Em junho de 1944, uma prisioneira em Birkenau chamada Esther estava no campo há três meses. Ela tinha chegado com a mãe. Na plataforma a mãe dela tinha sido enviada para a esquerda. Ela tinha sido enviada para a direita. Ela passou três meses a aprender a pensar em torno disto. Para não pensar nisso diretamente. Para pensar em volta das bordas. Numa manhã de junho ela estava num destacamento de trabalho perto da enfermaria feminina. Ela estava movendo a terra. Ela trabalhou com a pá. Ela não olhou para cima. Olhar para cima custou alguma coisa. Ela manteve os olhos na terra. Um prisioneiro saiu da enfermaria. Ela passou pelo detalhe do trabalho. Ela andou perto de Esther. Quando ela passou, ela disse algo silenciosamente. Ela disse sem parar. Sem olhar para a Esther. Ela disse - a tua mãe disse para te dizer que te amava. Ela continuou a andar. Esther ficou com a pá dela. Ela não conhecia esta mulher. Ela não sabia como esta mulher conheceu a sua mãe. Ela não sabia quando. Ela ficou com a pá. Ela olhou para a terra. Ela entendeu. Que alguém tinha carregado isto. Da mãe dela. Para ela. Pelo acampamento. Através da rede de presos. Através de quem conheceu quem quer que seja. Alguém o tinha carregado. A mãe dela enviou-o. Ela ficou com a pá. Ela segurou o que tinha chegado. A tua mãe disse para te dizer que te amava. Ela segurou-o. Ela continuou a limpar. Ela segurou-o. Para o resto da guerra. Para o resto da vida dela. Ela segurou-o (fonte: Facebook, The Past Era)
Sem comentários:
Enviar um comentário