sábado, dezembro 15, 2012

Nota

Não se trata de questionar o conteúdo destas posições (ver post anterior), mas saber, apenas isso, se é por esta via que se mobiliza a sociedade portuguesas e., mais do que isso, se são estas as prioridades que se colocam aos jovens portugueses nos dias que correm. O que nos faltava é que uma organização política com a responsabilidade – porque é parte do partido ainda no poder, só por isso - da JSD, se limite a ser uma caixa-de-ressonância do ministro Gaspar ou de Coelho, suportando-se num discurso insensível, frio e demasiado calculista.
Por isso, quando oiço um jovem com responsabilidades (presumo que com valores, com princípios e com objectivos...) dizer coisas absurdas que não constituem ainda por cima nenhuma novidade, sobretudo ignorando uma conjuntura, como a que atravessamos, caracterizada pela falta de esperança, pela desilusão e frustração nacionais, pela ausência de uma mensagem política mobilizadora, fico desiludido. Talvez por pensar na esperança infelizmente adiada de milhares os jovens sem emprego, de cada vez mais jovens estudantes universitários incapacitados, devido à crise que atinge as suas famílias, de pagarem as propinas levando-os ao abandono das Universidades bem como no facto de que, nesta conjuntura de empobrecimento criminoso e deliberado de uma sociedade a quem não foi dado tempo para alterar hábitos, vícios e comportamentos errados,se ameaçe com propinas no ensino secundário, embora sem se saber bem ainda em que circunstâncias e com que contornos. Talvez por pensar num país onde há milhares de jovens obrigados a deixar a sua família, os seus amigos, o seu ambiente para emigrarem, muitas vezes sem saberem o que lhes espera lá fora. Por isso, é essencialmente por isso, que acho aterrador que um candidato à liderança de uma organização como a JSD se preocupe em servir de carpete à tese oficialista de um poder ilegítimo que ainda anos governa, em vez de dar um murro na mesas e querer marcar a diferença. e ressalvando que lhe possam ter mandado dizer o que disse ou que o indivíduo em questão, ao pretender ser “mais papista que o Papa” disse as bacoradas que disse, apenas para agradar e obter assim o necessário “empurrão” para o novo mandato, fico estarrecido. Acho espantoso que o futuro líder da JSD não seja capaz de perceber que há coisas, particularmente tratando-se de um jovem, que se podem pensar mas não se podem dizer. E não se podem dizer porque as pessoas olham depois com desdém e desconfiança para quem afinal parece limitar-se a ser uma ressonância da liderança do seu partido (resta saber se por imposição…), das ideias ultra neoliberais da atual liderança do PSD. Um fantoche, numa palavra. E isso entristece-me porque chego à conclusão que os jovens vão continuar a distanciar-se cada vez mais dos políticos e dos partidos. Em grande medida devido a estes maus exemplos.