quarta-feira, setembro 28, 2022

58% não querem continuar a trabalhar no turismo

 

Tem sido um dos sectores a puxar pela recuperação económica do país no pós-pandemia, mas as bases do turismo são frágeis no que toca à capacidade de atrair e reter profissionais. Nos últimos meses, enquanto aumentava a procura de Portugal como destino turístico de eleição, cresciam também as queixas dos empresários sobre a incapacidade de contratar trabalhadores para o sector, mesmo com aumentos salariais. Mas a dimensão do problema é mais ampla. Um estudo da empresa de trabalho temporário Eurofirms, a que o Expresso teve acesso, destaca que não só é difícil contratar para o ramo da hotelaria e restauração como a maioria dos ­atuais trabalhadores (58%) quer abandonar a área dentro de cinco anos.

O retrato do sector ajuda a explicar as dificuldades que tem atravessado no que à contratação e retenção de profissionais diz respeito. O turismo é conhecido pelos seus horários difíceis, salá­rios baixos e vínculos precários, mas o panorama ganha perspetiva quando se quantificam estes universos. O mesmo estudo da Eurofirms, feito em maio deste ano junto de mais de 500 profissionais colocados no sector, mostra que, embora a qualificação tenha vindo a aumentar, 61% mantêm vínculos precários, 41,8% incapacidade de conciliar a atividade com a vida familiar devido aos horários praticados e mais de metade (54%) leva para casa um salário até €800 brutos mensais.

Porto Santo vai produzir 60% de energia renovável em 2025

 

A Empresa de Eletricidade da Madeira quer que o Porto Santo produza 60% da energia renovável em 2025. O projeto "Porto Santo Verde", livre de combustíveis fósseis, foi iniciado há quatro anos. Neste momento, a adesão de particulares é fraca.

Dos 308 presidentes, cerca de 43% terão de sair em 2025

 

Um ano após as autárquicas, os partidos já preparam terreno para as eleições de 2025, que serão uma prova de fogo para as lideranças e para os eleitos, uma vez que a limitação de mandatos mudará cerca de metade dos presidentes de câmara. Dos 308 presidentes, cerca de 43% terão de sair, o que constitui um risco, mas também uma oportunidade de mudança. Incluem 47 dos 114 eleitos pelo PSD, e 64 dos 148 do PS que, segundo as contas do partido, estão no terceiro e último mandato. Mais de duas centenas de eleitos para os órgãos locais a 26 de setembro de 2021 já não estão em funções. Segundo o Ministério da Administração Interna (MAI), as câmaras a quem cabe comunicar a substituição de eleitos locais já informaram a Administração Eleitoral da Secretaria Geral do MAI que houve 240 substituições no total de autarcas eleitos em 2021. A Administração Eleitoral desconhece os motivos, por não ter acesso a essa informação (Lusa)

Medina comprou um T4 em Lisboa por 645.000€ em 2016. Apartamento custava 843.000€ em 2006. Investigação está parada

Isabel Teixeira Duarte vendeu a Fernando Medina um apartamento por um valor 23% inferior àquele que havia pago 10 anos antes. O caso levantou suspeitas e decorre uma investigação ao agora ministro das Finanças. Só que o caso não avança e continua em segredo de justiça. Desde 2017 que Fernando Medina é alvo de um inquérito por parte do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa. O processo ainda está em curso e em causa está a compra de um apartamento de luxo, adquirido por um preço que não condizia com a situação imobiliária da altura, revela o jornal "Correio da Manhã" deste sábado, 24 de setembro. O imóvel de luxo é um T4, duplex, localizado na zona das Avenidas Novas, em Lisboa, uma das zonas mais caras da capital. Em 2016, Medina comprou-o a Isabel Teixeira Duarte, uma familiar dos donos da construtora Teixeira Duarte, por 645.000€. Este preço seria bastante inferior aos praticados na altura no mercado imobiliário. Ao mesmo tempo, o valor da compra de Medina destoava do preço original do imóvel, adquirido em 2006, por 843.000€ (sendo uma desvalorização de 23%).

No entanto, o ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa diz não ter conhecimento de nenhuma investigação, nem foi constituído arguido. "Desconheço qualquer averiguação ou inquérito. Em nenhum momento fui ouvido ou questionado sobre o tema", revela ao mesmo jornal. A Procuradoria-Geral da República garantiu que o o inquérito se encontra "em investigação e sujeito a segredo de justiça", estando a ser "coadjuvado pela Polícia Judiciária". Aberto em 2017, o processo foi iniciado tendo uma denúncia anónima como mote. O objetivo é apurar se Medina tirou partido das suas funções enquanto presidente da Câmara Municipal de Lisboa para fazer a compra e quais são as relações comerciais que estabelece com a construtora (MAGG)

Só ele? Conheço tantos.... António Costa e a tentação do imobiliário



Depois de vender a cave que possuía em Benfica, em 2021, o PM comprou um apartamento T1 de luxo na zona, por cerca de 276 mil euros. Mas o seu historial de imóveis é longo. Não é segredo para ninguém que o primeiro-ministro conta, ao longo dos últimos anos, com um ritmo de compra e venda de casas digno de registo, mas nunca deixa de ser notícia quando António Costa volta a investir no mercado imobiliário nacional. Esta semana, o semanário Tal&Qual revelou que o líder do PS comprou, em Benfica, um apartamento T1 de luxo por 276 mil euros, no empreendimento ‘Fábrica 1921’, um projeto com «traço de autor que pretende criar espaços para viver, brincar e crescer, no bairro típico lisboeta de Benfica», conforme o define a construtora Teixeira Duarte. A compra foi realizada em planta, corria o ano de 2018, e o apartamento deverá ficar pronto até ao final deste ano. 276.050 euros foi o valor pago por António Costa pelo apartamento do empreendimento construído nas instalações da antiga Fábrica Simões, que a Teixeira Duarte comprou em 1998, segundo consta  na declaração de rendimentos que o próprio entregou no Tribunal Constitucional (TC), nos termos da lei, em 25 de maio último.

Assembleia da República: insatisfação agita bancada do PSD

Casos de deputados afastados, ‘tiques de autoritarismo’ e um ‘apelo’ que não convenceu. Sociais-democratas falam num clima de descontentamento em relação ao líder parlamentar, Joaquim Miranda Sarmento. O apelo feito pelo líder do grupo parlamentar do PSD na quinta-feira de manhã não caiu bem junto de alguns deputados sociais-democratas e deixou a nu  alguns sinais de desagrado e de tensão na bancada. «Nunca se verificou a nível institucional termos um presidente do grupo parlamentar a apelar ao voto noutro partido», confessa ao Nascer do SOL um influente social-democrata, em reação à indicação por email de Joaquim Miranda Sarmento para que os deputados votassem no vice-presidente da Assembleia da República indicado pelo Chega, Rui Paulo Sousa. Pela terceira vez o Chega falhou a eleição, obtendo apenas 64 votos favoráveis, o que significa que, dos 78 deputados do PSD, no máximo só 52 acataram o pedido da direção da bancada. E de acordo com fontes sociais-democratas, para este resultado contribuiu um clima de «insatisfação» provocado por um conjunto de situações que se têm vindo a acentuar com o retomar dos trabalhos parlamentares após o período de férias.

Regiões ultraperiféricas vão receber mais dinheiro

 

A comissária europeia para a coesão e reformas assegura que as regiões ultraperiféricas terão acesso a montantes financeiros sem precedentes, no período 2021-2027.

República avança em outubro com candidatura para os cabos submarinos


O tempo de vida útil dos atuais cabos submarinos que ligam os Açores, a Madeira e o Continente está a esgotar-se. O Governo da República tem sido sucessivamente alertado para a necessidade de os substituir. Portugal falhou a primeira fase de candidaturas a um programa específico da Comissão Europeia. O Ministério das Infraestruturas já fez saber que deverá ser apresentada uma candidatura à segunda e última fase, que tem inicio em outubro.

Fundação Berardo: Providência contra extinção enviada para o Supremo

O Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal declarou-se incompetente para apreciar a providência cautelar interposta pela Fundação José Berardo contra a extinção decretada pelo Governo e remeteu a decisão para o Supremo Tribunal Administrativo (STA). Segundo adiantou à Lusa fonte ligada ao processo, a instância administrativa e fiscal madeirense considerou hoje não ser competente para analisar a ação apresentada pela Fundação José Berardo no final de agosto e que teve um efeito suspensivo sobre a anunciada extinção da entidade. Confrontado pela Lusa com esta decisão judicial, o advogado da Fundação José Berardo, Paulo Saragoça da Matta, mostrou surpresa e discordância, admitindo que este desfecho possa atrasar ainda mais uma resolução para o diferendo entre a instituição e o Governo.

Demografia: Norte regista valor mais elevado da esperança de vida à nascença

 

A região Norte regista o valor mais elevado da esperança de vida à nascença em Portugal e a Área Metropolitana de Lisboa aos 65 anos, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística relativos ao triénio 2019-2021, divulgados esta segunda-feira. Neste triénio, a esperança de vida à nascença, para Portugal, foi estimada em 80,72 anos, o que correspondeu a uma redução de 0,34 anos (4,1 meses) relativamente ao triénio anterior (81,06 anos), segundo as “Tábuas de Mortalidade em Portugal – NUTS [Nomenclatura de Unidades Territoriais para fins estatísticos] (2019-2021)”. Neste período, refere o INE, “em resultado do aumento do número de óbitos no contexto da pandemia da doença covid-19, registaram-se, também, reduções na esperança de vida para a maioria das regiões NUTS II e III”. Contudo, ressalva, o impacto da pandemia foi diferenciado nas regiões do país.

Quais são as empresas que pagam IRC em Portugal?

Uma ínfima parte de 0,3% das companhias é responsável por mais de 48% da coleta de imposto. Faturam acima de 25 milhões de euros, localizam-se em Lisboa, Porto e Braga e estão, sobretudo, no sector financeiro, no retalho e na reparação de veículos. Talvez a característica mais impressiva do panorama dos impostos sobre as empresas em Portugal seja o facto de quase metade do valor do IRC cobrado pelo Estado ser pago por um número ínfimo de contribuintes coletivos. Da análise do IRC liquidado por escalões de volume de negócios – cujos dados da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) estão disponíveis no Portal das Finanças – verifica-se que as sociedades que faturam acima de 25 milhões de euros, e que representam apenas 0,3% do total de sujeitos passivos, são responsáveis por 48,4% do imposto arrecadado. Por outro lado, os empresários cujo volume de negócios é inferior a 500 mil euros representam 88% do total de declarações, mas entregam ao Fisco somente 14,7% do IRC total. De acordo com as últimas estatísticas publicadas pela AT, em 2020, o valor o IRC obtido pelos cofres públicos registou uma quebra “significativa” face ao período de tributação do ano anterior: menos 19,2% para 4.026 milhões de euros. Entretanto, com uma economia ainda em recuperação e dada a suspensão do pagamento especial por conta (PEC), que tirou 50,4 milhões de euros à receita, em 2021, o valor obtido com o imposto voltou a emagrecer, segundo dados da Direção-Geral do Orçamento.

Portugal e a pobreza: “Cenário é grave e deve ser encarado com seriedade”

Dados do Eurostat mostram um país pobre, só atrás da Roménia no que diz respeito a ‘recibos verdes’: mais de 30% dos trabalhadores independentes estão em risco de pobreza. Os mais recentes dados do Eurostat são duros para Portugal: no ano passado, quase um quarto dos trabalhadores independentes da União Europeia estavam em risco de pobreza ou exclusão social. Em Portugal, são um terço. E só a Roménia aparece pior na fotografia. «Ao nível nacional, em 2021, a Roménia, Portugal e a Estónia registaram a proporção mais elevada de trabalhadores por conta própria em risco de pobreza e exclusão social (70,8%, 32,4% e 32,2%)», revelou o gabinete de estatística europeu, expondo a precariedade do trabalho a recibos verdes e sem contrato no país. Na média dos países da UE, a situação também se degradou, mas não tanto. De acordo com os dados divulgados, comparativamente com 2020 e analisando as categorias ‘desempregado’, ‘reformado’, ‘empregado’ e ‘trabalhador independente’, esta última foi a única que registou uma deterioração da situação de pobreza, passando de 22,6% para 23,6%. Em contraste, a situação de pobreza dos trabalhadores por conta própria melhorou em 11 países, com a Irlanda e a Hungria a registarem a maior diminuição dessas taxas de 2020 a 2021 (-3,2 e -3,7 pontos percentuais, respetivamente).

Relatório bombástico gera divisão na igreja portuguesa

A Conferência Episcopal Portuguesa fez um inquérito nacional e conclui que a Igreja precisa de mudar. O casamento dos padres, a igualdade de género e a aceitação da comunidade LGTBi+ são as novidades. Os mais conservadores não concordam com as conclusões e propõem uma ‘perspetiva diferente’. Um autêntico vendaval, que pretende abrir as janelas da Igreja e afastar todo o pó existente, deixando apenas os alicerces, é o melhor retrato do documento elaborado pela Conferência Episcopal Portuguesa, para fiéis que se identificam com o Relatório de Portugal. Usando uma linguagem mais coloquial, a Igreja portuguesa, dando seguimento a um pedido do Papa Francisco, fez um inquérito a nível nacional para apurar o que é preciso fazer para ser mais inclusiva e estar de acordo com os tempos que vivemos. As conclusões desse estudo, publicado em agosto, estão a dividir a Igreja por falarem em questões fraturantes, uma palavra tão em voga. O que chocou a ala mais conservadora foram os capítulos dedicados à inclusão, ao fim do celibato dos sacerdotes e à igualdade da mulher em relação ao homem.

Agravamento de prejuízos da SATA causa estranheza nos Açores, em altura de recuperação pós-covid


O PS/Açores pediu a audição urgente da secretária do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas do governo açoriano e do presidente da SATA na Assembleia Regional, devido ao “agravamento das contas” da companhia aérea. Os socialistas avançam que submeteram um requerimento para uma “audição urgente” na comissão de Economia do parlamento açoriano da secretária regional Berta Cabral e do presidente do conselho de administração da SATA, Luís Rodrigues, sobre o “agravamento das contas da companhia”. Os socialistas evocam os dados do primeiro semestre do ano da Azores Airlines (empresa do grupo responsável pelas ligações do arquipélago com o exterior), “que evidenciam um agravamento dos prejuízos de 36,6 para 47,7 milhões de euros, quando comparados com o primeiro semestre de 2021”. O PS alerta que aqueles dados “contrariam as notícias que foram tornadas públicas de que a empresa estaria em recuperação” e podem “colocar em causa” o “cumprimento” do plano de reestruturação da SATA. Segundo o partido, o “requerimento foi aprovado por maioria, apesar dos votos desfavoráveis do PSD e CDS-PP”.

É mesmo melhor isso, escreva, escreva: Passos começa a escrever a história


Ainda não é desta que publica o ‘seu’ livro sobre o marcante período em que governou o país — “compromisso” que promete cumprir “numa análise mais pormenorizada” —, mas Pedro Passos Coelho aceitou prefaciar “Diplomacia em tempo de troika”, do ex-embaixador de Portugal na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio, e fala pela primeira vez do PS atual. Após ter ido à festa de verão do PSD, em agosto, avisar que não tem dúvidas de que “Portugal vai precisar de um Governo diferente daquele que temos”, Pedro Passos Coelho revê em 36 páginas o “falhanço clamoroso” dos Governos de Sócrates, as “muralhas da dívida”, a “forte austeridade” dos PEC, a “economia estagnada e incapaz de gerar riqueza”, o “desagrado de Merkel” quando ele descolou do PEC 4, precipitando o resgate, as “dificuldades” da sétima avaliação da troika perante a “crise da demissão de Portas e a nega de Seguro” e, numa nota de rodapé, ainda quebra o silêncio sobre quem hoje governa o país para espicaçar a ferida do momento: como governa a esquerda em ciclos de crise?

sábado, setembro 24, 2022

Opinião: Cimeiras não chegam...

Este ano foram retomadas as cimeiras insulares, Madeira-Açores, iniciadas em 1977. Recordo-me que nesse ano estive em Ponta Delgada a acompanhar a primeira edição destes encontros. Mota Amaral e Ornelas Camacho lideravam os primeiros governos insulares, Alberto João Jardim era o lider parlamentar do PSD na Assembleia Regional da Madeira (não tenho a certeza mas julgo que era Natalino Viveiros no caso do PSD-Açores) e as autonomias regionais, constitucionalmente consagradas em 1976, davam ainda os seus primeiros mas ambiciosos passos.

Não duvido que é importante retomar estes encontros, sobretudo depois de anos de interregno. Houve uma altura em que haviam Cimeiras alargadas tambem às Canárias, apesar das diferentes especificidades autonómicas entre os 3 arquipélagos, neste caso visando uma estratégia comum no plano europeu e da construção do conceito da ultraperiferia, realidade que só anos depois (considerando o ano de 1977) foi institucionalizada no quadro comunitário.

É importante retomar por que estas cimeiras têm que ser úteis, não apenas usadas poara fins mediáticos sempre idiotas em determinados momentos em que em cima da mesa estão assuntos substancialmente mais importantes que essa palhaçada mediática que alimenta tantos egos na política dos dias que correm. Estas Cimeiras não devem ter subjacente uma lógica partidária. Mas no fundo foi isso que aconteceu, sobretudo depois do PS ter chegado (com Carlos César)ao poder nos Açores, altura em que distanciamento entre Madeira e Açores foi crescendo. As Cimeiras são, devem ser, encontros institucionais destinados a analisar questões comuns e a definir estratégias iguais por parte das ilhas junto do sempre desconfiado, pouco amistoso e centralista poder político em Lisboa. Independentemente dos avanços, que nunca foram significativos até hoje, há que pressionar, na certeza de que não chegam apenas as Cimeiras e os documentos nelas assinados. Há todo um trabalho político, em Lisboa, que tem que ser persistente, pragmático e construtivo, atitude que, sem submissões, assume sempre uma dimensão fundamental na obtenção de algum sucesso no processo reivindicativo das autonomias.

sexta-feira, setembro 23, 2022

Sondagem: Os mais atingidos pela crise admitem ceder à Rússia

 

Apoio da população à resistência ucraniana é maioritário, mas 32% admitem ceder à Rússia para acabar com a guerra. Entre os mais vulneráveis, a maioria já é outra. “A guerra vai ter custos enormes para a vida de todos”, avisou Marcelo Rebelo de Sousa em março, pouco depois de Vladimir Putin ter dado ordem de invasão da Ucrânia. Passaram sete meses desde esse dia, o aumento dos preços estendeu-se a bens essenciais e a todo o mundo, o impacto nas economias — e nas famílias — tornou-se palpável. Em Portugal, passado este tempo, quase um terço dos portugueses assume uma posição contracorrente: “Seria melhor que a guerra terminasse o mais depressa possível, mesmo que isso implique ceder às exigências da Rússia e as suas consequências.” Foi esta a resposta de 32% dos inquiridos na sondagem do ICS/ISCTE, realizada para o Expresso e SIC, que quis medir o sentimento das famílias face à evolução do conflito na Europa. A resposta estava em confronto com outra, a que responderam (ainda) mais de metade dos inquiridos, 54% deles: “Seria melhor que a Ucrânia continuasse a resistir à Rússia, mesmo que isso implique prolongar a guerra e as suas consequências.”

Cardeal Tolentino Mendonça vai ser o próximo "ministro" da Cultura e Educação do Vaticano

 

O cardeal português José Tolentino Mendonça, atual arquivista e bibliotecário da Santa Sé, vai ser responsável pelo novo Dicastério para a Cultura e a Educação do Vaticano, o que pode ser equiparado a um ministério. A informação foi avançada pelo jornal “Sete Margens”, que cita fontes eclesiásticas. A nomeação vai ocorrer “dentro de dias”, possivelmente já no início da próxima semana, e surge no âmbito da entrada em vigor da nova constituição Praedicate Evangelium (“Anunciai o Evangelho”), que regula e renova o funcionamento da Cúria Romana. Tolentino Mendonça terá a seu cargo a rede escolar católica do mundo inteiro: outras 217 mil escolas com 62 milhões de crianças, e 1360 universidades católicas, 487 universidades e faculdades eclesiásticas, num total de 11 milhões de alunos. O cardeal português de 56 anos, que também é colunista do Expresso, vai coordenar ainda as relações entre a Igreja e o mundo da cultura, literatura, artes e património. Vai trabalhar com o bispo Carlos Azevedo. Poeta, teólogo e biblista, Tolentino Mendonça foi responsável pelo Secretariado da Pastoral da Cultura da, e é ainda capelão e vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP). É um dos três cardeais portugueses que podem votar num conclave para escolher o Papa (Expresso, texto do jornalista Tiago Miranda)

Maiores obras públicas nem metade dos fundos gastaram

 

Ao nono ano deste “velho” quadro comunitário Portugal 2020 ainda há grandes investimentos públicos com dificuldades em sair do papel, apesar do financia­mento europeu na ordem dos 85%. Basta olhar para os mais recentes dados do portal Mais Transparência e fazer um zoom à taxa de execução das 20 maiores obras públicas apoia­das pelo Portugal 2020. Os dados referem-se a 30 de junho de 2022, quando faltava ano e meio para o fim do prazo deste quadro comunitário, que arrancou em 2014 e termina em 2023. Então, o conjunto das 20 maiores obras públicas só executara 40% do envelope de €1,1 mil milhões a que teve direito no Portugal 2020. Apenas meia dúzia destas obras conseguiu investir 70% ou mais dos fundos obtidos. A maioria tem, pelo menos, dois terços dos fundos ainda por gastar. A mais atrasada é a construção do Hospital Central do Alentejo, que arrancou em 2021: só executou 3% dos €40 milhões aprovados pelo Alentejo 2020.

A Infraestruturas de Portugal (IP) responde por metade destas grandes obras públicas. A maioria são da Ferrovia 2020, apoiadas pelo programa Compete 2020. E tem duas obras que só mais tarde garantiram fundos do programa POSEUR, após a grande reprogramação do Portugal 2020 de 2018. A modernização da Linha Ferroviária de Cascais obteve €50 milhões, dos quais executou 7%. E o Sistema de Mobilidade do Mondego executou 16% dos €57 milhões. Impossíveis de concretizar no Portugal 2020, ambas as obras deverão ser divididas em duas fases, passando a segunda fase para o Portugal 2030. Bruxelas já flexibilizou esta regra de transição entre quadros comunitá­rios para mitigar o corte de fundos. O Governo já admitiu que vai fasear a Ferrovia 2020 e terminá-la após 2023.

Sondagem Expresso/SIC: maioria dos portugueses já corta no lazer, gás, luz e água (e muitos em bens essenciais)

 

Portugueses já reduzem consumos, para fazer face ao enorme aumento dos preços, mostra a sondagem do ISC/ISCTE. Um terço teve de cortar em bens de primeira necessidade e 19% em despesas de saúde. Prestação da casa é um risco para 57%. Se já são 48% os portugueses que dizem viver com dificuldade com os seus atuais rendimentos — mais sete pontos do que há seis meses —, como é que todos se estão a adaptar à subida histórica da inflação? A maioria com cortes em despesas de lazer, mas também muitos com cortes em produtos essenciais para o dia a dia, conclui a sondagem realizada pelo ICS/ISCTE para o Expresso e a SIC. A primeira resposta faz parte de todos os livros de história económica: é no lazer que as famílias cortam primeiro quando têm de controlar os gastos. Assim, 72% dos portugueses admitem ter lidado com o aumento de preços evitando “despesas com atividades de lazer, tais como pas­seios, refeições fora de casa, hobbies, cinema ou espetáculos”. Mas não chega. Em cima disto, 62% dos que responderam ao inquérito dizem ter “diminuído o uso de eletricidade, gás e/ou água em casa”, num contexto de aumento generalizado dessas contas. É também uma maioria, demonstrando como o aperto já chega a grande parte da classe média.

Sondagem SIC/Expresso: pacote de ajuda do Governo desagrada, mas não tanto aos pensionistas

 

Mais de um terço dos portugueses não gostaram das medidas anti-inflação apresentadas por António Costa, mostra a sondagem ICS/ISCTE. Mas os reformados são dos menos descontentes, apesar da polémica das últimas semanas. Famílias ‘aflitas’ sobem sete pontos em seis meses. Para 87% dos inquiridos o pior está para vir. Há três semanas que a oposição critica reiteradamente o Governo por se preparar para fazer um corte no valor-base das pensões a partir do próximo ano, há três semanas que no mundo mediático se critica a forma que o Governo escolheu para aliviar os pensionistas do aumento da inflação, ou o modo como o anunciou. Mas, se as medidas anunciadas por António Costa para aliviar o impacto da inflação na vida das famílias, aprovadas agora pelo Parlamento, não merecem aplauso da maioria dos portugueses, elas também não parecem ter melindrado particularmente os eleitores socialistas, ou sequer os pensionistas. De acordo com a sondagem ICS/ISCTE realizada para o Expresso e a SIC, são mais os inquiridos que consideram as medidas “más” ou “muito más”, 36%, do que aqueles que as veem de forma positiva (18%), mas o pacote “Famílias Primeiro” acaba por ser visto como neutro para 41% dos inquiridos neste estudo.

Nota: como vai ser Marítimo?


Não sou do Marítimo mas incomoda-me o que ser passa, no plano desportivo, com o clube madeirense. Por isso, perante novas notícias hoje publicadas na imprensa, acho que é fundamental a Rui Fontes, de quem sou amigo, pugnar, caso concorde, por duas prioridades: por um lado, rever a política de comunicação que no caso do Marítimo me parece algo desastrosa, porque demasiado institucionalizada. Em, segundo lugar o Rui tem que pegar o "boi pelos cornos" e transmitir aos sócios uma outra imagem do Presidente do clube, de alguém que controla a situação, que vai ao encontro da equipa, que fala olhos-nos-olhos aos jogadores e técnicos, quando for necessário, um Presidente que está empenhado em resolver o problema do Marítimo que continua sem nenhum ponto conquistado. Uma certa ideia de fragilidade presidencial - pelo menos é essa a minha opinião, mas admito que esteja errada - a par de uma comunicação que tem que sair dos limites institucionais e se "popularizar" - como outros clubes fazem - é essencial. Como sou dos "antigos" olho para o futebol profissional - e não quero abordar a questão da SAD por que no caso do Marítimo continuo sem perceber a sua utilidade, salvo se é obrigatória essa opção (julgo que não é) ou se existe a intenção a médio prazo, de abrir a instituição a accionistas privados -  para as suas virtudes e limitações, comparando com passado recente. Nesse contexto, acho que a figura de um secretário-geral no clube - não confundir com o director desportivo limitado à equipa de futebol, poderia ser uma boa solução. Mas repito, não sendo sócio, nem simpatizante do Marítimo, mas madeirense que acha que o nosso futebol tem que ir muito mais além do que um sobe-e-desce ou lutar apenas pela sobrevivência (o Gil Vicente foi esta época a uma prova europeia, será que é mais do que o Marítimo?) - nenhum dos casos é uma mais-valia para a RAM, digam o que disserem - gostaria que dessemos rapidamente a volta a deixássemos de ser o primeiro, de baixo para cima. E nestes tempos de crise, de incerteza, de medo e de ansiedade das pessoas, o "maior das ilhas" tem responsabilidade acrescida, a de pelo menos manter os egos dos seus bem elevados e não acentuar um ambiente algo depressivo que se aproxima. Ora nem isso sucede, infelizmente, com este último lugar e zero pontos em 7 jogos realizados. Claro que o ambiente pior fica quando vemos comentadores - e eu vi e ouvi - dizerem que o CSM é o primeiro candidato à descida, que não joga nada e que não tem um plantel de qualidade. Isso foi repetidamente afirmado nas televisões após a goleada na Luz. (LFM)


segunda-feira, setembro 19, 2022

Sondagem: PS lidera intenções de voto mas PSD aproxima-se

 

O barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV mostra que o PS está em queda e o PSD em ascenção nas intenções de voto. Chega reforça posição na sondagem como terceira força política. O PS está a perder parte da vantagem que tem sobre o PSD, de acordo com o barómetro da Intercampus para o Negócios, Correio da Manhã e CMTV. Os socialistas obtêm em setembro 30,6% das intenções de voto (já feita a extrapolação dos que dizem não votar), o que representa uma descida face aos 33,1% do mês passado. Já o PSD obtém 24,7%, uma subida de 1,9 pontos percentuais. A distância passa de cerca de 10 para 6 pontos percentuais. O Chega marca posição como terceira força política, mostra ainda a sondagem, com 9,2% das intenções de voto, mais do que os 8,4% de agosto. Em sentido inverso, a Iniciativa Liberal cai de 7,1% para 5,2%, ficando com a mesma percentagem do Bloco de Esquerda (que tinha obtido 5,0% em agosto). Mais abaixo, surge CDU com 2,9%, uma subida de 0,7 pontos percentuais; PAN (2,5%, subida face aos 1,3% de agosto); Livre (1,8%); e CDS (1,1%).

Rei Carlos III não terá que pagar imposto britânico de 40% sobre herança de cerca de 34 mil milhões de euros

A Rainha Isabel II morreu no dia 8 de setembro de 2022 aos 96 anos no Castelo de Balmoral, na Escócia, depois de mais de 70 anos do reinado mais longo da história do Reino Unido. Carlos III, o seu filho primogénito assumiu assim aos 73 anos as funções de rei. O novo monarca herdou assim a “Propriedade da Coroa”, estimada pelo ‘MoneyWise’ como mais de 34 mil milhões de dólares (cerca de 33,9 mil milhões de euros) em ativos. E com isso, herdou ainda o facto de não ter de pagar o imposto britânico de 40% sobre as heranças, pois o chefe da Monarquia Britânica tem esse benefício fiscal. Para além dos ativos da “Propriedade da Coroa”, que envolvem uma carteira de ativos e bens imobiliários, como o Palácio de Buckingham e terrenos e propriedades em Londres e no Reino Unido, o Rei Carlos III vai ainda herdar a riqueza pessoal de Isabel II, cerca de 500 milhões de dólares (cerca de 498 milhões de euros), que também não estão sujeitos ao imposto. Apesar dos benefícios fiscais, a publicação explica que o novo monarca não poderá vender nenhum destes bens, mas que pode receber os lucros destes através da “Sovereign Grant”, acrescentando que, no ano passado, a “Propriedade da Coroa” lucrou 311 milhões de dólares (cerca de 310 milhões de euros) (Executive Digest, texto da jornalista Mariana da Silva Godinho)

Como apoiar quem tem crédito?

Há mais de dois anos, a pandemia de covid-19 chegou e temeu-se um forte impacto nos créditos à habitação, por via das famílias que ficaram sem rendimentos com o fecho de atividades. Vieram as moratórias, mas foi preciso um enquadramento europeu que possibilitasse a definição dessa suspensão do pagamento sem ter efeitos negativos nos bancos que afetassem o seu capital e colocassem em risco a sua solidez. Essas soluções exigiram contactos entre o Governo e o sector bancário, que agora, no fecho do verão de 2022, se estão a repetir. A razão é outra: as subidas abruptas da taxa de juro diretora do Banco Central Europeu (de zero em junho subiu já aos 1,25% em setembro e deverá, estimam bancos internacionais, escalar aos 2% em outubro). Tais agravamentos estão a ter impacto nas Euribor, utilizadas como indexantes nos créditos à habitação. E as famílias veem-se a braços com prestações mais de €100 acima das que enfrentavam até aqui.

Revisão de spreads reduz pressão

É boa altura para renegociar o seu crédito à habitação? Em momentos de subida das taxas de juros é normalmente o que acontece. E não é difícil descobrir porquê, em particular depois de um período em que as taxas de juro nos créditos à habitação estavam em níveis muito baixos e mesmo negativos. Por isso, qualquer aumento, sobretudo quando se vive uma subida grande da inflação, justifica voltar a fazer contas e perceber onde pode emagrecer a fatura a pagar com o crédito. “Os bancos estão a praticar spreads muito competitivos e podem até baixar ainda um pouco mais”, diz o economista da Deco/Proteste Nuno Rico. Em termos de informação no preçário dos bancos, o spread mínimo é praticado pelo Bankinter: 0,90%. Mas o Expresso sabe que o banco espanhol vai avançar com um spread mais baixo, à volta de 0,85%, colocando mais pressão na concorrência (ver tabela).

Financiamento: Entidade das Contas deixa cair mais um ano de processos sobre contas dos partidos

Processos relativos a 2014 e 2013 prescreveram. Lei de 2018 reforçou competências mas não os recursos, o que atrasou a fiscalização. Entidade dá agora prioridade às contas dos últimos dois anos. Em quatro meses, é a segunda vez que a Entidade das Contas e Financiamentos Políticos (ECFP) deita mais uma toalha ao chão: depois de, em Maio, ter assumido a prescrição dos processos relativos às contas dos partidos relativas a 2013, a entidade que funciona junto do Tribunal Constitucional (TC) anunciou esta semana a mesma decisão sobre os processos de irregularidades detectadas nas contas de 2014. E justifica que, para prevenir violações da lei pelos partidos, a fiscalização tem que ser feita em tempo útil.

Ao declarar a prescrição dos processos, a ECFP desiste de prosseguir a fiscalização daquelas contas e os partidos ficam também livres de pagar as eventuais coimas a que estariam sujeitos. O aviso já tinha, aliás, sido feito em 2018, quando a entidade alertava para a “situação de ruptura e risco de prescrição” de processos pendentes relativos à fiscalização de contas de partidos e contas de campanhas eleitorais desde 2015 devido a uma alteração às leis do TC e do financiamento dos partidos no início desse ano – a mesma que motivou um veto de Marcelo por outra regra entretanto revogada, a de permitir a isenção total do IVA aos partidos.

Ensino: Uma crise do tamanho da Europa

 

Da Itália à Suécia, da França à Alemanha, de Portugal à Finlândia, a falta de professores é um flagelo europeu. São vários os países que enfrentam grandes dificuldades em recrutar docentes para substituir os milhares que estão a reformar-se, a abandonar a profissão ou que entram de baixa. O envelhecimento da classe, sentido um pouco por toda a Europa, acelera a erosão, e a ‘crise de vocação’ que parece estar a afetar o ensino não ajuda.

As explicações para o fenómeno são várias e diferem de sistema para sistema. Nalguns casos serão os salários baixos, noutros a burocracia, as turmas mais difíceis, as dificuldades de progressão na carreira ou ainda o desgaste profissional e a pressão dos pais. No limite, será um pouco de tudo isto que está a afastar os mais novos da carreira. “Todos estes fatores tornam a profissão mais complexa e stressante e por isso menos atrativa para os jovens, sobretudo quando veem que as condições de trabalho e os níveis de autonomia não acompanham o grau de profissionalização exigido para corresponder a todas as expectativas da sociedade”, resume Karine Tremblay, analista da divisão de políticas da OCDE e durante anos responsável pelo maior estudo internacional sobre professores (Talis).

Portugal já sente as ‘dores’ da subida dos juros pelo BCE

 

Os dois impactos mais diretos do aumento desde julho das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) sobre as finanças do país sentem-se já no encarecimento do crédito à economia e na subida do custo de financiamento da dívida pública. Esta semana, a taxa Euribor a 6 meses (a mais usada como referência para o crédito à habitação) já atingiu mais de 1,5%, tendo aberto o ano em terreno bem negativo. No leilão de dívida pública, na quarta-feira, na colocação de obrigações do Tesouro português no prazo a 10 anos, o Estado já teve de pagar aos investidores um juro de 2,754%. Foi mais de um ponto percentual acima da taxa de 1,694% que pagou em abril aquando da operação sindicada de lançamento daquela linha que vence em julho de 2032. As projeções do algoritmo do portal financeiro World Government Bonds (WGB) apontam para um juro nos títulos portugueses a 10 anos em 3,4% no final deste ano, 100 pontos-base acima do custo de financiamento da dívida alemã. O que equivale a um spread de um ponto percentual, sensivelmente igual ao atual. Em termos globais das emissões de dívida portuguesa já realizadas em 2022, a taxa média de colocação já subiu de 0,6% no ano passado para 1,3% no final de julho. Mais do que duplicou.

Marcelo avisa Costa: devia “explicar a sua visão” para o próximo ano, porque o que aí vem pode ser “mau”

Presidente defende que o Governo devia anunciar o cenário sobre inflação, crescimento e emprego que espera para 2023. “Quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”, lembrou Marcelo. António Costa, de partida para quatro dias em Nova Iorque, já não terá oportunidade para responder, mas o desafio directo em jeito de conselho ficou feito: o Presidente da República defende que o Governo “talvez ganhasse em explica aos portugueses qual é a visão que tem para o próximo ano”. Porque, vinca, “isso é muito importante para que os portugueses percebam que, quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”.

As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa foram feitas no sábado à noite aos jornalistas à entrada para o concerto de João Gil no Coliseu dos Recreios e noticiadas pelo Expresso e pelo Observador. “O Governo é o primeiro a ganhar em explicar que 2023, se continuar a guerra e a inflação, não será um ano parecido com este, não terá o crescimento deste “, insistiu.

domingo, setembro 18, 2022

DGS recomenda uso de máscara em farmácias, transportes públicos e aeroportos

 

A orientação faz parte de uma atualização que surge três semanas após o Governo ter decretado o fim da obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos e aviões. A DGS afirma que, tendo em conta a atual situação epidemiológica, é aconselhável a utilização das máscaras a qualquer pessoa com idade superior a 10 anos sempre que se encontre em ambientes fechados. O uso obrigatório de máscara mantém-se nos hospitais e nas residências de idosos.

Há em Portugal dois milhões e trezentas mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão social

 

Os números são relativos a 2021 e foram divulgados pelo Eurostat. Significam mais 256 mil pessoas do que em 2020 e uma subida de 5 lugares no mapa do risco europeu. Passamos a ser o oitavo país da União Europeia com maior risco de pobreza ou exclusão social.

Mais de um milhão de portugueses continuam sem médico de família

 

Há mais 200 mil portugueses que passaram a ter médico de família. Apesar disso no país todo, ainda há 1,2 milhões de utentes que continuam à espera que lhes seja atribuído um médico.

Condução autónoma 5G: Primeira viagem ocorreu entre Valença e Tui

A primeira viagem em Portugal de condução 100 por cento autónoma através da tecnologia 5G realizou-se na ponte que liga Valença a Tui. Resulta de uma consórcio que envolve 58 parceiros de 13 países. Um avanço tecnológico em ambiente real e com vários obstáculos no percurso.

Pensões de reforma: Oposição acusa Governo de mentir aos pensionistas

 

Os partidos da oposição insistem que o Governo continua a faltar à verdade no que toca ao apoio extraordinário dos pensionistas. Acusações feitas na Assembleia da República, onde foi debatido o pacote de medidas anunciadas pelo executivo para combater o impacto da inflação. Fernando Medina, acusa a direita de "hipocrisia".

Presidente da CGD prevê aumento significativo do crédito mal parado

 

A prestação dos créditos à habitação pode subir 50% no espaço de um ano. O presidente da Caixa Geral de Depósitos admite que por causa disso o crédito malparado na banca vai aumentar.

TAP: sete a dez vezes maiores, candidatos cobiçam hub e mercados


Os potenciais candidatos a comprar a TAP, dossiê em que se têm posicionado os grupos Lufthansa, Air France/KLM e IAG, são verdadeiros gigantes ao lado da companhia aérea portuguesa, uma das poucas que se mantêm fora dos grandes grupos europeus. A diferença é grande desde logo ao nível da frota, mas também das receitas e do número de passageiros transportados. Com conversas explorató­rias com os potenciais interessados na privatização da TAP a decorrer, e, como noticiou o Expresso, havendo vontade por parte do Governo de acelerar a venda — também porque a companhia, a partir de 2023, não poderá receber dinheiro do Estado durante 10 anos e há uma emissão de obrigações a vencer no próximo ano —, certo é que a procissão ainda vai no adro. Não obstante, o Chega e o PCP querem ouvir no Parlamento o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre a possibilidade de, no curto prazo, privatizar mais de 50% da TAP.

As candidatas favoritas à privatização, a Lufthansa e a Air France/KLM, são entre sete e cinco vezes maiores do que a TAP ao nível da frota — o grupo liderado pela companhia alemã tem 713 aviões, mais 176 aeronaves que a sua rival franco-holandesa. A IAG, grupo que junta a Iberia, a British Airways e a Aer Lingus, tem uma frota mais pequena do que os dois grupos concorrentes, mas a curta distância da Air France/KLM — estes têm 537 aviões e os primeiros 531 (ver foco de pontos). Já a nível de receitas a diferença é bastante significativa, pois a TAP é 10 vezes mais pequena do que o grupo Lufthansa e a Air France/KLM e seis vezes menor do que a IAG. Valores que se espelham no número de passageiros transportados, também 10 vezes a desfavor da TAP. Os números são de 2021, ainda distantes dos números pré-covid, em que o maior grupo europeu, a Lufthansa, por exemplo, transportava 145 milhões de passageiros e tinha vendas de 36,4 mil milhões, enquanto a TAP transportava 17 milhões de passageiros e tinha receitas de €3,3 mil milhões.

2,3 milhões de pobres: Portugal foi o país da UE que mais subiu nos índices de pobreza e a carência atingiu jovens e idosos de forma igual

Os últimos dados do Eurostat revelam que o risco de pobreza e exclusão social está a aumentar e atinge um em cada cinco habitantes dos estados-membros da União Europeia. Mas não afeta todos por igual. É distinto por país, género, idade e composição familiar. Portugal está abaixo da média europeia, em oitavo entre os piores, e foi o que mais se afundou nas condições de vida, fruto da pandemia. Temos, agora, 2,3 milhões de pobres.

A União Europeia está a conseguir combater o risco de pobreza e exclusão?

De acordo com os últimos dados do Eurostat, relativos a 2021, a UE tem 95,4 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, o que representa 21,7% da população, um em cada cinco residentes nos estados-membros. Em relação ao ano anterior o aumento não foi significativo (cerca de 1%), mas ainda assim mais pessoas passaram a viver com um rendimento abaixo do limiar da pobreza ou sofrem uma privação material e social severa – não têm capacidade para ter pelo menos 7 de 13 item desejáveis ou necessários para uma qualidade de vida adequada – ou integram um agregado familiar com uma atividade laboral muito baixa, em que os adultos trabalham menos de 20% do tempo em que, potencialmente, o poderiam fazer. Basta um destes três critérios para entrar na estatística da pobreza. Mas há 5,9 milhões de europeus a acumular os três.

Pilotos da TAP ficam sem corte extra e recebem compensação por falha da empresa

 

Sindicato dos pilotos diz que os associados aprovaram proposta que inclui recebimento de compensação extraordinária no final deste mês na sequência de decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre falhas no pagamento de subsídios há dez anos. Os pilotos da TAP vão ter uma descida no corte salarial em vigor, que vai passar de 35% para 25% acima dos 1410 euros a partir do dia 1 de Janeiro de 2023, e irão receber uma compensação financeira extraordinária no dia 29 deste mês, de acordo com o comunicado enviado esta sexta-feira pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). Esta compensação, diz o SPAC, será apurada de forma individual em função do perfil de cada piloto da TAP, e surge após as negociações com a companhia aérea e com o Ministério das Infra-estruturas, “realizadas no âmbito do Acórdão Interpretativo do Supremo Tribunal de Justiça” do início de Julho de 2022, que foi favorável aos pilotos, “relativamente ao cômputo da retribuição de férias e do subsídio de férias pela TAP, há mais de uma década”.

Nova mentira do ministro: Portugal está a crescer mais do que todos os países da UE, como diz Medina?

 

O ministro das Finanças afirmou que Portugal não só está a crescer acima da média da UE, como também está a crescer “acima de cada um” dos Estados-membros.

A frase

“A economia portuguesa não está a crescer [apenas] acima da média da União Europeia. A economia portuguesa está a crescer acima de cada um dos países da União Europeia.”

O contexto

Numa audição regimental na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, Fernando Medina referiu que o Produto Interno Bruto (PIB) português deve crescer acima dos 6% em 2022. E, em resposta ao deputado Hugo Carneiro, do PSD, o ministro das Finanças retorquiu contra a “retórica” de que Portugal apenas cresce mais porque caiu mais durante a pandemia, referindo que o país não só está a crescer acima da média da União Europeia (UE), como também está a crescer “acima de cada um dos países da União Europeia”.

Exportações do gás russo podem estar a chegar à Europa através da China, alerta relatório

As exportações de gás russo estão a chegar à Europa através da china, denunciou a publicação alemã ‘Deutsche Welle’. “O mercado global de gás natural liquefeito (GNL) está cada vez mais bem integrado e as mudanças na procura regional podem ajudar a equilibrar os mercados que, de outra forma, seriam apertados. Esse redirecionamento de fluxos atende aos interesses de todas as partes envolvidas”, reconheceu Nicholas Kumleben, diretor de pesquisa de energia da consultoria macroeconémica da ‘Greenmantle’. Antes do inverno, o armazenamento de gás da Europa está quase a 80%, em parte graças às exportações de GNL da China, relata o Nikkei, depois de a Rússia ter reduzido drasticamente o fornecimento de gás para a Europa desde a invasão da Ucrânia. Por outro lado, as empresas chinesas de GNL aumentaram a oferta para os mercados estrangeiros em resposta à crescente procura.

Famílias portuguesas entre as mais expostas à subida dos juros

 

Peso elevado das taxas variáveis no crédito à habitação em Portugal aumenta pressão para apoio do Governo. Recurso à taxa fixa tem vindo a crescer desde 2016. A Zona Euro é só uma, mas o regime de taxas de juro aplicado no crédito em cada Estado-membro é muito variado. Há países onde os empréstimos para a compra de casa têm quase todos taxa fixa e há outros em que na grande maioria dos casos o juro cobrado depende de um indexante, como a Euribor. É o caso de Portugal. Os dados estatísticos compilados pelo Banco Central Europeu mostram que 68% dos novos crédito à habitação contratados em Portugal no mês de julho tinham taxa variável ou fixa apenas no primeiro ano. Um contraste significativo com o conjunto da Zona Euro, onde o peso é de apenas 17,9%. Esta enorme proporção dos empréstimos com juros indexados, neste caso à Euribor, faz com que as famílias portuguesas estejam entre as mais vulneráveis ao aperto significativo da política monetária pelo BCE para travar a inflação. Portugal é o sétimo país onde a taxa variável tem mais importância, ficando abaixo da Finlândia (97,7%), Letónia, Chipre, Irlanda, Estónia e Malta.

Portugal é o 8.º pior na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social

A pandemia fez com que Portugal subisse de 13.º para 8.º na lista de países europeus com maior risco de pobreza ou exclusão social. O primeiro ano da pandemia criou 230 mil novos pobres. A pandemia, já se sabia, fez subir para 2,3 milhões os portugueses em risco de pobreza ou exclusão social, o equivalente a 22,4% da população. Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat confirmam este agravamento, mas vão ainda mais longe: mostram que Portugal passou a ser o oitavo pior da União Europeia na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social em 2021. Antes da pandemia, a taxa de pobreza ou exclusão nacional era a 13.ª mais elevada. Agora, Portugal sai-se bastante pior nesta fotografia comparativa, porquanto este aumento de 2,4 pontos percentuais representa o pior agravamento nas condições de vida das famílias a nível europeu. Os dados relativos ao bloco europeu permitem perceber que, apesar da pandemia, 12 países conseguiram diminuir a taxa de pobreza. Em termos médios, a taxa de pobreza e exclusão social subiu para 21,7%, numa ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior, afectando agora 95,4 milhões de pessoas. Nos extremos da lista estão a Roménia, que soma 34,4% da sua população em situação de pobreza ou exclusão, e, no outro lado, a República Checa, com apenas 10,7% da sua população ameaçada por estes problemas.

Suécia: Jimmie Akesson: um “tipo normal” que transformou o movimento neonazi sueco num partido de poder

Democratas Suecos foram o segundo partido mais votado nas legislativas e serão decisivos para a formação do próximo Governo. Papel do jovem líder do partido anti-imigração “de quem toda a gente se ria” foi fundamental para a sua “desdiabolização”. Jimmie Akesson tem apenas 43 anos, mas não é propriamente um novato na política ou um desconhecido do grande público sueco. Já lá vão 17 anos desde o dia em que foi eleito para a liderança dos Democratas Suecos, um partido político fundado por antigos membros de um partido neonazi dos anos 1950 e do movimento supremacista Bevara Sverige Svenskt (Manter a Suécia Sueca), e que, depois de várias eleições consecutivas a somar votos e deputados, é hoje a segunda força política mais representada no Riksdag, o Parlamento da Suécia. Assinalar que o partido que nesse longínquo ano de 2005 andava na casa do 1% de votos superou, nas eleições legislativas do passado domingo, os 20%, tornando-se, dessa forma, indispensável para qualquer solução de Governo que venha a encontrada, é, só por si, um atestado ao sucesso de Akesson enquanto líder partidário.

"Guerra" à vista? “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da UE”. Hungria arrasa resolução do Parlamento Europeu...

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, defendeu que a resolução hoje adotada no Parlamento Europeu rejeitando a existência de democracia na Hungria representa uma ofensa e “um insulto” a todos os cidadãos do país. “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da União Europeia (UE)”, disse o chefe da diplomacia húngaro à imprensa em Budapeste, depois de os eurodeputados terem classificado o regime vigente na Hungria já não como uma democracia plena, mas como uma “autocracia eleitoral”, também devido à “inação da UE”. O ministro acusou os deputados europeus de repetirem as “mentiras de que a Hungria é acusada” e sublinhou que é um insulto para os húngaros que estes questionem “o funcionamento da democracia” no país.

“Os húngaros decidiram quatro vezes seguidas o que querem no país”, afirmou Szijjártó, numa clara referência às quatro últimas eleições legislativas, todas elas ganhas por uma folgada maioria pelo partido conservador Fidesz, do primeiro-ministro, o ultranacionalista Viktor Orbán. Depois de sair ainda mais fortalecido do mais recente escrutínio, apesar de toda a oposição se ter agrupado numa única coligação para tentar afastá-lo do poder, Orbán formou em abril o seu quarto Governo.

A progressista Suécia virou à direita — e para alguns não foi uma surpresa

 

Das franjas da política sueca para segundo maior partido do país. O Democratas da Suécia é o destaque destas eleições, mas é pouco provável que venha a integrar o governo. A sua crescente influência, todavia, traduz bem a história das eleições em que a progressista e tolerante Suécia virou à direita. Como é que chegámos aqui? Um olhar mais atento ajuda a perceber. Ao final do dia desta quarta-feira, 14 de setembro, a primeira-ministra social-democrata, Magdalena Andersson, reconheceu a derrota nas eleições suecas face à vitória do bloco de direita, composto pelos Moderados, os Democratas da Suécia, os Cristãos Democratas e os Liberais. Juntos, reúnem 176 dos 349 assentos parlamentares.

"No Parlamento, eles têm uma vantagem de um ou dois mandatos. É uma maioria curta, mas é uma maioria", admitiu, citada pela Reuters. "Sendo assim, amanhã [esta quinta-feira] pedirei a demissão das minhas funções de primeira-ministra e, depois disso, a responsabilidade vai recair no presidente do Parlamento", acrescentou.

Estado dá menos 40% de subvenções em 2021 com queda de Covid

 

Estado deu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, um aumento de 88% face a 2019. Com abrandamento da pandemia em 2021, este valor caiu 40% para 7,5 mil milhões. O Estado distribuiu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, segundo os valores comunicados à Inspeção-Geral de Finanças (IGF), um valor que quase duplicou (+88% face a 2019) devido à pandemia. Uma progressão que vem acompanhada de falhas graves, como falta de fundamento, transparência e “fraca avaliação” de resultados. Segundo o Público (acesso condicionado), o aumento deveu-se sobretudo à atribuição de 7.002 milhões de euros em garantias do Estado e 1.099 milhões em subsídios e benefícios. As somas das parcelas atribuídas, segundo os dados da IGF, perfazem um total de 12.627 milhões de euros e não 12.591 milhões, sendo que o relatório não explica a discrepância de 36 milhões, e assinala falta de rigor, objetividade e transparência na concessão dos apoios.

Em 2021, o Estado já só concedeu quase 7,5 mil milhões de euros em subvenções e benefícios públicos, um valor inferior aos dados de 2020 em 40,7%, noticia também o Jornal de Negócios (acesso pago). O ano passado foram apoiadas perto de 210 mil entidades, um número semelhante ao de 2020, mas nem todas as entidades que recebem subvenções são divulgadas, sendo necessário um valor mínimo equivalente a 14 vezes o salário mínimo. Segundo cálculos do Negócios, o total de subvenções correspondeu a cerca de 3,5% do PIB de 2021, sendo que as maiores beneficiárias continuam a ser as empresas, com a EDP Universal a liderar a lista com mais de 238 milhões de euros (ECO digital)