Se bem me recordo foi o ex-deputado Artur Andrade - eleito em 1988 pela UDP - quem assumiu o primeiro estatuto de deputado independente no parlamento regional. João Pedro Pereira, antigo líder da JSD-Madeira e nessa qualidade eleito deputado regional foi outro caso de estatuto de deputado independente no parlamento regional, em Outubro de 2013.
Este ano - e já antes julgo que tivemos um caso de uma deputada que assumiu o estatuto de independente quando abandonou o Chega - voltamos a ter uma situação dessas, protagonizada por Miguel Castro, ex-líder regional do Chega-Madeira. Que não é caso inédito no Chega-Madeira, já que Magna Costa, em Fevereiro de 2025, e devido "a profundas discordâncias com o líder regional da altura", Miguel Castro, também abandonou o partido.
Confesso que não valorizo demasiado estas divergências, muito menos em pequenos partidos que criaram uma base militante altamente fragmentada, oriunda de vários partidos e que dificilmente, por tudo isso, consegue encontrar uma base estabilizada de militância (lembro os problemas do Chega na Câmara do Funchal, embora aparentemente em fase de resolução política depois da eleição do novo líder regional do partido, além das divergências ocorridas em São Vicente, a única autarquia conquistada pelo Chega na Região), ou uma linha comum de identificação interna de regras de militância.
Neste novo caso do Chega-Madeira, o assunto assume uma outra amplitude noticiosa, porque estamos a falar de um antigo líder, que acompanhou o processo de evolução eleitoral do Chega na Madeira e que ao abandonar o partido pode eventualmente causar estragos, já que ninguém sabe se eleitoralmente e nos resultados do Chega-Madeira houve alguma influência pessoal, de Castro, no crescimento eleitoral do partido. Não tenho dados para essa discussão até porque é sabido, há anos, que estes pequenos partidos escondem, os seus números internos, desde o universo dos militantes, os resultados de "votações" em congressos locais, ou algo parecido com isso, o universo de eleição dos seus órgãos partidários etc.
O que resulta desde logo desta divergência, que não surpreende, na medida em que o afastamento de Castro relativamente ao novo líder, era crescente e mais do que evidente. Aliás, não sou capaz de referir se a divergência foi mais pessoal que política, ou ao contrário.
No caso de Artur Andrade acabou, depois da divergência com a UDP, por fazer o seu percurso político no PCP-CDU - julgo que ainda hoje continua nesse universo. Já o ex-deputado Pedro Pereira do PSD, acabou por abandonar o PSD e mais recentemente chegou a aderir ao Chega onde esteve alguns meses em 2024. No caso de Miguel Castro, que mantem-se no parlamento, penalizando o Chega que passou de 3 para 2 deputados perdendo anda uma significativa verba mensal atribuída pelo parlamento regional aos partidos no quadro da actividade parlamentar (cerca de 70 mil euros anuais). Isso causa estragos nos pequenos partidos e francamente duvido que, ao contrário dos vereadores eleitos pelo Chega-Madeira para CMF, Castro queira reverter a sua decisão e, mais do que isso, que ela seja aceite pela liderança regional e mesmo por Ventura, conhecido por ser pouco tolerante com situações destas.
A minha expectativa é a de saber o enquadramento político-parlamentar de Castro, como se vai posicionar, como vai votar, se manterá um discurso alinhado com o Chega, mesmo estando fora dele, ou se vai assumir uma linha mais divergente e apontada a outros horizontes. Para além disso, não sei que ganhos políticos e eleitorais poderá Castro beneficiar com esta sua atitude e situação política, sobretudo se depois do final da presente Legislatura regional for obrigado a abandonar a política regional por não encontrar partido interessado em dar-lhe guarida e espaço político. Uma coisa eu sei desde há muito: Francisco Gomes, gostem ou não disso, é na realidade o líder ausente do Chega-Madeira. E não fosse o facto de ser deputado em Lisboa - e de Ventura não prescindir dele, segundo me garantiu uma fonte que acompanha há muitos anos a vida parlamentar nacional - e Gomes estaria no Funchal a assumir a liderança do Chega-Madeira e a ter que enfrentar o próximo combate eleitoral regional. Julgo que foi nessa lógica, e a contar com tudo isso, que o actual líder do Chega madeirense - Hugo Nunes eleito em Junho de 2026 - desvalorizou a saída de Castro do partido e a sua continuidade no parlamento como independente, apenas criticando de forma subtil essa decisão por penalizar o seu partido (LFM)

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