terça-feira, maio 19, 2026

Tempestades e guerra não abalam banca: lucros sobem para 1,3 mil milhões até março

Margem cedeu à descida dos juros, mas lucros dos maiores bancos nacionais resistiram. Crédito à habitação acelera 10% à boleia da garantia pública e dos avisos do Banco de Portugal. O primeiro trimestre do ano ficou marcado pelo comboio das tempestades que afetou várias regiões do país e ainda pelo início do conflito no Irão, fatores que adicionaram incerteza na economia, mas não abalaram os resultados dos maiores bancos nacionais: subiram para 1,3 mil milhões de euros até março.

Este desempenho acontece ainda num momento em que a descida das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) nos últimos dois anos se começa a refletir de forma mais visível na margem financeira de todo o setor. No caso da Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP, Santander Portugal, BPI e Novobanco, os cinco maiores bancos portugueses com uma quota de mercado superior a 70%, a margem entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos contraiu mais de 1% para 2,19 mil milhões de euros nos três primeiros meses do ano. Isto ajuda a explicar a quebra de resultados do Santander e BPI, que viram os lucros caírem 9,8% e 2,95% em termos homólogos, respetivamente.

Já a Caixa, BCP e o Novobanco conseguiram remar contra a maré. O banco público teve resultados de quase 400 milhões e Paulo Macedo foi claro quanto ao que o setor pode esperar no resto do ano: os resultados do resto do ano vão depender “numa parte significativa” da evolução das taxas, sendo o fator que mais vai ponderar no desempenho dos bancos. “Mas isto se se mantiver o resto constante, isto é, não havendo um prolongamento da guerra e o bloquear do estreito, que poderá ter impacto nas empresas. Não estou pessimista“, declarou

O banco liderado por Miguel Maya contou com um forte impulso do seu negócio na Polónia. Trimestre após trimestre, o Bank Millennium vai-se libertando do problemático tema dos créditos em francos suíços, com a reversão de imparidades a traduzir-se em ganhos para o BCP.

Quanto ao banco recém-adquirido pelo Groupe BPCE, viu a margem cair, mas a recuperação de crédito e impostos e o aumento das receitas com comissões mantiveram a trajetória de crescimento do resultado. O Novobanco conseguiu mesmo melhorar a rentabilidade dos capitais próprios, chegando a março com um ROTE de quase 20%. Um ranking que é liderado pelo Santander — agora liderado por Isabel Guerreiro — com uma rentabilidade acima dos 30%.

Garantia jovem puxa pelo crédito à habitação

É um dos temas que tem marcado a agenda do setor: o braço-de-ferro entre o Governo e o Banco de Portugal em relação à garantia pública para ajudar os jovens na compra da primeira casa. O Executivo acabou de reforçar o plafond com 750 milhões de euros e a medida é muito elogiada e defendida pelos banqueiros, mas o supervisor está atento (e preocupado com) à acumulação de riscos que a medida pode representar para os bancos. Tanto que se prepara para apertar as regras de concessão de crédito.

Os líderes do BPI e do BCP rejeitaram a ideia de que estão a assumir maior risco com o crédito concedido aos jovens ao abrigo da linha de garantia pública. “Não tenho nenhum nível de preocupação”, disse João Pedro Oliveira e Costa. “O incumprimento na garantia pública é o mesmo dos outros créditos“, respondeu Miguel Maya. Sobre este tema, Paulo Macedo disse ser a favor da medida até que haja “oferta suficiente” para resolver o problema de falta de casas. Certo é que à boleia da garantia do Estado a carteira de empréstimos à habitação dos maiores bancos está a crescer mais de 10% e já ascende a 108 mil milhões de euros.

BPI contra a maré reforça com 269 trabalhadores

Os custos estabilizaram: subiram ligeiros 3% para mais de mil milhões de euros, apesar das pressões para aumentos dos salários. O que ajudou a manter os bancos a operarem com bons níveis de eficiência. Todos os bancos voltaram a reduzir as suas forças de trabalho face há um ano, mas houve uma exceção: no BPI houve um reforço de 269 pessoas. Que João Pedro Oliveira e Costa justificou com o “processo de crescimento” do banco e a necessidade de “investimento em novas tecnologias”.

“Precisamos de pessoas para nos ajudar a continuar a oferecer um serviço de proximidade, um serviço de qualidade”, salientou o gestor, lembrando que o BPI foi dos primeiros a ajustar os quadros na década passada e agora é o primeiro a fazer a retoma na contratação (ECO online, texto dos jornalistas Alberto Teixeira e Leonor Gonçalves)

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