Nem todos os ministros que integraram os Governos portugueses nas últimas cinco décadas tinham experiência profissional na área que passaram a tutelar. É o que mostra um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), divulgado esta segunda-feira, e citado pelo Jornal de Negócios, que analisou o percurso dos 507 ministros nomeados desde 1976. A investigação, coordenada por António Costa Pinto e Marcelo Camerlo, conclui que 43,4% dos governantes tinham um percurso profissional fortemente ligado à pasta que lhes foi atribuída, incluindo funções de elevada responsabilidade nesse setor. Outros 34% apresentavam alguma experiência relacionada com a área ou tinham ocupado cargos relevantes, ainda que sem funções de topo.
No entanto, 113 ministros, correspondentes a 22% do total, chegaram ao cargo sem qualquer experiência profissional considerada relevante para as funções que lhes foram confiadas. Os dados apontam também para uma mudança ao longo dos últimos 50 anos, com um aumento progressivo das escolhas de ministros com experiência profissional muito relevante para as respetivas áreas. O segundo Executivo de Pedro Passos Coelho destacou-se precisamente por concentrar a maior percentagem de ministros com um percurso profissional compatível com as pastas atribuídas. O Governo esteve em funções menos de um mês, antes de dar lugar à chamada “geringonça”. Já o Governo de Alfredo Nobre da Costa, em 1978, registou a maior presença de ministros sem experiência relevante nas áreas que tutelavam. O Executivo foi formado por iniciativa do então Presidente da República, Ramalho Eanes, e permaneceu em funções durante pouco menos de três meses (CNN-Portugal)

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