Um dos paradoxos desta guerra e deste mundo louco em que vivemos - tudo porque perdemos os grandes lideres políticos, pessoas carismáticas, respeitadas e pragmáticas - é que a guerra de Trump no Médio Oriente, contra o Irão - até ver se novos protagonistas não vão juntar-se àquela loucura... - é que a crise dos combustíveis, provocada apenas e só pelo conflito com o Irão e com o impasse no estreito de Ormuz, vai acabar por criar dificuldades ou até derrubar nas urnas, governos democráticos que supostamente estariam a ser apoiados pelas respectivas populações. O primeiro sinal surgiu nas regionais da Alemanha com a vitória da extrema-direita, ao ponto de ninguém hoje saber até onde irá este movimento eleitoral. Depois temos sinais, a dúvida que persiste em França com as presidenciais, em Espanha onde o PSOE foge de eleições como o "diabo da cruz", no Brasil em que Lula perdeu toda a vantagem que tinha sobre o opositor mais directo e oriundo de sectores extremistas de direita e até em Portugal as coisas complicam-se com sondagens a indicar a erosão dos partidos mais tradicionais e democráticos em detrimento de movimentos extremistas e populistas de direita.
Eu não sei se Trump contava ou queria que isso acontecesse. Mas uma coisa é certa: se caminharmos para uma crise económica e social à escala global, como a ONU já denunciou, vamos assistir ao agravamento político de regimes até hoje democráticos, porque a insatisfação das pessoas perante a impotência dos governos, nomeadamente os europeus, privados de meios financeiros para intervirem e apoiaram os cidadãos, de facto, a que se junta uma ridícula fobia com a regulamentação numa Europa decadente, em queda e a precisar urgentemente de depuração geral, de um safanão social e político e de novas lideranças. E não me venham com patéticas comparações com os tempos que antecederam outros conflitos, por uma razão muito simples: hoje a evolução tecnológica e comunicacional, as redes sociais, a internet e o acesso generalizado à informação, o avanço da IA desregulada, etc, não toleram qualquer comparação. O nosso problema é apenas um: faltam-nos lideres fortes, democráticos, poderosos como há décadas existiam, particularmente na Europa e nos EUA, capazes de colocar no seu lugar todos aqueles que achavam (e acham) que política e impunidade podem seguir de braço dado por caminhos de incerteza (LFM)

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