Elizabeth Hanson levava uma vida que quase ninguém ao redor conseguia enxergar por completo. Para amigos e conhecidos, ela era uma jovem inteligente, divertida e aventureira. Para a CIA, era uma das analistas mais talentosas de sua geração, especializada em localizar alguns dos homens mais procurados do mundo. Elizabeth nasceu em 1979, em Illinois, nos Estados Unidos. Formou-se em economia e estudou russo na faculdade. Em 2005, aos 26 anos, entrou para a CIA usando como cobertura um emprego em uma empresa de consultoria em Washington. Depois do treinamento, passou a trabalhar como *targeter*, uma função responsável por juntar enormes quantidades de informação e transformá-las em pistas úteis. Ela analisava comunicações interceptadas, imagens de satélite, relatórios de informantes e rastros digitais para tentar localizar líderes da Al-Qaeda e do Talibã.
Entre os nomes que acompanhava estava Osama bin Laden. Antes dos 30 anos, Elizabeth já liderava sua própria equipe na sede da CIA e havia chamado atenção de diretores da agência por causa da qualidade do trabalho. Fora dali, porém, quase ninguém sabia exatamente o que ela fazia. Amigos lembravam que Elizabeth publicava fotos de viagens e encontros nas redes sociais, mas quase nunca aparecia nas próprias imagens. Era uma forma de manter separadas as duas vidas que carregava.
Em 2009, ela decidiu se voluntariar para trabalhar no Afeganistão. A mãe ficou preocupada e tentou convencê-la a não ir. Elizabeth foi mesmo assim. Em Cabul, continuou rastreando integrantes da Al-Qaeda e do Talibã e participando de encontros com informantes em locais protegidos. Então surgiu uma oportunidade que parecia extraordinária. Um médico jordaniano chamado Humam Khalil al-Balawi havia sido apresentado à inteligência americana como alguém que conseguira se aproximar da liderança da Al-Qaeda e poderia fornecer informações sobre Ayman al-Zawahiri, um dos principais nomes da organização.
A expectativa era enorme. No dia 30 de dezembro de 2009, uma equipe da CIA se reuniu em uma base na província de Khost, próxima à fronteira com o Paquistão, para recebê-lo. A confiança naquele informante era tão grande que ele entrou sem ser revistado. Foi um erro devastador. Pouco depois de sair do veículo, al-Balawi detonou os explosivos que carregava escondidos no corpo. Sete funcionários da CIA m*rreram, além de um oficial jordaniano e um integrante da segurança afegã. Outros americanos ficaram gravemente feridos.
Elizabeth Hanson estava entre os mortos. Ela tinha apenas 30 anos. O ataque foi um dos mais letais contra a CIA em décadas e mais tarde seria retratado no filme *A Hora Mais Escura*. Elizabeth foi enterrada no Cemitério Nacional de Arlington e recebeu uma estrela no memorial da CIA dedicado aos agentes que m*rreram em serviço. Antes de viajar para o Afeganistão, ela havia deixado um pedido em seu testamento: queria que fosse criada uma bolsa de estudos em seu nome na faculdade onde havia estudado. Elizabeth passou a vida adulta trabalhando em uma profissão em que sucesso significava, muitas vezes, nunca receber reconhecimento público. Seu nome não aparecia nas manchetes. Seu rosto não aparecia nas operações.
Mas seu trabalho ajudava a localizar pessoas que estavam entre os principais alvos dos Estados Unidos. Ela não entrou no Afeganistão sem saber do risco. Foi justamente porque sabia que o trabalho era perigoso que decidiu fazê-lo. Elizabeth Hanson deixou uma estrela em uma parede da CIA, uma bolsa de estudos em uma universidade e uma história que, durante muito tempo, quase ninguém conheceu (fonte: Facebook, Enfim, História)

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