quinta-feira, janeiro 17, 2013

Açores: Hospital de Ponta Delgada cancelou 50 cirurgias por falta de material

Segundo o Correio dos Açores, a "Ordem dos Médicos manifesta preocupação e inquietação pelo que está a acontecer no Hospital do Divino Espírito Santo, e João Esteves, presidente da Mesa da Assembleia Distrital da Ordem, garantiu que no passado existiam situações destas, muito poucas, mas agora “esta falta de previdência está assustar-nos não só pelo presente mas em relação ao futuro”. Desde terça-feira que o Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada não está a fazer as cirurgias programadas por não ter material clínico, uma situação motivada por falta de dinheiro, o que levou no próprio dia do cancelamento a Secretaria Regional da Saúde pedir administração do Hospital de Ponta Delgada esclarecimentos sobre o cancelamento das mesmas, afirmando que “todas as indicações transmitidas pelo próprio hospital não faziam prever esta situação”. Apesar disso, tanto o hospital como o secretário asseguram que estão garantidas as cirurgias de urgência.
Numa nota enviada à nossa redacção, depois de termos pedido informação de quando o problema ia estar resolvido, o Conselho de Administração do Divino Espírito Santo refere que o Bloco Operatório do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada só estará a funcionar em pleno na próxima sexta-feira, dia 18. Contudo, adianta que “para além das cirurgias urgentes, na 4ª e 5ª feira [hoje e amanhã] serão efectuadas as cirurgias para situações clínicas prioritárias. Assim, o Bloco Operatório estará em pleno funcionamento na 6ª feira, dia 18 de Janeiro”.
Mais informamos – revela o documento – “que as cirurgias que foram canceladas (cerca de 50) serão remarcadas pelos próprios Serviços e tal deveu-se a «falha de algum material clínico necessário à execução, com segurança, das cirurgias programadas». Essa falha, como chama a Administração do Hospital, foi o que levou o Secretário Regional da Saúde, Luís Cabral, a emitir uma nota, como antes aludimos, no portal do Governo, a manifestar a sua surpresa por uma situação desta natureza estar a acontecer. Segundo o hospital, a situação ficou a dever-se à falha de algum material clínico necessário à execução, com segurança, das cirurgias programadas. A administração tinha informado a Secretaria Regional da Saúde de que poderiam surgir algumas dificuldades, mas não de imediato.
Secretaria antecipa duodécimo
Face a essa informação, a Secretaria Regional da Saúde encetou diligências para que fosse transferida a verba necessária para resolver a situação. Foi, por isso, pedido ao HDES que esclarecesse porque identificou a situação tardiamente, assegurando o Secretário Regional, Luís Cabral, que “serão tomadas as medidas consideradas convenientes para que situações como esta não se repitam”. O problema foi acompanhado por toda a comunicação social e a nível nacional esse assunto também não escapou, tanto que em declarações à rádio Renascença Luís Cabral, confessou, uma vez mais, ter sido apanhado de surpresa, mas assegura que o problema foi, entretanto, resolvido com a antecipação de uma transferência de verbas já prevista para os próximos dias. “Foi feita uma antecipação do duodécimo respectivo, no valor na casa dos nove a dez milhões, para o hospital do Divino Espírito Santo para terem liquidez suficiente para resolver a situação”, avançou. A administração da unidade hospitalar já tinha informado a Secretaria Regional da Saúde de que poderiam surgir algumas dificuldades, mas não no imediato. Agora terá de explicar porque identificou a situação de forma tardia, conforme pediu explicações o responsável pela tutela. Contudo, a administração do Hospital de Ponta Delgada fez questão de na nota enviada reafirmar que “nunca estiveram em risco as cirurgias de urgência”.
Ordem dos Médicos expectante quanto ao trabalho de Luís Cabral
João Esteves, Presidente da Mesa da Assembleia Distrital da Ordem dos Médicos, disse ontem ao Correio dos Açores que o Conselho Médico da Região Autónoma dos Açores está a acompanhar com muita preocupação e apreensão o que se está a passar no Hospital do Divino espírito Santo, embora não tenham nenhuma confirmação oficial. “Vamos pedir esclarecimentos à Secretaria Regional da saúde sobre o que se está a passar, pois só temos conhecimento do que se passa de uma forma indirecta. Para nós esta é uma situação muito preocupação pois também pode ter implicações para os médicos envolvidos em torno desta problemática”. João Esteves diz que o período que s está a atravessar “não é nada tranquilo face à conjuntura actual do país e da Região, e estamos intranquilos porque estas situações já começam a ser recorrentes. Já existiam no passado, mas numa dimensão muito menor, mas agora estão a mais vezes, e é esta falta de previdência que está a assustar-nos muito não só no presente mas também em relação ao futuro, daí que estejamos a pedir esclarecimentos ao Senhor Secretário já que as comunicações que conhecemos têm sido contraditórias, principalmente as veiculadas pela comunicação social e são essas informações não são esclarecedoras, dai que queiramos conhecer os pormenores”. João esteves, que é também médico, com especialidade em nefrologia, (rins e hemodialise) diz que, apesar de algumas contradições, certo é que uma situação de fechar o bloco operatório por falta de material é no entender da Ordem dos Médicos uma situação grave que “nunca deviam ter acontecido nem podem acontecer de futuro”, defendendo a necessidade de se apurar responsabilidades “tanto do secretário como do Conselho de Administração do Hospital”.
O médico entende que mais do que saber de quem é a responsabilidade importa é que situações desta natureza se repitam e as cirurgias de urgência “por enquanto estão asseguradas, por enquanto, mas se o material não chega vão acabar também por ser afectadas”. Este problema, que é do conhecimento público, tem gerado algum mal-estar na sociedade micaelense, mas João José Esteves diz que “Não é só mal-estar, é intranquilidade, pois a saúde atinge-nos a todos e estamos a falar de uma rotina diária, não estamos a falar de projecto futuro. Isso trata-se do dia a adia de cada um de nós e da necessidade que cada um de nós pode precisar de recorrer ao serviço regional de saúde e pelo que sabemos encontra-se desprovido de material, e isso como médico e como cidadão traz-me intranquilidade”.Presidente Mesa da Assembleia Distrital da Ordem dos Médicos refere ainda que está expectante em relação ao novo secretário da saúde, Luís Cabral, que é também médico de profissão. “A Ordem esteve reunida com o senhor Secretário Há uma semana e foi dito que estavam a ser alevancadas uma série de medidas correctivas de toda a situação vivenciada anteriormente. Nós acreditamos na boa-fé e na capacidade da pessoas. Luís Cabral é médico-anestesista e conhece bem toda a problemática da saúde do bloco operatório da emergência médica, pois é também um perito nesta matéria e tem créditos firmados”. Tendo em conta o perfil do novo secretário da saúde, João Esteves está optimista de que dentro em breve “ele possa colmatar este tipo de situações”, esperando que pelo facto de ser médico “possa ter uma maior sensibilidade para esta área, mas vamos aguardar”, diz o porta-voz da Ordem dos Médicos nos Açores"