sexta-feira, abril 09, 2021

Covid-19: Mais de metade das pessoas com «forte carga viral» são assintomáticas, aponta estudo

 


Mais da metade das pessoas com forte infeção por Covid-19 não reportou nenhum sintoma, de acordo com um estudo do gabinete de estatísticas do Reino Unido (ONS, na sigla em inglês), citado pelo ‘Independent’. Os resultados mostram que o risco de as pessoas espalharem o vírus sem saber que estão infetadas é cada vez maior, com esta a ser considerada uma das principais vias pelas quais a pandemia se espalhou tão facilmente pelo mundo.

Segundo os dados do ONS, 53% das pessoas com carga viral forte ou elevada, entre dezembro e março, não reportaram nenhum sintoma, em comparação com 47% dos restantes que reportaram. A análise exclui pacientes no início da infeção, quando a transmissão e os sintomas são considerados menos prováveis. Fadiga, dor de cabeça e tosse foram os sintomas mais reportados nas pessoas que tiveram um teste positivo para Covid-19, demonstrando ter uma elevada carga viral.

O paradoxo chileno: País vacinou cedo, depressa e bem, mas agora está a braços com uma enorme vaga de Covid-19 e com confinamento sério

 

O Chile é o terceiro país com mais pessoas vacinadas no mundo, graças a um eficiente plano de vacinação. Mas uma nova vaga de contágios obrigou ao fecho das fronteiras e ao adiamento das eleições autárquicas. O que é que aconteceu? As fronteiras do Chile vão estar fechadas pelo menos durante todo o mês de abril e só reabrirão em maio caso a situação esteja controlada. As eleições autárquicas, que estavam marcadas para 10 e 11 deste mês, foram adiadas pelo menos por seis semanas. E a circulação é atualmente permitida apenas aos detentores de passes diários por questões profissionais.

Aos fins de semana, todos os outros cidadãos só podem sair de casa uma vez por dia para comprar bens essenciais. São mais de 16 milhões de pessoas que estão confinadas. Outra vez. Teve de ser, não se cansa de dizer o Governo, mas nem precisava. Nestes últimos dias, as imagens dos contentores refrigerados junto à morgue do Hospital Carlos Van Buren, em Valparaíso, a apenas 120 quilómetros de Santiago, a capital, lembram aquilo que vimos acontecer em Portugal no final de janeiro, e são mais do que suficientes para justificar a obrigação de ficar em casa. A surpresa e o choque, porém, foram grandes. A falta de espaço para mais cadáveres naquele hospital surge num momento em que mais de um terço da população já se encontra vacinada. Graças a um rápido processo de vacinação, mais de 6 milhões de chilenos receberam, pelo menos, a primeira dose da vacina contra a Covid-19. O mundo chamou-lhe mesmo “o milagre chileno”.

“A quarta vaga vai ser maior”. A nova variante da Covid-19 que está a causar preocupação no Japão

 


As autoridades de saúde do país receiam estar a caminho de uma quarta vaga, a pouco mais de cem dias dos Olímpicos de Tóquio. A causa de tanta preocupação dá pelo nome de Eek e foi identificada em fevereiro, poucos dias depois de o país iniciar o seu plano de vacinação contra a Covid-19. Trata-se de uma nova variante do coronavírus SARS- CoV-2, registada inicialmente num centro de imigração em Tóquio, e que no mês passado foi já responsável por 70% dos internamentos nos hospitais da capital japonesa.

Estudo revela que um terço das pessoas com covid-19 pode desenvolver problemas neurológicos ou psiquiátricos

 


Cerca de um terço das pessoas que têm covid-19 podem desenvolver problemas neurológicos ou psiquiátricos, com ansiedade e doença bipolar entre os mais comuns, de acordo com um estudo publicado hoje na revista Lancet Psychyatry. A partir da análise de dados eletrónicos de 236.379 pacientes norte-americanos que tiveram covid-19, os investigadores da universidade britânica de Oxford concluíram que a 34 por cento foi também diagnosticado um problema psiquiátrico (ansiedade em 17% e bipolaridade em 14%) até seis meses depois de recuperarem da doença.

Entre aqueles que estiveram internados nos cuidados intensivos, há uma prevalência de acidente vascular cerebral de 07% e 02% de casos de demência. Estes diagnósticos, a par de outros 10 problemas analisados neste estudo observacional, são mais comuns em pacientes com covid-19 do que em outros que tiveram gripe ou outras infeções respiratórias durante o mesmo período, sugerindo um impacto direto da doença provocada pelo SARS-CoV-2. O principal autor do estudo, Paulo Harrison, afirmou que “os riscos individuais para a maioria destes problemas são baixos, mas o efeito na população pode ser substancial e fazer-se sentir nos sistemas de saúde e sociais por causa da escala da pandemia e pelo facto de muitos serem crónicos.”

Covid-19: Vacina da Moderna tem mais efeitos secundários do que a da Pfizer, apontam estudos

 


A vacina contra o coronavírus da Moderna é eficaz contra a propagação de novas variantes, mas é mais provável de causar efeitos secundários do que a da Pfizer, de acordo com estudos norte-americanos. Os investigadores das universidades de Duke e Emory, nos Estados Unidos, descobriram que a vacina da Moderna funciona contra a variante britânica Kent, que é dominante tanto nos Estados Unidos como no Reino Unido, bem como contra a variante da Califórnia. Para alem disso, os resultados mostram que o mesmo fármaco origina anticorpos que se mantêm no sangue durante pelo menos seis meses após a segunda dose.

No entanto, os especialistas sublinham que a vacina pode causar mais efeitos secundários do que uma semelhante da Pfizer, com até três quartos dos recetores a reportar dor no local da infeção ou dores de cabeça. Segundo a pesquisa, após a primeira dose, as pessoas que receberam a inoculação de Moderna tinham maior probabilidade de reportar efeitos secundários. Por exemplo, 73,9% dos vacinados com a Moderna reportaram uma reação no local da injeção, como dor ou vermelhidão, em comparação com 65,4% das pessoas que receberam a vacina da Pfizer. Para além disso, 51,7% daqueles que receberam o fármaco da Moderna reportaram reações como dor de cabeça, febre ou arrepios, em comparação com 48% no caso da Pfizer.

A disparidade entre as duas vacinas aumentou após a segunda dose. Um total de 81,9% dos que receberam Moderna relataram uma reação no local da injeção e 74,8% relataram outros efeitos colaterais. Comparativamente, 68,6% daqueles que receberam a injeção da Pfizer relataram reações no local da vacina e 64,2% tiveram outros sintomas (Executive Digest, texto da jornalista Simone Silva)

BCP, CGD, Novo Banco, Santander Totta, BPI e Montepio com perda de 293 milhões

 


Os bancos portugueses BCP, CGD, Novo Banco, Santander Totta, BPI e Montepio registaram uma perda líquida agregada de 293 milhões de euros em 2020, contra lucros líquidos de 894 milhões de euros em 2019, refere a DBRS. Segundo o estudo da DBRS Morningstar hoje publicado, estes resultados “mostram o impacto de níveis de provisionamento mais elevados, bem como a pressão sobre as receitas devido ao agravamento das consequências económicas da pandemia da covid-19”.

A empresa de ‘rating’ precisa que este conjunto de seis bancos portugueses registou perdas de 250 milhões de euros no quarto trimestre de 2020, considerando que “as receitas principais agregadas diminuíram, com o confinamento a prejudicar as atividades comerciais e as despesas dos consumidores, especialmente no segundo trimestre”.

COVID-19: Caso da AstraZeneca abala confiança, mas maioria dos portugueses quer ser vacinada

 


O caso AstraZeneca trouxe dúvidas sobre a segurança das vacinas contra a COVID-19, mas apenas 5% dos inquiridos recusam serem inoculados e 10% dizem que talvez não o sejam. Num estudo com quatro países europeus, portugueses são os mais confiantes. As conclusões são de um estudo da Deco ProtesteEm meados de março, foram levantadas suspeitas sobre a segurança da vacina da AstraZeneca contra a COVID-19. A Agência Europeia de Medicamentos foi informada sobre 30 episódios tromboembólicos, isto é, sobre a formação de coágulos sanguíneos, em cerca de cinco milhões de indivíduos vacinados. Raros, mas potencialmente graves, estes casos levaram à suspensão temporária da vacina em vários países, entre os quais Portugal, seguindo o princípio de precaução até que fosse estabelecida, ou não, uma relação de causa-efeito.

A Agência Europeia de Medicamentos concluiu que os benefícios na prevenção da hospitalização e da morte por COVID-19 eram superiores aos riscos, além de não ter sido provada nenhuma relação entre tais episódios e a toma da vacina. Mas, para muitos europeus, sujeitos às declarações de alguns responsáveis políticos e a uma sobre-exploração dos casos na comunicação social, o mal estava feito, e a desconfiança alastrou-se a todas as vacinas.

Assustado com efeitos secundários da vacina da AstraZeneca? Então veja a lista dos do paracetamol, ibuprofeno, Viagra e pílula

 


Paracetamol, ibuprofeno, pílula anticoncecional ou Viagra podem ter efeitos secundários tão graves quanto os coágulos já considerados, pela Agência Europeia do Medicamento, consequência da vacina da AstraZeneca. Avaliar o benefício/ risco enquanto não se descobre a causa é o conselho dos especialistas

“Todos os medicamentos têm efeitos adversos graves. Não há medicamento que seja eficaz e não os tenha”, afirma, de forma veemente, Francisco Batel Marques, professor da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra. E, referindo-se à frequência com que surgiram relatos de casos de tromboses com redução acentuada do número de plaquetas em pessoas que tomaram a vacina da Astrazeneca, o especialista comenta mesmo, “uma prevalência de um em 100 mil nem existe”.

Estão a surgir esplanadas em sítios muito improváveis

 

Espanha testa semana laboral de quatro dias

 

Covid-19: Um em cada três recuperados desenvolveu problemas psiquiátricos ou neurológicos

 

Com o risco de transmissibilidade a subir, especialistas alertam para possibilidade de 4.ª vaga

 

quarta-feira, abril 07, 2021

Venzuela: Aliança pró-Guaidó anuncia mudanças para reforçar coligação e derrotar Maduro

 

A aliança de organizações e partidos que apoiam o líder da oposição venezuelana anunciou mudanças para tornar a coligação mais “ampla, inclusiva, eficaz”, garantir a convocatória de eleições livres e derrotar “a ditadura” de Nicolás Maduro.

“Concordamos na reconfiguração da aliança de partidos políticos, tanto na liderança como na tomada de decisões para a tornar mais útil, ampla, inclusiva, eficaz, assertiva e operacional”, de acordo com uma declaração, divulgada na terça-feira, do movimento que apoia Juan Guaidó.

No texto, a aliança explicou ter tomado esta decisão “instada pela necessidade de melhorar e reforçar” a “articulação entre os partidos políticos”. Os signatários acrescentaram também que darão prioridade a medidas de combate à covid-19 e à convocação de eleições presidenciais, legislativas, regionais e municipais de forma “livre e justa”. Por outro lado, asseguraram que vão efetuar novos esforços para convocar e incluir todas as partes que desejem fazer parte da aliança, “garantindo a maior amplitude possível no processo de deliberação e discussão política”. O anúncio chega em ano de eleições, quando se planeia convocar as eleições regionais. A oposição venezuelana tentou reorganizar-se várias vezes nos últimos anos para garantir uma grande coligação, como a de 2015, quando formou a Mesa da Unidade Democrática (Executive Digest)

Cronologia: Os dias que levaram ao pedido de resgate há 10 anos


Assinalam-se esta terça-feira dez anos do pedido de resgate português. Foi no dia 6 de abril de 2011 que José Sócrates, pressionado pelo seu ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, comunicou aos portugueses a decisão que há muito se temia. Recorde o filme desses dias e de como Portugal acabou por capitular por pressão dos mercados financeiros depois de mais de um ano no olho do furacão

Foram 13 meses de calvário no segundo governo chefiado por José Sócrates, desde que fez aprovar, com a abstenção do PSD, o orçamento para 2010, até que a 6 de abril de 2011, encostado à parede pelos bancos e pelo seu ministro das Finanças, veio à televisão anunciar o pedido de resgate.

Pelo meio, o governo apresentou quatro Programas de Estabilidade e Crescimento até que o último foi rejeitado por uma coligação negativa de todas as oposições no Parlamento. Sócrates pediu a demissão e o governo ficou em gestão.

O custo do endividamento disparou e ultrapassou a linha vermelha que o ministro das Finanças Teixeira dos Santos considerara o ponto de não retorno para um pedido de apoio à troika - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - que entretanto se formara para resgatar a Grécia e a Irlanda.

Dez anos depois da troika, FMI ainda pede reformas estruturais e no mercado de trabalho

 

A chefe da missão do FMI para Portugal, Laura Papi, falou com o ECO para assinalar os dez anos do resgate financeiro que ficou marcado pela política de austeridade e um "mea culpa" posterior. O Fundo Monetário Internacional (FMI) veio pela terceira vez em auxílio de Portugal em 2011 quando o então primeiro-ministro, José Sócrates, pediu ajuda financeira internacional perante a insustentabilidade da situação do país. Contudo, ao contrário das intervenções anteriores na década de 70 e 80, desta vez a economia portuguesa tinha uma moeda comum com outros países europeus, a qual não podia desvalorizar, e a receita vigente tanto em Washington como em Bruxelas era a temida austeridade. Mais tarde, o FMI fez o “mea culpa” e mudou a mensagem, mais depressa que alguns governos europeus, alinhando atualmente na mensagem de que é preciso investir para ultrapassar a crise pandémica, ainda que olhando para a sustentabilidade das contas públicas.

Esta terça-feira, 6 de abril, assinalam-se os dez anos do resgate financeiro da troika, a palavra que os portugueses mais ouviram entre 2011 e 2014, ano em que Portugal fez a “saída limpa” do programa de ajustamento. O ECO falou com Laura Papi — a sucessora de Poult Thomsen e Abebe Selassie, os chefes da missão do Fundo para Portugal — sobre este doloroso processo, cheio de polémicas, recuos, excessos e erros. Acabou por ser reconhecido que os multiplicadores (impacto das medidas) orçamentais na economia usados pelo FMI subestimaram o efeito dos cortes na despesa e dos aumentos de impostos.

Teixeira dos Santos: “Não foi fácil” defender o pedido de ajuda à troika “à revelia do primeiro-ministro”

 

Antigo ministro das Finanças conta como foi difícil contrariar primeiro-ministro sobre pedido de ajuda financeira. E destaca diferenças substanciais entre a crise da dívida e a crise da pandemia. Há exatamente 10 anos, José Sócrates anunciava nas televisões nacionais que Portugal ia pedir assistência financeira internacional. O antigo primeiro-ministro falou ao país pouco depois das 20h30, num anúncio que fora precipitado por declarações “à sua revelia” do então ministro das Finanças durante a tarde desse dia 6 de abril de 2011. “Não foi fácil ter de publicamente emitir a minha opinião quanto ao pedido de ajuda, sabendo da resistência do primeiro-ministro”, recorda Teixeira dos Santos.

A troika tinha acabado de aterrar na Irlanda e na Grécia e, em 2011, foi Portugal a ser “cercado” pelos investidores internacionais, depois de a taxa de juro das obrigações a 10 anos ter ultrapassado a “linha vermelha” dos 7% no mercado secundário. Foi o que fez soar os alarmes no Terreiro do Paço, apesar de José Sócrates ter sempre defendido que o país não iria precisar de um resgate internacional.

“De facto, entendi que seria um elevado risco para o país se esse tal pedido não viesse a acontecer e daí que, ao fim e ao cabo, com sentido de dever e obrigação com o país, ter de emitir a minha opinião à revelia daquilo que era o entendimento do primeiro-ministro. Não foi fácil fazer isso”, conta o antigo ministro das Finanças.

Madeira recebeu na Páscoa sobretudo portugueses do continente. Hotéis de cinco estrelas tiveram mais ocupação

 

A TAP reforçou as ligações à ilha no período da Páscoa, que passaram de dois para três voos diários, e também a Easyjet alargou as rotas ao Funchal com dois voos por dia de Lisboa e quatro por semana à partida do Porto. Não foi o que a Madeira esperava, o resultado turístico da Páscoa de 2021, mas ainda assim os hotéis da região conseguiram ter neste período alguma afluência de portugueses vindos do continente. A proibição de circular entre concelhos que vigorou neste período não se aplicou aos cidadãos que viajaram até às regiões autónomas, e que tinham de fazer as necessárias deslocações ao aeroporto, pelo que a TAP e a Easyjet reforçaram as ligações aéreas com vista a atender a um maior movimento.

"Esta Páscoa tivemos na região taxas médias de ocupação de 25%, em que houve uma grande componente do mercado nacional", adianta Nuno Vale, diretor da Associação de Promoção da Madeira (APM), referindo que neste período houve um reforço de voos da TAP, que passaram de duas a três frequências por dia, e também da Easyjet, que assegurou voos de Lisboa ao Funchal duas vezes por dia, e do Porto quatro vezes por semana.

Estas taxas de ocupação nos hotéis da Madeira e do Porto Santo, maioritariamente de portugueses continentais, referem-se a hotéis de padrão elevado. "A clientela que veio na Páscoa procurou hotéis de categoria superior, os de cinco estrelas tiveram mais ocupação, o que é interessante", faz notar o responsável da APM.

A economia portuguesa antes, durante e depois da troika (e agora com a pandemia)

 

Há 10 anos o então Governo PS fazia um pedido de ajuda externa, culminando em quatro anos de troika em Portugal. Como evoluiu a economia portuguesa nesta década? A crise pandémica veio trocar as voltas às estatísticas sobre Portugal, mas durante os dez anos que se seguiram ao pedido de resgate financeiro a economia portuguesa não ficou igual. Este é um período marcado por duas recessões e um período intermédio de retoma económica, o que teve influência na dívida pública, no PIB ou noutros indicadores económicos. No dia em que se assinala uma década desde o pedido à troika, o ECO recorda a evolução da economia nacional desde então.

Em 2011, a economia portuguesa acabava de sofrer o choque da crise financeira de 2008/2009 e preparava-se para mais uma recessão, só que mais duradoura e intensa. Em 2011, 2012 e 2013, a economia portuguesa voltou a contrair por causa da crise das dívidas soberanas da Zona Euro, da qual fazia parte como país que tinha recorrido a ajuda externa. A retoma começou em 2014, ano da “saída limpa” da troika, mas foi lenta e só em 2018 é que a economia tinha superado definitivamente as duas crises consecutivas que enfrentou. Porém, o período de somar valor além da recuperação durou pouco tempo. Após o crescimento de 2019 (2,5%), a pandemia chegou e provou a maior queda da história democrática (7,6%). A parte boa é que, segundo as previsões, a retoma estará completa em dois anos.

Com o fim das moratórias e do lay-off, “o pior ainda está para vir”

 

Numa altura que o Governo anunciou um novo pacote de apoios à economia para ajudar as empresas a minimizar os impactos da pandemia, nomeadamente o prolongamento do apoio à retoma progressiva, o alargamento do lay-off simplificado e o reforço dos subsídios a fundo perdido, o presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (Anje) alerta que existem "empresas que ainda não estão a receber os apoios".

Os efeitos da pandemia da Covid-19 foram devastadores para grande parte do tecido empresarial português e Alexandre Meireles prevê que o "pior ainda esteja para vir com o final das moratórias previstas para o final de setembro e do lay-off". Destaca que são "necessárias medidas urgentes e um planeamento bem feito", caso contrário prevê que nessa altura "vamos assistir a uma grande vaga de desemprego e falências" e um "incremento significativo da taxa de desemprego".

O presidente da Anje reconhece a resiliência das empresas e a capacidade de adaptação, mas alerta que "a resiliência tem limites e os empresários estão no seu limite".

Em relação ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Alexandre Meireles tem esperança que o investimento público da “bazuca” crie externalidades positivas no tecido económico e social, ao mesmo tempo que diz recear que as empresas tenham dificuldades em aceder aos incentivos e ao investimento.

Da “linha vermelha” aos juros abaixo de zero, mesmo com a dívida em recorde

 

Há 10 anos, José Sócrates anunciava o pedido de ajuda externa. Desde então, Portugal reconquistou os mercados e as agências de rating, mas não se livrou dos riscos da elevada dívida. Ex-primeiro-ministro José Sócrates dirigiu-se ao país a 6 de abril de 2011 para anunciar o pedido de ajuda externa.

“O país foi irresponsavelmente empurrado para uma situação muito difícil nos mercados financeiros“. O ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos já tinha dito, ao Jornal de Negócios, que a situação era difícil e que entendia ser “necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu”. A decisão de chamar a troika precipitou-se assim e, poucas horas depois, o primeiro-ministro José Sócrates falava ao país para o confirmar. Foi há 10 anos que Portugal pediu o resgate financeiro e, a braços com uma nova crise, agora provocada por uma pandemia, vive uma situação completamente diferente, mas não isenta de riscos.

A crise financeira global já tinha levado dois países — Grécia e Irlanda — a pedirem ajuda externa, enquanto Portugal sofria um agravamento das taxas juro que à medida que os investidores perdiam a confiança no país. Ainda assim continuava a financiar-se, a custo. Teixeira dos Santos tinha delineado, no final de 2010, uma “linha vermelha”: juros da dívida a 10 anos acima de 7% significariam que o país teria de chamar a troika.

segunda-feira, abril 05, 2021

Covid19: evolução da vacina na Madeira (até 4.4.2021)

 










40 mil alunos testados na Madeira


 

Estamos numa situação muito frágil, com um Rt de 1.05


Inglaterra vai testar eventos com multidões


Madeira: todos os principais dados da covid19 em quadros (até 4.4.2021)






Madeira: retrato dos principais indicadores da covid19 (até 4.4.2021)


Portugal: retrato dos principais indicadores da covid19 (até 4.4.2021)


Sondagem: Radicais e liberais à conquista do Parlamento


Se houvesse agora eleições legislativas antecipadas, o Chega e o Iniciativa Liberal poderiam aspirar a engrossar de forma substancial a sua presença na Assembleia da República.

Num tempo em que tanto se especula sobre a sobrevivência do Governo minoritário de António Costa (incluindo os avisos desta semana de Marcelo), há dois partidos à Direita que não enjeitariam a possibilidade de legislativas antecipadas: Chega e Iniciativa Liberal revelam, desde o arranque dos barómetros da Aximage para o JN, DN e TSF, uma trajetória de subida e prometem uma mudança significativa na distribuição de forças à Direita. Quando se analisam os diferentes segmentos regionais (que não correspondem aos círculos eleitorais) é possível perceber que o tempo do deputado único ficaria para trás, em ambos os casos, se tivéssemos hoje eleições. No caso da Área Metropolitana de Lisboa (que inclui parte dos círculos de Lisboa e Setúbal), os 9,5% dos radicais liderados por André Ventura poderiam significar, no mínimo, quatro a cinco deputados. Para os liberais de João Cotrim de Figueiredo, o resultado na região da capital rondaria os 6,1% e porventura três a quatro deputados nos dois círculos.

Chega fraco no Porto

Tendo em conta os resultados na Área Metropolitana do Porto e na região Norte, é possível perceber que nos círculos do Porto e de Braga, Cotrim e Ventura poderiam aspirar a mais dois ou três deputados. O Chega revela mais dificuldades (2,6%) que o Iniciativa Liberal (7,1%) na região da Invicta (como tem sido a norma em quase todos os barómetros), mas é mais forte no resto da região Norte (10,1% para os radicais; 5,5% para os liberais).

Sondagem: Primavera socialista deixa PSD a 16 pontos de distância


 

PS está em alta e sociais-democratas em baixa na mais recente sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF. Bloco de Esquerda mantém terceiro lugar, mas Chega fica a uma escassa décima. CDS continua no limiar da sobrevivência. O PS está perto do seu máximo (39,7%) e o PSD bate no fundo (23,6%). O que faz com que os dois principais partidos estejam agora separados por um fosso de 16 pontos percentuais, de acordo com a mais recente sondagem da Aximage para o JN, o DN e a TSF. À Esquerda, o BE (8,6%) e a CDU (6%) estão um pouco melhor. À Direita, o Chega dá um salto significativo e aproxima-se do terceiro lugar (8,5%), enquanto o Iniciativa Liberal perde um pouco de gás (4,8%) e o CDS se mantém no limiar da sobrevivência (1,1%). O PAN vai mudar de líder e está em queda (3,2%).

Um mês bastou para que os socialistas recuperassem do pequeno castigo que resultou do descontrolo da pandemia em janeiro e fevereiro. Ultrapassado o choque e dissipada a memória dos dias em que se batiam recordes mundiais de novos casos e de mortes, com o país a desconfinar (mais uma etapa será cumprida esta segunda-feira), o PS renasce neste início de Primavera e obtém uma liderança folgada, a escassas décimas do melhor resultado desta série de barómetros (40,4% em julho do ano passado). Se houvesse hoje eleições, ficaria três pontos acima das legislativas de 2019.

PS vale mais do que a Direita

Um dos efeitos desta subida do PS (mais 2,1 pontos do que em fevereiro), conjugada com a descida do PSD (menos 2,9 pontos) é que se abre um inédito fosso de cerca de 16 pontos entre os dois maiores partidos - o dobro da distância que os separava nas últimas eleições.

‘Bomba’ na política... ou na justiça?: “Ele não ficará quieto”


José Sócrates transformou-se numa bête noire, mas se o juiz o iliba no dia 9 de abril rebenta uma ‘bomba’ no coração do sistema. Na política e na justiça. O truque tem sido usado em quase todas as eleições. Quando um candidato de direita quer embaraçar um protagonista do PS, leva para a televisão uma fotografia do adversário com José Sócrates: mostrar alguém ao lado de um líder que vivia sustentado por 23 milhões de euros de uma conta em nome de um amigo é uma arma demasiado tentadora para se deixar na gaveta. Crava um dano reputacional. Esta associação tóxica tem sido recorrente em debates eleitorais, parlamentares ou em comícios. E raramente os socialistas defendem o ex-secretário-geral. Mesmo por julgar, Sócrates transformou-se na bête noire da política portuguesa, num símbolo dos piores vícios da classe governante: a vida acima das possibilidades — “quem cabritos vende e cabras não tem, de algum lado lhe vem”, escreveram juízes da Relação —, o alegado conluio com negócios, as mentiras e as ocultações, para não falar da bancarrota e do despesismo. Agora, sozinho e com a reputação arruinada, dez anos depois de perder o Governo e sete após o choque da prisão preventiva, está perante mais um momento decisivo: conhecerá o resultado da instrução na próxima sexta-feira, 9 de abril. O juiz Ivo Rosa mantém a acusação do Ministério Público? Ou deixa cair os principais crimes, como a corrupção? Nenhuma decisão será inócua (ver pág. 8). Qualquer decisão terá efeitos sistémicos na política. E José Sócrates reagirá em qualquer dos casos.

Portugal assinala 10 anos do pedido de resgate com contas públicas fragilizadas pela pandemia



Foi em 6 de abril de 2011 que o Governo anunciou a inevitabilidade do pedido de ajuda às entidades internacionais, primeiro pela voz do então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.

Uma década passada desde que, em 2011, Portugal recorreu a ajuda financeira externa, o país obteve em 2019 o seu primeiro e único excedente orçamental, mas debate-se com um novo agravamento das contas públicas, severamente penalizadas pela pandemia.

Foi em 6 de abril de 2011 que o Governo anunciou a inevitabilidade do pedido de ajuda às entidades internacionais, primeiro pela voz do então ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, e, horas mais tarde, numa comunicação ao país do primeiro-ministro em funções, José Sócrates.

“O Governo decidiu hoje mesmo dirigir à Comissão Europeia um pedido de assistência financeira por forma a garantir as condições de financiamento do nosso país, ao nosso sistema financeiro e à nossa economia”, anunciou Sócrates ao início da noite, pressionado por declarações feitas nessa tarde por Teixeira dos Santos, em entrevista ao Jornal de Negócios, indicando que seria “necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu”.

Sondagem: Rui Rio ganha distância a André Ventura na liderança da Oposição

 


Líder social-democrata (41%) deixa o radical de Direita para trás (26%) na escolha dos portugueses para líder da Oposição, revela barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF. Rui Rio vence Catarina Martins entre bloquistas e Jerónimo de Sousa nos comunistas.

Travão a fundo ao protagonismo de André Ventura. Agora que a exposição mediática conseguida nas presidenciais se vai esbatendo na memória dos portugueses, o líder da Direita radical é claramente ultrapassado por Rui Rio como principal figura da Oposição. Coincidência ou não, também este mês há uma melhoria acentuada na avaliação ao desempenho do conjunto da Oposição, mesmo que o saldo ainda seja negativo em quatro pontos percentuais.

De acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF, depois de um período em que o líder do Chega foi ganhando pontos (no mês passado estava empatado com Rio nos 33%), o mês de março não só pôs fim à curva ascendente de Ventura, como lhe impôs uma descida de sete pontos (26%).

Ao contrário, o líder social-democrata subiu oito pontos, para os 41%, graças à liderança destacada entre o eleitorado do PS, PSD e PAN. Ao contrário do habitual, ganha desta vez a Catarina Martins no eleitorado bloquista, e a Jerónimo de Sousa no eleitorado comunista. Só fica abaixo de Ventura entre os que votam nos liberais e radicais de Direita.

Sondagem: Popularidade de Marcelo volta a subir. Costa deixa pandemia para trás


Presidente da República chega aos 72% de avaliações positivas e primeiro-ministro aos 61%, de acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF. Partilham um património comum de apoio entre as mulheres, os mais velhos e pobres, mas sobretudo entre os eleitores socialistas. O mês de março foi generoso para Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa. A popularidade do presidente (72% de avaliações positivas) está a crescer desde dezembro. Quanto ao primeiro-ministro, deixa para trás as contrariedades na gestão da pandemia e chega aos 61%, o melhor resultado desde julho do ano passado, de acordo com a sondagem da Aximage para o JN, o DN e a TSF. As mulheres, os mais velhos, os mais pobres e os eleitores socialistas são as âncoras em que assenta a popularidade dos dois políticos.


Marcelo e Costa partem de um patamar bastante elevado, no momento em que protagonizam um braço de ferro político e jurídico. A sondagem não mede, no entanto, os efeitos do conflito em torno dos apoios sociais (que uma "coligação negativa" aprovou no Parlamento, que o presidente promulgou, e que o primeiro-ministro contesta no Tribunal Constitucional), uma vez que o trabalho de campo decorreu ainda antes da tempestade (24 a 27 de março).

sábado, abril 03, 2021

Televisão: Audiências sob suspeita


Os números das audiências divulgados pela GfK não batem certo com o impacto dos programas nas redes sociais e muito menos com os registos das operadoras. E os lares com tv por cabo já são 90% (cerca de 4,5 milhões) enquanto o mercado continua a reger-se por uma amostra de 1100 audímetros.

Em Portugal, as audiências dos canais de televisão são auditadas pela GfK, que se baseia numa amostra de 1100 lares, o que corresponde a cerca de 3000 pessoas. E o Nascer do SOL apurou que as números que regem o mercado não batem certo nem com o impacto dos programas nas redes sociais, nem com os registos dos portugueses que têm televisão por cabo – sendo que a percentagem da população com TV Cabo já atinge os 90% e a TDT apenas 10% (era 11% há uns meses e já está praticamente nos 9%).

Ora, as audiências recolhidas pelas três principais operadoras – Altice, Vodafone e NOS, que não são públicas – mostram valores muito diferentes dos apresentados pela GfK, sistematicamente favorecendo um dos canais privados. Não seria então mais fidedigno que fossem as operadoras a apresentar os resultados das audiências?

Ao Nascer do SOL, António Salvador, managing director da GfK, explica que «as operadoras não sabem quem está a ver o quê. O que as operadoras sabem, em regra, é aquilo que quando a pessoa carrega no comando para ver um determinado canal, o server da operadora sabe o que está a ser emitido». No entanto, diz, «não sabe quem está a ver e nem sequer sabe se está a ver. Sabe apenas que está a emitir. Se eu não desligo a box, ela continua a dizer que estou a ver aquele canal onde estava quando desliguei. Claro que, numa situação qualquer, em que ao fim de x tempo sem fazer busca por qualquer outro canal é porque já não está a ver».

Trabalhadores da RTP elegem vogal para a administração e enviam carta ao Governo


Comissão de Trabalhadores notifica ministérios das Finanças e da Cultura e partidos com assento parlamentar da eleição, pelos trabalhadores, de Alexandre Leandro para o cargo de vogal não-executivo. Conselho Geral Independente diz que não há base legal para o fazer, mas trabalhadores ameaçam avançar para tribunal. A Comissão de Trabalhadores (CT) da RTP enviou uma carta aos ministérios das Finanças e da Cultura, ao Conselho Geral Independente (CGI) da estação pública e aos partidos com assento parlamentar (à exceção do Chega e da Iniciativa Liberal) para lhes dar conhecimento da eleição de Alexandre Leandro, no dia 24, para o cargo de vogal não-executivo do conselho de administração da RTP. As eleições contaram com a participação de 55% dos trabalhadores.

“A Comissão de Trabalhadores da RTP vem por este meio dar conhecimento aos dois Ministérios que tutelam a empresa da eleição do trabalhador Alexandre Manuel Parreira Leandro, por sufrágio direto e secreto, no dia 24 de fevereiro passado, para o cargo de vogal não-executivo, em representação dos trabalhadores no próximo Conselho de Administração”, lê-se na missiva, a que o Expresso teve acesso.

Sondagem: António Costa está mais forte e aumenta distância para Rui Rio


Líder socialista bate o social-democrata por larga margem na adesão à personalidade e às políticas. Na avaliação de desempenho, António Costa tem 40 pontos de saldo positivo, enquanto Rui Rio está em terreno negativo. Na confiança para primeiro-ministro, vale o triplo do adversário à Direita, revela sondagem da Aximage para o JN, DN e TSF.

Três meses depois de um primeiro frente a frente, António Costa está mais forte, enquanto Rui Rio estagnou. O líder socialista não só passa incólume pela terceira vaga da pandemia, como amplia a vantagem para o social-democrata, de acordo com o barómetro da Aximage para o JN, DN e TSF. É assim em todos os parâmetros: na adesão dos portugueses à personalidade e às políticas de cada um; na avaliação ao desempenho enquanto líderes partidários; e, finalmente, quanto à confiança para primeiro-ministro, com Costa a acumular 36 pontos de vantagem sobre Rio.

Miguel Albuquerque: "O nome de Passos Coelho continua a assustar a esquerda"

 


Presidente da Região Autónoma da Madeira, Miguel Albuquerque, elogia Passos Coelho, aponta o principal erro da liderança de Rui Rio e explica a estratégia do arquipélago para a pandemia e para o futuro pós-covid.

Miguel Albuquerque recebeu o DN na residência oficial do Governo Regional da Madeira, no Funchal. A cidade que o PSD quer reconquistar nas próximas eleições autárquicas, em coligação com o CDS-PP. Em pleno Salão Nobre, o líder que sucedeu a Alberto João Jardim falou da forma como a ilha que lidera lida com a pandemia, numa estratégia diferente do resto do país, e das apostas futuras da região para lá do turismo.

De fora da conversa, e apenas por razões de segredo de justiça, como frisou, fica o comentário às recentes buscas por parte do Ministério Público (MP) e da Polícia Judiciária. Em causa está a venda da Quinta do Arco e a concessão da Zona Franca da Madeira ao Grupo Pestana. Mas o líder madeirense não se coibiu de mandar recados internos a Rui Rio pela forma como expressa as suas ideias, nem foi parco nos elogios a Passos Coelho, deixando no ar que o regresso do ex-primeiro-ministro é bem-vindo. Quanto ao seu futuro, Miguel Albuquerque deixa transparecer que poderá ser fora da Madeira.