Fumar em consultórios médicos, trabalhar sem contrato ou viajar sem cinto de segurança eram situações comuns há 50 anos. Hoje, seriam impensáveis. Esta mudança reflete uma transformação estrutural da sociedade ao longo de meio século. Ao longo dos últimos 50 anos, a sociedade sofreu transformações profundas que mudaram por completo a forma como se vive, trabalha e convive. Pequenos gestos do quotidiano ajudam a perceber essa evolução: hábitos que eram considerados normais em 1976 são hoje, em muitos casos, inaceitáveis ou simplesmente impossíveis.
Práticas como fumar em consultórios médicos, circular de mota sem capacete ou recorrer a castigos físicos nas escolas eram comuns há meio século. Hoje, essas situações são amplamente rejeitadas, refletindo mudanças sociais, legais e culturais significativas. Em 1976, Portugal vivia um contexto muito diferente do atual. Basta olhar para os comportamentos do dia a dia para perceber como o país evoluiu em áreas como a saúde, o trabalho, a educação ou a igualdade social.
Muitas das mudanças devem-se a avanços legislativos, maior consciencialização social e também ao impacto da tecnologia e da globalização. Outras refletem uma transformação mais profunda nos valores da sociedade.
Coisas impensáveis e prejudiciais à saúde:
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- Fumar no consultório médico, na sala de aula, no transporte público e dentro de bares.
- Beber água de qualquer torneira, mangueira ou fonte, sem parar para pensar se era potável.
- Comprar alimentos em mercados de rua ou em locais de higiene duvidosa.
- Tratar problemas de saúde mental como algo vergonhoso ou insano.
- Consumir álcool em bares sendo menor de idade sem que lhe perguntem quantos anos tem.
- Conviver com doenças crónicas sem acompanhamento frequente.
Coisas impensáveis no trabalho:
- Trabalhar com menos de 16 anos de idade.
- Trabalhar sem contrato ou direitos trabalhistas.
- Trabalhar todos os dias da semana.
- Muitas mulheres paravam de trabalhar quando se casavam ou tinham filhos.
- Desenvolver toda a sua carreira profissional na mesma empresa.
- Receber salários em dinheiro.
- Guardar o salário em envelopes em casa.
- Trabalhar em jornadas de 12 horas regularmente.
- Trabalhar sem condições de segurança adequadas.
- Sofrer acidentes de trabalho sem que haja relatórios ou inspeções.
- Ir trabalhar quando um membro da família faleceu ou quando os filhos nascem.
Coisas impensáveis na estrada:
- Não usar cinto de segurança no carro.
- Não usar capacete ao andar de mota.
- Viajar com cinco ou seis pessoas nos bancos traseiros.
- Carregar um bebé no colo nos bancos da frente.
- Dirigir após consumir álcool era algo muito mais normalizado.
- Conduzir carros que nunca tinham sido inspecionados.
- Ver várias pessoas a andar numa mota.
- Conduzir à noite em estradas sem iluminação.
- Coisas impensáveis no ambiente familiar e pessoal:
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- Deixar crianças sozinhas o dia todo, em casa ou na rua.
- Castigo físico de crianças.
- Mandar uma criança comprar tabaco ou álcool.
- As brincavam em campos abertos sem qualquer tipo de segurança.
- Considerar a violência de género como uma simples discussão entre casais.
- Piadas sexistas, racistas e homofóbicas eram muito mais comuns.
- Resolver conflitos familiares através de gritos ou até mesmo violência física.
- Escrever cartas.
- Memorizar vários números de telefone.
- Prestar serviço militar.
- Coisas impensáveis no mundo da educação:
Os professores batiam nas crianças.
- Alta presença da religião católica na educação pública.
- Abandono escolar precoce devido a dificuldades financeiras.
- As universidades eram praticamente inacessíveis a mulheres e muitas famílias.
- Caminhar vários quilómetros até à escola ou faculdade.
- Sentir muito frio ou muito calor na sala de aula.
- Não receber apoio para determinadas necessidades educacionais.
- Não receber educação sexual.
Coisas impensáveis no lazer e no consumo:
- Haver dois únicos canais de televisão disponíveis.
- Ver conteúdo que ainda está censurado.
- Viajar para a aldeia todos os verões era a única opção.
- Considerar o bar como o único elemento de socialização.
- Utilizar uma câmera sem a possibilidade de ver o resultado até dias depois.
- Ouvir música apenas quando passava na TV ou no rádio.
- Pagar sempre em dinheiro.
Muitos destes hábitos desapareceram graças à evolução da sociedade, à melhoria das condições de vida e ao reforço de direitos fundamentais. O progresso na igualdade de género e na luta contra o racismo e a homofobia é particularmente significativo (Executive Digest, texto da jornalista Patrícia Moura Pinto)
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