Nobel da Paz e líder da oposição venezuelana terá visto sete tentativas de regressar à Venezuela frustradas desde Junho. Na última, Delcy Rodríguez estava em Nova Iorque para se encontrar com Trump. María Corina Machado terá tentado por três vezes regressar à Venezuela nesta semana, avançou a equipa que acompanha a vencedora do Nobel da Paz de 2025 ao diário espanhol ABC, relatando um total de sete tentativas de regresso nos últimos meses. A líder da oposição venezuelana, exilada desde Dezembro de 2025, tentou viajar a partir do Panamá, no mesmo dia em que a Presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, se reunia pela primeira vez com Donald Trump em Nova Iorque, a propósito da Assembleia Geral das Nações Unidas.
A 21 de Setembro, Corina Machado planeava viajar numa pequena embarcação que atravessaria o canal do Panamá, e navegaria durante cerca de dois dias em direcção às Caraíbas, antes de atracar no destino final, a Venezuela. Porém, a viagem foi cancelada devido a uma avaria mecânica, avança o ABC, que acompanhou em primeira mão as últimas três tentativas de regresso. “Uma rota preparada ao longo de muito tempo desaparecia de repente e obrigava a começar de novo”, escreve o correspondente do ABC, que contava acompanhar a viagem. Nessa noite, a equipa de Corina Machado decidiu fazer uma segunda tentativa.
Na posse de um passaporte diplomático especial emitido pelo Panamá por razões humanitárias, a opositora do regime chavista — que viu o seu passaporte venezuelano expirar há vários anos — contava viajar de avião até à Venezuela, após uma escala em Aruba, ilha nas Caraíbas que goza de autonomia e faz parte do Reino dos Países Baixos.
Mas Aruba e as autoridades neerlandesas, escreve o jornal espanhol, anunciaram que o avião não seria autorizado a aterrar. Horas mais tarde, Corina Machado tentava uma alternativa similar, desta vez com escalas ou em Curaçau — a ilha para onde a venezuelana viajou clandestinamente em Dezembro, ainda com Maduro no poder na Venezuela —, ou na ilha vizinha de Bonaire.
“Havia aviões, horários, documentação e planos de voo. Alguns passaportes já haviam sido carimbados para a partida, e os preparativos continuavam enquanto as respostas chegavam e novas alternativas eram exploradas. Os planos para as três ilhas permaneceram formalmente em aberto por algum tempo, mas nenhuma das opções pôde ser implementada”, escreve o jornalista David Alendete, que acompanhava a jornada.
Além das três mais recentes, a equipa de Corina Machado relatou que terão existido outras quatro rotas de regresso frustradas no final de Junho. Numa delas, indicam que o piloto que realizaria a viagem terá recebido uma “comunicação norte-americana”, recusando-se a terminar a viagem já a meio do voo, e o avião “deu meia volta”. Nas outras, não apontam para evidências conclusivas de uma possível intervenção externa.
Em Julho, o jornalista venezuelano Elides Rojas dizia ao PÚBLICO que “Trump fez um acordo com o chavismo para não permitir que María Corina regresse e para manter estas pessoas no poder durante dois ou três anos sem eleições”. Os últimos esforços iniciaram-se na véspera da Assembleia Geral da ONU, onde Trump teve o seu primeiro encontro com Delcy Rodríguez, Presidente da Venezuela, desde que as forças norte-americanas capturaram Nicolás Maduro, facilitando a exploração do petróleo venezuelano por parte dos EUA.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, avançou que, entre Presidentes, se discutiu o reforço da economia venezuelana e uma futura transição política democrática no país, e garantiu desconhecer as recentes tentativas de regresso da líder da oposição venezuelana, bem como os obstáculos que encontrou, escreve o New York Times (Publico, texto do jornalista Francisco José Costa)

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