sexta-feira, março 08, 2024

Nova sondagem mostra AD a fugir ao PS e Chega a perder fôlego


Estudo da Intercampus mostra coligação de direita seis pontos à frente dos socialistas nas intenções de voto para as legislativas. Iniciativa Liberal e Livre também têm motivos para sorrir. Com um crescimento de cinco pontos percentuais no espaço de um mês, a Aliança Democrática (AD) consegue alargar para seis pontos a vantagem sobre o PS (29,3% vs. 23.3%), enquanto o Chega baixa de 16,5% para 15,5% e é, a par da CDU (2,1%), a única força política a perder intenções de voto entre fevereiro e março. Estes são os principais destaques do mais recente barómetro da Intercampus para o Correio da Manhã, que mostram ainda a subida da Iniciativa Liberal (7,8%) para quarta força política – à frente do Bloco de Esquerda (5,5%) – e também do Livre (4,3%), que supera mesmo a coligação liderada pelos comunistas e o PAN (3,7%). O estudo divulgado esta quinta-feira, na véspera do fecho da campanha eleitoral para as legislativas de 10 de março, evidencia ainda uma subida expressiva da direita face a fevereiro. Juntando a coligação que integra o PSD, CDS-PP e PPM, aos liberais e aos populistas do Chega, somam agora 52,7% das intenções de voto (vs. 47,4%), com a esquerda unida a valer apenas 35,2% (vs. 33,2% há um mês) (ECO online)


Legislativas: Mulheres mais indecisas do que homens e jovens com mais tendência a votar à direita, revela especialista

A poucos dias do domingo de eleições legislativas, serão os eleitores indecisos os decisivos no ‘tira-teimas’ que determinará o resultado do sufrágio, isto sabendo que, segundo as sondagens, a percentagem de portugueses nesta situação tem variado nas últimas semanas, mas mantém-se mais alta do que o habitual. Segundo indica ao Público Marco Lisi, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa, como se tratam de eleições antecipadas, isso “pode influenciar a percentagem de indecisos, como no caso de outros choques externos”. No entanto, neste caso em particular, o investigador aponta que o fenómeno se relaciona sobretudo com a oferta partidária, nomeadamente o facto de haver novos partidos e novos líderes. Recorde-se que apenas André Ventura foi eleito líder do Chega antes das eleições de 2022 (todos os outros líderes partidários foram-no depois). O politólogo sustenta que são os mais jovens os que estão entre os eleitores mais indecisos.

“Os jovens apresentam uma maior probabilidade de decidir o seu sentido de voto durante a campanha, mas o fator subjacente será principalmente o facto de não terem uma identificação partidária definida, isto é, não se sentem muito próximos de nenhum partido, pelo menos quando comparados com as faixas etárias mais avançadas”, efeito da socialização política. Normalmente mais moderados, estes jovens indecisos têm tendência para votar mais à direita. Quanto ao primeiro aspeto, “reflete uma característica geral dos indecisos, que é assumirem uma posição central do ponto de vista ideológico”. Já quanto ao espetro político, há uma tendência para os jovens indecisos votarem mais nos partidos de direita, enquanto os indecisos mais velhos nos de esquerda, efeito que estará relacionado com as mudanças nas bases eleitorais dos partidos, e não propriamente com “grandes diferenças” de ideologia.

Os jovens têm também maior propensão à abstenção. “Uma maior insatisfação ou descontentamento em relação à situação económica ou política do país tende a favorecer o voto de protesto, antissistema ou populista”, alerta Marco Lisi. O professor universitário explica ainda que, em geral, pode dizer-se que as mulheres tendem a ser mais indecisas do que os homens. Os motivos são difíceis de desvendar mas prendem-se com falta de uma identidade ou proximidade com os partidos, menor nível de informação e de envolvimento na campanha e uma maior indefinição nas convicções políticas (Executive Digest)

Sondagem RTP/Católica. AD mantém vantagem de seis pontos sobre o PS

A Aliança Democrática continua à frente nas intenções de voto dos portugueses. A sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1 e jornal Público revela que a vantagem da AD sobre o Partido Socialista é agora de seis pontos.

terça-feira, março 05, 2024

Método de Hondt: e se as regionais de 2023 fossem para a República?

(LFM)

Legislativas na Madeira: alguns dados curiosos




(LFM)

Bancos privados com 3,3 mil milhões de lucros em 2023 a subirem 74,2% face ao ano anterior


Os seis maiores bancos privados portugueses – BCP, Novobanco, Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio – lucraram 3,3 mil milhões, mais 74,2% do que um ano antes. A rentabilidade dos capitais próprios ronda agora em média os 16%, acima do custo do capital, que oscila entre os 12% e os 14%. Em 2022 os sete maiores bancos portugueses – CGD, BCP, Novobanco, Santander Totta, BPI, Crédito Agrícola e Banco Montepio – lucraram 2.761 milhões de euros, mas, excluindo a Caixa que ainda não apresentou as contas de 2023, os seis maiores bancos privados tiveram em 2022 lucros agregados de 1.918 milhões de euros. Ora, esse valor é 74,2% inferior ao lucro agregado dos mesmos seis bancos em 2023, que somou 3.342,9 milhões de euros.

Sem surpresas a receita da margem financeira que no conjunto dos seis bancos soma 6.965,8 milhões de euros justifica a subida dos lucros. A margem financeira, que integra o produto bancário, subiu em média (simples) 73,4%, acompanhando a evolução dos lucros. Os maiores crescimentos da margem financeira observam-se no Crédito Agrícola, no Santander Portugal e no Novobanco, aumentando 103,8%, 91% e 82%, respetivamente. A subida foi de quase 70% no BPI, de 31,4% no BCP e de 62,3% no Banco Montepio. Mas o indicador que melhor revela os ganhos da banca é a rentabilidade dos capitais próprios, que ronda agora 16%, acima do custo do capital. A última informação do BCE é de que o custo do capital estava em 13,2% no final do primeiro semestre e a estimativa da banca é que está agora entre 12 e 14%. Como as taxas de juro pouco mexeram desde o primeiro semestre, o custo do capital não se terá alterado muito face ao primeiro semestre.

Os bancos geram muitos lucros porque investiram muito capital na atividade, defendeu recentemente o presidente da Associação Portuguesa de Bancos, Vítor Bento, que sublinhou que “a banca, em 2022 na sua totalidade, tinha investido cerca de 36 mil milhões, mais do que qualquer outro sector individual e perto de metade do conjunto das grandes empresas não-financeiras. Logo, é natural que deva apresentar lucros mais volumosos”, num artigo do “Público”.

Abandono está a aumentar no ensino superior público, sobretudo no interior

Cada vez mais estudantes estão a desistir do ensino superior público após o primeiro ano do curso, mas apesar das dificuldades de alojamento em Lisboa e Porto, é sobretudo no interior que o abandono escolar aumenta. Os dados mais recentes divulgados no portal Infocursos referem-se ao ano letivo 2021/2022 e mostram que, ao contrário do setor privado, o abandono no final do primeiro ano do curso aumentou desde 2013/2014. Entre esse período, a percentagem global de alunos que já não estavam inscritos em nenhum curso um ano após começarem uma licenciatura ou mestrado integrado manteve-se, mas se diminuiu no setor privado, de 15,8% para 12,5%, aumentou no público, de 10,2% para 11,6%. Depois de cinco anos a diminuir consecutivamente, registando um mínimo de 8,7% em 2018/2019, o abandono voltou a subir ainda antes da pandemia da covid-19 e da crise da inflação.

Nos últimos anos, o custo do alojamento, sobretudo nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, tem sido apontado como uma das principais barreiras à frequência do ensino superior, mas os dados mostram que não é nessas cidades que o problema é mais significativo. Nas principais instituições da capital, por exemplo, há menos alunos a desistir na Universidade de Lisboa, na Universidade NOVA de Lisboa e no Instituto Politécnico de Lisboa, tendo a percentagem aumentado apenas do ISCTE-IUL, de 6,1% para 7,9%. Por outro lado, o abandono subiu ligeiramente na Universidade e no Instituto Politécnico do Porto, fixando-se em 8,6% e 9,2%, respetivamente, abaixo, ainda assim, da média nacional.

Publicidade 'on-line' proibida contra PSD atinge mais de dois milhões


Investigadores do MediaLab do ISCTE identificaram publicidade anónima e paga no Facebook, que liga o líder do PSD aos cortes durante a 'troika' e que já alcançou mais de dois milhões de pessoas.
Esta publicidade, proibida em campanha eleitoral, “está escondida atrás de uma página de Facebook não identificada”. Desde que foram criados, em 26 de fevereiro, quatro ‘posts’ publicitários “atingiram entre 11 mil e 500 mil destinatários cada”, sendo que um deles foi “visto por um milhão e 185 mil portugueses entre os 25 e os 65 anos”, segundo informações recolhidas pelo MediaLab do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e a Empresa (ISCTE-IUL).
No total, os “‘posts’ patrocinados podem ter chegado a mais de dois milhões de portugueses, cerca de 22% da população com capacidade eleitoral”, diz o relatório do MediaLab, que resulta de um projeto, em parceria com a agência Lusa, sobre as eleições nas redes sociais e os processos de desinformação na fase pré-eleitoral para as legislativas de 10 de março.
Segundo uma estimativa do Medialab, e face ao tipo de segmentação e alcance atingido, “o investimento total pode rondar os 12 mil euros em apenas três dias de campanha publicitária”, o que leva os investigadores a admitir que se pode “estar perante uma operação bastante profissional, mas procurando escapar às regras da comunicação eleitoral”.

Pesquisa do ISCTE deteta "indícios de interferência externa nas eleições em Portugal" contra PS e PSD

A conclusão resultou de uma pesquisa realizada pela equipa do MediaLab, do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e a Empresa (ISCTE-IUL), em parceria com a Agência Lusa. Dois anúncios - um visando o PS, outro o PSD - mostram uma inversão de paradigma num país onde, até agora, não se tinham detetado indícios claros de interferência externa direta em eleições. Foram identificados, pela primeira vez, “indícios de interferência externa nas eleições em Portugal", revelou uma pesquisa realizada por investigadores do MediaLab do ISCTE, liderada por Gustavo Cardoso e José Moreno, em parceria com a Agência Lusa. Em causa um resultado que derivou de uma investigação sobre as eleições nas redes sociais e os processos de desinformação no período pré-eleitoral para as legislativas de 10 de março, que se centrou em dois exemplos em concreto: um anúncio que acusava o PS de corrupção, e um outro que recordava os cortes feitos pelo Executivo do PSD durante o período da “troika”. 

O primeiro destes vídeos remetia para um canal do YouTube, “Bolsonaristas em Portugal”. Começou a circular “online” a 22 de fevereiro, acabando por ser distribuído em vários “sites” portugueses, nomeadamente páginas “online” de jornais”. Porém, entretanto, deixou de estar disponível para visualização. Tratava-se de um vídeo que acusava dirigentes socialistas de corrupção, no qual estavam inseridas fotografias de António Costa e José Sócrates, acompanhadas de títulos descontextualizados de jornais nacionais. Segundo recordam os investigadores, esta é uma “estratégia habitual na produção de conteúdos desinformativos”. 

PSD atingido por publicidade anónima: mais de 2 milhões leram 'posts' proibidos durante a campanha

Publicidade anónima e paga no Facebook ligando Luis Montenegro aos cortes durante a ‘troika’ pode ter chegado a mais de dois milhões de portugueses, cerca de 22% da população com capacidade eleitoral. 'Posts' detetados por investigadores do MediaLab do ISCTE são proibidos durante a campanha eleitoral. Investigadores do MediaLab do ISCTE identificaram publicidade anónima e paga no Facebook, que liga o líder do PSD aos cortes durante a 'troika' e que já alcançou mais de dois milhões de pessoas. Esta publicidade, proibida em campanha eleitoral, "está escondida atrás de uma página de Facebook não identificada". Desde que foram criados, em 26 de fevereiro, quatro 'posts' publicitários "atingiram entre 11 mil e 500 mil destinatários cada", sendo que um deles foi "visto por um milhão e 185 mil portugueses entre os 25 e os 65 anos", segundo informações recolhidas pelo MediaLab do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e a Empresa (ISCTE-IUL). No total, os "'posts' patrocinados podem ter chegado a mais de dois milhões de portugueses, cerca de 22% da população com capacidade eleitoral", diz o relatório do MediaLab, que resulta de um projeto, em parceria com a agência Lusa, sobre as eleições nas redes sociais e os processos de desinformação na fase pré-eleitoral para as legislativas de 10 de março.

Segundo uma estimativa do Medialab, e face ao tipo de segmentação e alcance atingido, "o investimento total pode rondar os 12 mil euros em apenas três dias de campanha publicitária", o que leva os investigadores a admitir que se pode "estar perante uma operação bastante profissional, mas procurando escapar às regras da comunicação eleitoral".

PS e PSD tiveram mais de dois terços dos votos em 35 anos

Em 50 anos de democracia, as eleições mais participadas foram aquelas que deram a vitória à AD de Sá Carneiro- A Pordata retrata a evolução das eleições em quase cinco décadas. Apenas seis governos cumpriram mandato até ao fim. PS e PSD representam, desde 1987, mais de dois terços dos votos válidos. E, ao longo da democracia, quem teve mais votos em legislativas foram os sociais-democratas na recondução de Cavaco Silva, em 1991 (2,9 milhões de votos). O PS teve a sua maior votação em 2005, com o primeiro Governo de José Sócrates (2,6 milhões), sublinha a Pordata. Num retrato dos últimos 50 anos, destaca que apenas seis executivos concluíram o mandato. Já com base no Eurobarómetro de 2023, avisa que oito em cada 10 residentes em Portugal inquiridos tendem a não confiar nos partidos.

Eleições 2024: 80% dos portugueses não confiam nos partidos, conclui estudo da Pordata

A Pordata fez o retrato em números da evolução das eleições em democracia. Que, nos seus fundamentos, pode estar a mudar – mesmo que depois regresse ao mesmo de sempre: o centro do espectro político está a esvaziar-se. Tudo para seguir na noite do próximo dia 10 de março. Numa altura em que o país se encaminha para definir a composição da Assembleia da República, nas eleições do próximo dia 10 de março, a Pordata, base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulga um conjunto de dados que permitem fazer um retrato da evolução das eleições legislativas em Portugal. Um dos aspetos mais marcantes dos 50 anos de democracia é que o eleitorado nunca deixou de se concentrar nos dois partidos do centro do espectro político: PS E PSD. Mas as sondagens indicam que esse elemento fundacional da democracia pode estar a desaparecer – com as margens mais radicais, à direita e à esquerda, a assumirem posições de relevo.

A ‘jurisprudência’ europeia indica, contudo, que pode ser um movimento meramente passageiro – um interregno até tudo voltar ao ‘normal. “PS e PSD representam, desde 1987, mais de dois terços do total dos votos válidos”, referem os dados coligidos pela Pordata. Afinal, “59% dos cidadãos afirmam posicionar-se politicamente ao centro ou mais à esquerda” – o que implica uma concentração de votos ao centro.

A segunda parte do estudo retrata a população dos residentes em Portugal sobre a política nacional e “demonstra que 8 em cada 10 residentes tendem a não confiar nos partidos políticos; que 62% tendem a não confiar na Assembleia da República; que 56% dos cidadãos estão satisfeitos com a democracia nacional (comparando com 55% da média europeia); e que, a nível europeu, estão entre os que menos confiam na sua capacidade de participar na política.

Sondagem: Empate técnico mas com vantagem do PS sobre a AD

A uma semana das legislativas, há 240 mil indecisos e um milhão que só decide “em cima da eleição”. Chega solidifica terceiro lugar, comunistas voltam à tona. Quando falta uma semana para a ida às urnas, e no dia em que algumas dezenas de milhares de portugueses votam antecipadamente, continua tudo em aberto relativamente ao vencedor e aos cenários de governabilidade. De acordo com a sondagem da Aximage, a vantagem ainda é do PS (33,1%), mas a AD (29,6%) encurtou a distância, ao ponto de ter de se afirmar, quando se tem em conta a margem de erro, que há um empate técnico. Há dois outros sinais significativos nesta última projeção antes das legislativas: a recuperação dos comunistas (4%) e a quebra dos liberais (3,9%). O Chega mantém um sólido terceiro lugar (16,7%), seguindo-se um BE ligeiramente reforçado (6,6%), e por fim PAN (2%) e Livre (1,7%) em perda.

A projeção, recorde-se, fala para o passado, não pode ser entendida como uma previsão rigorosa das escolhas dos eleitores a 10 de março. Neste caso, é o retrato do sentimento político dos portugueses entre 23 e 27 de fevereiro, quando já tinham terminado os debates televisivos e começava em força a campanha nas ruas. E o que o estudo nos diz, quando se tem em conta a margem mínima e máxima, é que o PS ficaria entre os 29,7% e os 36,5%, enquanto para a AD se aponta para 26,2% a 33%. Mas há outros dados que reforçam a incerteza quanto ao resultado.

Direita à frente

Desde logo, os 4,4% de indecisos: ou seja, cerca de 240 mil eleitores (se projetarmos esta percentagem para os pouco mais de cinco milhões que votaram em 2022). Depois, os 20% que garantem que só decidem em definitivo “mais em cima da eleição” (no mínimo, um milhão de eleitores). O suficiente para se perceber que os três pontos percentuais, ou cerca de 160 mil votos, que separam PS e AD são quase insignificantes (de novo projetando as percentagens atuais no universo dos que votaram nas últimas legislativas em território nacional).

Estudo Pordata: Maioria não confia nos partidos e não é de esquerda ou direita

O DN falou com a diretora da Pordata, Luísa Loura, que alerta: “Descrença nos partidos” leva a uma menor participação eleitoral. Esta ideia surge no estudo do gabinete estatístico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que fez um retrato das eleições pós-25 de Abril. A Pordata divulga esta segunda-feira um retrato histórico das eleições, desde o 25 de Abril até agora, e revela que “oito em cada dez inquiridos em Portugal tendem a não confiar nos partidos políticos”. O DN conversou com a diretora deste gabinete de estatística, afeto à Fundação Francisco Manuel dos Santos, Luísa Loura, que explica: “Os partidos não mudaram de opinião. Muitas vezes não se consegue concretizar medidas que têm na ideia, mas isso leva a que a população ganhe alguma descrença neles, e com isto começam a participar cada vez menos”. 

“Esta é, aliás, uma tendência em 19 dos 27 países da União Europeia [UE], em que mais de 70% das pessoas tendem a não confiar nos partidos políticos (a média da UE é 77%)”, continua o estudo da Pordata, salvaguardando que “em todos os países, com exceção da Dinamarca, que regista empate, é maior a proporção de pessoas que não confiam do que as que confiam”.

O documento indica ainda que os portugueses só estão abaixo da média europeia, no que diz respeito a descrença nas instituições, quando se referem a organismos europeus (ver gráfico intitulado Confiança dos eleitores, que, de acordo com a Pordata é alimentado por dados do Eurobarómetro). Sobre as instituições nacionais, os vários partidos políticos são os que permitem que a credulidade dos portugueses caia por terra, com 81% dos inquiridos  a demonstrarem que não confiam neles. Em relação à casa da democracia, os dados não variam muito, mas a falta de confiança é menor, com 62% dos inquiridos a revelarem que não confiam na Assembleia da República. Por fim, a justiça, pelo menos no que diz respeito a este gráfico, também é alvo da falta de confiança dos portugueses, com 53% dos participantes no estudo a refletirem isso, mas a proporção é menor face às outras instituições.

Governo regional dos Açores já tomou posse. Resta saber por quanto tempo....

O Governo regional tomou posse com apelos à estabilidade e à responsabilidade. A coligação PSD/CDS/PPM assume o executivo minoritário e espera que o orçamento regional seja aprovado no próximo dia 12 de março.

Grande maioria de portugueses desconfia do Parlamento

A maioria dos portugueses não confia nos partidos políticos nem na Assembleia da República. Mais de 60% dos portugueses desconfiam do Parlamento, o que é um valor acima da média europeia. Os dados são avançados pela Pordata.

Quantos governos e quantas maiorias absolutas teve cada um? PS e PSD concentram mais de 65% dos votos em legislativas desde 1987

O PS formou Governo por nove vezes (cinco nas últimas duas décadas), e o PSD liderou seis executivos nos últimos 21 anos. De acordo com a evolução histórica das eleições e a perceção dos portugueses sobre a política, desde o 25 de abril de 1974 até às últimas eleições, em 2022, num retrato elaborado pela base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o partido com mais votos numa eleição legislativa foi o PSD, que obteve 2,9 milhões de votos na recondução de Cavaco Silva, em 1991. Já o PS obteve a sua maior votação em 2005, com o primeiro Governo de José Sócrates (2,6 milhões de votos). Desde que Portugal é uma democracia, o PS formou Governo por nove vezes, das quais cinco ocorreram nas últimas duas décadas, enquanto o PSD liderou seis executivos nos últimos 21 anos. Desde 1976, apenas seis dos 16 governos concluíram o mandato: 1987-1991 e 1991-1995 com Cavaco Silva, 1995-1999 com António Guterres, 2011-2015 com José Sócrates, 2005-2009 com Pedro Passos Coelho e 2015-2019 com António Costa.

No período democrático, foram eleitos seis Governos com maioria absoluta, quatro liderados pelo PSD (dois com a Aliança Democrática (AD) liderada por Sá Carneiro, em 1979 e 1980, e dois com Cavaco Silva, em 1987 e 1991) e dois pelo PS (um com José Sócrates, em 2005, e um com António Costa, em 2022), sendo que apenas Cavaco Silva e José Sócrates conseguiram concluir os seus mandatos. O relatório também salienta que, nos últimos 30 anos, o partido que elegeu o maior número de deputados numa eleição foi o PS, com 121 nas legislativas de 2005, enquanto o partido que mais deputados perdeu foi o PSD, em 2005, quando passou de 105 para 75.

Oito milhões de votos foram “desperdiçados” em todas as legislativas: mudar lei eleitoral tornaria “democracia mais sã”

As listas independentes incentivam a participação eleitoral. Outras variáveis, como taxas de desemprego altas e locais com pouca população, também  Foto Marcos Borga. As listas independentes incentivam a participação eleitoral. Outras variáveis, como taxas de desemprego altas e locais com pouca população, também. As legislativas “são as únicas eleições em que não há métodos de representatividade”. Ano após ano, milhares de votos não são convertidos em mandatos — e os partidos e os círculos eleitorais de menores dimensões são historicamente os mais prejudicados. “Muita gente já me disse: ‘Aqui na minha zona nem vale a pena votar nesse partido porque já sei que vai cair em saco roto’”, conta o politólogo Luís Humberto Teixeira. Há soluções para resolver o problema, mas falta vontade política

8.330.434 é o número de votos que foram ‘desperdiçados’ em todas as eleições legislativas desde 1975. Por outras palavras, cerca de 9,5% dos mais de 87 milhões de votos válidos até hoje não foram convertidos em mandatos, avança o politólogo Luís Humberto Teixeira, responsável pelo portal “O meu voto” e pela petição “Por uma maior conversão de votos em mandatos”. O problema não é de agora e as soluções já estão identificadas — mas há “indiferença” e “comodismo” em mudar a lei eleitoral, considera.

Luís Humberto Teixeira estuda este tema há mais de 20 anos e, nas últimas legislativas, a petição e o portal “fizeram com que a consciência das pessoas aumentasse”. “Recebi muitas mensagens de eleitores a dizer que não tinham conhecimento disto, apesar de votarem há décadas”, conta ao Expresso. “Muita gente já me disse: ‘Aqui na minha zona nem vale a pena votar nesse partido porque já sei que vai cair em saco roto’”, acrescenta.

Sondagem: PS com vantagem, AD encurta distância

Quando falta uma semana para a ida às urnas, e no dia em que algumas dezenas de milhares de portugueses votam antecipadamente, continua tudo em aberto relativamente ao vencedor e aos cenários de governabilidade. De acordo com a sondagem da Aximage (veja aqui a infografia), a vantagem ainda é do PS (33,1%), mas a AD (29,6%) encurtou a distância, ao ponto de ter de se afirmar, quando se tem em conta a margem de erro, que há um empate técnico. Há dois outros sinais significativos nesta última projeção antes das legislativas: a recuperação dos comunistas (4%) e a quebra dos liberais (3,9%). O Chega mantém um sólido terceiro lugar (16,7%), seguindo-se um BE ligeiramente reforçado (6,6%), e por fim PAN (2%) e Livre (1,7%) em perda.

A projeção, recorde-se, fala para o passado, não pode ser entendida como uma previsão rigorosa das escolhas dos eleitores a 10 de março. Neste caso, é o retrato do sentimento político dos portugueses entre 23 e 27 de fevereiro, quando já tinham terminado os debates televisivos e começava em força a campanha nas ruas. E o que o estudo nos diz, quando se tem em conta a margem mínima e máxima, é que o PS ficaria entre os 29,7% e os 36,5%, enquanto para a AD se aponta para 26,2% a 33%. Mas há outros dados que reforçam a incerteza quanto ao resultado.

Direita à frente

Desde logo, os 4,4% de indecisos: ou seja, cerca de 240 mil eleitores (se projetarmos esta percentagem para os pouco mais de cinco milhões que votaram em 2022). Depois, os 20% que garantem que só decidem em definitivo “mais em cima da eleição” (no mínimo, um milhão de eleitores). O suficiente para se perceber que os três pontos percentuais, ou cerca de 160 mil votos, que separam PS e AD são quase insignificantes (de novo projetando as percentagens atuais no universo dos que votaram nas últimas legislativas em território nacional).

Maioria dos estudantes da Universidade de Coimbra quer emigrar

Quase 70% (66,9%) dos estudantes da Universidade de Coimbra pensa em emigrar, mais de metade nos próximos cinco anos. A maioria considera que os baixos salários auferidos em Portugal não lhes vai permitir ter casa própria e constituir família pelo que querem sair do país. A Associação Académica de Coimbra (AAC) promoveu um inquérito online entre 1 e 26 de fevereiro, tendo validado 1272 respostas, mais de metade (55,6%) de estudantes de licenciatura, entre os 17 e 20 anos. A maioria (74,6%) dos que respondem que planeiam emigrar, diz querer regressar a Portugal.  

Entre os principais motivos para sairem do país,  esmagadora maioria dos estudantes (96,3%)  aponta as condições salariais, as ofertas de emprego (73,3%) e a progressão na carreira (67,5%). A AAC sublinha, no comunicado emitido esta segunda-feira, que o acesso à habitação é um "problema crucial" que determina a decisão de saír do país.  A AAC "não se manifesta contra a emigração, manifesta-se sim contra a emigração “forçada” por parte de estudantes ou recém-estudantes que são obrigados a abandonar o país contra sua vontade – por falta das mais variadas condições não asseguradas pelo Estado português ou por motivos de valorização profissional não existente no país". A associação defende ser "imprescindível" a melhoria das condições salariais e de trabalho para "manter a geração mais qualificada de sempre" no país. 

Só 4,1% consideram ter condições para constituir família

Face às condições salariais, a esmagadora maioria dos estudantes (85,7%) respondeu considerar que será incapaz de ter acesso a habitação própria. Entre as mais de mil respostas, só 25 estudantes manifestaram acreditar ter essa capacidade.  Interpelados sobre a intenção de constituir família, mais de metade (56,85) consideram que não vão ter condições para o fazer. Só 4,1% manifestam "concordar totalmente" com essa intenção face às atuais condições salariais.  A maioria dos estudantes (64,7) acredita que, face  ao atual contexto económico e laboral do país, nem sequer terá a capacidade para se tornar "financeiramente independente". Só 43, entre as mais de mil respostas, crêem nessa capacidade (Jornal de Notícias, texto da jornalista Alexandra Inácio)