quinta-feira, maio 28, 2026

Barómetro DN/Aximage. Maioria defende diálogo com Rússia; EUA já surgem como segunda maior ameaça à Europa

63% dos inquiridos apoiam reaproximação diplomática com Rússia. Jovens apontam EUA como principal ameaça. A ideia de uma retoma do diálogo entre a União Europeia e a Rússia é apoiada pela maioria dos portugueses, que já identificam os Estados Unidos como a segunda maior ameaça à segurança europeia, atrás apenas de Moscovo, de acordo com os resultados do barómetro DN/Aximage de maio.

Segundo o estudo, 63% dos inquiridos concordam com a posição expressa recentemente pelo primeiro-ministro português, Luís Montenegro, assim como pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, de apoiar a reabertura de canais diplomáticos cortados com o regime de Vladimir Putin desde a invasão da Ucrânia, incluindo o eventual regresso de Moscovo às reuniões do G20. Apenas 22% têm uma opinião negativa ou muito negativa sobre essa possível aproximação.

Apesar disso, 43% dos inquiridos ainda apontam a Rússia como sendo a principal ameaça atual à segurança europeia. Mais relevante, no entanto, será talvez o facto de os Estados Unidos surgirem em segundo lugar na resposta a esta pergunta, com 26% - muito acima do Irão (13%), Israel (6%) ou China, apontada por apenas 4% -, refletindo a crescente animosidade face às opções da administração Trump na política externa e na sua relação com a Europa e os aliados na NATO.

A perceção dos EUA como um fator de ameaça para a segurança do continente europeu cresce sobretudo entre as faixas mais jovens dos inquiridos neste barómetro. Entre os 18 e os 34 anos, a maioria das respostas (37%) já aponta mesmo Washington como principal risco para a Europa, mais do que os 33% que escolhem a Rússia. Em contraponto, para os mais velhos (maiores de 65), a ameaça está muito mais concentrada na federação russa (56%, face a 18% dos EUA).

No espectro político-partidário é à esquerda que surgem os níveis mais elevados de desconfiança face aos Estados Unidos: 59% dos eleitores da CDU, 58% do Livre e 38% dos apoiantes do BE identificam nesta altura os norte-americanos como principal ameaça.

73% validam participação de Portugal na NATO

Apesar do crescente sentimento de preocupação perante a postura da administração Trump, a importância do atlantismo é bastante reconhecida pela maioria dos portugueses, com o apoio português à NATO a manter-se sólido. Cerca de 73% dos inquiridos fazem uma avaliação positiva (61%) ou muito positiva (12%) da participação de Portugal na Aliança Atlântica. Um sentimento reforçado entre os mais velhos (77% nos maiores de 65, face aos 68% na faixa 18-34). A nível partidário, os extremos são representados pela IL ( 92% de apoio à participação portuguesa na NATO) e pelo PCP (apenas 47%).

Mais de dois terços (70%) dos inquiridos também assinalam que uma eventual saída dos EUA da Aliança Atlântica teria consequências negativas para a segurança europeia. Ainda assim, quase quatro em cada dez portugueses (39%) já admitem como provável ou muito provável uma saída norte-americana da organização, no contexto das ameaças feitas por Donald Trump, embora a maioria (52%) ainda retire credibilidade a esse cenário. Só entre o eleitorado do Chega a perspetiva de abandono dos EUA da Aliança Atlântica aparece como um cenário mais provável (48%) do que improvável (43%).

Ficha técnica

Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage, Lda. para o DN relativa a barómetro político e temas da atualidade.

Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.

Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII),a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em entrevistas efetivas: 505 entrevistas CAWI; 248 homens e 257 mulheres; 106 entre os 18 e os 34 anos,129 entre os 35 e os 49 anos, 133 entre os 50 e os 64 anos e 137 para os 65 e mais anos; Norte 182, Centro 102, Sul e Ilhas 70, Área Metropolitana de Lisboa 151.

Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado, devidamente adaptado ao suporte utilizado, a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre18 e 19 de maio de 2026. Taxa de resposta:91,82%.

Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,4%.

Responsabilidade do estudo: Aximage, Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio (Diário de Notícias, texto do jornalista Rui Frias)

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