O Barómetro de Conjuntura Económica CIP – Confederação Empresarial de Portugal/ISEG de março de 2026 prevê que o impacto negativo do conflito no Golfo Pérsico no crescimento da economia portuguesa se faça sentir já nos números do primeiro trimestre, podendo intensificar-se nos trimestres seguintes. A curto prazo, o aumento da cotação dos produtos derivados do petróleo e do gás natural nos mercados internacionais tenderá a estender-se aos setores da economia cuja estrutura de custos tem maior exposição aos preços energéticos, invertendo a trajetória descendente da inflação que se observou no segundo semestre de 2025.
“O choque no preço dos produtos energéticos deverá condicionar o crescimento do consumo privado em Portugal e o desempenho do setor exportador”, afirma Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal. “É um novo impacto negativo, cuja profundidade e duração ainda se desconhece, que se soma ao provocado pelas tempestades de janeiro e de fevereiro: ambos sucedem num contexto de desaceleração relevante da atividade económica face ao ano anterior, consolidando uma tendência que o indicador coincidente CIP/ISEG regista desde novembro de 2025”.
A alta nos preços dos combustíveis provocada pelos ataques dos Estados Unidos da América e de Israel ao Irão segue-se à disrupção na atividade económica causada pelas tempestades e cheias que assolaram Portugal entre janeiro e fevereiro. O seu impacto, embora geograficamente concentrado na Região Centro, afetou de forma significativa a capacidade produtiva de muitas indústrias e empresas de serviços dentro e fora das regiões afetadas.
Em fevereiro, apesar do impacto da destruição causada pelos fenómenos climáticos, os indicadores de confiança apresentaram uma ligeira recuperação, impulsionados pela melhoria das apreciações nos setores dos serviços e da indústria transformadora, depois de uma quebra acentuada registada em janeiro. No entanto, aponta o barómetro CIP/ISEG, “o indicador de confiança dos consumidores evoluiu negativamente”.
“Os dados que serão divulgados até ao final de abril possibilitarão uma leitura mais objetiva da extensão do impacto do conflito no Golfo para as economias da zona euro e, em particular, para Portugal”, afirma Rafael Alves Rocha. No entanto, segundo o diretor-geral da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, “muitas empresas que utilizam gás natural estão já a sentir um aumento da sua fatura energética, não sendo possível que continuem a manter os mesmos preços de mercado, sob pena da sua viabilidade económica”. Por esta razão, a CIP reitera “a urgência de apoios diretos às empresas mais afetadas pelo acréscimo dos custos energéticos”.
Rafael Alves Rocha destaca as consequências negativas para a economia real de uma previsível subida das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu, em resposta às crescentes expetativas de inflação causada pela alta dos combustíveis. “A inversão da trajetória descendente da inflação que se observou no segundo semestre de 2025 será muito penalizadora, tanto para as famílias, como para a atividade das empresas”, afirma o diretor-geral da CIP (Jornal Economico, texto do jornalista António Sarmento)

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