Algo que era tratado como normal em certos contextos medievais, mas que hoje soa profundamente estranho — e inaceitável — é o chamado “direito da primeira noite”, ou *jus primae noctis*. Segundo essa tradição atribuída ao sistema feudal, o senhor teria o direito de manter relações com a noiva virgem de um servo na noite de núpcias. Na mentalidade da época, marcada por uma sociedade rigidamente hierarquizada e quase sem mobilidade social, esse costume teria sido aceito — e em alguns relatos até valorizado — por parte dos servos. Isso porque havia a crença de que a proximidade direta com o senhor feudal poderia representar uma rara oportunidade de melhoria de vida para toda a família.
Caso o senhor se agradasse da mulher, existia a
possibilidade de o casal ser retirado do trabalho pesado da gleba e integrado
ao serviço doméstico do castelo. Viver dentro das muralhas significava tarefas
menos extenuantes, maior segurança contra invasões, banditismo e guerras
locais, além de melhores condições de alimentação e abrigo. Em situações ainda
mais excepcionais, se a mulher engravidasse do senhor, acreditava-se que a
criança poderia receber reconhecimento social, como o estatuto de *hidalgo*, o
grau mais baixo da nobreza.
Por isso, dentro dessa lógica social específica, o chamado direito de pernada teria sido visto por alguns como uma “chance” — não por desejo, mas por cálculo de sobrevivência e ascensão mínima em um mundo extremamente desigual. Há registros e narrativas que afirmam, inclusive, que certos servos anunciavam voluntariamente seus casamentos ao senhor feudal, na esperança de que ele exercesse esse privilégio. Hoje, essa prática é amplamente questionada por historiadores, tanto quanto à sua real existência sistemática quanto à forma como foi romantizada posteriormente, sendo vista sobretudo como reflexo das estruturas de poder, coerção e desigualdade que marcaram a sociedade medieval (fonte: Facebook, História Perdida)

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