Assinalaram-se recentemente os 37 anos desde um dos mais graves acidentes da aviação civil em Portugal. A 8 de fevereiro de 1989, o voo 1851 da companhia norte-americana Independent Air, operado por um Boeing 707 (N7231T), despenhou-se na ilha de Santa Maria, nos Açores, durante a aproximação para uma escala técnica, provocando a morte de todas as pessoas a bordo. O voo tinha origem em Bérgamo, em Itália, e tinha como destino final Punta Cana, na República Dominicana. A escala nos Açores fazia parte do plano de voo desta ligação charter transatlântica. A aeronave envolvida, um Boeing 707-331, tinha quase 21 anos de serviço, tendo sido originalmente entregue à TWA em março de 1968.
A Independent Air, sediada em Atlanta, nos Estados Unidos, dedicava-se sobretudo à operação de voos charter, incluindo serviços para operadores turísticos, o exército norte-americano e um clube de viagens denominado Atlanta Skylarks. Embora a maioria das suas operações se concentrasse na América do Norte e nas Caraíbas, a companhia mantinha também uma presença regular na Europa, com especial destaque para o mercado italiano, operando a partir dos aeroportos de Milão-Malpensa e Milão-Bérgamo.
No dia do acidente, o voo
transportava 137 passageiros e sete tripulantes. A partida de Bérgamo sofreu um
atraso de cerca de duas horas devido a nevoeiro intenso, que condicionou a
chegada do voo precedente. A aeronave acabou por descolar às 10h04 locais.
Já na fase final do voo, pouco antes das 14h00, a tripulação recebeu autorização do controlo de tráfego aéreo para descer até aos 3.000 pés, de modo a realizar uma aproximação por instrumentos à pista 19 do aeroporto de Santa Maria. No entanto, ao repetir a instrução, a tripulação indicou incorretamente a altitude de 2.000 pés, erro que não foi corrigido. O Boeing 707 estabilizou aos 2.000 pés, abaixo da altitude mínima de segurança para aquele setor, entrando em zona montanhosa envolta em nuvens densas e com forte turbulência. A aeronave veio a colidir, às 14h08, com o Pico Alto, o ponto mais elevado da ilha de Santa Maria, a cerca de 1.795 pés de altitude.
O impacto provocou a destruição total do avião, não havendo sobreviventes. O acidente tornou-se o mais mortífero alguma vez ocorrido em território português e um dos mais graves envolvendo o modelo Boeing 707. A investigação concluiu que vários fatores contribuíram para a tragédia, destacando-se o incumprimento de procedimentos operacionais por parte da tripulação, nomeadamente a leitura incorreta da altitude autorizada e a falta de confirmação adequada dessa instrução crítica.
Em 1992, familiares das vítimas intentaram uma ação judicial contra a Independent Air, tendo o tribunal considerado a companhia negligente. O processo terminou com um acordo no valor de 34 milhões de dólares. Nessa altura, a transportadora já tinha encerrado atividades, em 1990, sendo o acidente do voo 1851 um dos principais fatores para o seu colapso, devido ao impacto negativo na reputação da empresa e ao cancelamento de contratos por parte de vários clientes. (fonte: Facebook, Aviação TV)

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