Os salários em
Portugal continuam a ser relativamente baixos, um fator que ajuda a explicar a
forte emigração de jovens trabalhadores portugueses em busca de mais poder de
compra e melhores condições de vida noutros países europeus. O salário médio
líquido anual em Portugal situava-se, em 2024, nos cerca de 17 mil euros. Este
valor revela uma diferença significativa quando comparado com os dez principais
destinos europeus de emigração, mesmo com valores ajustados em paridades de
poder de compra.
No topo da lista surge a Suíça, com cerca de 43 mil euros anuais, seguida pelos Países Baixos (36 mil euros), Noruega e Luxemburgo (ambos com 33 mil euros), Áustria e Alemanha (ambos com 32 mil euros). Estes países apresentam salários médios líquidos muito próximos ou acima do dobro dos registados em Portugal. Entre os restantes destinos mais procurados, o padrão mantém-se claramente favorável ao exterior. A Bélgica tem um salário médio líquido de 27 mil euros, a Dinamarca de 27 mil euros, a França de 25 mil euros e a Espanha de 24 mil euros. Em todos estes casos, os salários médios superam de forma relevante o registado em Portugal.
A explicação para este diferencial salarial está, em grande medida, ligada à produtividade da economia. Portugal apresenta, de forma persistente, níveis mais baixos de produtividade do trabalho quando comparado com os países analisados. Isso resulta de vários fatores combinados: menor intensidade de capital por trabalhador, menor incorporação tecnológica nos processos produtivos, maior peso de setores de baixo valor acrescentado, elevada rigidez laboral e uma menor dimensão média das empresas, o que limita economias de escala e o investimento. Os salários elevados mantêm-se como um fator estrutural que atrai os trabalhadores. A discrepância entre o salário médio português e o dos principais destinos europeus reflete um desequilíbrio de rendimentos que continua a justificar e a potenciar a emigração (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

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