aumento dos preços estendeu-se a bens essenciais e a todo o mundo, o impacto nas economias — e nas famílias — tornou-se palpável. Em Portugal, passado este tempo, quase um terço dos portugueses assume uma posição contracorrente: “Seria melhor que a guerra terminasse o mais depressa possível, mesmo que isso implique ceder às exigências da Rússia e as suas consequências.” Foi esta a resposta de 32% dos inquiridos na sondagem do ICS/ISCTE, realizada para o Expresso e SIC, que quis medir o sentimento das famílias face à evolução do conflito na Europa. A resposta estava em confronto com outra, a que responderam (ainda) mais de metade dos inquiridos, 54% deles: “Seria melhor que a Ucrânia continuasse a resistir à Rússia, mesmo que isso implique prolongar a guerra e as suas consequências.”

Cardeal Tolentino Mendonça vai ser o próximo "ministro" da Cultura e Educação do Vaticano

 

O cardeal português José Tolentino Mendonça, atual arquivista e bibliotecário da Santa Sé, vai ser responsável pelo novo Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, o que pode ser equiparado a um ministério. A informação foi avançada pelo jornal “Sete Margens”, que cita fontes eclesiásticas. A nomeação vai ocorrer “dentro de dias”, possivelmente já no início da próxima semana, e surge no âmbito da entrada em vigor da nova constituição Praedicate Evangelium (“Anunciai o Evangelho”), que regula e renova o funcionamento da Cúria Romana. Tolentino Mendonça terá a seu cargo a rede escolar católica do mundo inteiro: outras 217 mil escolas com 62 milhões de crianças, e 1360 universidades católicas, 487 universidades e faculdades eclesiásticas, num total de 11 milhões de alunos. O cardeal português de 56 anos, que também é colunista do Expresso, vai coordenar ainda as relações entre a Igreja e o mundo da cultura, literatura, artes e património. Vai trabalhar com o bispo Carlos Azevedo. Poeta, teólogo e biblista, Tolentino Mendonça foi responsável pelo Secretariado da Pastoral da Cultura da, e é ainda capelão e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP). É um dos três cardeais portugueses que podem votar num conclave para escolher o Papa (Expresso, texto do jornalista Tiago Miranda)

Maiores obras públicas nem metade dos fundos gastaram

 

Ao nono ano deste “velho” quadro comunitário Portugal 2020 ainda há grandes investimentos públicos com dificuldades em sair do papel, apesar do financia­mento europeu na ordem dos 85%. Basta olhar para os mais recentes dados do portal Mais Transparência e fazer um zoom à taxa de execução das 20 maiores obras públicas apoia­das pelo Portugal 2020. Os dados referem-se a 30 de junho de 2022, quando faltava ano e meio para o fim do prazo deste quadro comunitário, que arrancou em 2014 e termina em 2023. Então, o conjunto das 20 maiores obras públicas só executara 40% do envelope de €1,1 mil milhões a que teve direito no Portugal 2020. Apenas meia dúzia destas obras conseguiu investir 70% ou mais dos fundos obtidos. A maioria tem, pelo menos, dois terços dos fundos ainda por gastar. A mais atrasada é a construção do Hospital Central do Alentejo, que arrancou em 2021: só executou 3% dos €40 milhões aprovados pelo Alentejo 2020.

A Infraestruturas de Portugal (IP) responde por metade destas grandes obras públicas. A maioria são da Ferrovia 2020, apoiadas pelo programa Compete 2020. E tem duas obras que só mais tarde garantiram fundos do programa POSEUR, após a grande reprogramação do Portugal 2020 de 2018. A modernização da Linha Ferroviária de Cascais obteve €50 milhões, dos quais executou 7%. E o Sistema de Mobilidade do Mondego executou 16% dos €57 milhões. Impossíveis de concretizar no Portugal 2020, ambas as obras deverão ser divididas em duas fases, passando a segunda fase para o Portugal 2030. Bruxelas já flexibilizou esta regra de transição entre quadros comunitá­rios para mitigar o corte de fundos. O Governo já admitiu que vai fasear a Ferrovia 2020 e terminá-la após 2023.

Sondagem Expresso/SIC: maioria dos portugueses já corta no lazer, gás, luz e água (e muitos em bens essenciais)

 

Portugueses já reduzem consumos, para fazer face ao enorme aumento dos preços, mostra a sondagem do ISC/ISCTE. Um terço teve de cortar em bens de primeira necessidade e 19% em despesas de saúde. Prestação da casa é um risco para 57%. Se já são 48% os portugueses que dizem viver com dificuldade com os seus atuais rendimentos — mais sete pontos do que há seis meses —, como é que todos se estão a adaptar à subida histórica da inflação? A maioria com cortes em despesas de lazer, mas também muitos com cortes em produtos essenciais para o dia a dia, conclui a sondagem realizada pelo ICS/ISCTE para o Expresso e a SIC. A primeira resposta faz parte de todos os livros de história económica: é no lazer que as famílias cortam primeiro quando têm de controlar os gastos. Assim, 72% dos portugueses admitem ter lidado com o aumento de preços evitando “despesas com atividades de lazer, tais como pas­seios, refeições fora de casa, hobbies, cinema ou espetáculos”. Mas não chega. Em cima disto, 62% dos que responderam ao inquérito dizem ter “diminuído o uso de eletricidade, gás e/ou água em casa”, num contexto de aumento generalizado dessas contas. É também uma maioria, demonstrando como o aperto já chega a grande parte da classe média.

Sondagem SIC/Expresso: pacote de ajuda do Governo desagrada, mas não tanto aos pensionistas

 

Mais de um terço dos portugueses não gostaram das medidas anti-inflação apresentadas por António Costa, mostra a sondagem ICS/ISCTE. Mas os reformados são dos menos descontentes, apesar da polémica das últimas semanas. Famílias ‘aflitas’ sobem sete pontos em seis meses. Para 87% dos inquiridos o pior está para vir. Há três semanas que a oposição critica reiteradamente o Governo por se preparar para fazer um corte no valor-base das pensões a partir do próximo ano, há três semanas que no mundo mediático se critica a forma que o Governo escolheu para aliviar os pensionistas do aumento da inflação, ou o modo como o anunciou. Mas, se as medidas anunciadas por António Costa para aliviar o impacto da inflação na vida das famílias, aprovadas agora pelo Parlamento, não merecem aplauso da maioria dos portugueses, elas também não parecem ter melindrado particularmente os eleitores socialistas, ou sequer os pensionistas. De acordo com a sondagem ICS/ISCTE realizada para o Expresso e a SIC, são mais os inquiridos que consideram as medidas “más” ou “muito más”, 36%, do que aqueles que as veem de forma positiva (18%), mas o pacote “Famílias Primeiro” acaba por ser visto como neutro para 41% dos inquiridos neste estudo.

Nota: como vai ser Marítimo?


Não sou do Marítimo mas incomoda-me o que ser passa, no plano desportivo, com o clube madeirense. Por isso, perante novas notícias hoje publicadas na imprensa, acho que é fundamental a Rui Fontes, de quem sou amigo, pugnar, caso concorde, por duas prioridades: por um lado, rever a política de comunicação que no caso do Marítimo me parece algo desastrosa, porque demasiado institucionalizada. Em, segundo lugar o Rui tem que pegar o "boi pelos cornos" e transmitir aos sócios uma outra imagem do Presidente do clube, de alguém que controla a situação, que vai ao encontro da equipa, que fala olhos-nos-olhos aos jogadores e técnicos, quando for necessário, um Presidente que está empenhado em resolver o problema do Marítimo que continua sem nenhum ponto conquistado. Uma certa ideia de fragilidade presidencial - pelo menos é essa a minha opinião, mas admito que esteja errada - a par de uma comunicação que tem que sair dos limites institucionais e se "popularizar" - como outros clubes fazem - é essencial. Como sou dos "antigos" olho para o futebol profissional - e não quero abordar a questão da SAD por que no caso do Marítimo continuo sem perceber a sua utilidade, salvo se é obrigatória essa opção (julgo que não é) ou se existe a intenção a médio prazo, de abrir a instituição a accionistas privados -  para as suas virtudes e limitações, comparando com passado recente. Nesse contexto, acho que a figura de um secretário-geral no clube - não confundir com o director desportivo limitado à equipa de futebol, poderia ser uma boa solução. Mas repito, não sendo sócio, nem simpatizante do Marítimo, mas madeirense que acha que o nosso futebol tem que ir muito mais além do que um sobe-e-desce ou lutar apenas pela sobrevivência (o Gil Vicente foi esta época a uma prova europeia, será que é mais do que o Marítimo?) - nenhum dos casos é uma mais-valia para a RAM, digam o que disserem - gostaria que dessemos rapidamente a volta a deixássemos de ser o primeiro, de baixo para cima. E nestes tempos de crise, de incerteza, de medo e de ansiedade das pessoas, o "maior das ilhas" tem responsabilidade acrescida, a de pelo menos manter os egos dos seus bem elevados e não acentuar um ambiente algo depressivo que se aproxima. Ora nem isso sucede, infelizmente, com este último lugar e zero pontos em 7 jogos realizados. Claro que o ambiente pior fica quando vemos comentadores - e eu vi e ouvi - dizerem que o CSM é o primeiro candidato à descida, que não joga nada e que não tem um plantel de qualidade. Isso foi repetidamente afirmado nas televisões após a goleada na Luz. (LFM)


segunda-feira, setembro 19, 2022

Sondagem: PS lidera intenções de voto mas PSD aproxima-se

 

O barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV mostra que o PS está em queda e o PSD em ascenção nas intenções de voto. Chega reforça posição na sondagem como terceira força política. O PS está a perder parte da vantagem que tem sobre o PSD, de acordo com o barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV. Os socialistas obtêm em setembro 30,6% das intenções de voto (já feita a extrapolação dos que dizem não votar), o que representa uma descida face aos 33,1% do mês passado. Já o PSD obtém 24,7%, uma subida de 1,9 pontos percentuais. A distância passa de cerca de 10 para 6 pontos percentuais. O Chega marca posição como terceira força política, mostra ainda a sondagem, com 9,2% das intenções de voto, mais do que os 8,4% de agosto. Em sentido inverso, a Iniciativa Liberal cai de 7,1% para 5,2%, ficando com a mesma percentagem do Bloco de Esquerda (que tinha obtido 5,0% em agosto). Mais abaixo, surge CDU com 2,9%, uma subida de 0,7 pontos percentuais; PAN (2,5%, subida face aos 1,3% de agosto); Livre (1,8%); e CDS (1,1%).

Rei Carlos III não terá que pagar imposto britânico de 40% sobre herança de cerca de 34 mil milhões de euros

A Rainha Isabel II morreu no dia 8 de setembro de 2022 aos 96 anos no Castelo de Balmoral, na Escócia, depois de mais de 70 anos do reinado mais longo da história do Reino Unido. Carlos III, o seu filho primogénito assumiu assim aos 73 anos as funções de rei. O novo monarca herdou assim a “Propriedade da Coroa”, estimada pelo ‘MoneyWise’ como mais de 34 mil milhões de dólares (cerca de 33,9 mil milhões de euros) em ativos. E com isso, herdou ainda o facto de não ter de pagar o imposto britânico de 40% sobre as heranças, pois o chefe da Monarquia Britânica tem esse benefício fiscal. Para além dos ativos da “Propriedade da Coroa”, que envolvem uma carteira de ativos e bens imobiliários, como o Palácio de Buckingham e terrenos e propriedades em Londres e no Reino Unido, o Rei Carlos III vai ainda herdar a riqueza pessoal de Isabel II, cerca de 500 milhões de dólares (cerca de 498 milhões de euros), que também não estão sujeitos ao imposto. Apesar dos benefícios fiscais, a publicação explica que o novo monarca não poderá vender nenhum destes bens, mas que pode receber os lucros destes através da “Sovereign Grant”, acrescentando que, no ano passado, a “Propriedade da Coroa” lucrou 311 milhões de dólares (cerca de 310 milhões de euros) (Executive Digest, texto da jornalista Mariana da Silva Godinho)

Como apoiar quem tem crédito?

Há mais de dois anos, a pandemia de covid-19 chegou e temeu-se um forte impacto nos créditos à habitação, por via das famílias que ficaram sem rendimentos com o fecho de atividades. Vieram as moratórias, mas foi preciso um enquadramento europeu que possibilitasse a definição dessa suspensão do pagamento sem ter efeitos negativos nos bancos que afetassem o seu capital e colocassem em risco a sua solidez. Essas soluções exigiram contactos entre o Governo e o sector bancário, que agora, no fecho do verão de 2022, se estão a repetir. A razão é outra: as subidas abruptas da taxa de juro diretora do Banco Central Europeu (de zero em junho subiu já aos 1,25% em setembro e deverá, estimam bancos internacionais, escalar aos 2% em outubro). Tais agravamentos estão a ter impacto nas Euribor, utilizadas como indexantes nos créditos à habitação. E as famílias veem-se a braços com prestações mais de €100 acima das que enfrentavam até aqui.

Revisão de spreads reduz pressão

É boa altura para renegociar o seu crédito à habitação? Em momentos de subida das taxas de juros é normalmente o que acontece. E não é difícil descobrir porquê, em particular depois de um período em que as taxas de juro nos créditos à habitação estavam em níveis muito baixos e mesmo negativos. Por isso, qualquer aumento, sobretudo quando se vive uma subida grande da inflação, justifica voltar a fazer contas e perceber onde pode emagrecer a fatura a pagar com o crédito. “Os bancos estão a praticar spreads muito competitivos e podem até baixar ainda um pouco mais”, diz o economista da Deco/Proteste Nuno Rico. Em termos de informação no preçário dos bancos, o spread mínimo é praticado pelo Bankinter: 0,90%. Mas o Expresso sabe que o banco espanhol vai avançar com um spread mais baixo, à volta de 0,85%, colocando mais pressão na concorrência (ver tabela).

Financiamento: Entidade das Contas deixa cair mais um ano de processos sobre contas dos partidos

Processos relativos a 2014 e 2013 prescreveram. Lei de 2018 reforçou competências mas não os recursos, o que atrasou a fiscalização. Entidade dá agora prioridade às contas dos últimos dois anos. Em quatro meses, é a segunda vez que a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) deita mais uma toalha ao chão: depois de, em Maio, ter assumido a prescrição dos processos relativos às contas dos partidos relativas a 2013, a entidade que funciona junto do Tribunal Constitucional (TC) anunciou esta semana a mesma decisão sobre os processos de irregularidades detectadas nas contas de 2014. E justifica que, para prevenir violações da lei pelos partidos, a fiscalização tem que ser feita em tempo útil.

Ao declarar a prescrição dos processos, a ECFP desiste de prosseguir a fiscalização daquelas contas e os partidos ficam também livres de pagar as eventuais coimas a que estariam sujeitos. O aviso já tinha, aliás, sido feito em 2018, quando a entidade alertava para a “situação de ruptura e risco de prescrição” de processos pendentes relativos à fiscalização de contas de partidos e contas de campanhas eleitorais desde 2015 devido a uma alteração às leis do TC e do financiamento dos partidos no início desse ano – a mesma que motivou um veto de Marcelo por outra regra entretanto revogada, a de permitir a isenção total do IVA aos partidos.

Ensino: Uma crise do tamanho da Europa

 

Da Itália à Suécia, da França à Alemanha, de Portugal à Finlândia, a falta de professores é um flagelo europeu. São vários os países que enfrentam grandes dificuldades em recrutar docentes para substituir os milhares que estão a reformar-se, a abandonar a profissão ou que entram de baixa. O envelhecimento da classe, sentido um pouco por toda a Europa, acelera a erosão, e a ‘crise de vocação’ que parece estar a afetar o ensino não ajuda.

As explicações para o fenómeno são várias e diferem de sistema para sistema. Nalguns casos serão os salários baixos, noutros a burocracia, as turmas mais difíceis, as dificuldades de progressão na carreira ou ainda o desgaste profissional e a pressão dos pais. No limite, será um pouco de tudo isto que está a afastar os mais novos da carreira. “Todos estes fatores tornam a profissão mais complexa e stressante e por isso menos atrativa para os jovens, sobretudo quando veem que as condições de trabalho e os níveis de autonomia não acompanham o grau de profissionalização exigido para corresponder a todas as expectativas da sociedade”, resume Karine Tremblay, analista da divisão de políticas da OCDE e durante anos responsável pelo maior estudo internacional sobre professores (Talis).

Portugal já sente as ‘dores’ da subida dos juros pelo BCE

 

Os dois impactos mais diretos do aumento desde julho das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) sobre as finanças do país sentem-se já no encarecimento do crédito à economia e na subida do custo de financiamento da dívida pública. Esta semana, a taxa Euribor a 6 meses (a mais usada como referência para o crédito à habitação) já atingiu mais de 1,5%, tendo aberto o ano em terreno bem negativo. No leilão de dívida pública, na quarta-feira, na colocação de obrigações do Tesouro português no prazo a 10 anos, o Estado já teve de pagar aos investidores um juro de 2,754%. Foi mais de um ponto percentual acima da taxa de 1,694% que pagou em abril aquando da operação sindicada de lançamento daquela linha que vence em julho de 2032. As projeções do algoritmo do portal financeiro World Government Bonds (WGB) apontam para um juro nos títulos portugueses a 10 anos em 3,4% no final deste ano, 100 pontos-base acima do custo de financiamento da dívida alemã. O que equivale a um spread de um ponto percentual, sensivelmente igual ao atual. Em termos globais das emissões de dívida portuguesa já realizadas em 2022, a taxa média de colocação já subiu de 0,6% no ano passado para 1,3% no final de julho. Mais do que duplicou.

Marcelo avisa Costa: devia “explicar a sua visão” para o próximo ano, porque o que aí vem pode ser “mau”

Presidente defende que o Governo devia anunciar o cenário sobre inflação, crescimento e emprego que espera para 2023. “Quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”, lembrou Marcelo. António Costa, de partida para quatro dias em Nova Iorque, já não terá oportunidade para responder, mas o desafio directo em jeito de conselho ficou feito: o Presidente da República defende que o Governo “talvez ganhasse em explica aos portugueses qual é a visão que tem para o próximo ano”. Porque, vinca, “isso é muito importante para que os portugueses percebam que, quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”.

As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa foram feitas no sábado à noite aos jornalistas à entrada para o concerto de João Gil no Coliseu dos Recreios e noticiadas pelo Expresso e pelo Observador. “O Governo é o primeiro a ganhar em explicar que 2023, se continuar a guerra e a inflação, não será um ano parecido com este, não terá o crescimento deste “, insistiu.

domingo, setembro 18, 2022

DGS recomenda uso de máscara em farmácias, transportes públicos e aeroportos

 

A orientação faz parte de uma atualização que surge três semanas após o Governo ter decretado o fim da obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos e aviões. A DGS afirma que, tendo em conta a atual situação epidemiológica, é aconselhável a utilização das máscaras a qualquer pessoa com idade superior a 10 anos sempre que se encontre em ambientes fechados. O uso obrigatório de máscara mantém-se nos hospitais e nas residências de idosos.

Há em Portugal dois milhões e trezentas mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão social

 

Os números são relativos a 2021 e foram divulgados pelo Eurostat. Significam mais 256 mil pessoas do que em 2020 e uma subida de 5 lugares no mapa do risco europeu. Passamos a ser o oitavo país da União Europeia com maior risco de pobreza ou exclusão social.

Mais de um milhão de portugueses continuam sem médico de família

 

Há mais 200 mil portugueses que passaram a ter médico de família. Apesar disso no país todo, ainda há 1,2 milhões de utentes que continuam à espera que lhes seja atribuído um médico.

Condução autónoma 5G: Primeira viagem ocorreu entre Valença e Tui

A primeira viagem em Portugal de condução 100 por cento autónoma através da tecnologia 5G realizou-se na ponte que liga Valença a Tui. Resulta de uma consórcio que envolve 58 parceiros de 13 países. Um avanço tecnológico em ambiente real e com vários obstáculos no percurso.

Pensões de reforma: Oposição acusa Governo de mentir aos pensionistas

 

Os partidos da oposição insistem que o Governo continua a faltar à verdade no que toca ao apoio extraordinário dos pensionistas. Acusações feitas na Assembleia da República, onde foi debatido o pacote de medidas anunciadas pelo executivo para combater o impacto da inflação. Fernando Medina, acusa a direita de "hipocrisia".

Presidente da CGD prevê aumento significativo do crédito mal parado

 

A prestação dos créditos à habitação pode subir 50% no espaço de um ano. O presidente da Caixa Geral de Depósitos admite que por causa disso o crédito malparado na banca vai aumentar.

TAP: sete a dez vezes maiores, candidatos cobiçam hub e mercados


Os potenciais candidatos a comprar a TAP, dossiê em que se têm posicionado os grupos Lufthansa, Air France/KLM e IAG, são verdadeiros gigantes ao lado da companhia aérea portuguesa, uma das poucas que se mantêm fora dos grandes grupos europeus. A diferença é grande desde logo ao nível da frota, mas também das receitas e do número de passageiros transportados. Com conversas explorató­rias com os potenciais interessados na privatização da TAP a decorrer, e, como noticiou o Expresso, havendo vontade por parte do Governo de acelerar a venda — também porque a companhia, a partir de 2023, não poderá receber dinheiro do Estado durante 10 anos e há uma emissão de obrigações a vencer no próximo ano —, certo é que a procissão ainda vai no adro. Não obstante, o Chega e o PCP querem ouvir no Parlamento o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre a possibilidade de, no curto prazo, privatizar mais de 50% da TAP.

As candidatas favoritas à privatização, a Lufthansa e a Air France/KLM, são entre sete e cinco vezes maiores do que a TAP ao nível da frota — o grupo liderado pela companhia alemã tem 713 aviões, mais 176 aeronaves que a sua rival franco-holandesa. A IAG, grupo que junta a Iberia, a British Airways e a Aer Lingus, tem uma frota mais pequena do que os dois grupos concorrentes, mas a curta distância da Air France/KLM — estes têm 537 aviões e os primeiros 531 (ver foco de pontos). Já a nível de receitas a diferença é bastante significativa, pois a TAP é 10 vezes mais pequena do que o grupo Lufthansa e a Air France/KLM e seis vezes menor do que a IAG. Valores que se espelham no número de passageiros transportados, também 10 vezes a desfavor da TAP. Os números são de 2021, ainda distantes dos números pré-covid, em que o maior grupo europeu, a Lufthansa, por exemplo, transportava 145 milhões de passageiros e tinha vendas de 36,4 mil milhões, enquanto a TAP transportava 17 milhões de passageiros e tinha receitas de €3,3 mil milhões.

2,3 milhões de pobres: Portugal foi o país da UE que mais subiu nos índices de pobreza e a carência atingiu jovens e idosos de forma igual

Os últimos dados do Eurostat revelam que o risco de pobreza e exclusão social está a aumentar e atinge um em cada cinco habitantes dos estados-membros da União Europeia. Mas não afeta todos por igual. É distinto por país, género, idade e composição familiar. Portugal está abaixo da média europeia, em oitavo entre os piores, e foi o que mais se afundou nas condições de vida, fruto da pandemia. Temos, agora, 2,3 milhões de pobres.

A União Europeia está a conseguir combater o risco de pobreza e exclusão?

De acordo com os últimos dados do Eurostat, relativos a 2021, a UE tem 95,4 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, o que representa 21,7% da população, um em cada cinco residentes nos estados-membros. Em relação ao ano anterior o aumento não foi significativo (cerca de 1%), mas ainda assim mais pessoas passaram a viver com um rendimento abaixo do limiar da pobreza ou sofrem uma privação material e social severa – não têm capacidade para ter pelo menos 7 de 13 item desejáveis ou necessários para uma qualidade de vida adequada – ou integram um agregado familiar com uma atividade laboral muito baixa, em que os adultos trabalham menos de 20% do tempo em que, potencialmente, o poderiam fazer. Basta um destes três critérios para entrar na estatística da pobreza. Mas há 5,9 milhões de europeus a acumular os três.

Pilotos da TAP ficam sem corte extra e recebem compensação por falha da empresa

 

Sindicato dos pilotos diz que os associados aprovaram proposta que inclui recebimento de compensação extraordinária no final deste mês na sequência de decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre falhas no pagamento de subsídios há dez anos. Os pilotos da TAP vão ter uma descida no corte salarial em vigor, que vai passar de 35% para 25% acima dos 1410 euros a partir do dia 1 de Janeiro de 2023, e irão receber uma compensação financeira extraordinária no dia 29 deste mês, de acordo com o comunicado enviado esta sexta-feira pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). Esta compensação, diz o SPAC, será apurada de forma individual em função do perfil de cada piloto da TAP, e surge após as negociações com a companhia aérea e com o Ministério das Infra-estruturas, “realizadas no âmbito do Acórdão Interpretativo do Supremo Tribunal de Justiça” do início de Julho de 2022, que foi favorável aos pilotos, “relativamente ao cômputo da retribuição de férias e do subsídio de férias pela TAP, há mais de uma década”.

Nova mentira do ministro: Portugal está a crescer mais do que todos os países da UE, como diz Medina?

 

O ministro das Finanças afirmou que Portugal não só está a crescer acima da média da UE, como também está a crescer “acima de cada um” dos Estados-membros.

A frase

“A economia portuguesa não está a crescer [apenas] acima da média da União Europeia. A economia portuguesa está a crescer acima de cada um dos países da União Europeia.”

O contexto

Numa audição regimental na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, Fernando Medina referiu que o Produto Interno Bruto (PIB) português deve crescer acima dos 6% em 2022. E, em resposta ao deputado Hugo Carneiro, do PSD, o ministro das Finanças retorquiu contra a “retórica” de que Portugal apenas cresce mais porque caiu mais durante a pandemia, referindo que o país não só está a crescer acima da média da União Europeia (UE), como também está a crescer “acima de cada um dos países da União Europeia”.

Exportações do gás russo podem estar a chegar à Europa através da China, alerta relatório

As exportações de gás russo estão a chegar à Europa através da china, denunciou a publicação alemã ‘Deutsche Welle’. “O mercado global de gás natural liquefeito (GNL) está cada vez mais bem integrado e as mudanças na procura regional podem ajudar a equilibrar os mercados que, de outra forma, seriam apertados. Esse redirecionamento de fluxos atende aos interesses de todas as partes envolvidas”, reconheceu Nicholas Kumleben, diretor de pesquisa de energia da consultoria macroeconémica da ‘Greenmantle’. Antes do inverno, o armazenamento de gás da Europa está quase a 80%, em parte graças às exportações de GNL da China, relata o Nikkei, depois de a Rússia ter reduzido drasticamente o fornecimento de gás para a Europa desde a invasão da Ucrânia. Por outro lado, as empresas chinesas de GNL aumentaram a oferta para os mercados estrangeiros em resposta à crescente procura.

Famílias portuguesas entre as mais expostas à subida dos juros

 

Peso elevado das taxas variáveis no crédito à habitação em Portugal aumenta pressão para apoio do Governo. Recurso à taxa fixa tem vindo a crescer desde 2016. A Zona Euro é só uma, mas o regime de taxas de juro aplicado no crédito em cada Estado-membro é muito variado. Há países onde os empréstimos para a compra de casa têm quase todos taxa fixa e há outros em que na grande maioria dos casos o juro cobrado depende de um indexante, como a Euribor. É o caso de Portugal. Os dados estatísticos compilados pelo Banco Central Europeu mostram que 68% dos novos crédito à habitação contratados em Portugal no mês de julho tinham taxa variável ou fixa apenas no primeiro ano. Um contraste significativo com o conjunto da Zona Euro, onde o peso é de apenas 17,9%. Esta enorme proporção dos empréstimos com juros indexados, neste caso à Euribor, faz com que as famílias portuguesas estejam entre as mais vulneráveis ao aperto significativo da política monetária pelo BCE para travar a inflação. Portugal é o sétimo país onde a taxa variável tem mais importância, ficando abaixo da Finlândia (97,7%), Letónia, Chipre, Irlanda, Estónia e Malta.

Portugal é o 8.º pior na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social

A pandemia fez com que Portugal subisse de 13.º para 8.º na lista de países europeus com maior risco de pobreza ou exclusão social. O primeiro ano da pandemia criou 230 mil novos pobres. A pandemia, já se sabia, fez subir para 2,3 milhões os portugueses em risco de pobreza ou exclusão social, o equivalente a 22,4% da população. Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat confirmam este agravamento, mas vão ainda mais longe: mostram que Portugal passou a ser o oitavo pior da União Europeia na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social em 2021. Antes da pandemia, a taxa de pobreza ou exclusão nacional era a 13.ª mais elevada. Agora, Portugal sai-se bastante pior nesta fotografia comparativa, porquanto este aumento de 2,4 pontos percentuais representa o pior agravamento nas condições de vida das famílias a nível europeu. Os dados relativos ao bloco europeu permitem perceber que, apesar da pandemia, 12 países conseguiram diminuir a taxa de pobreza. Em termos médios, a taxa de pobreza e exclusão social subiu para 21,7%, numa ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior, afectando agora 95,4 milhões de pessoas. Nos extremos da lista estão a Roménia, que soma 34,4% da sua população em situação de pobreza ou exclusão, e, no outro lado, a República Checa, com apenas 10,7% da sua população ameaçada por estes problemas.

Suécia: Jimmie Akesson: um “tipo normal” que transformou o movimento neonazi sueco num partido de poder

Democratas Suecos foram o segundo partido mais votado nas legislativas e serão decisivos para a formação do próximo Governo. Papel do jovem líder do partido anti-imigração “de quem toda a gente se ria” foi fundamental para a sua “desdiabolização”. Jimmie Akesson tem apenas 43 anos, mas não é propriamente um novato na política ou um desconhecido do grande público sueco. Já lá vão 17 anos desde o dia em que foi eleito para a liderança dos Democratas Suecos, um partido político fundado por antigos membros de um partido neonazi dos anos 1950 e do movimento supremacista Bevara Sverige Svenskt (Manter a Suécia Sueca), e que, depois de várias eleições consecutivas a somar votos e deputados, é hoje a segunda força política mais representada no Riksdag, o Parlamento da Suécia. Assinalar que o partido que nesse longínquo ano de 2005 andava na casa do 1% de votos superou, nas eleições legislativas do passado domingo, os 20%, tornando-se, dessa forma, indispensável para qualquer solução de Governo que venha a encontrada, é, só por si, um atestado ao sucesso de Akesson enquanto líder partidário.

"Guerra" à vista? “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da UE”. Hungria arrasa resolução do Parlamento Europeu...

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, defendeu que a resolução hoje adotada no Parlamento Europeu rejeitando a existência de democracia na Hungria representa uma ofensa e “um insulto” a todos os cidadãos do país. “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da União Europeia (UE)”, disse o chefe da diplomacia húngaro à imprensa em Budapeste, depois de os eurodeputados terem classificado o regime vigente na Hungria já não como uma democracia plena, mas como uma “autocracia eleitoral”, também devido à “inação da UE”. O ministro acusou os deputados europeus de repetirem as “mentiras de que a Hungria é acusada” e sublinhou que é um insulto para os húngaros que estes questionem “o funcionamento da democracia” no país.

“Os húngaros decidiram quatro vezes seguidas o que querem no país”, afirmou Szijjártó, numa clara referência às quatro últimas eleições legislativas, todas elas ganhas por uma folgada maioria pelo partido conservador Fidesz, do primeiro-ministro, o ultranacionalista Viktor Orbán. Depois de sair ainda mais fortalecido do mais recente escrutínio, apesar de toda a oposição se ter agrupado numa única coligação para tentar afastá-lo do poder, Orbán formou em abril o seu quarto Governo.

A progressista Suécia virou à direita — e para alguns não foi uma surpresa

 

Das franjas da política sueca para segundo maior partido do país. O Democratas da Suécia é o destaque destas eleições, mas é pouco provável que venha a integrar o governo. A sua crescente influência, todavia, traduz bem a história das eleições em que a progressista e tolerante Suécia virou à direita. Como é que chegámos aqui? Um olhar mais atento ajuda a perceber. Ao final do dia desta quarta-feira, 14 de setembro, a primeira-ministra social-democrata, Magdalena Andersson, reconheceu a derrota nas eleições suecas face à vitória do bloco de direita, composto pelos Moderados, os Democratas da Suécia, os Cristãos Democratas e os Liberais. Juntos, reúnem 176 dos 349 assentos parlamentares.

"No Parlamento, eles têm uma vantagem de um ou dois mandatos. É uma maioria curta, mas é uma maioria", admitiu, citada pela Reuters. "Sendo assim, amanhã [esta quinta-feira] pedirei a demissão das minhas funções de primeira-ministra e, depois disso, a responsabilidade vai recair no presidente do Parlamento", acrescentou.

Estado dá menos 40% de subvenções em 2021 com queda de Covid

 

Estado deu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, um aumento de 88% face a 2019. Com abrandamento da pandemia em 2021, este valor caiu 40% para 7,5 mil milhões. O Estado distribuiu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, segundo os valores comunicados à Inspeção-Geral de Finanças (IGF), um valor que quase duplicou (+88% face a 2019) devido à pandemia. Uma progressão que vem acompanhada de falhas graves, como falta de fundamento, transparência e “fraca avaliação” de resultados. Segundo o Público (acesso condicionado), o aumento deveu-se sobretudo à atribuição de 7.002 milhões de euros em garantias do Estado e 1.099 milhões em subsídios e benefícios. As somas das parcelas atribuídas, segundo os dados da IGF, perfazem um total de 12.627 milhões de euros e não 12.591 milhões, sendo que o relatório não explica a discrepância de 36 milhões, e assinala falta de rigor, objetividade e transparência na concessão dos apoios.

Em 2021, o Estado já só concedeu quase 7,5 mil milhões de euros em subvenções e benefícios públicos, um valor inferior aos dados de 2020 em 40,7%, noticia também o Jornal de Negócios (acesso pago). O ano passado foram apoiadas perto de 210 mil entidades, um número semelhante ao de 2020, mas nem todas as entidades que recebem subvenções são divulgadas, sendo necessário um valor mínimo equivalente a 14 vezes o salário mínimo. Segundo cálculos do Negócios, o total de subvenções correspondeu a cerca de 3,5% do PIB de 2021, sendo que as maiores beneficiárias continuam a ser as empresas, com a EDP Universal a liderar a lista com mais de 238 milhões de euros (ECO digital)

Expresso - O retrato do pensionista médio em Portugal: 75 anos de idade, 28 de descontos, 490 euros de reforma

 


“Suplemento extraordinário” de outubro e atualização em torno dos 4% em janeiro abrangem apenas reformas pagas pela Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. Quem são estes reformados, quanto ganham e quanto descontaram? Deixamos-lhe uma caracterização em 10 gráficos. Daqui a poucas semanas, quase três milhões de pensionistas vão receber mais meia reforma por cheque ou transferência bancária. O dinheiro chega juntamente com a reforma mensal, a 8 de outubro para quem a recebe da Segurança Social e a 19 se o pagamento for da responsabilidade da Caixa Geral de Aposentações (CGA).

O grupo de reformados que vai começar a receber o “cheque” é vasto e heterogéneo, mas:

  • está sobretudo concentrado na Segurança Social;
  • recebe uma pensão média que não chega aos 500 euros;
  • tem em média 75 anos de idade;
  • descontou em média 28 anos para a Segurança Social.

Na Caixa Geral de Aposentações, onde está um grupo menos numeroso, os números são ligeiramente diferentes. Recebem mais do dobro do que os da Segurança Social, em termos médios, e descontaram mais quatro anos, em média.

Deixamos-lhe 10 gráficos que caracterizam o universo de reformados que, nas duas últimas duas semanas, estiveram no centro do debate político e mediático, devido à decisão do Governo de criar um “suplemento extraordinário”, somando-o a uma atualização que ficará aquém do que as regras indicam, tudo em nome da sustentabilidade da Segurança Social e das contas públicas.

sexta-feira, setembro 16, 2022

Opinião: O tempo da Venezuela de Maduro?

Convém lembrar, sobretudo aos que desconhecem essa realidade, que a Venezuela, alvo de várias sanções e embargos por imposição dos EUA e dos seus aliados europeus, quase todas assentes em razões políticas, continua a ser uma potência mundial sempre que se fala em combustíveis.

Vamos a factos: em 2017 a Venezuela, com uma produção diária de quase 2 milhões de barris, era o 13º maior produtor de petróleo do mundo, mas em 2020, devido a impacto das sanções já nem figurava entre os primeiros 20 maiores produtores mundiais. Contudo, em 2022 parece recuperar rapidamente o seu lugar no ranking mundial. Em 2021, os países do mundo com maiores reservas de petróleo eram a Venezuela (1º), Arábia Saudita, Canadá, Irão e Iraque.

A Venezuela tem ainda a quarta maior reserva mundial de gás que Maduro diz que pode crescer: "Temos uma impressionante faixa de gás nas Caraíbas, no norte da Venezuela. Todo o gás de que necessitem".

Desde 2017, os Estados Unidos aplicam sanções contra políticos e membros da elite venezuelana e contra empresas e entidades petrolíferas associadas ao regime de Maduro, dentro e fora da Venezuela. Estas sanções visam pressionar Maduro e seus apoiantes e impedi-los de lucrarem com a mineração ilegal de ouro, com a venda de petróleo ou com outras transações comerciais passíveis de financiarem as atividades criminosas do regime e os abusos aos direitos humanos. Também políticas são as razões para as sanções aprovadas pela União Europeia.

Curiosamente, em 2022, em grande medida devido à guerra na Ucrânia e às medidas tomadas contra Putin - um amigalhaço de Maduro - os EUA começaram a afrouxar as sanções contra Caracas. Oficialmente é referido que o governo de Biden pretende incentivar as discussões políticas com Maduro e a oposição. O caricato é que os americanos alegam que as decisões tomadas neste domínio foram aprovadas “em plena coordenação” com Guaidó e seu governo interino, que os EUA reconhecem como a liderança legítima da Venezuela. O primeiro sinal de aproximação dos americanos a Caracas, surgiu recentemente, já depois da guerra na Ucrânia, quando se ficou a saber que Caracas contratou a Siemens Energy para reparar centrais elétricas venezuelanas, no âmbito de um programa governamental de reconstrução da sua rede elétrica, afetada por constantes apagões e falta de manutenção. A empresa alemã foi previamente autorizada pelo Departamento do Tesouro dos EUA a trabalhar com a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) e com a Corporação Elétrica da Venezuela (Corpoelec), apesar das duras sanções económicas norte-americanas contra Caracas.

Os EUA e a Europa perceberam que podem precisar da Venezuela (Espanha deu o primeiro sinal disso), sobretudo devido ao impacto perigosamente negativo entre os europeus das sanções aprovadas contra a Rússia de Putin. Podem precisar pelo menos até que uma solução energética nova seja efectivamente implementada, o que vai demorar ainda muito tempo. Tempo que os consumidores não têm...

Mas Maduro também percebeu isso, e de que maneira! Esta semana garantiu estar a Venezuela pronta para auxiliar a Europa e os EUA com petróleo e gás, face às dificuldades energéticas provocadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia!

"Eu digo à Europa, à União Europeia, e ao Presidente Joe Biden dos EUA, que a Venezuela está aqui, que a Venezuela estará sempre aqui, e que o nosso petróleo e o nosso gás estão à disposição para estabilizar o mundo e para auxiliar no que houver que auxiliar", disse Maduro num encontro com trabalhadores da empresa estatal Petróleos da Venezuela, obviamente transmitido pela televisão estatal.

Maduro explicou que "com a guerra na Ucrânia, vê-se a crise económica e energética no mundo" repetindo que "a Venezuela está a adquirir cada vez mais importância na equação da estabilidade energética e económica do mundo".

"O inverno está a chegar ao norte. Há uma crise de abastecimento de gás e de petróleo. Uma crise que pode ser trágica e assustadora", disse Maduro que, paradoxalmente (ou não?) começa a ser olhado como alternativa pelos EUA e seus parceiros europeus.

Claro que este sinal de boa-vontade de Caracas tem um custo: “o mundo tem de se livrar da relação baseada em chantagem, ameaças, coerção e em sanções". Já em Junho o vice-presidente do PSUV (o partido do Governo), Diosdado Cabello, dissera estar a Venezuela disposta a fornecer petróleo e gás a Espanha e ao resto da Europa. Mas com uma condição: o pagamento antecipado e através de um mecanismo que permita ao Governo venezuelano, alvo de sanções internacionais, usar esses recursos. "A Venezuela tem petróleo, não apenas para a Espanha, mas também para a Europa (...) mas têm que pagá-lo. E terão de pagar ao preço que é, e dadas as circunstâncias terão que pagar antecipadamente (...) e num mecanismo que permita à Venezuela utilizar os recursos que vão pagar por esse petróleo", disse Cabello.

Definitivamente este é o tempo da Venezuela e de Maduro, ajudados pela guerra na Ucrânia que ameaça eternizar-se sem solução. E para desespero dos europeus e ocidentais em geral que começam a pressionar os seus governos a mudarem as suas prioridades. Com o avanço da extrema-direita na Suécia, com a multiplicação de manifestações na Europa -  a maior reuniu em Praga cerca de 80 mil pessoas – e com a possibilidade do sucesso da extrema-direita na Itália, é tempo também de Bruxelas começar a limitar os lirismos sentimentalistas e a ter um plano B – que não passa pelo alimentar da escalada da guerra sem fim à vista - antes que a crise política e institucional se generalize e o projecto europeu de desfaça (LFM, versão completa do texto publicado no Tribuna da Madeira de 16.9.2022)

quinta-feira, setembro 15, 2022

Aviação: Estado alemão vende últimas acções da Lufthansa e sai a ganhar 760 milhões

“A Lufthansa está novamente em mãos privadas”, vincou o presidente executivo do grupo, Carsten Spohr, que destacou a importância do apoio e o retorno que gerou para os contribuintes alemães. O Estado alemão vendeu as últimas acções que detinha do grupo aéreo Lufthansa, no qual chegou a ter uma participação de 20% em 2020, no âmbito de um plano para salvar a empresa durante a crise pandémica. O fundo de estabilização económica, o organismo público que detinha as acções, informou na terça-feira à noite que “vendeu as suas últimas participações a (...) investidores internacionais”. A Lufthansa foi salva da falência pelo governo alemão em Junho de 2020, depois de ter sofrido perdas maciças devido à pandemia da covid-19. Berlim concedeu ao grupo um enorme pacote de ajuda de nove mil milhões de euros, que previa uma participação pública de 20%, que foi sempre considerada temporária pelas autoridades públicas, e que devia cessar assim que a situação melhorasse. Na altura, ficou estipulado que a ajuda não poderia ir além de Outubro de 2023.

Estado deu 12.591 milhões em subvenções e muitas vezes sem controlo

Ajuda quase duplicou em 2020, por causa da pandemia. IGF encontrou falhas graves, como falta de fundamento, de transparência e uma “fraca avaliação” de resultados. Em 2020, 654 entidades do Estado distribuíram 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos, segundo os valores comunicados à Inspecção-Geral das Finanças (IGF). Esta entidade encontrou, porém, mais 560 milhões de euros, atribuídos por 58 entidades públicas, que não foram reportados em devido tempo, contrariando assim a lei, como refere a IGF no relatório de controlo das subvenções (aqui em PDF). Assim, entre garantias (7002 milhões), transferências correntes e de capital (3092 milhões), fundos europeus (1384 milhões), outros subsídios (1099 milhões), doações e cedências de bens (48 milhões) e ainda benefícios fiscais não automáticos (dois milhões), “o total efectivo de subvenções públicas atribuídas por entidades públicas ascendeu, em 2020, a pelo menos, 13.151 milhões de euros (12.591 milhões declarados, mais 560 milhões não reportados)”. A soma das parcelas acima discriminadas é 12.627 milhões e não 12.591 milhões, mas o relatório não explica a discrepância de 36 milhões. Contudo, o maior problema nem é esta diferença, mas sim as numerosas falhas que a IGF aponta às entidades envolvidas, tanto as concedentes como as beneficiárias. Já em 2019, esta entidade afirmava que o Estado dera 3055 milhões de euros em subvenções sem controlo.

Prepare-se para a crise. Os 5 riscos que vai enfrentar na zona euro em 2023

Depois da decisão do Banco Central Europeu ficámos a saber melhor com o que podemos contar para o próximo ano. À subida dos juros vão juntar-se na zona euro cinco riscos alimentados por esse aperto da política monetária e pelas tensões geopolíticas e nos mercados energético e alimentar. A última reunião do Banco Central Europeu (BCE), a 8 de setembro, mudou radicalmente as expetativas dos consumidores e dos investidores na zona euro em relação ao próximo ano. Para pior. Muito pior. Nem o BCE, nem Christine Lagarde, a sua presidente, usaram as palavras sem dó nem piedade de Jerome Powell de que vinha aí “alguma dor para as famílias e empresas”. Mas as projeções macroeconómicas avançadas na semana passada pelos economistas de Frankfurt tiveram o mesmo efeito que a franqueza do presidente do banco central norte-americano no simpósio anual em agosto na estância turística de Jackson Hole nos Estados Unidos. As novas previsões do BCE deitaram um balde de água fria sobre a réstia de esperança que ainda havia num abrandamento suave em 2023 na zona euro, acompanhado de uma desaceleração acentuada da inflação, que aliviaria a carteira das populações.

Paradoxos: União Europeia aumentou 70% compras à Rússia até Julho!

Défice recorde de 42,3 mil milhões de euros em julho, com valor das importações de energia a disparar 152% nos primeiros sete meses do ano e os países da UE a aumentarem em 70% as compras à Rússia. A União Europeia registou em julho um défice recorde de 42,3 mil milhões de euros no comércio de mercadorias com o resto do mundo, segundo o Eurostat. Um valor que compara com o excedente de 15,6 mil milhões de euros que tinha sido alcançado no mesmo mês do ano passado. A primeira estimativa divulgada esta quinta-feira aponta para exportações europeias de bens no valor de 211,6 mil milhões de euros (+12,8% em termos homólogos) no mês de julho, enquanto as compras fora do espaço comunitário dispararam 47,6% nesse período, para um total de 253,8 mil milhões de euros. Entre janeiro e julho, período em que as importações de fora da UE dispararam 48,9% (e as exportações “apenas” subiram 17,2%), os dados do gabinete de estatística mostram que os maiores crescimentos percentuais no montante das compras europeias nos primeiros sete meses do ano aconteceram nas categorias da energia (151,8%) e dos produtos químicos (43,9%).

Paradoxos: Maior produtora de petróleo da Rússia vê lucros dispararem apesar das sanções

A maior produtora de petróleo russa, a Rosneft, divulgou os resultados referentes ao primeiro semestre de 2022, onde reportou um aumento de 13% no lucro líquido semestral, para 432 bilhões de rublos (mais de 7 mil milhões de euros). As empresas petrolíferas russas foram um dos principais alvos das sanções por parte do Ocidente na sequência do ataque sobre a Ucrânia, tendo sido impedidas de comercializar globalmente os seus produtos. “No primeiro semestre de 2022, a Rosneft estava sob uma pressão sem precedentes de fatores externos adversos e sanções ilegais. No entanto, graças à alta eficiência operacional e às decisões de gestão adequadas, conseguimos garantir a continuidade dos negócios e apresentar resultados estáveis”, disse o CEO da petrolífera, Igor Sechin, em comunicado. A Rosneft disse que as vendas de petróleo no período de janeiro a junho aumentaram 5,7% ano a ano, enquanto a sua dívida caiu 12% em relação ao início do ano. “Os resultados financeiros do primeiro semestre de 2022 formam uma base sólida para o pagamento de dividendos intermediários e um crescimento adicional dos pagamentos totais para 2022”, acrescenta o comunicado. De acordo com a empresa, as vendas de petróleo no primeiro semestre aumentaram 5,7% em comparação com o período homólogo d 2021. Ao mesmo tempo, as vendas de petróleo no mercado doméstico aumentaram mais de duas vezes em relação ao nível do mesmo período do ano anterior. Já as vendas de derivados de petróleo no mercado interno cresceram 6,5% ano a ano (Executive Digest, texto do jornalista André Manuel Mendes)

Aviação: Possível compra da TAP pela Lufthansa pode intensificar concorrência na Península Ibérica


O Governo português quer avançar com a venda de mais de 50% da TAP ainda em 2022, sendo que a Lufthansa é uma das principais candidatas neste processo. A operação poderá estar concluída nos primeiros meses de 2023, o que pode vir a intensificar a concorrência na Península Ibérica. A notícia foi avançada pelo ‘Expresso’, citando uma fonte do Governo, que explica que a pandemia veio acelerar o processo de concentração entre as companhias aéreas europeias, sendo que a TAP é das poucas que não integra nenhum grupo internacional. Se esta operação se concretizar, a IAG, controladora da Iberia, Vueling e British Airways, entre outras, estaria sob grande pressão nas suas conexões de longo curso que ligam a Europa à América, mercado chave para a empresa, avança o ‘elEconomista’. Apesar de a TAP não concorrer diretamente com a IAG, existe a possibilidade de um gigante como a Lufthansa se apoderar do hub de Lisboa e começar a competir, a partir daí, com o hub de Madrid, podendo este perder competitividade. A TAP Portugal, a partir do seu hub em Lisboa e com os seus 94 aviões, liga o país vizinho a importantes cidades dos Estados Unidos, Canadá e América Latina, com destaque para o Brasil. É nestas rotas, sobretudo para os Estados Unidos e Brasil, que os voos do Grupo Lufthansa e da TAP Portugal se sobrepõem aos da IAG, especialmente no caso da Iberia (Executive Digest, texto do jornalista André Manuel Mendes)

Eurostat: mais de 1 em cada 5 em risco de pobreza ou exclusão social

Em 2021, 95,4 milhões de pessoas na UE , representando 21,7% da população, estavam em risco de pobreza ou exclusão social , ou seja, viviam em agregados familiares com pelo menos um dos três riscos de pobreza e exclusão social (risco de pobreza, privação social e/ou viver num agregado familiar com intensidade de trabalho muito baixa). Este é um ligeiro aumento em comparação com 2020 (94,8 milhões; 21,6% da população).  Esta informação provém de dados publicados hoje pelo Eurostat . O artigo apresenta um punhado de resultados do artigo Estatísticas Explicadas, mais detalhado, sobre as condições de vida na Europa – pobreza e exclusão social . Entre os 95,4 milhões de pessoas na UE que enfrentaram o risco de pobreza ou exclusão social, cerca de 5,9 milhões (1,3% da população total) viviam em agregados familiares que enfrentam simultaneamente os três riscos de pobreza e exclusão social. Em 2021, 73,7 milhões de pessoas na UE estavam em risco de pobreza, enquanto 27,0 milhões estavam gravemente desfavorecidas material e socialmente e 29,3 milhões viviam num agregado familiar com baixa intensidade de trabalho.

Número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na UE em 2021, analisado por tipo de risco, em milhões

Turismo: Dormidas ultrapassam os níveis de 2019 em todas as regiões, exceto no Algarve - Julho de 2022

O setor do alojamento turístico registou 3,0 milhões de hóspedes e 8,6 milhões de dormidas em julho de 2022, correspondendo a aumentos de 85,4% e 90,1%, respetivamente (+97,6% e +110,7% em junho, pela mesma ordem). Face a julho de 2019, registaram-se aumentos de 6,3% e 4,8%, respetivamente. Em julho, o mercado interno contribuiu com 2,9 milhões de dormidas (+9,1%) e os mercados externos totalizaram 5,7 milhões (+205,2%). Face a julho de 2019, o mercado interno cresceu 15,8% e os mercados externos atingiram o mesmo nível de 2019. Os proveitos totais aumentaram 131,9% para 682,1 milhões de euros e os proveitos de aposento atingiram 535,0 milhões de euros, refletindo um crescimento de 138,8%. Comparando com julho de 2019, registaram-se aumentos de 27,6% em ambos. O rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) situou-se em 86,1 euros em julho e o rendimento médio por quarto ocupado (ADR) atingiu 127,2 euros. Em relação a julho de 2019, o RevPAR aumentou 23,0% e o ADR cresceu 19,0%. 

No conjunto dos primeiros sete meses de 2022, as dormidas aumentaram 194,3% (+58,5% nos residentes e +406,2% nos não residentes). Comparando com o mesmo período de 2019, as dormidas decresceram 4,4%, consequência da diminuição das dormidas de não residentes (-9,4%), dado que as de residentes cresceram 7,8%. Os proveitos acumulados no período de janeiro a julho de 2022 cresceram 239,4% no total e 242,9% nos relativos a aposento (+10,0% e +11,0%, face a igual período de 2019, respetivamente). Nos primeiros sete meses de 2022, considerando a generalidade dos meios de alojamento (estabelecimentos de alojamento turístico, campismo e colónias de férias e pousadas da juventude), registaram-se 15,5 milhões de hóspedes e 40,9 milhões de dormidas, correspondendo a crescimentos de 167,5% e 176,9%, respetivamente (INE)