A venda de esposas foi uma das práticas mais bizarras associadas ao casamento na Idade Moderna, ocorrendo a partir do século XVII e se estendendo até meados do século XIX. Em um período em que o divórcio era caro, complexo e praticamente inacessível, sobretudo para as classes populares, muitos britânicos recorreram a esse método extremo como forma informal de encerrar uniões fracassadas. O ritual era público e humilhante: o marido colocava uma coleira ou corda no pescoço da esposa e a conduzia até tavernas, praças ou feiras, onde ela era leiloada a outro homem. Apesar de hoje soar absurda e cruel, essa prática era amplamente tolerada pela sociedade da época e, em certos contextos, vista como uma solução pragmática. Não se tratava de um ato oficialmente legal, mas era aceito como um “divórcio de fato”, sobretudo entre os pobres.
A transação costumava ocorrer com o consentimento da mulher e do comprador, muitas vezes alguém com quem ela já mantinha um relacionamento, o que reforçava o caráter simbólico do ato: mais do que uma venda literal, era a transferência pública de responsabilidade conjugal. Na Grã-Bretanha da década de 1750, o divórcio formal exigia uma lei privada aprovada pelo Parlamento, um processo longo, caro e restrito quase exclusivamente à elite. Diante dessa realidade, a venda de esposas surgiu como um atalho socialmente reconhecido para romper um casamento sem enfrentar a burocracia e os custos legais. Embora não tivesse validade jurídica plena, o costume funcionava como um acordo tácito entre as partes e a comunidade, revelando as profundas desigualdades legais e sociais que marcavam o casamento e a vida conjugal naquele período histórico (História Perdida)

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