segunda-feira, setembro 19, 2022

Marcelo avisa Costa: devia “explicar a sua visão” para o próximo ano, porque o que aí vem pode ser “mau”

Presidente defende que o Governo devia anunciar o cenário sobre inflação, crescimento e emprego que espera para 2023. “Quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”, lembrou Marcelo. António Costa, de partida para quatro dias em Nova Iorque, já não terá oportunidade para responder, mas o desafio directo em jeito de conselho ficou feito: o Presidente da República defende que o Governo “talvez ganhasse em explica aos portugueses qual é a visão que tem para o próximo ano”. Porque, vinca, “isso é muito importante para que os portugueses percebam que, quando o Governo diz que não pode ir mais longe agora, é porque o que aí vem é mau”.

As declarações de Marcelo Rebelo de Sousa foram feitas no sábado à noite aos jornalistas à entrada para o concerto de João Gil no Coliseu dos Recreios e noticiadas pelo Expresso e pelo Observador. “O Governo é o primeiro a ganhar em explicar que 2023, se continuar a guerra e a inflação, não será um ano parecido com este, não terá o crescimento deste “, insistiu.

domingo, setembro 18, 2022

DGS recomenda uso de máscara em farmácias, transportes públicos e aeroportos

 

A orientação faz parte de uma atualização que surge três semanas após o Governo ter decretado o fim da obrigatoriedade do uso de máscara nos transportes públicos e aviões. A DGS afirma que, tendo em conta a atual situação epidemiológica, é aconselhável a utilização das máscaras a qualquer pessoa com idade superior a 10 anos sempre que se encontre em ambientes fechados. O uso obrigatório de máscara mantém-se nos hospitais e nas residências de idosos.

Há em Portugal dois milhões e trezentas mil pessoas em risco de pobreza ou exclusão social

 

Os números são relativos a 2021 e foram divulgados pelo Eurostat. Significam mais 256 mil pessoas do que em 2020 e uma subida de 5 lugares no mapa do risco europeu. Passamos a ser o oitavo país da União Europeia com maior risco de pobreza ou exclusão social.

Mais de um milhão de portugueses continuam sem médico de família

 

Há mais 200 mil portugueses que passaram a ter médico de família. Apesar disso no país todo, ainda há 1,2 milhões de utentes que continuam à espera que lhes seja atribuído um médico.

Condução autónoma 5G: Primeira viagem ocorreu entre Valença e Tui

A primeira viagem em Portugal de condução 100 por cento autónoma através da tecnologia 5G realizou-se na ponte que liga Valença a Tui. Resulta de uma consórcio que envolve 58 parceiros de 13 países. Um avanço tecnológico em ambiente real e com vários obstáculos no percurso.

Pensões de reforma: Oposição acusa Governo de mentir aos pensionistas

 

Os partidos da oposição insistem que o Governo continua a faltar à verdade no que toca ao apoio extraordinário dos pensionistas. Acusações feitas na Assembleia da República, onde foi debatido o pacote de medidas anunciadas pelo executivo para combater o impacto da inflação. Fernando Medina, acusa a direita de "hipocrisia".

Presidente da CGD prevê aumento significativo do crédito mal parado

 

A prestação dos créditos à habitação pode subir 50% no espaço de um ano. O presidente da Caixa Geral de Depósitos admite que por causa disso o crédito malparado na banca vai aumentar.

TAP: sete a dez vezes maiores, candidatos cobiçam hub e mercados


Os potenciais candidatos a comprar a TAP, dossiê em que se têm posicionado os grupos Lufthansa, Air France/KLM e IAG, são verdadeiros gigantes ao lado da companhia aérea portuguesa, uma das poucas que se mantêm fora dos grandes grupos europeus. A diferença é grande desde logo ao nível da frota, mas também das receitas e do número de passageiros transportados. Com conversas explorató­rias com os potenciais interessados na privatização da TAP a decorrer, e, como noticiou o Expresso, havendo vontade por parte do Governo de acelerar a venda — também porque a companhia, a partir de 2023, não poderá receber dinheiro do Estado durante 10 anos e há uma emissão de obrigações a vencer no próximo ano —, certo é que a procissão ainda vai no adro. Não obstante, o Chega e o PCP querem ouvir no Parlamento o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, sobre a possibilidade de, no curto prazo, privatizar mais de 50% da TAP.

As candidatas favoritas à privatização, a Lufthansa e a Air France/KLM, são entre sete e cinco vezes maiores do que a TAP ao nível da frota — o grupo liderado pela companhia alemã tem 713 aviões, mais 176 aeronaves que a sua rival franco-holandesa. A IAG, grupo que junta a Iberia, a British Airways e a Aer Lingus, tem uma frota mais pequena do que os dois grupos concorrentes, mas a curta distância da Air France/KLM — estes têm 537 aviões e os primeiros 531 (ver foco de pontos). Já a nível de receitas a diferença é bastante significativa, pois a TAP é 10 vezes mais pequena do que o grupo Lufthansa e a Air France/KLM e seis vezes menor do que a IAG. Valores que se espelham no número de passageiros transportados, também 10 vezes a desfavor da TAP. Os números são de 2021, ainda distantes dos números pré-covid, em que o maior grupo europeu, a Lufthansa, por exemplo, transportava 145 milhões de passageiros e tinha vendas de 36,4 mil milhões, enquanto a TAP transportava 17 milhões de passageiros e tinha receitas de €3,3 mil milhões.

2,3 milhões de pobres: Portugal foi o país da UE que mais subiu nos índices de pobreza e a carência atingiu jovens e idosos de forma igual

Os últimos dados do Eurostat revelam que o risco de pobreza e exclusão social está a aumentar e atinge um em cada cinco habitantes dos estados-membros da União Europeia. Mas não afeta todos por igual. É distinto por país, género, idade e composição familiar. Portugal está abaixo da média europeia, em oitavo entre os piores, e foi o que mais se afundou nas condições de vida, fruto da pandemia. Temos, agora, 2,3 milhões de pobres.

A União Europeia está a conseguir combater o risco de pobreza e exclusão?

De acordo com os últimos dados do Eurostat, relativos a 2021, a UE tem 95,4 milhões de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social, o que representa 21,7% da população, um em cada cinco residentes nos estados-membros. Em relação ao ano anterior o aumento não foi significativo (cerca de 1%), mas ainda assim mais pessoas passaram a viver com um rendimento abaixo do limiar da pobreza ou sofrem uma privação material e social severa – não têm capacidade para ter pelo menos 7 de 13 item desejáveis ou necessários para uma qualidade de vida adequada – ou integram um agregado familiar com uma atividade laboral muito baixa, em que os adultos trabalham menos de 20% do tempo em que, potencialmente, o poderiam fazer. Basta um destes três critérios para entrar na estatística da pobreza. Mas há 5,9 milhões de europeus a acumular os três.

Pilotos da TAP ficam sem corte extra e recebem compensação por falha da empresa

 

Sindicato dos pilotos diz que os associados aprovaram proposta que inclui recebimento de compensação extraordinária no final deste mês na sequência de decisão do Supremo Tribunal de Justiça sobre falhas no pagamento de subsídios há dez anos. Os pilotos da TAP vão ter uma descida no corte salarial em vigor, que vai passar de 35% para 25% acima dos 1410 euros a partir do dia 1 de Janeiro de 2023, e irão receber uma compensação financeira extraordinária no dia 29 deste mês, de acordo com o comunicado enviado esta sexta-feira pelo Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC). Esta compensação, diz o SPAC, será apurada de forma individual em função do perfil de cada piloto da TAP, e surge após as negociações com a companhia aérea e com o Ministério das Infra-estruturas, “realizadas no âmbito do Acórdão Interpretativo do Supremo Tribunal de Justiça” do início de Julho de 2022, que foi favorável aos pilotos, “relativamente ao cômputo da retribuição de férias e do subsídio de férias pela TAP, há mais de uma década”.

Nova mentira do ministro: Portugal está a crescer mais do que todos os países da UE, como diz Medina?

 

O ministro das Finanças afirmou que Portugal não só está a crescer acima da média da UE, como também está a crescer “acima de cada um” dos Estados-membros.

A frase

“A economia portuguesa não está a crescer [apenas] acima da média da União Europeia. A economia portuguesa está a crescer acima de cada um dos países da União Europeia.”

O contexto

Numa audição regimental na Comissão de Orçamento e Finanças, no Parlamento, Fernando Medina referiu que o Produto Interno Bruto (PIB) português deve crescer acima dos 6% em 2022. E, em resposta ao deputado Hugo Carneiro, do PSD, o ministro das Finanças retorquiu contra a “retórica” de que Portugal apenas cresce mais porque caiu mais durante a pandemia, referindo que o país não só está a crescer acima da média da União Europeia (UE), como também está a crescer “acima de cada um dos países da União Europeia”.

Exportações do gás russo podem estar a chegar à Europa através da China, alerta relatório

As exportações de gás russo estão a chegar à Europa através da china, denunciou a publicação alemã ‘Deutsche Welle’. “O mercado global de gás natural liquefeito (GNL) está cada vez mais bem integrado e as mudanças na procura regional podem ajudar a equilibrar os mercados que, de outra forma, seriam apertados. Esse redirecionamento de fluxos atende aos interesses de todas as partes envolvidas”, reconheceu Nicholas Kumleben, diretor de pesquisa de energia da consultoria macroeconémica da ‘Greenmantle’. Antes do inverno, o armazenamento de gás da Europa está quase a 80%, em parte graças às exportações de GNL da China, relata o Nikkei, depois de a Rússia ter reduzido drasticamente o fornecimento de gás para a Europa desde a invasão da Ucrânia. Por outro lado, as empresas chinesas de GNL aumentaram a oferta para os mercados estrangeiros em resposta à crescente procura.

Famílias portuguesas entre as mais expostas à subida dos juros

 

Peso elevado das taxas variáveis no crédito à habitação em Portugal aumenta pressão para apoio do Governo. Recurso à taxa fixa tem vindo a crescer desde 2016. A Zona Euro é só uma, mas o regime de taxas de juro aplicado no crédito em cada Estado-membro é muito variado. Há países onde os empréstimos para a compra de casa têm quase todos taxa fixa e há outros em que na grande maioria dos casos o juro cobrado depende de um indexante, como a Euribor. É o caso de Portugal. Os dados estatísticos compilados pelo Banco Central Europeu mostram que 68% dos novos crédito à habitação contratados em Portugal no mês de julho tinham taxa variável ou fixa apenas no primeiro ano. Um contraste significativo com o conjunto da Zona Euro, onde o peso é de apenas 17,9%. Esta enorme proporção dos empréstimos com juros indexados, neste caso à Euribor, faz com que as famílias portuguesas estejam entre as mais vulneráveis ao aperto significativo da política monetária pelo BCE para travar a inflação. Portugal é o sétimo país onde a taxa variável tem mais importância, ficando abaixo da Finlândia (97,7%), Letónia, Chipre, Irlanda, Estónia e Malta.

Portugal é o 8.º pior na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social

A pandemia fez com que Portugal subisse de 13.º para 8.º na lista de países europeus com maior risco de pobreza ou exclusão social. O primeiro ano da pandemia criou 230 mil novos pobres. A pandemia, já se sabia, fez subir para 2,3 milhões os portugueses em risco de pobreza ou exclusão social, o equivalente a 22,4% da população. Os dados divulgados esta quinta-feira pelo Eurostat confirmam este agravamento, mas vão ainda mais longe: mostram que Portugal passou a ser o oitavo pior da União Europeia na lista de países com maior risco de pobreza ou exclusão social em 2021. Antes da pandemia, a taxa de pobreza ou exclusão nacional era a 13.ª mais elevada. Agora, Portugal sai-se bastante pior nesta fotografia comparativa, porquanto este aumento de 2,4 pontos percentuais representa o pior agravamento nas condições de vida das famílias a nível europeu. Os dados relativos ao bloco europeu permitem perceber que, apesar da pandemia, 12 países conseguiram diminuir a taxa de pobreza. Em termos médios, a taxa de pobreza e exclusão social subiu para 21,7%, numa ligeira subida face aos 21,6% do ano anterior, afectando agora 95,4 milhões de pessoas. Nos extremos da lista estão a Roménia, que soma 34,4% da sua população em situação de pobreza ou exclusão, e, no outro lado, a República Checa, com apenas 10,7% da sua população ameaçada por estes problemas.

Suécia: Jimmie Akesson: um “tipo normal” que transformou o movimento neonazi sueco num partido de poder

Democratas Suecos foram o segundo partido mais votado nas legislativas e serão decisivos para a formação do próximo Governo. Papel do jovem líder do partido anti-imigração “de quem toda a gente se ria” foi fundamental para a sua “desdiabolização”. Jimmie Akesson tem apenas 43 anos, mas não é propriamente um novato na política ou um desconhecido do grande público sueco. Já lá vão 17 anos desde o dia em que foi eleito para a liderança dos Democratas Suecos, um partido político fundado por antigos membros de um partido neonazi dos anos 1950 e do movimento supremacista Bevara Sverige Svenskt (Manter a Suécia Sueca), e que, depois de várias eleições consecutivas a somar votos e deputados, é hoje a segunda força política mais representada no Riksdag, o Parlamento da Suécia. Assinalar que o partido que nesse longínquo ano de 2005 andava na casa do 1% de votos superou, nas eleições legislativas do passado domingo, os 20%, tornando-se, dessa forma, indispensável para qualquer solução de Governo que venha a encontrada, é, só por si, um atestado ao sucesso de Akesson enquanto líder partidário.

"Guerra" à vista? “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da UE”. Hungria arrasa resolução do Parlamento Europeu...

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Péter Szijjártó, defendeu que a resolução hoje adotada no Parlamento Europeu rejeitando a existência de democracia na Hungria representa uma ofensa e “um insulto” a todos os cidadãos do país. “Os bem remunerados eurodeputados deveriam ocupar-se dos verdadeiros problemas da União Europeia (UE)”, disse o chefe da diplomacia húngaro à imprensa em Budapeste, depois de os eurodeputados terem classificado o regime vigente na Hungria já não como uma democracia plena, mas como uma “autocracia eleitoral”, também devido à “inação da UE”. O ministro acusou os deputados europeus de repetirem as “mentiras de que a Hungria é acusada” e sublinhou que é um insulto para os húngaros que estes questionem “o funcionamento da democracia” no país.

“Os húngaros decidiram quatro vezes seguidas o que querem no país”, afirmou Szijjártó, numa clara referência às quatro últimas eleições legislativas, todas elas ganhas por uma folgada maioria pelo partido conservador Fidesz, do primeiro-ministro, o ultranacionalista Viktor Orbán. Depois de sair ainda mais fortalecido do mais recente escrutínio, apesar de toda a oposição se ter agrupado numa única coligação para tentar afastá-lo do poder, Orbán formou em abril o seu quarto Governo.

A progressista Suécia virou à direita — e para alguns não foi uma surpresa

 

Das franjas da política sueca para segundo maior partido do país. O Democratas da Suécia é o destaque destas eleições, mas é pouco provável que venha a integrar o governo. A sua crescente influência, todavia, traduz bem a história das eleições em que a progressista e tolerante Suécia virou à direita. Como é que chegámos aqui? Um olhar mais atento ajuda a perceber. Ao final do dia desta quarta-feira, 14 de setembro, a primeira-ministra social-democrata, Magdalena Andersson, reconheceu a derrota nas eleições suecas face à vitória do bloco de direita, composto pelos Moderados, os Democratas da Suécia, os Cristãos Democratas e os Liberais. Juntos, reúnem 176 dos 349 assentos parlamentares.

"No Parlamento, eles têm uma vantagem de um ou dois mandatos. É uma maioria curta, mas é uma maioria", admitiu, citada pela Reuters. "Sendo assim, amanhã [esta quinta-feira] pedirei a demissão das minhas funções de primeira-ministra e, depois disso, a responsabilidade vai recair no presidente do Parlamento", acrescentou.

Estado dá menos 40% de subvenções em 2021 com queda de Covid

 

Estado deu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, um aumento de 88% face a 2019. Com abrandamento da pandemia em 2021, este valor caiu 40% para 7,5 mil milhões. O Estado distribuiu 12.591 milhões de euros em subvenções e benefícios públicos em 2020, segundo os valores comunicados à Inspeção-Geral de Finanças (IGF), um valor que quase duplicou (+88% face a 2019) devido à pandemia. Uma progressão que vem acompanhada de falhas graves, como falta de fundamento, transparência e “fraca avaliação” de resultados. Segundo o Público (acesso condicionado), o aumento deveu-se sobretudo à atribuição de 7.002 milhões de euros em garantias do Estado e 1.099 milhões em subsídios e benefícios. As somas das parcelas atribuídas, segundo os dados da IGF, perfazem um total de 12.627 milhões de euros e não 12.591 milhões, sendo que o relatório não explica a discrepância de 36 milhões, e assinala falta de rigor, objetividade e transparência na concessão dos apoios.

Em 2021, o Estado já só concedeu quase 7,5 mil milhões de euros em subvenções e benefícios públicos, um valor inferior aos dados de 2020 em 40,7%, noticia também o Jornal de Negócios (acesso pago). O ano passado foram apoiadas perto de 210 mil entidades, um número semelhante ao de 2020, mas nem todas as entidades que recebem subvenções são divulgadas, sendo necessário um valor mínimo equivalente a 14 vezes o salário mínimo. Segundo cálculos do Negócios, o total de subvenções correspondeu a cerca de 3,5% do PIB de 2021, sendo que as maiores beneficiárias continuam a ser as empresas, com a EDP Universal a liderar a lista com mais de 238 milhões de euros (ECO digital)

Expresso - O retrato do pensionista médio em Portugal: 75 anos de idade, 28 de descontos, 490 euros de reforma

 


“Suplemento extraordinário” de outubro e atualização em torno dos 4% em janeiro abrangem apenas reformas pagas pela Segurança Social e Caixa Geral de Aposentações. Quem são estes reformados, quanto ganham e quanto descontaram? Deixamos-lhe uma caracterização em 10 gráficos. Daqui a poucas semanas, quase três milhões de pensionistas vão receber mais meia reforma por cheque ou transferência bancária. O dinheiro chega juntamente com a reforma mensal, a 8 de outubro para quem a recebe da Segurança Social e a 19 se o pagamento for da responsabilidade da Caixa Geral de Aposentações (CGA).

O grupo de reformados que vai começar a receber o “cheque” é vasto e heterogéneo, mas:

  • está sobretudo concentrado na Segurança Social;
  • recebe uma pensão média que não chega aos 500 euros;
  • tem em média 75 anos de idade;
  • descontou em média 28 anos para a Segurança Social.

Na Caixa Geral de Aposentações, onde está um grupo menos numeroso, os números são ligeiramente diferentes. Recebem mais do dobro do que os da Segurança Social, em termos médios, e descontaram mais quatro anos, em média.

Deixamos-lhe 10 gráficos que caracterizam o universo de reformados que, nas duas últimas duas semanas, estiveram no centro do debate político e mediático, devido à decisão do Governo de criar um “suplemento extraordinário”, somando-o a uma atualização que ficará aquém do que as regras indicam, tudo em nome da sustentabilidade da Segurança Social e das contas públicas.

sexta-feira, setembro 16, 2022

Opinião: O tempo da Venezuela de Maduro?

Convém lembrar, sobretudo aos que desconhecem essa realidade, que a Venezuela, alvo de várias sanções e embargos por imposição dos EUA e dos seus aliados europeus, quase todas assentes em razões políticas, continua a ser uma potência mundial sempre que se fala em combustíveis.

Vamos a factos: em 2017 a Venezuela, com uma produção diária de quase 2 milhões de barris, era o 13º maior produtor de petróleo do mundo, mas em 2020, devido a impacto das sanções já nem figurava entre os primeiros 20 maiores produtores mundiais. Contudo, em 2022 parece recuperar rapidamente o seu lugar no ranking mundial. Em 2021, os países do mundo com maiores reservas de petróleo eram a Venezuela (1º), Arábia Saudita, Canadá, Irão e Iraque.

A Venezuela tem ainda a quarta maior reserva mundial de gás que Maduro diz que pode crescer: "Temos uma impressionante faixa de gás nas Caraíbas, no norte da Venezuela. Todo o gás de que necessitem".

Desde 2017, os Estados Unidos aplicam sanções contra políticos e membros da elite venezuelana e contra empresas e entidades petrolíferas associadas ao regime de Maduro, dentro e fora da Venezuela. Estas sanções visam pressionar Maduro e seus apoiantes e impedi-los de lucrarem com a mineração ilegal de ouro, com a venda de petróleo ou com outras transações comerciais passíveis de financiarem as atividades criminosas do regime e os abusos aos direitos humanos. Também políticas são as razões para as sanções aprovadas pela União Europeia.

Curiosamente, em 2022, em grande medida devido à guerra na Ucrânia e às medidas tomadas contra Putin - um amigalhaço de Maduro - os EUA começaram a afrouxar as sanções contra Caracas. Oficialmente é referido que o governo de Biden pretende incentivar as discussões políticas com Maduro e a oposição. O caricato é que os americanos alegam que as decisões tomadas neste domínio foram aprovadas “em plena coordenação” com Guaidó e seu governo interino, que os EUA reconhecem como a liderança legítima da Venezuela. O primeiro sinal de aproximação dos americanos a Caracas, surgiu recentemente, já depois da guerra na Ucrânia, quando se ficou a saber que Caracas contratou a Siemens Energy para reparar centrais elétricas venezuelanas, no âmbito de um programa governamental de reconstrução da sua rede elétrica, afetada por constantes apagões e falta de manutenção. A empresa alemã foi previamente autorizada pelo Departamento do Tesouro dos EUA a trabalhar com a estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA) e com a Corporação Elétrica da Venezuela (Corpoelec), apesar das duras sanções económicas norte-americanas contra Caracas.

Os EUA e a Europa perceberam que podem precisar da Venezuela (Espanha deu o primeiro sinal disso), sobretudo devido ao impacto perigosamente negativo entre os europeus das sanções aprovadas contra a Rússia de Putin. Podem precisar pelo menos até que uma solução energética nova seja efectivamente implementada, o que vai demorar ainda muito tempo. Tempo que os consumidores não têm...

Mas Maduro também percebeu isso, e de que maneira! Esta semana garantiu estar a Venezuela pronta para auxiliar a Europa e os EUA com petróleo e gás, face às dificuldades energéticas provocadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia!

"Eu digo à Europa, à União Europeia, e ao Presidente Joe Biden dos EUA, que a Venezuela está aqui, que a Venezuela estará sempre aqui, e que o nosso petróleo e o nosso gás estão à disposição para estabilizar o mundo e para auxiliar no que houver que auxiliar", disse Maduro num encontro com trabalhadores da empresa estatal Petróleos da Venezuela, obviamente transmitido pela televisão estatal.

Maduro explicou que "com a guerra na Ucrânia, vê-se a crise económica e energética no mundo" repetindo que "a Venezuela está a adquirir cada vez mais importância na equação da estabilidade energética e económica do mundo".

"O inverno está a chegar ao norte. Há uma crise de abastecimento de gás e de petróleo. Uma crise que pode ser trágica e assustadora", disse Maduro que, paradoxalmente (ou não?) começa a ser olhado como alternativa pelos EUA e seus parceiros europeus.

Claro que este sinal de boa-vontade de Caracas tem um custo: “o mundo tem de se livrar da relação baseada em chantagem, ameaças, coerção e em sanções". Já em Junho o vice-presidente do PSUV (o partido do Governo), Diosdado Cabello, dissera estar a Venezuela disposta a fornecer petróleo e gás a Espanha e ao resto da Europa. Mas com uma condição: o pagamento antecipado e através de um mecanismo que permita ao Governo venezuelano, alvo de sanções internacionais, usar esses recursos. "A Venezuela tem petróleo, não apenas para a Espanha, mas também para a Europa (...) mas têm que pagá-lo. E terão de pagar ao preço que é, e dadas as circunstâncias terão que pagar antecipadamente (...) e num mecanismo que permita à Venezuela utilizar os recursos que vão pagar por esse petróleo", disse Cabello.

Definitivamente este é o tempo da Venezuela e de Maduro, ajudados pela guerra na Ucrânia que ameaça eternizar-se sem solução. E para desespero dos europeus e ocidentais em geral que começam a pressionar os seus governos a mudarem as suas prioridades. Com o avanço da extrema-direita na Suécia, com a multiplicação de manifestações na Europa -  a maior reuniu em Praga cerca de 80 mil pessoas – e com a possibilidade do sucesso da extrema-direita na Itália, é tempo também de Bruxelas começar a limitar os lirismos sentimentalistas e a ter um plano B – que não passa pelo alimentar da escalada da guerra sem fim à vista - antes que a crise política e institucional se generalize e o projecto europeu de desfaça (LFM, versão completa do texto publicado no Tribuna da Madeira de 16.9.2022)