quarta-feira, fevereiro 24, 2021

Nota: caso perdido!

Pelos vistos das duas uma: ou Pedro Calado quer fugir do governo Regional antes que a situação se agrave, ou está rendido a uma patética ambição doentia e  corporativista de um pequeno grupo com saudades de mandar na CMF e que a julga uma "coutada". Falta o essencial: saber se é de propósito para fugir ao GRM e arranjar um pretexto para o fazer ou se está a ser obrigado a isso para que o queimem politicamente (LFM)

Nota: benefício da dúvida

Eu hoje vou fazer algo que nunca pensei fazer: vou recuar, dar o benefício da dúvida e esperar que Cafofo consiga concretizar tudo o que terá sido delineado no processo negocial com vista à revisão da Lei de Finanças Regionais e outras iniciativas pendentes, incluindo uma revisão constitucional. Se a ideia é fazer uma festança apenas com a LFR, então vou ali e já venho... E não, não achem estranho o que acabo de afirmar! (LFM)

terça-feira, fevereiro 23, 2021

Nota: Calado mostrou hoje que não deve sair do GRM nem pela CMF


O Plano de Recuperação e Resiliência da RAM foi hoje apresentado por Pedro Calado. Confesso que não liguei rigorosamente nada aos números ou as rubricas porque o que me importa é a versão final do documento ainda em fase de discussão pública. O que desta cena retive, foi que Pedro Calado mostrou, mais uma vez, na lógica do PSD-M, e se dúvidas existissem, que não deve sair do GRM - que ficaria demasiado banalizado e fragilizado politicamente - e que não deve ser candidato à CMF porque além de não ter a certeza de que seria eleito - tudo depende dos negócios entre partidos que serão feitos até ao Verão - poderia ser o rastilho para uma crise política e governativa regional a prazo. Só um idiota não vê o que se passa. A Madeira vai entrar no pior momento da sua história píos-25 de Abril devido aos efeitos da economia em várias frentes, pelo que, neste quadro,  um governo fragilizado será um primeiro passo para uma crise política pela qual, caso ela se concretize, alguém terá que responder e ser penalizado. Será que tudo o que se passou com o primeiro governo regional do PSD-M na anterior Legislatura (2015-2019), não serviu de lição a alguns "inteligentes" que andam na política regional? (LFM)


Covid19: dados sanitários das cidades e da RAM

 


Ontem (22.2.2021) em Lisboa, na reunião do INFARMED (onde foi destacada a evolução positiva global na RAM em termos de números de casos covid19), a DGS retratou a situação nos concelhos da Madeira (atualizado a 22 de fevereiro):

- Funchal está em risco muito elevado com 561 casos/100.000 habitantes

- Calheta  está em risco moderado com 64 casos/100.000 habitantes

- Câmara de Lobos está em risco muito elevado com 947 casos/100.000 habitante

- Machico está em risco elevado com 415 casos/100.000 habitantes

- Ponta do Sol está em risco muito elevado com 791 casos/100.000 habitantes

- Porto Moniz está em risco moderado com 128 casos/100.000 habitantes

- Ribeira Brava está em risco elevado com 346 casos/100.000 habitantes

- Porto Santo está em risco moderado com 77 casos/100.000 habitantes

- Santa Cruz está em risco elevado com 426 casos/100.000 habitantes

- São Vicente está em risco moderado com 39 casos/100.000 habitantes

- Santana está em risco moderado com 119 casos/100.000 habitantes

No caso dos Açores seleccionei três exemplos:

- Angra do Heroísmo está em risco moderado com 12 casos/100.000 habitantes

- Horta está em risco moderado com 21 casos/100.000 habitantes

- Ponta Delgada está em risco moderado com 28 casos/100.000 habitantes

Quanto à situação nalgumas das principais cidades continentais:

-  Lisboa está em risco muito elevado com 721 casos/100.000 habitantes

- Porto está em risco elevado com 261 casos/100.000 habitantes

- Coimbra está em risco muito elevado com 841 casos/100.000 habitantes

- Braga está em risco elevado com 282 casos/100.000 habitantes

- Leiria está em risco elevado com 293 casos/100.000 habitantes

- Évora está em risco moderado com 202 casos/100.000 habitantes

- Setúbal está em risco extremamente elevado com 1073 casos/100.000 habitantes

- Faro está em risco elevado com 408 casos/100.000 habitantes

- Vila Real está em risco elevado com 276 casos/100.000 habitantes

Portugueses estão mais cumpridores: 92% usa máscara sempre que sai de casa e apenas 1,7% convive em grupos


Carla Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, apresentou esta segunda-feira na habitual reunião do Infarmed, o estudo sobre as perceções sociais acerca da pandemia da Covid-19 em Portugal, concluindo que os portugueses estão mais cumpridores das regras estabelecidas. Em janeiro deste ano, cerca de 92% dos participantes disseram usar máscara sempre que saem de casa e apenas 1,7% dos inquiridos disseram ter estado com um grupo de 10 ou mais pessoas, um valor que compara com dezembro, quando essa percentagem foi de 20%.

Foi ainda possível observar uma “recuperação” no que diz respeito à confiança da população no sistema de saúde, bem como na adequação das medidas de resposta do Governo. Adicionalmente, verificou-se um “decréscimo muito grande” da perceção de risco de contrair a Covid-19. De acordo com a pesquisa, a 22 janeiro, 73% dos portugueses disse sentir um risco moderado ou elevado; a 19 de fevereiro, esse valor era de 56,5%. Ainda assim, segundo Carla Nunes, a redução tem que ver com o confinamento. Por último, a especialista adiantou que a perceção dos portugueses acerca do seu estado de saúde «tem estabilizado desde meados de dezembro, depois de um aumento constante desde o início da pandemia». Sobre o nível de confiança nas vacinas não foram avançados números, mas a responsável sublinhou que se mantém “muito elevado” (Executive Digest, texto da jornalista  Simone Silva)

Pandemia deixou os europeus mais propensos a acreditar em teorias da conspiração, indica estudo


Um ano de pandemia de covid-19 deixou muitos europeus mais cansados, pessimistas e críticos em relação à forma como os governos estão a lidar com a crise. Segundo um estudo, os europeus estão também mais propensos a acreditar em teorias da conspiração. Um inquérito realizado a quase 8000 pessoas em França, Alemanha, Itália e Grã-Bretanha, desenvolvido pelo centro francês de investigação política Cevipof, mostrou níveis generalizados de crença em teorias de conspiração relacionadas com a covid-19 e vacinas nos quatro países.

Mais de 36% dos inquiridos em França, 32% em Itália e Alemanha, e 31% na Grã-Bretanha concordaram que os Ministérios da Saúde estavam a trabalhar com empresas farmacêuticas para encobrir os riscos das vacinas. Já 42% em França, 41% na Grã-Bretanha, 40% em Itália e 39% na Alemanha sentiam que os governos estavam a explorar a crise para “controlar e monitorizar” os cidadãos.

UE corre risco de sair do «Grande Confinamento» para entrar na «Grande Divergência»


A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou hoje para a possibilidade de se desenvolver uma ‘Grande Divergência’ em 2021, depois do ‘Grande Confinamento’ de 2020, inclusive na União Europeia (UE). Num discurso no âmbito da Semana Parlamentar Europeia, coorganizada pelo Parlamento Europeu e pela Assembleia da República, no quadro da dimensão parlamentar da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia (UE), Kristalina Georgieva admitiu que a sua “maior preocupação” para 2021 é que “o ‘Grande Confinamento’ de 2020 se tranforme numa ‘Grande Divergência’ em 2021”.

“A divergência é mais profunda no mundo em desenvolvimento, onde metade dos países que normalmente costumavam acelerar os níveis de rendimentos para os níveis dos seus pares mais ricos estão agora a ficar para trás. Mas é um risco também para a UE”, disse a responsável búlgara no discurso realizado a partir de Washington, por videoconferência.

Covid19: O que disseram os especialistas na reunião do Infarmed (22.2.2021)

  • A incidência de contágios a 14 dias teve regista uma "descida muito significativa". André Peralta Santos, da Direção-Geral da Saúde, foi o primeiro a tomar a palavra para abordar a atual situação epidemiológica no país. O especialista revelou ainda que a incidência do vírus no país é, agora, de 322 casos por 100 mil habitantes.
  • "Todas as regiões portuguesas estão numa fase de descida", incluindo a Madeira.  No entanto, "há zonas do território com incidências ainda particularmente altas, como Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Centro, entre 480 e 960 casos por 100 mil habitantes, mas já há vastas áreas do território com uma incidência inferior a 240 casos por 100 mil habitantes”, frisou.
  • Em termos etários, André Peralta Santos notou que se mantém “a tendência de descida de todos os grupos etários”, sendo que a faixa da população com 80 ou mais anos é ainda “o grupo com maior incidência neste momento”, apesar de ser “mais reduzida e com níveis de incidência ao nível de novembro”.
  • Valor do R(t) encontra-se abaixo de 1 em todo o país e é o mais baixo da Europa , revela Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge. "Nos últimos cinco dias tem estabilizado em torno de 0,66 e 0,68", acrescentou. A redução do número de novas infeções aumentou com o segundo pacote de medidas, que incluiu o fecho das escolas, defendeu o especialista. De acordo com o investigador, a redução de incidência foi mais acentuada na população com idades entre os 10 e os 50 anos e 80 e mais anos.
  • Em termos de contactos sociais, verificou-se uma redução do número contactos sociais na população portuguesa em linha com a redução da mobilidade, sendo que foi no grupo etário dos 60 ou mais anos onde se observou a maior redução de contacto, cerca de 41%, e no grupo etário dos 18 aos 49 anos cerca de 35%.
  • Segundo as projeções, a taxa de incidência acumulada a 14 dias estará abaixo dos 120 casos por 100 mil habitantes no início de março e abaixo dos 60 casos na segunda quinzena de março. O número de doentes Covid-19 internado em UCI estará abaixo de 320 na segunda quinzena de março e abaixo dos 200 no final do mês de março.
  • Sobre a variante do Reino Unido. Em Portugal, desde 1 de dezembro, terão ocorrido cerca de 150 mil casos de infeção por esta variante. “Em janeiro fizemos uma projeção a três semanas que indicava que na semana seis – a semana passada – cerca de 65% dos novos casos fossem provocados por esta variante. Tal não aconteceu graças ao confinamento. Os dados indicam que temos cerca de 48% dos novos casos provocados por esta variante e sem uma tendência crescente”, afirmou o especialista do INSA, notando que no Reino Unido já se estima uma prevalência desta variante superior a 90%.
  • No entanto, o investigador do INSA alertou que com o futuro desconfinamento será expectável uma recuperação do ritmo de crescimento de infeções por esta variante, por ser mais transmissível. João Paulo Gomes observou que o 'planalto' de valores encontrado nas últimas semanas se deve à limitação dos contactos sociais por força do confinamento.
  • Outras variantes. Até 22 de fevereiro, foram detetados quatro casos da variante da África do Sul e sete casos da variante P.1 (a chamada variante de Manaus). Sobre esta última, João Paulo Gomes, do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, diz que "estamos a falar de apenas uma cadeia de transmissão".
  • A estratégia para identificar novas variantes da Covid-19 vai mudar no mês de março: o rastreio passa a ser semanal, e não mensal.
  • Como será o novo normal nos hospitais? João Gouveia, da Coordenação da Reposta em Medicina Intensiva, responde: com menos de 242 doentes em UCI, 245 camas de Medicina Intensiva dedicadas à Covid-19 e 629 camas para a atividade normal. O especialista refere também a necessidade olhar para a testagem e analisar a mobilidade das populações.
  • “A situação da medicina intensiva em Portugal é ainda muito frágil, temos uma situação atual que não é real, é enganadora. É necessário completar obras em curso e assegurar recursos humanos”, reiterou João Gouveia, que, após vincar que a taxa de ocupação não deve exceder os 85% - ou seja, sensivelmente 242 doentes covid em cuidados intensivos -, assegurou que Portugal só vai conseguir chegar “no final da terceira semana de março” aos 245 doentes.
  • Como atuar para controlar a pandemia? Henrique de Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, elencou uma série de "princípios para a atuar":  incidência, internamentos por dias e a velocidade a que os fenómenos ocorrem, através do R(t), o índice de transmissibilidade.
  • Plano de vacinação: ponto de situação. Já chegaram cerca de um milhão de vacinas a Portugal, das quais mais de 700 mil já foram inoculadas. 248 mil pessoas já levaram as duas doses, revela Henrique Gouveia e Melo, coordenador da task force. Há há “7  pessoas em cada 100 habitantes com uma inoculação pelo menos; 4,5% da população com a primeira dose e 2,4% com a segunda dose”.
  • O Vice-almirante disse ainda que "haverá uma concentração de vacinas já no segundo trimestre suficiente para aumentar a velocidade de vacinação para cerca de 100 mil vacinas por dia". Previsão para se atingir a imunidade de grupo em Portugal "pode passar do fim do verão para meados de agosto ou o início de agosto" — e não em setembro.
  • “Há uma expectativa mais positiva relativamente ao segundo trimestre e muito mais positiva relativamente ao terceiro e quarto trimestres. Se estas expectativas de disponibilidades de vacinas se mantiverem e materializarem num futuro próximo, o período em que se pode atingir a imunidade de grupo - 70% - pode eventualmente reduzir-se relativamente ao fim do verão para passar para meados do verão, em volta de meados ou início de agosto”, disse Gouveia e Melo (Sapo)

Portugal tem a maior contração do PIB este trimestre


A Comissão Europeia projeta que a economia portuguesa caia 2,1% no primeiro trimestre deste ano, face ao trimestre anterior. Esta é a pior quebra entre os países da zona euro na variação em cadeia, cuja diminuição em média deverá ser de 0,9%. Porém, Portugal deverá recuperar no segundo trimestre, crescendo 1,8%, seguido de uma expansão da economia de 4,1% no terceiro trimestre e de 0,8% no último trimestre (Jornal Económico, infografia de Mário Malhão)

Companhia aérea nacional foi das que perdeu mais terreno em 2020 no meio da crise do sector


O efeito da pandemia foi devastador no tráfego aéreo em Portugal no ano passado, com uma quebra de passageiros nos aeroportos nacionais de 69%. ‘Desapareceram’ cerca de 38,4 milhões de passageiros em comparação com 2019, o equivalente a cerca de 105 mil passageiros por dia. Nesta aterragem abrupta e generalizada do sector, a TAP foi das que mais sofreu, com uma quebra de 70,3%, menos 18,6 milhões de passageiros, tendo perdido quota de mercado para quase toda a concorrência (Jornal Económico, infografia de Mário Malhão)

NASA divulga vídeo da Perseverance a pousar em Marte

 

Turismo: Algarve à espera de verão amargo e vazio

 

Europa: Von der Leyen faz apelo aos Estados-membros

 

Testes à Covid-19 em Portugal baixaram 60%


Mais de 424 mil desempregados em Portugal


 

segunda-feira, fevereiro 22, 2021

Nota: Quinta Vigia e autárquicas....

 

Afinal o que se tem passado nesses encontros da Quinta Vigia?

Cheira-me que o propósito é resolver politicamente os casos mais polémicos, Ribeira Brava (depois do saneamento de Ricardo Nascimento em 2017, injusto e despropositado, acabou dando uma banhada nas autárquicas de 2017 com uma lista de cidadãos apoiada pelo CDS-M mas cuja base eleitoral foi essencial e claramente do PSD-M) um deles, São Vicente logo depois. E outros se seguem, casos da Ponta do Sol e Porto Santo (deixando de fora os maiores municípios), onde as pespectivas parecem ser negras, dadas as previsões de repetidas asneiradas políticas. E de fora deixo Porto Moniz, porque cheira-me também que o PSD-M já decidiu que não vai querer disputar agora a Câmara Municipal, ficando sentado de sofá à espera que o socialista Emanuel Câmara seja obrigado a sair daqui a 4 anos por limitação de mandatos. E nessa altura, depois do desastre eleitoral autárquico de 2017, provavelmente o PSD-M já deixou de existir no Porto Moniz….

Aliás esta ideia da desnecessidade de um PSD-M que "desaparece" do mapa político de freguesias ou concelhos, por opção própria, é outro risco grave que está a ser implementado pela nomenclatura laranja. Mais 4 anos de oposição nas autárquicas do costume inevitavelmente pode atirar o PSD-M para uma penosa travessia do deserto onde a luta pela sua sobrevivência passará a estar em cima da mesa. Não duvido que os próprios militantes e simpatizantes social-democratas, perante estes puzzles todos, acabem por concluir que a estratégia de abandono adoptada pelo partido - que deliberadamente falha naquelas que são as eleições que mais directamente mobilizam e interessam às bases partidárias e aos eleitores em geral - transformará o PSD-M numa inutilidade, ainda por cima num tempo que é o mais grave, como verificaremos com o tempo, da história da Madeira, mais grave política, social, económica e financeiramente, etc

É óbvio que não tem havido reuniões preparatórias das autárquicas dando a palavras às bases do PSD-M em cada freguesia ou concelho, quando são elas que estão no terreno, que garante a constituição de candidaturas e lutam pelos votos necessários às vitórias.

Acham que esses militantes vão andar no terreno, em campanha (se é que ela vai existir nos moldes tradicionais) a pedir votos a favor de listas ou de projectos autárquicos que estão contra o PSD-M, que concorreram em 2013 e 2017 (e não vou recordar os motivos que levaram a isso, alguns válidos, outros não) contra o PSD-M?

E que dizer do que se vai passar em São Vicente que será mais uma machadada na ética política e uma sem-vergonhice que eventualmente estará em preparação (falo do regresso de quem partiu, tudo porque o PSD-M vive de "retribuições" por favores políticos passados e aceita de forma lamentável ser pulverizado do mundo autárquico que foi sempre o seu), quiçá mesmo atropelando a própria lei?!

O que tem havido e tem sido noticiado são encontros para trocas e para resolver "berbicachos" que foram criados, ou pelo facto do PSD-M continuar refém de pressões e chantagens, tudo em nome da salvaguarda do poder, ou porque nem PSD-M nem CDS-M querem "apoquentar" as candidaturas independentes.

No caso da Ribeira Brava, surgida depois do comportamento vergonhoso mantido em 2017 com Ricardo Nascimento, claramente saneado por ter sido escolhido em 2013 por João Jardim.

No caso de São Vicente, um caso bem diferente, porque como é sabido, a candidatura dos denominados "independentes", em 2013 - que ganharam (repetindo a façanha em 2017) com os votos do eleitorado social-democrata - aconteceu em resposta a uma escolha, que na altura me pareceu discutível e pouco discutida, que o PSD-M tomou neste concelho, apesar de existirem sinais de problemas e de algumas movimentações de bastidores que foram erradamente desvalorizadas. Movimentações que pretendiam impor uma determinada candidatura que, ao ser preterida, acabou por ser incentivada (este processo teve sempre como pano-de-fundo a disputa pela liderança do PSD-M e pela sucessão de AJJ), processo que acabou por obrigar à desvinculação de várias pessoas que corporizaram depois uma candidatura de cidadãos contra um PSD-M que acabou enxovalhado e derrotado nas urnas.

Eu continuo a afirmar que o que se passou no processo autárquico de 2013, associado às regionais de 2011, teve a sua génese em disputas políticas e pessoais, na área do PSD-M, e não apenas no Funchal, a que se juntou uma organizada campanha de boicote - claramente perceptível no terreno (e muitos dos que a prepararam estão vivos e podem confirmá-lo) - antes das regionais de 2011 que realmente marcaram o princípio do fim da liderança de João Jardim no PSD-M e quanto a mim, aceleraram o processo de substituição e as directas no final de 2014.

O desgaste eleitoral do PSD-M era mais do que evidente e basta analisar os números. A uma queda eleitoral nas regionais de 2011 que colocaram o PSD-M com apenas 25 dos 47 deputados regionais num parlamento regional com 8 partidos políticos (algo inédito na política nacional), juntou-se em 2013 a perda de 7 das 11 Câmaras Municipais incluindo a do Funchal, explicada por acontecimentos políticos vários, que influenciaram negativamente o processo eleitoral, e o voto dos cidadãos, mas por que o próprio PSD-M se dividiu profundamente neste processo eleitoral. A própria presença do PSD-M como uma máquina operacional, oleada, organizada, mobilizada e omnipresente sofreu um rude revés e perdeu fulgor, sendo esse o momento em que se percebeu que as regionais e 2011 seriam as piores de todas para João Jardim. Antes dos pouco mais de 34% do PSD-M na autárquicas de 2013, tivemos um PSD-M abaixo dos 50% nas regionais de 2011 e com apenas 2 deputados acima da maioria absoluta.

Recordo os votos do PSD-M:

Regionais de 2007 – 90.339 votos, 64,2%

Autárquicas de 2009 – 72.188 votos, 51,9%

Regionais de 2011 – 71.556 votos, 48,6%

Autárquicas de 2013 – 47.207 votos, 34,8%

Regionais de 2015 – 56.569 votos, 44,4%

Autárquicas de 2017 – 46.536 votos, 33,6%

Regionais de 2019 – 56.448 votos, 39.4%

Mas podemos lembrar os eleitos pelo PSD-M:

Assembleia Legislativa (2007) – 33 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2009) – 47 eleitos (345 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2011) – 25 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2013) – 33 eleitos (247 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2015) – 24 deputados

Mandatos nas Camaras Municipais (2017) – 26 eleitos (251 nas freguesias)

Assembleia Legislativa (2019) – 21 deputados (perda maioria absoluta)

Portanto, estes encontros na Quinta Vigia, limitados às elites concelhias, pouco ou nada resolvem em termos eleitorais nem garantem que as bases do PSD-M, os seus militantes e simpatizantes, aceitem as "negociatas" feitas no Funchal para agradar gregos-e-troianos. Sobre este tema publicarei um dia destes, muito brevemente, o “Bloco de algumas das minhas notas tontas sobre o processo autárquico-2021 na RAM” (LFM)

domingo, fevereiro 21, 2021

Teletrabalho transformou muitos locais de trabalho

 

O que fazer com os 16 mil milhões de euros

 

Renault com prejuízos acima dos 8 mil milhões de euros

 

Reestruturação da SATA

 

Itália: Um ano depois do primeiro caso de Covid-19 em Codogno

 

Economia portuguesa bate recordes de endividamento

 

Estado vai ter de injetar mais dinheiro na TAP

 

Aeroportos portugueses com quebra superior a dois terços

 

Ancorados ao largo de Chipre por causa da pandemia

 

quinta-feira, fevereiro 18, 2021

Economia no vermelho e excesso de mortalidade: O retrato da UE em tempos de pandemia

 

A União Europeia (UE) atingiu em novembro um novo recorde de excesso de mortalidade mensal devido à pandemia da covid-19: 40,5% de mortes adicionais face à média mensal entre 2016 e 2019, segundo o Eurostat. Estes dados constam da edição de fevereiro do painel de estatística com indicadores mensais e trimestrais de várias áreas estatísticas relevantes para acompanhar a recuperação económica e social da pandemia da covid-19 na UE. Em novembro, o excesso de mortalidade mensal chegou aos 40,5% na média da UE, batendo o anterior recorde de 25,1% registado em abril de 2020. Segundo o gabinete estatístico europeu, o indicador de mortalidade excessiva é calculado como a diferença relativa (expressa em percentagem) do número de mortes mensais em relação à sua média para o mesmo mês durante o período 2016-2019. Em Portugal, novembro foi também o mês com maior taxa de mortes adicionais (25,9%), depois de julho (25,3%) e abril (15,6%).

quarta-feira, fevereiro 17, 2021

Confiança dos líderes portugueses está acima do resto da Europa

 

Os líderes portugueses estão mais confiantes do que os seus pares europeus. A conclusão é do Worldcom Public Relations Group, representado em Portugal pela Do It On, que desenvolveu um estudo sobre os principais focos de atenção de responsáveis de empresas de todo o Mundo, nos últimos nove meses de 2020. Segundo a análise, Portugal contraria o declínio de confiança na Europa – onde se registou a maior queda de confiança face ao resto do planeta. Itália, Alemanha e França são alguns dos países responsáveis por este decréscimo generalizado do Velho Continente, mas Portugal apresenta o comportamento inverso. Por cá, a confiança dos líderes empresariais subiu 2% no período analisado. O Reino Unido, por seu turno, manteve-se estático. “Como resultado, a Europa passou de ser a região mais confiante de todo o índice em Abril, para ocupar, em Dezembro, o quarto lugar, atrás da América do Norte, Ásia e Australásia”, indica o estudo.

Mais uma polémica com o Presidente do Tribunal Constitucional

 

Casos de Covid-19 estão a cair mas OMS pede cautela

 

As sequelas da COVID-19 podem ser irreversíveis

 


Ana Cristina é uma das muitas doentes pela qual o novo coronavírus passou e deixou marcas. As sequelas podem ser várias, dependendo da gravidade da doença e do estado do doente na altura na infeção. No caso de Ana Cristina, os 52 anos já carregavam asma crónica e, mais importante, um internamento com coma induzido que durou 10 dias e lhe deixou muitas fragilidades.

“Eu já tinha febre, tosse e falta de ar há uns dias e sentia-me prostrada”, contou à Lusa Ana Cristina, que começou por se dirigir ao Hospital S. José, sendo depois transferida para o Curry Cabral.

“Não estive internada muito tempo no Curry Cabral. Fui internada na terça-feira e saí numa sexta-feira ao fim do dia”, explicou, sublinhando que desde que foi infetada o cansaço não mais a largou: “Se forço um pouquinho a minha vida normal sinto um cansaço que a médica que me deu alta disse que ia permanecer por uns tempos.” A tosse continua, não tão persistente como quando saiu do hospital, mas conseguiu estabilizar a falta de ar com a medicação que faz diariamente (inaladores) e que fará para sempre. Ana é seguida por uma especialista no Hospital de Santa Marta, por causa da asma, e já tem programados exames para poder retomar o tratamento experimental que seguia para essa doença crónica.

Educação: Público vs. privado. A eterna discussão

 


No público ou no privado, Diana Frias nunca quis outra profissão que não a de professora. E há cinco anos que faz da Escola Internacional de Torres Vedras a sua casa. Mal terminou o curso, arriscou ir a uma entrevista para começar a dar aulas, foi aceite e hoje, com 27 anos, coordena o grupo de professores de português do ensino básico e secundário. Diana encontrou o seu lugar no privado e, apesar de concorrer todos os anos ao público, admite que o faz para perceber se ficaria colocada e não porque quer sair da escola onde trabalha.

No ano letivo de 2018/2019, Diana fazia já parte dos 6,9% de professores com menos de 30 anos que compunham o ensino particular. Esta percentagem, ainda que baixa, contrasta com os 0,5% de docentes mais jovens que trabalham no sector público. O corpo docente é muito mais envelhecido no público e a idade é precisamente uma das grandes diferenças entre os dois sectores. Aliás, nos estabelecimentos públicos, mais de metade dos professores (54,1%) tem mais de 50 anos. No privado encontram-se apenas 21,6%.

Para dar um significado aos números, Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos de Escolas Públicas (ANDAEP), explicou ao Expresso que o principal motivo para existirem mais professores perto da idade da reforma no sector público do que no privado é “a autonomia na contratação”, em que o privado, defende o também professor, sai beneficiado. Nas escolas financiadas pelo Estado, os professores são escolhidos através de um concurso nacional e de acordo com o tempo de serviço. Assim, os mais novos só conseguem vaga quando os mais velhos terminarem a sua vida dedicada ao ensino e os mais velhos estarão sempre uns passos à frente. “Ao contrário do ensino particular, não há hipótese de nós escolhermos os professores”, explica Filinto Lima.

A esta ideia, Manuel Oliveira, vice-presidente da Associação Nacional de Professores, acrescenta que muitos professores optam por permanecer nos colégios porque “gostam e estão já numa fase adiantada da sua carreira onde o seu salário é também já mais elevado e, regressando ao público, além da instabilidade do seu local de trabalho, a sua remuneração baixaria substancialmente, integrando o primeiro escalão do vencimento do ensino público”. É, aliás, também a olhar para a estabilidade que Diana Frias se mantém no colégio, onde está já efetiva e onde a maioria do corpo docente não está longe dos 30 anos.


Os dados mais recentes, publicados em dezembro do ano passado no documento “Estado da Educação”, referem-se ao ano letivo de 2018/2019, época em que o ensino público contava com 127.158 professores, distribuídos pela educação pré-escolar, básica e secundária. Na esfera privada, os dados apontam para 19.834 mil, o equivalente a 13,5% do total de professores colocados. Apesar de os fatores idade e experiência afastarem ainda alguns professores do público, o vice-presidente da Associação Nacional de Professores defende que “há cada vez mais professores a preferirem o ensino público”. Além disso, “o saber-se que daqui a cinco ou seis anos cerca de 40 a 50 mil professores podem reformar-se é mais uma boa hipótese de trabalhar numa escola do ensino público”, acrescenta Manuel Oliveira.

COVID-19: Aprovado primeiro estudo com voluntários infetados deliberadamente

 


O objetivo destes “estudos de desafio” [challenge studies, em inglês] é estabelecer qual a quantidade mínima de vírus necessária para causar a infeção, o que permitirá aos médicos compreender melhor a doença e ajudar na resposta à pandemia, explicou o revelou o Ministério da Economia, Energia e Estratégia Industrial. Se este estudo for considerado seguro, participantes em testes clínicos de vacinas em desenvolvimento poderão ser expostos ao vírus que causa a covid-19, ajudando a identificar as vacinas mais eficazes e acelerar o seu desenvolvimento.

A luz verde foi dada por uma comissão de ética para a realização de testes clínicos e o estudo deverá começar dentro de um mês, tendo sido lançado um apelo para conseguir até 90 voluntários com idades entre 18 e 30 anos. O estudo vai usar a variante inicial do vírus SARS-Cov-2 confirmada no Reino Unido desde março de 2020 e que os cientistas consideram ter um risco reduzido em adultos jovens saudáveis, à qual os voluntários vão ser expostos "um ambiente seguro e controlado” e acompanhados de perto por médicos e investigadores. Até agora, os testes clínicos às vacinas são feitos com voluntários que são imunizados primeiro e depois expostos naturalmente ao vírus, no convívio social numa comunidade onde existem altos níveis de infeção.

Investigadores detetam «anomalia significativa nos olhos» ligada à covid-19

 


Um grupo de investigadores franceses encontrou, através de ressonâncias magnéticas, «anomalias significativas nos olhos de algumas pessoas que tiveram covid-19 grave», de acordo com um novo estudo publicado esta terça-feira na revista Radiologia. Os resultados da investigação apoiam a necessidade de se fazer um exame oftalmológico a estes pacientes, para tratar as manifestações oftalmológicas potencialmente graves causadas pela covid-19. O novo coronavírus infetou quase 110 milhões de pessoas desde o início da pandemia. Embora o vírus ataque principalmente os pulmões, também tem estado ligado a algumas anomalias oculares tais como conjuntivite e retinopatia (uma doença da retina que pode levar à perda da visão). Têm sido relatadas anomalias oculares visíveis em algumas ressonâncias magnéticas, mas a investigação sobre a natureza e frequência destas alterações ainda é limitada. Para saber mais, a Sociedade Francesa de Neurorradiologia iniciou um estudo a 129 pacientes com covid-19 grave que foram submetidos a uma ressonância magnética cerebral. Dos 129 pacientes, nove (7%) tiveram resultados anormais na ressonância magnética do globo ocular, sendo que oito dos nove pacientes tinham passado algum tempo em unidades de cuidados intensivos com covid-19.

“Mostrámos que alguns pacientes com covid-19 grave tinham um ou mais nódulos no pólo posterior do globo ocular”, disse o autor principal do estudo, Augustin Lecler, professor da Universidade de Paris e neuroradiologista do Departamento de Neuroradiologia do Hospital da Fundação Adolphe de Rothschild em Paris. Todos os nove pacientes tinham nódulos na região macular, a área na parte de trás do olho responsável pela visão central. Oito tinham nódulos em ambos os olhos. Os resultados sugerem que todos os pacientes com covid-19 grave devem ser considerados para o rastreio destes nódulos. Na prática clínica, essa triagem podia incluir uma ressonância magnética de alta resolução aos olhos, disseram ainda os investigadores (Executive Digest, texto da jornalista Mara Tribuna)

Descodificador: Banca carrega nos preços aos clientes

 

O ano começou com um travão às comissões, mas dois grandes bancos do sector vão agravá-las na primavera.

1 - Que mudanças o Novo Banco vai fazer ao preçário?

O Novo Banco guardou para 7 de maio inúmeras mexidas no seu preçário, que vão desde os depósitos até aos cheques. Deixa de haver isenção nas comissões dos depósitos à ordem, mesmo quando o cliente tem recursos acima de €35 mil, e passa a pagar uma anuidade de €12. Pelo contrário, os clientes com um envolvimento de recursos até €5 mil neste tipo de depósitos veem a comissão disparar de €15 para €62,3 (já os que têm entre €5 mil e €35 mil verificam uma ligeira descida da comissão de €65 para €62,3). Há subidas na comissão de manutenção em várias contas, sendo que a disponibilização e a substituição de cartões de crédito e os cheques também vão ficar mais caros. Um cheque ao balcão custará €13,50, face aos €12 atuais (mais imposto).

E se o BCE perdoasse a dívida aos países?

 


Se Christine Lagarde aceitasse a proposta de uma centena de economistas europeus, entre eles Thomas Piketty e Francisco Louçã, para que o Banco Central Europeu (BCE) anulasse os quase €3 biliões que detém em dívida pública dos países do euro, o nível de endividamento português cairia para perto de 100% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo as contas do Expresso (ver gráfico).

O perdão daria, no caso português, uma folga ao longo de vários anos de €68 mil milhões, que é o total da carteira de dívida portuguesa que o BCE detém atualmente, e cujo prazo médio de vencimento é de sete anos. É claro que Lagarde já disse, no ano passado, que nem pensar. “Os Tratados proíbem-no. Ponto final.”

Esta proposta libertaria um montante que é superior em uma vez e meia à soma que virá para Lisboa das subvenções da chamada ‘bazuca’ da Next Generation (cerca de 13 mil milhões) com os fundos do Quadro Financeiro Plurianual da União até 2027 (cerca de 30 mil milhões).

Redes sociais: Na fronteira da liberdade de expressão

 


Trump não é o único famoso banido do Twitter. Devem as redes sociais decidir quem pode ou não publicar? John Adams, segundo Presidente dos Estados Unidos, escreveu o seguinte nas margens do “Ensaio de Um Quadro Histórico do Espírito Humano”, do filósofo francês Marquês de Condorcet, no capítulo sobre os benefícios de uma imprensa livre: “Já se propagou mais informação falsa na imprensa nos últimos dez anos do que nos 100 antes de 1798.” Os jornais eram extensões dos comícios e serviam declaradamente para denegrir oponentes ou até anunciar a morte de algum, como aconteceu a Thomas Jefferson, estava ele bem vivo. A desinformação tem séculos e a descrença nos meios de comunicação também.

Muitos defensores do controlo das redes sociais acreditam que a invasão do Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos, a 6 de janeiro deste ano, foi desencadeada ou fortemente incentivada por conteúdo publicado no Twitter pelo então ainda Presidente. Donald Trump está a ser julgado no Senado por incitação à insurreição e foi permanentemente banido do Twitter (e do Facebook, Instagram, Snapchat, entre outras redes sociais) a 8 de janeiro. No discurso desse dia, repetiu pela enésima vez a mentira de que as eleições presidenciais foram uma fraude, pediu “uma marcha até ao Capitólio” e instou os seus apoiantes a mostrarem “força” na luta pelo país que desejam.

Afinal, como se fazem os rankings que medem as liberdades?

 


Prioridade é que resultados sejam independentes e imunes a influências externas. A credibilidade é o segredo do negócio. Por detrás de uma “casa” com tradição e prestígio reconhecidos ao longo de décadas há um contexto de trabalho, uma equipa e uma metodologia. Porém, ao contrário das análises políticas, comentários ou previsões de tendências, que surgem normalmente associados ao nome de um autor, os índices que medem a ordem do mundo cultivam o anonimato.

Dito de outra maneira, o nome do autor é conhecido, porém ele é a verdadeira ponta do icebergue. Até se chegar à versão que leva a sua assinatura, há uma equipa que é menos mencionada e uma série de procedimentos de verificação que são impossíveis de seguir ou identificar na redação final.

No início de fevereiro foi publicado o “Índice da Democracia 2020 — Na doença e na saúde?”. Esta “fotografia do estado da democracia no mundo em 165 países e dois territórios”, feita anualmente desde 2006, provocou particular polémica nos países que viram a sua “categoria” cair no ranking global da qualidade da democracia. Foi o caso de Portugal. E de França, para mencionar a região da Europa Ocidental e a curta lista de “verdadeiras democracias”, que assim diminuiu.

A irritação, ou preocupação, e subsequente reação devem-se, antes de mais, ao facto de o estudo ser feito pela Economist Intelligence Unit (EIU), empresa de análise e investigação irmã da revista “The Economist”, que desde 1946 “ajuda empresas financeiras e Governos a compreenderem o modo como o mundo está a mudar e como isso cria oportunidades a aproveitar e riscos a gerir”. Depois, porque é uma aferição aguardada todos os anos por interessados de origens variadas, como Governos, partidos políticos que pretendem ganhar eleições ou manter-se no poder, investidores ou economistas.

Cinco coisas que mudaram o mundo enquanto estávamos de olhos postos na pandemia

 


Durante o ano passado, o mundo esteve de olhos postos na pandemia: nos estudos que explicavam o que era o novo coronavírus e como é que a covid-19 iria mudar para sempre o mundo. Mas embora a atenção de todos se tenha concentrado nos efeitos da pandemia, houve outros acontecimentos importantes que passaram, em grande parte, despercebidos. O El Confidencial compilou uma lista com alguns exemplos de acontecimentos que podem definir a geopolítica das próximas décadas.

1. O alcance global da ditadura da China

De um ponto de vista geopolítico, uma das mudanças mais significativas é a nova assertividade da China. Há pouco mais de um ano, muitos acreditavam que Pequim nunca ousaria suprimir a autonomia de Hong Kong porque estava muito dinheiro em jogo. Mas a realidade é que a importância da antiga colónia britânica para a economia chinesa caiu de 18,4% em 1997 para apenas 2,7% atualmente.

A aprovação da Lei de Segurança Nacional, no verão passado, significou o fim de Hong Kong como um espaço de liberdade dentro da China. A lei não só criminaliza qualquer expressão que possa ser considerada ‘subversiva’, como, considera que tem o direito de punir qualquer pessoa que critique as decisões do Governo chinês em qualquer parte do mundo.

A China está consciente de que, dada a sua importância económica, é tolerada e temida por vários países. Qualquer pessoa que ouse criticar a China poderá sofrer um castigo económico, como a Austrália já assistiu. Muitas marcas ocidentais de tecnologia e vestuário subcontratam a empresas chinesas que utilizam mão-de-obra escrava. Apesar de toda a insegurança jurídica e económica, na semana passada foi anunciado que a China se tornou o destino número um para o investimento estrangeiro, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez, pelo menos temporariamente. O que leva ao próximo ponto.

Brexit: Saída do Reino Unido da UE aumenta euroceticismo nos Países Baixos

 

A relação entre a União Europeia (UE) e os Países Baixos foi fragilizada após o Brexit e a pandemia, suscitando algum receio de que o Estado-membro possa abandonar o bloco, à semelhança do Reino Unido. Muito antes de oficializar a mudança de nome de Holanda para Países Baixos, algo que aconteceu no final do ano passado, foi um dos membros fundadores da UE, na altura conhecida como a Comunidade Económica Europeia, e mantém uma forte relação comercial com os membros do bloco. A nação participa em vários programas europeus que foram lançados e é vizinha de um dos maiores Estados-membros, a Alemanha. No entanto, tem surgido algum descontentamento nos Países Baixos, suscitando preocupações de que o euroceticismo esteja a crescer no país.

Canarian Airways, en riesgo alto de insolvencia

 

Lattitude Hub y One Airways, las dos sociedades que sustentan a Canarian Airways, tienen un riesgo alto de impago y una solvencia muy limitada. El análisis de sus cuentas e información económica evidencia que su músculo financiero es por ahora limitado para la actividad que quieren desempeñar: el transporte aéreo de pasajeros, ya que pretende unir Tenerife con siete destinos nacionales y europeos. A pesar de esta dudosa situación económica, la marca fue presentada el pasado miércoles en el Cabildo de Tenerife, que ha decidido invertir 700.000 euros de dinero público en esta empresa y convertirse en propietario del 25% de las acciones. La aerolínea anunció que pretende comenzar a vender billetes en marzo y empezar a volar en junio.

Lattitude Hub, la empresa matriz de la aerolínea Canarian Airways que pretende conectar el Archipiélago con destinos nacionales y europeos a partir de junio, carece de solvencia financiera y tiene un riesgo máximo de impago. Así lo evidencian los datos de sus cuentas y la información financiera depositada por la sociedad en el Boletín Oficial del Registro Mercantil (Borme). Esta compañía puede tener muchas dificultades para hacer frente a sus obligaciones comerciales a medio y largo plazo si se tiene en cuenta que en estos momentos solo dispone de un capital social desembolsado de 195.000 euros, un fondo modesto para la actividad que pretende desempeñar: el transporte aéreo de pasajeros. Una cantidad pequeña si se tiene en cuenta la inversión de cuatro millones de euros anunciada para la nueva aerolínea durante su presentación. Pese a esta situación económica el Cabildo de Tenerife ha acordado conceder 700.000 euros a la compañía.

Movimentos políticos de França e Itália formam aliança e criam referendo para sair da UE

 


O político francês Charles-Henri Gallois afirmou que os próximos países a saírem da União Europeia (UE) seriam a França ou a Itália, depois do Reino Unido que deixou o bloco definitivamente desde o dia 1 de janeiro de 2021. Em conversações com o eurodeputado Martin Daubney a propósito do Brexit, Gallois disse que “definitivamente França e Itália eram os dois países mais interessados em deixar a moeda euro e a União Europeia”. “A covid-19 foi uma catástrofe para a gestão da UE. Portanto, penso que será algo a nosso favor, lançámos uma petição para pedir o referendo do Brexit, como aconteceu no Reino Unido”, disse, citado pelo jornal britânico Express. Como explicou o político, o objetivo passa por reunir mais pessoas, mais assinaturas e pressionar o futuro candidato às eleições presidenciais de França ou de Itália para incluir o referendo nos seus objetivos políticos, da mesma forma que o ex-primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, fez.

Portugueses são os terceiros da UE com mais dificuldades financeiras causadas pela pandemia

 


Cerca de 15% dos portugueses admitiram ter sentido «quase sempre» dificuldades para pagar as contas nos últimos 12 meses, devido à pandemia da Covid-19, sendo esta a terceira percentagem mais alta da Europa, segundo o mais recente Eurobarómetro, citado pelo ‘La Vanguardia’. De acordo com o estudo em questão, apenas dois países reportaram maior percentagem da população a admitir ter frequentemente dificuldades financeiras no último ano: Grécia (28%) e Bulgária (19%). Adicionalmente, na resposta à mesma pergunta, 46% dos portugueses disseram ter sentido estas mesmas dificuldades, «algumas vezes», sendo este o segundo maior valor do ranking, 38% responderam «quase nunca» e 2% «não sabem ou não respondem». A nível europeu, 38,8% dos cidadãos dos 27 estados-membros da União Europeia (UE) afirmam ter notado as consequências da doença nos seus rendimentos e 27% temem sofrer com as mesmas no futuro. No conjunto da UE, 7% dos europeus afirmam ter dificuldade em pagar as suas contas «quase sempre», enquanto que 25% têm problemas «algumas vezes». No entanto, a maioria, cerca de 67% responderam que «nunca ou quase nunca» têm dificuldades. Dados que confirmam que os problemas económicos aumentaram para os cidadãos, embora não em grande escala, como aconteceu durante a crise financeira anterior (Executive Digest, texto da jornalista Simone Silva)

População pode nunca mais ir trabalhar com tosse. Pandemia tornou-a “socialmente inaceitável”, diz especialista

 

A população em geral e os britânicos em particular  podem nunca mais ir trabalhar com tosse novamente porque a Covid-19 a tornou “socialmente inaceitável”, segundo uma importante consultora científica do Reino Unido, citada pelo ‘Daily Mail’. Dame Angela McLean indica que os trabalhadores que sofrem de tosse, nariz entupido ou gripe podem habituar-se a ficar em casa para evitar a propagação de doenças respiratórias. Em declarações a uma comissão parlamentar, a responsável  disse que seria “melhor” se as pessoas considerassem “socialmente inaceitável” entrar no trabalho com sintomas como congestão nasal, dor de garganta ou tosse.

“Acho bastante improvável que voltemos completamente à forma como nos comportávamos em fevereiro de 2020”, afirmou a também professora do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford e principal conselheira científica do Ministério da Defesa britânico. Para a especialista, “há coisas que costumávamos fazer e suspeito que não vamos repetir. Por exemplo, acho que já não vamos trabalhar se tivermos uma doença respiratória”, adiantou. Questionada sobre se ficar em casa seria obrigatório, McLean acrescentou: «Para ser sincera, acho que seria melhor se simplesmente tornassem socialmente inaceitável trabalhar com tosse.” Estas declarações surgem numa altura em que os funcionários de escritórios do Reino Unido foram instruídos a continuar em teletrabalho, mesmo que outras restrições de bloqueio sejam levantadas, segundo orientações do governo britânico. Em Portugal, para já, esta também é uma realidade obrigatória, sempre que possível, com as autoridades a fiscalizar o cumprimento destas normas (Executive Digest, texto da jornalista Simone Silva)

Pandemia tira segundos empregos a milhares de portugueses

 

O número de trabalhadores com mais do que um emprego tinha vindo sempre a subir desde 2013, mas a pandemia retirou a milhares de portugueses outras fontes de rendimento para além do primeiro emprego, segundo dados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE), analisados pelo Diário de Notícias. A crise sanitária, que encerrou muitos estabelecimentos sobretudo ligados ao turismo, retalho e restauração deixou sem segundos empregos quase 37 mil trabalhadores em 2020. Esta é a primeira descida depois da recuperação económica iniciada após a crise das dívidas soberanas.

De acordo com a publicação, em 2019, mais de 225 mil pessoas disseram ter mais do que um emprego, o que correspondia a 4,6% da população empregada em Portugal (4,9 milhões de trabalhadores). No início de 2020, durante o primeiro trimestre (o primeiro caso de COVID-19 foi diagnosticado em Março), ainda o número de trabalhadores com segundo emprego estava acima de 216 mil pessoas, representando 4,4% da população empregada. Mas no segundo trimestre, entre Abril e Junho, esse número desceu para 154,3 mil trabalhadores, correspondendo a 3,3% da população empregada. Foi o valor mais baixo da actual série do INE iniciada em 2011. Nesse período, mais de 62 mil pessoas ficaram sem outra fonte de rendimento para além do primeiro emprego.

Covid-19: Variantes britânica e californiana fundem-se numa só. Evento raro alarma cientistas

 


Uma nova versão do coronavírus surgiu nos Estados Unidos depois de a variante Kent britânica e de uma estirpe identificada na Califórnia se terem fundido numa só e infetado uma pessoa. Esta nova variante, ainda sem nome, foi identificada apenas uma vez, mas os cientistas temem que seja mais infeciosa e mais resistente à imunidade, segundo o ‘Daily Mail’. Os especialistas estão preocupados porque a variante em questão carrega mutações que parecem torná-la capaz de se espalhar mais rapidamente e também de ultrapassar parte da imunidade produzida por infeções anteriores ou vacinas.

Esta estirpe foi formada a partir da variante Kent – conhecida cientificamente como B.1.1.7 – e de uma variante californiana chamada B.1.429. Cientistas nos Estados Unidos afirmam que ambas se fundiram num “evento de recombinação”, que acontece quando duas versões diferentes do vírus infetam a mesma célula e trocam genes enquanto se reproduzem, dando origem a uma nova variante. Já no ano passado vários cientistas tinham alertado para a possibilidade deste tipo de eventos, mas disseram que são “improváveis” porque requerem condições muito específicas, que coincidem com situações incontroláveis, sendo mais prováveis ​​de acontecer durante grandes surtos.

Acredita-se que tenha acontecido neste caso porque várias mutações correspondentes às variantes de Kent e da Califórnia apareceram todas no mesmo local ao mesmo tempo. Não há detalhes do paciente e ainda não está claro se a combinação aconteceu no próprio ou se contraiu a variante através de outra pessoa. Para que uma variante combinada do vírus surja, uma pessoa deve estar infetada com duas estirpes do coronavírus – provavelmente de duas fontes diferentes – ao mesmo tempo, e então os vírus devem chocar dentro do organismo. A maioria dos locais tem variantes dominantes do vírus, o que torna improvável que alguém se infete com duas. Contudo, surtos enormes e mal controlados, como os do Reino Unido e dos Estados Unidos durante o inverno, aumentam significativamente o risco dos eventos combinados, porque o número de infeções é maior (Executive Digest, texto da jornalista Simone Silva)

Euro a euro, para onde vão os milhões da bazuca europeia em Portugal

 


O Governo português atualizou o Plano de Recuperação e Resiliência através do qual irá investir o dinheiro da bazuca europeia. Saiba para onde irão as verbas euro a euro. A versão atualizada do Plano de Recuperação e Resiliência, que estará sob consulta pública durante as duas próximas semanas, prevê que Portugal utilize 13.944 milhões de euros de subvenções europeias e 2.699 milhões de euros em empréstimos. O dinheiro está dividido em três prioridades que têm sido repetidas por responsáveis europeus e nacionais: resiliência, transição climática e transição digital. Dentro destas três áreas há 19 subcategorias — do Serviço Nacional de Saúde à habitação, passando pela mobilidade sustentável e a escola digital — e dentro de cada uma destas há projetos concretos — como o reforço dos Cuidados de Saúde Primários, a expansão da Rede de Metro de Lisboa e a do Porto e o hidrogénio e gases renováveis — com verbas alocadas. Veja aqui euro a euro para onde irá o dinheiro europeu que chegará a Portugal.

Mais de 60% dos líderes gobais acreditam que haverá novas disrupções como a pandemia no futuro

 


As empresas podiam não estar preparadas para a pandemia de Covid-19, mas a surpresa provocada pelo novo coronavírus poderá ter ajudado a prevenir situações futuras. O “Deloitte Resilience Report 2021” mostra que mais de 60% dos líderes globais com cargos de administração de C-level (CEO ou CFO, por exemplo) considera que disrupções como a pandemia actual poderão ser sentidas ocasional ou regularmente no futuro.

O mesmo estudo, realizado com base nas respostas de líderes empresariais de 21 países e de diferentes sectores, mostra que as organizações resilientes estão melhor posicionadas para superar disrupções e repor a normalidade no pós-pandemia. São consideradas resilientes as organizações com mindsets e culturas flexíveis, adaptáveis, inovadoras e de longo prazo. Embora a maioria dos inquiridos acredite que as disrupções se podem tornar a norma, menos de um terço está totalmente confiante das capacidades de adaptação e resposta rápida das suas organizações a ameaças futuras. Antes de 2020, somente 24% dos executivos C-level se sentiam completamente preparados para liderar durante potenciais disrupções. Com a pandemia, esse número saltou para 34%. Verifica-se também uma subida de 21% para 30% relativamente aos líderes confiantes nas capacidades de adaptação das suas empresas.

A Escócia vai tornar-se independente este ano?

 


A saída do Reino Unido da União Europeia contribuiu para o apoio mais alto de sempre à independência da Escócia pelos seus cidadãos. Apesar de Boris Johnson adiar a hipótese de um novo referendo à independência para 2055, as eleições de maio para o Parlamento escocês serão essenciais para ditar o futuro desta aliança

Em março de 2017, a poucos dias de o Reino Unido oficializar a sua saída da União Europeia, Nicola Sturgeon deu um discurso no Parlamento escocês. A Primeira-ministra da Escócia afirmava que o seu país se encontrava numa “encruzilhada” – a saída do Reino Unido da União Europeia, dizia Sturgeon, iria ter implicações negativas na sua sociedade, democracia e economia. Por isso, prometeu a todos os seus conterrâneos que, de forma a salvaguardar os interesses da Escócia, pretendia realizar um novo referendo à independência do país. Até aos dias de hoje, o Partido Nacional Escocês de Sturgeon ainda não conseguiu convencer o Parlamento Britânico a avançar com este referendo. Contudo, ainda não não desistiram da ideia: daqui a três meses, a 6 de maio, as novas eleições para o Parlamento da Escócia serão fulcrais para decidir o futuro desta aliança, que já dura desde o século XVIII.