Maioria considera insuficiente a atualização de pensões e salários e defende que devia haver limites aos aumentos de preços da energia e bens essenciais. A esmagadora maioria dos portugueses (81%) considera que o Governo tem de aprovar novas medidas para atenuar os efeitos da crise económica agravada pela guerra na Ucrânia. Limitar os aumentos dos preços da energia e de bens essenciais e baixar impostos são medidas defendidas como prioritárias por mais de metade dos inquiridos na sondagem feita pela Aximage para o JN, DN e TSF. O Orçamento do Estado foi aprovado anteontem; dias antes (as 805 entrevistas foram feitas entre 19 e 24 de maio), cerca de 80% dos inquiridos responderam que a atualização das pensões e o aumento previsto para a Função Pública são insuficientes.
domingo, maio 29, 2022
Sondagem: Mais de 80% pedem novas medidas para atenuar a crise
sábado, maio 28, 2022
Madeira: Albuquerque põem ordem no acesso aos pontos turísticos
O presidente do governo garante que a vai coordenar com os agentes de viagens a hora de acesso dos locais mais procurados pelos turistas para evitar congestionamentos. Miguel Albuquerque lembra que a Região está a ter uma grande procura, o que é "um bom problema"
Madeira: Guias consideram insustentável concentração de turistas
Os guias de montanha dizem que a capacidade de carga de alguns pontos turísticos já atingiu o limite. A elevada concentração de turistas em algumas zonas está a provocar o caos no trânsito e longas filas nos percursos a pé. Sugerem medidas urgentes para que o destino Madeira não perca qualidade.
Juiz candidato ao Tribunal Constitucional sugere punir jornalistas para proteger segredo de justiça
Terça-feira vai ser votado o candidato único ao cargo de juiz-conselheiro do Tribunal Constitucional. O juiz António Almeida Costa defende que deve haver limites à liberdade de imprensa e que é preciso punir os jornalistas para garantir o segredo de justiça.
Ministro justifica rutura com Berardo
O ministro da Cultura garante que foram respeitados todos procedimentos na denúncia do contrato assinado entre o Estado e Joe Berardo. Diz que não conhece o colecionador e que nunca falou com ele. Pedro Adão e Silva afirma, ainda que tendo Joe Berardo uma atitude de litigância em relação a todos e tantos processos judiciais, não fazia sentido renovar esse protocolo.
Madeira quer Estado no capital do CINM
A Madeira está disponível para a entrada do estado no capital do Centro Internacional de Negócios. O convite é do presidente do Governo Regional. Miguel Albuquerque participou com o secretário de Estado da Economia, na conferência sobre tecnologia, organizada pela Câmara do Funchal.
CINM volta a admitir novas empresas
O Centro Internacional de Negócios da Madeira vai voltar a aceitar novas empresas. O prazo de licenciamento foi alargado até dezembro de 2023 no Orçamento do Estado, que foi hoje aprovado.
Prejuízos da TAP baixam para 121,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2022
Os prejuízos da TAP reduziram-se no primeiro trimestre deste ano para 121,6 milhões de euros, face ao valor negativo de 365,1 milhões de euros obtido em igual período do ano passado, indicou esta sexta-feira a transportadora, em comunicado. Numa nota, publicada na Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a TAP referiu que “o resultado líquido registou uma melhoria material quando comparado com o 1T21 [primeiro trimestre de 2021], com a perda líquida a diminuir 66,7% para -121,6 milhões de euros, apesar do impacto líquido negativo das diferenças cambiais de 14,7 milhões de euros, em resultado da depreciação do EUR [euro] face ao USD [dólar], com um forte impacto nas rendas futuras e, portanto, ‘non-cash’ neste período, parcialmente compensado pela valorização dos ‘recebíveis’ do Brasil, por via da apreciação do BRL [real] face ao EUR”.
PIB português regressa à cauda do pelotão a partir de 2023
Analisar números do produto interno bruto é quase como contemplar um quadro de Escher. Não sabemos bem se estamos a subir, se a descer ou qual é o referencial com que nos devemos comparar. A economia dá um salto no primeiro trimestre. Isso é bom? É mau? É assim-assim. Depende é, porventura, a resposta mais correta. E prudente. Para não se entrar em euforias injustificadas nem em angústias desnecessárias. Todas as boas notícias são bem-vindas mas convém, no entanto, ter uma perspetiva mais longa do que os dados mais recentes ou a última estimativa. Portugal começou o ano a grande velocidade e cresceu 11,9% no primeiro trimestre em comparação com igual período do ano passado. Foi a economia mais rápida da União Europeia (UE) no trimestre em que a guerra na Ucrânia começou. Foi o bom desempenho do primeiro trimestre, a par de sinais positivos sobre a recuperação do turismo, que levou a Comissão Europeia a rever em alta as projeções de crescimento português este ano. Nas previsões de primavera publicadas na semana passada aumentou a estimativa de 5,3% para 5,8%, ao mesmo tempo que cortou o valor esperado para o conjunto da zona euro, da UE e para quase todas as economias. Portugal foi um dos dois únicos países UE tiveram revisões em alta — o outro foi a Irlanda (de 5,1% para 5,4%) — e é mesmo o produto interno bruto (PIB) com maior projeção de crescimento este ano.
Um olhar estatístico sobre as finais da Champions: Qual o país mais bem-sucedido? Quem marcou mais golos? E quem perdeu mais vezes?
Ronaldo lidera em vitórias em finais
Como seria de esperar, o Cristiano Ronaldo, o 'Sr.Champions', que tantos recordes ostenta na competição, também não podia de deixar de ter este: com cinco triunfos, o astro luso é o jogador que mais finais da Liga dos Campeões ganhou até à data.
5 Cristiano Ronaldo (Manchester United, Real Madrid)
5 Karim Benzema (Real Madrid)
5 Luka Modrić (Real Madrid)
5 Gareth Bale (Real Madrid)
5 Isco (Real Madrid)
4 Dani Carvajal (Real Madrid)
4 Andrés Iniesta (Barcelona)
4 Marcelo (Real Madrid)
4 Sergio Ramos (Real Madrid)
4 Clarence Seedorf (Ajax, Real Madrid, Milan)
Sondagem: Mais de metade dos portugueses contra fim do uso de máscaras
Satisfação com a forma como o país tem lidado com a pandemia é crescente, mas a situação ainda causa muita preocupação sobretudo entre os mais velhos. Mais de metade dos portugueses está contra a decisão do Governo de deixar cair a obrigatoriedade do uso de máscara de proteção contra a covid-19 nos espaços fechados. Muitos continuam a usá-la, sempre e às vezes, e só uma minoria (22%) admite que nunca a coloca. Apesar das críticas ao levantamento das máscaras, são cada vez mais os que consideram que Portugal tem lidado bem e muito bem com a pandemia.
A decisão de pôr fim às máscaras, com exceção dos serviços de saúde e transportes públicos, não agradou a 55% dos inquiridos na sondagem Aximage realizada, entre 19 e 24 de maio, para o JN, DN e TSF. Outros 37% concordam com a decisão do Governo e 8% não manifestaram opinião. A maioria dos críticos são da Região Norte, mas na Área Metropolitana do Porto, onde a pandemia também cresce a ritmo acelerado, há mais pessoas a concordar do que a discordar do alívio das máscaras. Olhando aos grupos etários salta à vista que são os mais velhos que mais discordam do fim das máscaras. E o inverso também é notório: 49% dos inquiridos entre os 18 e os 34 anos acham que a decisão foi acertada.
OE-22: As razões para a abstenção dos deputados do PSD/Madeira
Os deputados do PSD/Madeira justificaram esta sexta-feira a sua abstenção na votação do Orçamento de Estado de 2022 com as "garantias de boas concretizações" dos assuntos da região pendentes com a República e com a alteração positiva no relacionamento institucional. "A razão maior que nos leva a assumir este sentido de voto, para além da abertura registada, prende-se com o interesse superior da região e do país e pelo facto de termos já garantias de boas concretizações no que respeita a dossiês fundamentais para o futuro da Madeira, como é o caso da Zona Franca", disse o deputado social-democrata madeirense Sérgio Marques à agência Lusa.
O Orçamento do Estado para 2022 foi hoje aprovado em votação final global no parlamento, com os votos a favor do PS e as abstenções dos deputados do PSD da Madeira e dos deputados únicos do PAN e Livre. O parlamentar do PSD eleito pelo círculo da Madeira salientou a "abertura, o diálogo e a concertação que foram possíveis de estabelecer com o Governo da República durante a discussão do Orçamento do Estado".
sexta-feira, maio 27, 2022
Portugal perde cinco militares por dia desde o início do ano
Os números são considerados "graves" por atuais e antigos dirigentes militares que alertam para as consequências que podem gerar, como a de Portugal esgotar os seus recursos perante os compromissos que mantém com a NATO. “Podemos ter ainda resposta para esses compromissos, que são muitos, mas ficamos sem nada”, alerta o Tenente-General José Garcia Leandro, garantindo que a “situação que o País passa é grave” e salientando que “há muito tempo que os efetivos estão a cair”.
Negociador russo para o conflito na Ucrânia é nomeado líder de partido de extrema-direita...
Leonid Slutski vai substituir Vladimir Zhirinovski, fundador do partido, em 1989, que morreu no início de abril, aos 75 anos. Zhirinovski, um dos políticos mais populares da Rússia desde a queda da União Soviética, em 1991, era conhecido pelos seus escândalos, explosões e críticas ferozes ao Ocidente. Slutski, que anunciou que vai reformar o programa do partido para dar prioridade às políticas sociais, assegurou que o LDPR irá continuar a ser “um partido de oposição” que exercerá uma “oposição construtiva”. Os comunistas, o segundo maior partido representado na Duma, depois do Rússia Unida, e a oposição extraparlamentar têm acusado os ultranacionalistas de apoiarem cegamente a política do Kremlin. Em relação às negociações com a Ucrânia, Slutski admitiu que estão a decorrer em “low profile” (de forma discreta), mas considerou que o formato atual não precisa ainda de ser alterado. O LDPR, que venceu as eleições legislativas em 1993, sofreu um golpe nas eleições de setembro de 2021, quando perdeu 18 deputados na Duma, tendo agora 21, menos 36 que os comunistas (Sapo)
É possível um golpe de Estado na Rússia? Elites descontentes poderão repetir a história
É possível um golpe de Estado na Rússia? Há vários meses, a maioria dose analistas teria considerado a ideia como absurda. Atualmente, com a guerra na Ucrânia a causar pressão, a questão é relevante e até pode ser urgente. E esta questão foi complementada por outra: um líder que criou uma catástrofe tão imensa para o seu regime e país pode sobreviver? A especulação sobre um possível golpe é apenas isso – especulação. Como não há evidências diretas de que alguém em Moscovo esteja a planear um golpe, o melhor que se pode fazer, segundo o especialista sobre assuntos da Rússia do site ‘Bellingcat’, Christo Grozev, é tirar conclusões das condições existentes na Rússia e esperar que estejam certas.
A lista de males da Rússia é longa. O país vive atualmente um isolamento político quase completo, colapso económico iminente, crescentes dificuldades materiais e insatisfação, e uma derrota militar iminente. Assiste-se também à galvanização da NATO, que deverá acrescentar novos membros, e ao reforço da aliança dos EUA com a Europa.
Sondagem: Candidatos dividem portugueses, mas Montenegro vence entre eleitores do PSD
Sondagem para o DN, JN e TSF mostra que a maioria dos portugueses não tem preferência por nenhum dos candidatos à liderança. Mas, entre os que votaram no partido nas últimas legislativas, o ex-líder parlamentar ganha. A maioria dos portugueses, 58%, não consegue ter uma opinião sobre quem é melhor para liderar o principal partido da oposição, segundo a sondagem da Aximagem para o DN, JN e TSF. E os 42% que se pronunciam repartem-se pelos dois candidatos à sucessão de Rui Rio. Ou seja, Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva aparecem ambos com 21% nas preferências dos inquiridos para conduzir o PSD a partir de 28 de maio. No entanto, olhando apenas para os inquiridos que revelaram ter votado no PSD nas últimas legislativas de janeiro, a preferência vai claramente para Luís Montenegro, com 41% a pronunciar-se nesse sentido contra 22% para Jorge Moreira da Silva (37% não tem opinião). Nesta amostragem recolhida entre 19 e 24 de maio e que envolveu 805 pessoas, percebe-se que não há grandes diferenças na escolha dos inquiridos consoante a zona geográfica - a norte Jorge Moreira da Silva, antigo ministro do Ambiente, recolhe mais simpatia do que Luís Montenegro, enquanto o antigo líder parlamentar da bancada social-democrata granjeia mais apoios a centro, sul e ilhas. Já olhando para as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, o que se vê é um empate nas duas regiões. No que diz respeito aos grupos etários também não se verificam grandes oscilações. Montenegro recolhe maior preferência entre os inquiridos dos 18 aos 49 anos e Moreira da Silva nos que têm 50 ou mais.
Sondagem: Candidatos à liderança do PSD geram indiferença na maioria
Nem Luís Montenegro, nem Jorge Moreira da Silva: mais de metade dos portugueses não tem opinião sobre qualquer dos dois candidatos à liderança do PSD, segundo um estudo da Aximage para JN/DN/TSF. Uma situação que se pode dever à fraca mediatização da campanha das diretas de amanhã. A candidatura do ex-ministro reconhece o problema da mediatização e admite ter sido prejudicada. Já a do ex-líder parlamentar desvaloriza e considera que a mensagem chegou a quem interessa: os militantes. Segundo o estudo da Aximage, feito com base em 805 entrevistas de norte a sul do país e ilhas, 58% dos inquiridos manifestaram não ter qualquer opinião sobre qual dos dois candidatos nas diretas será o melhor sucessor de Rui Rio na liderança dos sociais-democratas. Uma percentagem que atinge os 62% nos arquipélagos, os 68% no eleitorado feminino e os 62% na faixa etária entre os 18 e os 34 anos.
Sondagem: Quase 40% dos portugueses acham que a guerra vai durar mais de um ano
Mais de três meses depois do início da invasão da Ucrânia pela Rússia, são cada vez mais os portugueses que acreditam que a guerra vai durar mais de um ano. Em março eram 16%, este mês são 39%. Mais do dobro, de acordo com os dados da sondagem sobre o conflito feito pela Aximage para o JN, DN e TSF. São também cada vez mais os que dizem sentir o impacto da guerra na sua vida particular (passou de 59% em março para 82% em maio), especialmente através da perda do poder de compra.
A percentagem dos que têm a expectativa de que a guerra vai durar entre seis meses e um ano também duplicou: passou de 13% em março, subiu para 22% em abril e atingiu os 26% em maio. Naturalmente em sentido inverso, quase caiu para metade os que acreditam que a invasão vai durar menos de seis meses - eram 30% dos inquiridos em março, subiram para 31% em abril, mas diminuíram para 18% em maio.
quinta-feira, maio 26, 2022
Estudo Custo-Benefício da Zona Franca da Madeira: Conheça as conclusões e caminhos alternativos
As economias
insulares do tipo daquelas que nos interessam no contexto do presente trabalho,
que tem como ponto focal a Região Autónoma da Madeira, apresentam três características
que, por limitarem a possibilidade de beneficiarem dalguns daqueles fatores de
crescimento, são fundamentais para a explicação das dificuldades que as
economias insulares enfrentam para alcançaremos níveis de rendimento das
economias não-insulares que lhes servem de referência. As três características,
cujos efeitos interagem e se reforçam mutuamente, são a dimensão, a distância (ou
isolamento) e a vulnerabilidade.
. As economias
insulares são pequenas, o que restringe fortemente as economias de escala de
que podem beneficiar, o que por sua vez constitui um desincentivo ao investimento
naquelas economias. Além disso, a pequenez das economias insulares reduz a disponibilidade
de massa crítica para atividades de I&D e para o desenvolvimento de
clusters. Uma forma de contrariar a falta de dimensão consiste na
especialização da economia. Porém, tal comporta riscos, especialmente por
contribuir para uma forma de vulnerabilidade:
- a dependência
excessiva relativamente a um certo tipo de produção/exportação. Além disso, a
especialização requer uma forte inserção da economia insular no contexto
internacional, para o que é fundamental a existência de redes de transporte e de
comunicação com elevada qualidade. Contudo, a existência destas redes é dificultada
pela grande distância física entre as ilhas e os centros económicos relevantes,
distância essa que tem de ser percorrida em transporte aéreo ou marítimo, com custos
elevados. Certas dimensões da vulnerabilidade das economias insulares resultam da
pequenez (nomeadamente, a dependência de um número reduzido de bens/serviços
exportados, ou das remessas dos emigrantes, ou de apoios externos) e da
distância (dependência das redes de transporte e de comunicação). Outra vertente
importante da vulnerabilidade das economias insulares resulta do facto de
estarem frequentemente expostas a riscos naturais, que as projeções para o
clima indicam poderem estar a agravar-se.
Em face das
dificuldades impostas por aquelas três características, as estratégias de desenvolvimento
das economias insulares têm passado essencialmente pela internacionalização, que
tem de estar assente numa força de trabalho devidamente preparada para tal
(adequação do capital humano), bem como em infraestruturas adequadas, em
especial, boas redes de transporte e de comunicação. Essas redes podem
contribuir para a exportação do resultado da exploração de recursos naturais
relativamente abundantes em que a economia se especialize, mas podem também ser
fundamentais para o desenvolvimento de atividades ligadas ao turismo, ou para a
exportação de serviços que possam ser prestados à distância (por exemplo,
serviços financeiros, serviços a empresas, call centres).
Quase certamente, a
atração de empresas industriais de grande dimensão e impacto na economia
regional será difícil, dadas as dificuldades colocadas pelas três
características fundamentais discutidas acima. Com efeito, aquelas três
características confluem num aumento significativo dos custos das empresas
industriais, pelo que o incentivo a oferecer para conseguir atrair
investimentos industriais de monta terá certamente de ser bastante mais
expressivo do que o proporcionado por um regime de benefícios fiscais. Não será
pois de estranhar que, no caso da ZFM, o número de empresas industriais licenciadas
seja apenas cerca de 3% do total das empresas licenciadas.
Em comparação, a atração
de empresas de serviços que possam ser prestados à distância será mais fácil.
Além das redes de transporte e de comunicação, para conseguir atrair estes investimentos
será importante oferecer boas condições de vida na ilha e será provavelmente indispensável
oferecer benefícios que reduzam os custos de estabelecer e operar essas empresas
na economia insular. Porém, provavelmente refletindo as dificuldades em atrair outro
tipo de investimentos, as economias insulares da União Europeia mais bem-sucedidas
parecem ter seguido a via da aposta no turismo. Ainda segundo Armstrong e Read
(2003), as outras economias insulares bem-sucedidas foram as que se
especializaram na prestação de serviços financeiros (provavelmente configurando-se
como “paraísos fiscais”) ou na exploração de recursos naturais (principalmente
na extração de petróleo e nas pescas).
A opção pela
exploração de recursos naturais só é possível para as economias que efectivamente
dispõem de recursos naturais importantes. A aposta no turismo suscita críticas,
principalmente pelo facto de muitos dos empregos criados por esta via exigirem poucas
qualificações e serem relativamente mal remunerados. Além disso, a atividade
turística está sujeita a flutuações, muitas vezes causadas por fenómenos
imprevisíveis e totalmente fora do controlo dos agentes económicos da região –
recorde-se, por exemplo, o efeito de desastres naturais, ataques terroristas e sublevações
populares, para lá das flutuações cambiais e da imposição/remoção de obstáculos
às viagens.
Em face disto e das
dificuldades causadas pelas três características fundamentais das economias
insulares, provavelmente a opção mais fácil será por uma estratégia de
crescimento que inclua a atração de empresas de serviços financeiros.
No entanto, nos
últimos anos, um conjunto importante de países desenvolvidos tem adotado
posições cada vez mais restritivas relativamente à concorrência fiscal e aos
paraísos fiscais. Uma delas será a decisão de adotar 15% como possível taxa
mínima de tributação das empresas. Ainda que tal medida, de aplicação a determinados
grupos empresariais, implicando desagregação de contas por jurisdição, e ainda
outras complexidades aplicacionais, possa não ter uma influência decisiva sobre
a ZFM, não deixa, todavia, de criar um novo ambiente para a tributação das
multinacionais que os decisores terão de equacionar.
É neste contexto
algo desfavorável a regimes fiscais especiais que se discute agora o futuro da
ZFM. Apresentámos neste trabalho vários cenários de quantificação do efeito do eventual
fim dos benefícios fiscais oferecidos pela ZFM. Os cenários traçados, ao
contrário do que aconteceu nos estudos anteriores, assumem, com base na realidade
contabilística das empresas e na natureza dos benefícios fiscais, que, na
sequência da eventual extinção dos benefícios fiscais associados à ZFM, dela
saem entre 10% e pouco mais de 30% das empresas aí sediadas. Mesmo seguindo
estes cenários, a perda imediata de empregos oscila entre 1 255 e 3 426, representando
entre 1% e cerca de 3% da população na RAM). Nos cenários mais conservadores, a
perda de VAB chegaria a 219 milhões de euros, enquanto nos cenários mais prováveis
seria cerca de 400 milhões de euros, correspondendo a um intervalo compreendido
entre cerca de 10% e mais de 22% do VAB total da Região Autónoma da Madeira.
Embora os custos do
fim da ZFM sejam claros e significativos (sempre superiores a 219 milhões de
euros) do ponto de vista agregado, sob o prisma das finanças públicas
(regionais), o resultado imediato é incerto: é positivo na maioria dos
cenários, mas nunca ultrapassando os 18 milhões de euro, e é negativo noutros
cenários. Não é demais voltar a salientar que os eventuais benefícios imediatos
que podem ser sentidos nas contas públicas regionais podem ser absorvidos nos
custos agregados enunciados anteriormente.
Ora, tendo em conta
a natureza de região ultraperiférica, a concorrência internacional, a estrutura
setorial da região e a reconfiguração mundial das cadeias de valor na era
pós-pandémica, não se anteveem soluções alternativas que não passem pela
subsidiação à instalação de empresas de produção de bens transacionáveis, e atividades
de alto valor acrescentado, de forma a compensar um eventual encerramento da
ZFM (ou a redução dos benefícios fiscais a ela associados).
Esta política teria
necessariamente um custo fiscal associado que, do ponto de vista estrito das contas
públicas, se deveria comparar com as eventuais poupanças fiscais associadas ao encerramento
da ZFM.
De salientar,
ainda, que, como referimos acima, existe um movimento significativo, apoiado por
larga maioria de países, que procura definir e aplicar, nas condições definidas
no designado "Pilar 2", um patamar mínimo de 15% como taxa efetiva do
imposto sobre o rendimento das sociedades. O projeto BEPS (OECD, 2013)
desencadeou uma tendência mundial de combate ao planeamento fiscal, sendo os
territórios de baixa tributação vistos com crescente ceticismo. Todavia, a
história da coordenação internacional de políticas fiscais mostra a extrema dificuldade
na aplicação concreta deste tipo de medidas. Mais do que isso, os países
procuram retardar a efetiva concretização de medidas que lhes retirem competitividade
fiscal. Adicionalmente, é previsível que a concorrência fiscal se passe a evidenciar
na determinação da base tributável. O tipo de deduções ao lucro tributável, à
matéria coletável e à coleta do imposto passarão a ter maior pertinência. Neste
caso, o incremento das deduções associadas a atividades de I&D e de despesa
com trabalho altamente qualificado deveriam ser equacionados. E até,
porventura, um maior grau de exigência quanto a este tipo de atributos das
empresas aquando do respetivo processo de licenciamento. De facto, o TFUE, uma
vez classificada a RAM como região ultraperiférica, não impede a existência de
incentivos fiscais, ou de apoios especiais de natureza financeira, aos
investidores que contribuam para o desenvolvimento da Madeira. Estas são vias
negociais que se podem explorar.
O eventual fim da
ZFM, no figurino jurídico-fiscal hoje se conhece, não tem necessariamente que
privar a RAM de mecanismos de atração de investimento, desde que respeitando as
regras da UE. No estado atual de desenvolvimento da Região, a existência de formas
especiais (mais generosas quando comparadas com o todo nacional) de incentivo aos
investidores deve ser ainda um objetivo. A equipa de projeto constatou que
cerca de 50% (710 empresas em 1432, ver tabela V.4) das empresas com licença
ZFM ao longo de todo o ano de 2019, não tiveram atividade de vendas e
prestações de serviços, apesar de terem beneficiado de cerca de 3.5 milhões de
euros de benefícios fiscais. Numa futura eventual revisão do enquadramento
fiscal da ZFM, esta situação pode ser melhorada indexando a existência de
benefícios a atividade mercantil materialmente relevante. Do ponto de vista dos
benefícios externos ou sociais, embora se verifique uma atividade de I&D
que compara positivamente com a média da RAM, não existe uma clara evidência de
atração de trabalhadores mais qualificados ou a receber salários mais altos que
na RAM. Numa futura revisão do enquadramento fiscal da ZFM, uma melhoria dos
efeitos externos potenciais pode ser acautelada indexando a existência de benefícios
a atividades de investigação e desenvolvimento e/ou atração de trabalho
altamente qualificado, preferencialmente com parceiros nacionais, materialmente
relevantes.
Neste sentido é de
equacionar a manutenção do regime fiscal associado à ZFM ou a sua substituição
por um regime de apoios diretos, a negociar para as regiões ultraperiféricas junto
da UE e que privilegiem, na linha dos requisitos para os benefícios atribuídos
a empresas da ZFM, a criação de emprego qualificado, a reconfiguração setorial
e a melhor inserção da RAM nas cadeias de valor globais. Preconiza-se o apoio a
atividades com um grau assinável de efeitos positivos externos e inter temporais
eventualmente ligados ao tecido empresarial local mais dinâmico e inovador e às
valências da Universidade da Madeira (Estudo Custo-Benefício da Zona Franca da Madeira, realizado por António
Martins, Paulo Gama, Pedro Bação, Tiago Sequeira, todos da Faculdade de
Economia da Universidade de Coimbra e do CeBER – Center for Business and
Economic Research (o estudo foi encomendado como Prestação de Serviços
Externo pela Autoridade Tributária)
Estudo Custo-Benefício da Zona Franca da Madeira: Conheça o Sumário Executivo
A Autoridade
Tributária encomendou à Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra um
estudo de custo-benefício do impacto de alterações no regime fiscal da Zona Franca
da Madeira (ZFM). Depois de caracterizado o regime fiscal em vigor e a sua
evolução passada, e de revistas as principais características macroeconómicas
da Madeira, uma região ultraperiférica com menos de 80% do PIB per capita da União
Europeia e altamente dependente do setor do Turismo, o estudo analisou dados
contabilísticos de 1,432 empresas sediadas na ZFM traçando cenários de saída.
Estes cenários
preveem uma saída de empresas em contexto de fim da ZFM muito inferior ao que tem
sido sugerido por estudos anteriores. Ainda assim, nos diversos cenários
prováveis de saída que se quantificam, ainda que considerando um subgrupo por
vezes pequeno de empresas, os impactos no VAB e no emprego são muito significativos,
apontando-se para perdas de VAB sempre superiores a 200 milhões de euros (com um
valor mais provável de 400 milhões) e de mais de 1.250 postos de trabalho.
Estes cenários
mostraram um grau de consistência elevado, sugerindo que é sempre a mesma tipologia
de empresas que sai em consequência do eventual fim da ZFM (em alguns casos um grande
número de empresas coincide sair em diversos cenários). Além do efeito no VAB e
no emprego, analisamos outras possíveis implicações do eventual fim da ZFM. Uma
está relacionada com a eventual perda de efeitos externos das empresas da ZFM
sobre a economia da RAM. A este respeito, a nossa análise indica que as
empresas da ZFM não evidenciam fortes efeitos de spillover, pelo que essa perda
não deverá ser extremamente relevante. Outra dimensão do eventual fim da ZFM é
o seu efeito sobre as contas públicas. Os nossos cálculos sugerem que o efeito
imediato nas contas públicas (da Região Autónoma da Madeira) por via da retirada
dos benefícios fiscais pode ser positivo, situando-se entre cerca de -9.6 milhões
de euro e +18.7 milhões de euro. No entanto, mesmo que positivo, este efeito
será facilmente ultrapassado por custos económicos derivados do aumento das
prestações sociais e receita fiscal associada a uma eventual diminuição do
consumo ao longo dos primeiros anos após o eventual fim dos benefícios fiscais
associados à ZFM. Tendo em conta os resultados obtidos, é parecer dos autores
que é de equacionar a manutenção, no horizonte temporal possível, do regime fiscal
associado à ZFM ou a sua substituição por um regime de apoios diretos. Estas
soluções, a negociar para as regiões ultraperiféricas junto da UE, devem privilegiar
a criação de emprego qualificado, a reconfiguração setorial, as atividades de
I&D e a melhor inserção da RAM nas cadeias de valor globais.
Pontos-chave
Os
regimes fiscais da ZFM evoluíram no sentido de incrementar os requisitos
dirigidos aos investidores, como objetivo de incentivar a criação de riqueza e
de emprego na ZFM e de minimizar potenciais comportamentos abusivos.
Em termos
reais, a RAM apresenta um PIB per capita de cerca de 80% da média da União Europeia,
tendo o mesmo apresentado uma tendência de convergência que, no entanto, parece
ter parado em 2015.
A taxa
de desemprego na RAM é superior à média nacional.
A economia
e as empresas da RAM são menos produtivas do que a média nacional; também o nível
de capital humano e de investimento em I&D são inferiores à média nacional.
A ZFM
tem um peso substancial no VAB criado e no comércio externo da RAM e um peso
não negligenciável no emprego.
As
empresas da ZFM têm mais ativos fixos tangíveis, são mais produtivas e têm uma atividade
internacional muito mais intensa do que, em média, as empresas da RAM.
Neste
estudo considera-se que, como fim da ZFM da Madeira nos moldes atuais, poderá haver
um número substancial de empresas que permanece em atividade na RAM.
Com base
em micro-dados empresariais, definiram-se cenários de saída fundados em critérios
de rendibilidade e de internacionalização.
Nos
diversos cenários prováveis de saída que se quantificam, ainda que considerando
um subgrupo relativamente pequeno de empresas, os impactos no VAB e no emprego
são muito significativos, apontando-se para perdas de VAB sempre superiores a 200
milhões de euro (com um valor mais provável de 400 milhões) e de mais de 1,250
postos de trabalho.
Embora
contribuindo para a produção e emprego, as empresas da ZFM não evidenciam fortes
efeitos (externos, noutras atividades) na RAM.
O
impacto imediato nas finanças públicas do fim da ZFM depende das consequências
em termos de desemprego, não se podendo excluir a possibilidade de ser positivo.
É de
equacionar a manutenção, no horizonte temporal possível, do regime fiscal
associado à ZFM ou a sua substituição por um regime de apoios diretos.
Estas soluções, a negociar para as regiões ultraperiféricas junto da UE, devem privilegiar a criação de emprego qualificado, a reconfiguração setorial, as atividades de I&D e a melhor inserção da RAM nas cadeias de valor globais (Estudo Custo-Benefício da Zona Franca da Madeira, realizado por António Martins, Paulo Gama, Pedro Bação, Tiago Sequeira, todos da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e do CeBER – Center for Business and Economic Research (o estudo foi encomendado como Prestação de Serviços Externo pela Autoridade Tributária)

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