segunda-feira, março 23, 2026

Sondagem Expresso/SIC: Maioria quer colaboração do Governo e oposição no “pós-Kristin”


Mais de metade dos portugueses inquiridos na sondagem do ICS/ISCTE entende que o desempenho do Governo em resposta aos efeitos das tempestades foi mau (41%) ou muito mau (10%), mas entende que os partidos da oposição devem colaborar com o Executivo na hora da reconstrução. Um total de 63% dos inquiridos acha que a oposição deve colaborar, enquanto uma fatia minoritária (36%) acha que mais do que colaborar, a oposição deve fiscalizar os apoios atribuídos. Com trabalho de campo rea­lizado de 27 de fevereiro a 8 de março, um mês depois das tempestades que assolaram a região Centro, o Governo não sai bem na fotografia. E, sem surpresas, sai pior entre os inquiridos que foram pessoalmente afetados pela tempestade do que entre os que não foram nem conhecem ninguém que tenha sido. A percentagem de avaliações negativas é maior entre os eleitores de esquerda, mas mesmo entre os que se dizem de direita, de centro, e simpatizantes do PSD, há mossa: 29% dos sociais-democratas dizem que o desempenho do Executivo de Montenegro nesta frente foi mau.

Quando questionados sobre como deve a oposição comportar-se, a grande maioria aposta na colaboração em vez da fiscalização. Entre os inquiridos que se assumem como simpatizantes do PS, 57% apontam para uma postura de colaboração, com a percentagem a descer para 41% no caso dos simpatizantes do Chega. A esmagadora maioria dos simpatizantes do PSD, três em cada quatro, aponta no mesmo sentido.

Mais de metade (58%) dos inquiridos viu aproveitamento na atuação de Ventura, sendo que são sobretudo os simpatizantes do PSD (73%) e do PS (70%) que fazem esta avaliação. No geral, são mais os que apontam aproveitamento ao líder do Chega do que os que dizem que não viram (25%) ou não sabem responder (18%). O secretário-geral do PS também não passa incólume, ainda que não seja tão acentuado: 41% viram algum aproveitamento, mas a maio­ria (59%) ou não viu ou não responde. Ainda que seja a esquerda que faz pior avaliação de Ventura e a direita que faz pior avaliação de Carneiro, há 29% dos simpatizantes do PS que destacam que houve aproveitamento político na atuação do socialista, e 23% dos simpatizantes do Chega que viram o mesmo em Ventura.

Ficha técnica

Sondagem cujo trabalho de campo decorreu entre os dias 27 de fevereiro e 8 de março de 2026. Foi coordenada por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-ULisboa) e do ISCTE — Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE —- IUL), tendo o trabalho de campo sido realizado pela GfK Metris. O universo da sondagem é constituído pelos indivíduos de ambos os sexos com idade igual ou superior a 18 anos e capacidade eleitoral ativa, residentes em Portugal Continental. Os respondentes foram selecionados através do método de quotas, com base numa matriz que cruza as variáveis Sexo, Idade (4 grupos), Instrução (3 grupos), Região (7 Regiões NUTS II) e Habitat/Dimensão dos agregados populacionais (5 grupos). A partir de uma matriz inicial de Região e Habitat, foram selecionados aleatoriamente 100 pontos de amostragem, onde foram realizadas as entrevistas de acordo com as quotas acima referidas. A informação foi recolhida através de entrevista direta e pessoal na residência dos inquiridos, em sistema CAPI, e a intenção de voto recolhida através de simulação de voto em urna. Foram contactados 2778 lares elegíveis (com membros do agregado pertencentes ao universo) e obtidas 801 entrevistas válidas (taxa de resposta de 29%, taxa de cooperação de 46%). O trabalho de campo foi realizado por 39 entrevistadores, que receberam formação adequada às especificidades do estudo. Todos os resultados foram sujeitos a ponderação por pós-estratificação de acordo com a frequência de prática religiosa e a pertença a sindicatos ou associações profissionais dos cidadãos portugueses com 18 ou mais anos residentes no Continente, a partir dos dados da vaga mais recente do European Social Survey (Ronda 11). A margem de erro máxima associada a uma amostra aleatória simples de 801 inquiridos é de +/- 3,5%, com um nível de confiança de 95% (Expresso, texto da jornalista Rita Dinis)

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