A depressão Kristin, que na semana passada devastou o centro do país, trouxe novamente para o debate público a intensidade dos fenómenos meteorológicos extremos em Portugal. Durante a sua passagem, foi batido o recorde da maior rajada de vento alguma vez registada em Portugal Continental. A 28 de Janeiro de 2026 foi medida uma rajada de vento de cerca de 209 km/h, numa estação situada em Degracias, em Soure. No entanto, por esta estação estar a 524 metros de altitude (o vento é sentido com maior intensidade face às cotas mais baixas) e, provavelmente, não ter metodologias técnicas equivalentes às utilizadas pelo IPMA, não se pode, para já, comparar com os valores históricos registados pelo IPMA (carece de validação oficial). Em Monte Real, a rajada atingiu 178 km/h e, apesar de também não ser uma estação IPMA, utiliza metodologias técnicas iguais, pelo que o registo é comparável. O anterior recorde (176 km/h) tinha sido registado a 13 de Outubro de 2018, na Figueira da Foz, durante a depressão Leslie.
Este episódio extremo
insere-se num quadro mais amplo de recordes climatológicos registados em
Portugal Continental. O maior valor de precipitação acumulada em 24 horas, foi
de 220 mm, registado em Janeiro de 1977 nas Penhas da Saúde. Já os valores
mínimos de temperatura do ar remontam sobretudo à década de 1950, com a
temperatura mínima de -16,0 °C registada em Fevereiro de 1954 e 1956, e o
mínimo de temperatura máxima de -10,2 °C em Fevereiro de 1954.
No extremo oposto, os recordes de calor refletem episódios mais recentes. A temperatura máxima absoluta atingiu 47,3 °C em Agosto de 2003, na Amareleja, enquanto a temperatura mínima mais elevada foi de 32,0 °C, em Julho de 2004, em Faro. Portugal está historicamente exposto a uma ampla gama de extremos climáticos — vento, precipitação, frio e calor — com impactos significativos sobre populações, infraestruturas e atividade económica. A depressão Kristin é o episódio mais recente a evidenciar a necessidade de reforçar a preparação, a resiliência territorial e a adaptação a riscos meteorológicos cada vez mais relevantes (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

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