A caminho de cumprir já dois anos como presidente do governo regional, José Manuel Bolieiro falou com o DN à margem da GlexSummit, realizada em Ponta Delgada, de temas como evitar o turismo de massas, promover o desenvolvimento sustentável das ilhas, contrariar a quebra demográfica com criação de melhor emprego, mas também atraindo imigrantes, e ter mais contrapartidas pela Base das Lajes. Faz um balanço positivo da coligação regional de direita e diz-se entusiasmado com o PSD nacional liderado por Luís Montenegro.
Os Açores são pequenas ilhas, mas, de repente, sentem-se no centro do mundo, quando recebem uma conferência como, nesta semana, a GlexSummit, com tantos cientistas que elogiam a localização no meio do Atlântico, a beleza natural e arquitetónica , e o mar imenso em redor?
- Sem dúvida. Eu tenho valorizado a formação da opinião pública através da demonstração das oportunidades que os Açores têm para o seu próprio desenvolvimento no futuro, mas também das oportunidades que dão à projeção atlântica de Portugal enquanto país e enquanto estado-membro da União Europeia. É a compreensão integral do nosso território, não só dos Açores, mas do país, e muito por causa dos Açores. Porque se definirmos o país e a Região Autónoma dos Açores, na sua componente territorial reduzida, à questão terrestre, somos pequenos e periféricos, no caso do continente português, e pequenos e ultraperiféricos, no que diz respeito às ilhas dos Açores. Mas se acrescentarmos à nossa dimensão territorial as componentes marítima e espacial já os Açores dão a Portugal e Portugal dá à Europa uma dimensão planetária de relevância estratégica. Geoestratégica no que diz respeito ao seu posicionamento no mundo, na ligação sobretudo do Velho Mundo com o Novo Mundo, mas igualmente geoestratégico no que diz respeito à sustentabilidade planetária, numa cada vez mais excessiva economia carbonizada e onde os oceanos precisam de ser preservados, porque têm um papel fundamental na captura de carbono. Mas, sobretudo, também da relevância da biodiversidade e de manutenção das condições climáticas no planeta. E, por isso, temos de olhar o futuro como uma oportunidade e não como uma fatalidade, temos de valorizar a ciência e os talentos da investigação científica.
Quando olha para estes cientistas que estão a promover a imagem dos Açores, não está a pensar em que sejam embaixadores do turismo de massas, mas sim de um turismo de qualidade?
- É isso mesmo. No que diz respeito às oportunidades que, enquanto Centro de Congressos, os Açores também se podem constituir para a ciência, em que naturalmente se promove pela notabilidade, pela notoriedade dos eventos e também pela pedagogia de informação enquanto destino turístico. Mas não é para um turismo massificado. Tem de ser sobretudo seletivo, de valor acrescentado e preservando, no que diz respeito à nossa pegada ambiental e ecológica, os spots de natureza que são o nosso principal ativo. Daí que entenda que a nossa economia e o nosso desenvolvimento não deve desvanecer-se pela massificação. Pelo contrário, deve resistir à massificação. As nossas políticas públicas de desenvolvimento turístico vão potenciar exatamente esse caminho. Que, aliás, é respeitar o histórico. Nós nunca fomos um destino turístico de especial dimensão mundial. Também provavelmente nunca tivemos a vocação, enquanto alavanca do nosso desenvolvimento económico, de fazer do turismo o principal pilar. Mas agora, neste período, com a mobilidade cada vez mais facilitada, intercontinental, os Açores estão no centro do mundo e podem e devem sê-lo. Queremos promover isso como um elemento também da alavanca da economia turística. Mas com estas limitações, com esta estratégia. Fazer tudo de acordo com um desenvolvimento sustentável também na sua componente turística, respeitador da nossa natureza, da nossa biodiversidade.


















