As cinco maiores famílias acionistas da bolsa portuguesa vão receber, em conjunto, 653,4 milhões de euros em dividendos relativos aos lucros de 2025, um valor cerca de 1% inferior ao do ano anterior, avança esta terça-feira o ‘Jornal de Negócios’. A descida é ligeira, mas marca uma inversão na remuneração acionista destes grandes grupos familiares, apesar de quatro das cinco famílias virem a encaixar mais este ano. Em causa estão as famílias Soares dos Santos, Azevedo, Amorim, Queiroz Pereira e Mota, que mantêm posições relevantes em algumas das principais cotadas nacionais. O recuo global deve-se sobretudo à Navigator, que reduziu o dividendo para menos de metade, para o valor mais baixo pelo menos desde 2012.
Essa decisão penaliza diretamente as herdeiras de Pedro Queiroz Pereira. Filipa, Mafalda e Lua Queiroz Pereira tinham recebido no ano passado mais de 120 milhões de euros relativos aos lucros da papeleira. Este ano, a Navigator vai distribuir cerca de 80 milhões de euros aos acionistas, dos quais 56 milhões cabem à família. Somando a participação na Semapa, o clã Queiroz Pereira deverá encaixar 97,6 milhões de euros. Ainda assim, a descida é suficiente para fazer a família cair do segundo para o quarto lugar no ranking das maiores remunerações acionistas familiares da bolsa de Lisboa, sendo ultrapassada pelos Azevedo e pelos Amorim.
Soares dos Santos recebem o maior cheque
A liderança continua nas mãos da família Soares dos Santos, através da Sociedade Francisco Manuel dos Santos, que controla a maioria do capital da Jerónimo Martins. A retalhista vai distribuir, pelo quarto ano consecutivo, metade dos lucros obtidos. O dividendo será de 65 cêntimos por ação, ainda abaixo do máximo do século pago em 2022, quando chegou aos 78,5 cêntimos. No total, a família Soares dos Santos deverá receber 229,6 milhões de euros, mais 10% do que no ano passado. O pagamento começa esta terça-feira, tornando este o maior cheque de dividendos entre as grandes famílias da bolsa portuguesa.
Azevedo sobem com NOS, Sonae e Sonaecom
A família Azevedo, dona da maior parcela da Sonae, da Sonaecom e da NOS, deverá receber 175,6 milhões de euros em dividendos. A maior fatia vem da NOS, que vai pagar o dividendo mais elevado desde 2007: 45 cêntimos por ação. A subida da remuneração acionista da Sonae e da Sonaecom também contribui para reforçar o montante final.
Amorim beneficiam da Galp e da Corticeira
A família Amorim também vai receber mais este ano. Só através da Galp, os acionistas beneficiam de uma subida de 3% do dividendo, para 64 cêntimos por ação, o valor mais elevado desde 2019. Da petrolífera portuguesa, a família deverá encaixar 97,3 milhões de euros. A este valor somam-se 28,4 milhões de euros provenientes da Corticeira Amorim. Apesar de os lucros da empresa terem recuado 20%, para 55,6 milhões de euros, a cotada decidiu voltar a aumentar o dividendo para 35 cêntimos por ação, o valor mais alto desde 2015. No total, os Amorim reforçam a posição entre as famílias portuguesas com maior remuneração acionista em bolsa.
Mota recebem mais com Mota-Engil
A fechar a lista das cinco maiores famílias acionistas está a FM – Sociedade de Controlo de António da Mota, dona da maioria do capital da Mota-Engil. O dividendo da construtora é o que mais sobe no PSI em termos percentuais, com uma subida de 15%. Com esta evolução, a família deverá receber 21,4 milhões de euros. Além disso, o clã Mota deverá encaixar mais 3,5 milhões de euros em dividendos da Martifer, que decidiu recorrer a reservas livres para pagar 9,3 cêntimos por ação, apesar da descida dos lucros para 9,5 milhões de euros, influenciada por provisões.
Outros investidores familiares também recebem milhões
Além das cinco maiores famílias, há outros investidores individuais e grupos familiares com posições relevantes na bolsa portuguesa. Os Champalimaud vão receber 3,7 milhões de euros em dividendos dos CTT. Já a ATPS, de Alberto Teixeira e António Pinto de Sousa, bem como a Fergie, dos filhos, que controlam a Ibersol, deverão encaixar 18,2 milhões de euros.
Também Ana Mendonça, João e Pedro Borges de Oliveira, Paulo Fernandes e Domingos Vieira de Matos serão remunerados pelas participações que detêm na Altri e na Ramada, num total conjunto de 43,5 milhões de euros (Executive Digest)

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