sexta-feira, janeiro 02, 2026

Canárias: sucedem-se os avisos...

fonte: Diário de Avisos

Qual o verdadeiro significado disto? Um alerta apenas?

fonte: JN

Sinais de crise?

fonte: DN-Lisboa

Curiosidades: quando o sal era tão valioso como o ouro

Nalgumas civilizações antigas, o sal era tão valioso como o ouro. Ele não servia apenas para temperar alimentos, mas era essencial para conservar carnes e peixes, algo vital antes da invenção da refrigeração. Quem controlava o sal controlava a sobrevivência. No Império Romano, soldados recebiam parte de sua remuneração em sal ou em uma quantia destinada à compra dele. Esse pagamento era chamado de salarium, termo que deu origem à palavra “salário”. O sal garantia que os soldados pudessem conservar alimentos durante longas marchas e campanhas militares. O valor do sal era tão alto que rotas comerciais inteiras surgiram apenas para transportá-lo, e impostos sobre o sal já provocaram revoltas e crises políticas ao longo da história. Em alguns lugares, ele era usado até como moeda de troca. Hoje o sal é barato e comum, mas por séculos foi símbolo de poder, riqueza e sobrevivência. Toda vez que falamos em “salário”, estamos repetindo um lembrete histórico de quando um simples cristal branco sustentava exércitos e impérios (Fonte: Facebook, Realmente Curioso)

Uma ideia que vai ganhando força

A ex-primeira-ministra da Finlândia propôs uma semana de trabalho de quatro dias e seis horas para promover um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Inspirada em experiências da Suécia e Japão, a ideia visava aumentar a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores. Apesar do debate gerado, a proposta não foi oficialmente implementada, mas contribuiu para as discussões globais sobre a transformação da rotina de trabalho (fonte: Realmente Curioso)

40 anos na Europa...

Assinalaram-se recentemente os 40 anos da assinatura do Tratado de Adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia (CEE), precursora da atual União Europeia (UE). O país integrou, oficialmente, o espaço comunitário meio ano depois, a 1 de Janeiro de 1986. Nos primeiros anos após a adesão, a economia portuguesa registou uma rápida convergência com a média europeia: o PIB per capita, em paridade de poderes de compra, passou de 66% da média da UE em 1986 para 85% em 2000 (face aos atuais 27 Estados membros).

Uma das justificações que mais se ouve para esta evolução, ainda nos dias de hoje, é que Portugal recebeu valores exorbitantes de fundos europeus. É verdade que Portugal beneficiou em larga escala dos fundos europeus (benefício líquido anual per capita), sobretudo a partir de 1992, mas, continuou a receber valores semelhantes, ou até superiores, desde então, mas a economia deixou de convergir com a média na UE. Aliás, este século tem sido essencialmente marcado por uma divergência, apesar de ter havido uma ligeira convergência desde 2020. Em 2024 o PIB per capita português fixava-se em 82% da média da UE, ainda abaixo do que se verificava em 2000.

Portugal continua beneficiário líquido da UE, ao contrário da maioria dos países que aderiram no século XX, e que já são contribuintes líquidos, ajudando a convergência de novos membros, sobretudo da Europa de Leste. A lógica destes fundos visa, precisamente, apoiar o desenvolvimento económico até que se atinja o nível médio da UE — um objetivo que, passadas quatro décadas, ainda não foi alcançado (Fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Opinião: falando de presentes natalícios...


Dou comigo a imaginar - porque foi isso que me foi sugerido - o que pediria ao Pai Natal da política, nesta época especial do ano, por forma a termos a esperança de que a Região e o seu Povo - independentemente de factos a montante e a jusante que podem colocar em causa esse desiderato – veriam garantida a estabilidade política essencial a quem quer prosseguir o seu caminho.

Por isso não pediria um, mas vários presentes ao Pai Natal da política, que nada tem a ver com o Pai Natal dos nossos sonhos, desde a meninice, um Pai Natal que raramente nos deixava frustrados perante pedidos não satisfeitos ou expectativas goradas.

Nesta lógica, o primeiro presente natalício que pediria para a política e para a nossa sociedade em geral, era um enorme saco de mais tolerância, para que não andemos a nos insultar e julgar uns aos outros na praça pública, incluindo nas redes sociais, muitas vezes cometendo com os outros as injustiças que não permitimos sejam cometidas conosco, apontando dedos acusadores ou até fomentando "julgamentos" de pessoas - sem que elas tenham sido acusadas, de facto e por quem de direito, seja do que for, muito menos tenham sido julgadas e condenadas por sentenças transitadas em julgado, no fundo, cumprindo os procedimentos que devem ser observados. Dei comigo a pensar que o Natal da política também tem muito de utopia, na certeza, porém, de que cada um acredita livremente naquilo que acha que deve acreditar.

Saúde: continua a pressão sobre o SNS

O número de médicos e enfermeiros por mil utentes em Portugal, aumentou, desde 2015, tanto a nível agregado como na maioria das regiões. Ainda assim, este reforço de recursos humanos não parece ser suficiente para aliviar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entre Setembro de 2015 e Setembro de 2025, o rácio nacional de médicos por mil utentes passou de 2,5 para 3,0, enquanto o de enfermeiros aumentou de 3,8 para 4,9. A evolução foi transversal às regiões, com especial destaque para o Norte e o Centro. Esta evolução sugere que o problema do SNS não se resume apenas ao número de médicos e enfermeiros, mas envolve também questões de organização, eficiência e distribuição dos recursos (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Portugal e o "Índice de Confiança nas Instituições Públicas"

Portugal posiciona-se na metade inferior do "Índice de Confiança nas Instituições Públicas", ocupando o 21.º lugar entre os 30 países da OCDE com dados disponíveis. Este índice foi criado pelo Instituto +Liberdade, com base em nove indicadores primários da OCDE sobre confiança nas instituições públicas. A posição que Portugal ocupa sublinha um desafio significativo e persistente na confiança dos cidadãos em relação às estruturas fundamentais do Estado. O indicador onde Portugal se encontra mais bem posicionado é na perceção de que a política nacional segue a opinião da maioria (13.º lugar). É o único indicador onde Portugal surge na metade superior da tabela.

As piores classificações surgem na confiança na utilização de dados pessoais (28.º lugar), na confiança no governo nacional (24.º lugar), confiança no governo local (24.º lugar), confiança nos tribunais e sistema judicial (23.º lugar) e na possibilidade de participar na política (23.º lugar). Estes resultados sinalizam uma baixa perceção de credibilidade nos órgãos centrais de poder e na administração da justiça. No topo da tabela surgem, por esta ordem, a Suíça, o Luxemburgo e a Finlândia. Nota: cálculo do ranking global através da média ponderada dos indicadores apresentados. Cada um dos cinco primeiros indicadores pesa 16%, enquanto os últimos quatros pesam 5%, cada um (Fonte: Mais Liberdade, Mais Casos)

A digitalização da Administração Pública em Portugal

A Administração Pública em Portugal tem vindo a digitalizar-se, com um aumento significativo da interação online com os cidadãos. Contudo, os dados mostram uma tendência inesperada: o aumento da digitalização não se traduziu numa redução, mas sim no aumento do número de funcionários nas carreiras dirigentes, técnicas e administrativas. Os dados mostram que a percentagem de pessoas que utilizou a internet para interagir com a Administração Pública aumentou 22 pontos percentuais entre 2015 e 2024, passando de 43% para 65%. Esta evolução reflete um progresso significativo na digitalização dos serviços públicos e na adesão dos cidadãos às plataformas digitais.

Em paralelo, o número de funcionários das carreiras dirigentes, técnicas e administrativas da Administração Pública cresceu 16%, no mesmo período, aumentando de 327 mil em 2015 para 378 mil em 2024. Este crescimento indica que a expansão dos serviços digitais não foi acompanhada por uma redução do emprego nestas carreiras. A evolução simultânea da digitalização e do número de funcionários levanta questões sobre os objetivos da transformação digital na Administração Pública. Se a finalidade central for aumentar a eficiência e reduzir custos através da automação de processos, seria expectável observar uma redução — ou, pelo menos, uma estabilização — do número de trabalhadores nas carreiras dirigentes, técnicas e administrativas (fonte; Mais Liberdade, Mais Factos)

Venezuela: Maduro diz estar pronto para diálogo com Estados Unidos

O Presidente venezuelano, que condena reiteradamente ameaças dos Estados Unidos no contexto do destacamento militar de Washington nas Caraíbas para alegadamente combater o tráfico de droga, voltou a considerar que a conversa foi "muito respeitosa" e durou dez minutos. O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou que está pronto para discutir assuntos relacionados com tráfico de droga, petróleo e acordos económicos com os Estados Unidos, evitando confirmar a realização de um alegado ataque norte-americano em solo venezuelano.

“O Governo dos Estados Unidos sabe disso, porque já dissemos a muitos dos seus porta-vozes: se quiserem discutir seriamente um acordo para combater o narcotráfico, estamos prontos. Se quiserem petróleo da Venezuela, a Venezuela está pronta para os investimentos americanos, como aconteceu com a Chevron, quando quiserem, onde quiserem e como quiserem", afirmou em entrevista emitida na estação televisiva pública VTV na quinta-feira à noite.

O líder venezuelano disse também que manteve “apenas uma conversa" com o homólogo norte-americano, Donald Trump, numa tentativa de esclarecer "especulações", após um suposto novo telefonema "muito recentemente" referido pelo líder norte-americano. "Estava a ver especulações sobre uma segunda conversa. Tivemos (...) apenas uma conversa. Ele ligou-me na sexta-feira, 21 de novembro, da Casa Branca. E eu estava no Palácio de Miraflores", relatou.

Supremo anula medidas de coação a suspeitos de corrupção na Madeira

Pedro Calado e os empresários Custodio Correia e Avelino Farinha ficam apenas sujeitos a Termo de Identidade e Residência. Juízes criticaram decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que impôs restrições à liberdade de circulação. O Supremo Tribunal de Justiça anulou as medidas de coação impostas, em fevereiro, aos três principais arguidos num processo sobre corrupção na Madeira: os empresários Avelino Farinha e Custódio Correia e o antigo presidente da Câmara do Funchal, Pedro Calado, suspeito de corrupção, fraude fiscal, entre outro crimes.

Depois de, em janeiro de 2024, terem saído do Tribunal Central de Instrução Criminal apenas sujeitos a Termo de Identidade e Residência, um ano depois a Relação de Lisboa agravou as medidas de coação, obrigando Pedro Calado e Avelino Farinha (dono do Grupo AFA) a entregar o passaporte, ficando as viagens para o estrangeiro dependentes de autorização do tribunal, e proibindo Custódio Correia (dono da Socicorreia) a não mudar de residência sem comunicar previamente ao processo.

A 17 de dezembro, porém, os juízes conselheiros Vasques Osório, Ernesto Nascimento e Jorge Gonçalves anularam a decisão da Relação, considerando que os juízes desembargadores deveriam ter analisado melhor os inícios e os crimes correspondentes. Se a Relação “o tivesse feito”, escreveram os conselheiros do Supremo, “ter-se-ia certamente apercebido de que os factos considerados pelos juiz de instrução como fortemente indiciados eram atípicos”, já que os factos apresentados pelo Ministério Público foram considerados “como não indiciados”.

Opinião: tentando antecipar o que pode acontecer na Madeira


"Pedem-me uma antevisão sobre o que se poderá acontecer em 2026 na política regional, num quadro mais amplo de garantia de estabilidade política, económica e social na Madeira. Não é fácil - depois de tudo o que se passou nos últimos dois anos, no país e na Região, com várias crises políticas que conduziram a quedas de governos e a eleições antecipadas, sem que os chamados ciclos eleitorais de governação fossem concluídos - fazer qualquer prognóstico plausível.

Desde logo não considero que as presidenciais sejam muito importantes para a Autonomia regional, tendo em conta as competências dos inquilinos de Belém e o facto das competências legislativas e constitucionais mais importantes e decisivas, estarem centradas na Assembleia da República.

Claro que para a Autonomia regional é melhor ter em Belém um aliado, discreto mas influenciador, que compreenda esta conquista de Abril, do que ter alguém que, por formação ou opção política, prefira alinhar na contestação à clarificação e reforço constitucional das Autonomias regionais, questionando uma discussão inserida no do quadro constitucional no que a este item diz respeito. Acresce que, considerando as promessas e os protagonistas, salvo algum acidente de percurso que nos conduzisse a um radicalismo ideológico inconcebível nos tempos que correm, não creio que a Autonomia saia ameaçada ou sequer seja questionada ou posta em causa após as presidenciais de 2026.

Em termos gerais, desejaria que a Madeira tivesse a garantia de estabilidade, que politicamente seja capaz de definir prioridades, calendarizando-as num quadro de potenciais negociações com Lisboa passíveis de alcançar sucesso numa lógica de consenso regional alargado, tal como aconteceu em 1991, a ser pragmaticamente construído, sem o qual duvido que possa ser alcançado seja o que for de fundamental para o futuro da Autonomia regional.

Obviamente que sabemos todos, até pelo enquadramento antecedente, que muito do que possa vir a acontecer, se vier a acontecer, de nocivo para a estabilidade política regional, passa também pelo tempo da justiça, pela evolução de processos pendentes no MP em Lisboa, que se arrastam no tempo sem que se perceba qual o seu desfecho e qual o impacto na política regional das decisões que forem tomadas, se é que poderemos colocar as coisas nestes termos demasiado simplistas.

Recordo que, depois do processo eleitoral presidencial, que ficará concluído até final de Fevereiro de 26 - e admitindo que se manterá uma certa "paz podre" na política a nível nacional, a par de algumas dúvidas, em termos de política regional, só plausíveis caso os dois partidos no poder protagonizem mudanças nas suas lideranças... - teremos eleições regionais, autárquicas e legislativas nacionais apenas em 2029, seguidas das europeias em 2030. Ou seja, em situações normais, e sem casos ou casinhos, incluindo com a justiça, existem condições para uma certa estabilidade temporal de legislatura, o que não deixa de ser importante no actual contexto político nacional e regional.

Acresce, finalmente, que ninguém sabe ao certo como vai evoluir a realidade política e económica europeia, na medida em que continuamos sob a pressão da guerra, ao mesmo tempo que aumentam os sinais de desilusão dos europeus e os consequentes movimentos de contestação e de questionamento dos milhares de milhões gastos num conflito sem fim, verbas que começam a afectar a vida dos europeus que já se manifestam nos centros das principais capitais europeias, incluindo Bruxelas. Sintomático!" (LFM, Dez 2025) - (Nota: O JM pediu-me um texto para a edição de 1 de Janeiro. Como é "habitual", no meu caso, o texto ultrapassou os caracteres que me são recomendados, pelo que publico na integra o referido texto enviado à redacção do Jornal da Madeira, apenas para dar a conhecer as ideias construídas)


quarta-feira, dezembro 31, 2025

Como o aquecimento global pode deixar ciclones mais intensos


Um ciclone extratropical causou estragos em São Paulo e região metropolitana nesta quarta-feira (09/12). O fenômeno, associado a uma frente fria, derrubou mais de 330 árvores, sendo que muitas caíram sobre a rede elétrica, deixando maus de 2,2 milhões de pessoas sem energia. Os ventos acima de 90 km/h fizeram com que cerca de 200 voos fossem afetados em São Paulo, consequentemente causando transtornos também em outros aeroportos do país. A falta de eletricidade também prejudicou o funcionamento de semáforos e o abastecimento de água. Em novembro, o nascimento de um ciclone extratropical no Rio Grande do Sul causou um tornado no Paraná que destruiu 80% da cidade de Rio Bonito do Iguaçu, matando seis pessoas e ferindo 750, segundo a Defesa Civil do Estado. Em julho de 2023, um outro ciclone no Rio Grande do Sul provocou estragos em 52 cidades e uma morte na cidade de Rio Grande. O fenômeno provocou ventos de mais de 140 km/h e também atingiu o estado de São Paulo, onde duas mortes foram associadas ao ciclone.

O que são ciclones extratropicais?

O ciclone extratropical é uma área de menor pressão atmosférica do que o ambiente do entorno, em que os ventos giram ao redor de um centro, no sentido horário. Esses sistemas afetam o tempo das regiões onde atuam provocando nuvens, chuva, redução da temperatura do ar e ventos fortes.

Permafrost derretendo: obra tenta salvar estação nos Alpes


Outro problema que pode agravar o impacto até o final do século é o derretimento de gelo devido ao aquecimento da atmosfera, que faz com que as águas do Atlântico Norte fiquem menos salgadas e, assim, menos densas. O resultado é um enfraquecimento ainda maior da Amoc. A variável não foi considerada pelos estudos, o que faz com que os cientistas acreditem que o colapso real da corrente esteja ainda mais iminente. "Um enfraquecimento drástico e o desligamento desse sistema de correntes oceânicas teriam consequências severas em escala mundial", destaca o pesquisador do PIK, Rahmstorf. "Nos modelos, as correntes se extinguem completamente entre 50 e 100 anos após o ponto de inflexão ser ultrapassado. Mas isso pode subestimar o risco: esses modelos não incluem a água doce extra proveniente da perda de gelo na Groenlândia, que provavelmente pressionaria o sistema ainda mais. É por isso que é crucial reduzir as emissões rapidamente.

terça-feira, dezembro 30, 2025

O colapso no oceano que pode gerar "era do gelo" na Europa


Sistema de correntes que aquece o Atlântico Norte pode atingir um ponto de inflexão nas próximas décadas, abrindo caminho para um colapso que congelaria partes do continente e provocaria desertificação em outras regiões. Um colapso do sistema de correntes oceânicas que aquece o hemisfério norte pode levar a Europa a ser palco de uma "pequena era do gelo" antes do esperado. A conclusão é de um estudo coordenado por cinco institutos internacionais de pesquisa sobre o clima que foi publicado na revista Environmental Research Letters. Segundo a pesquisa, a Circulação Meridional de Revolvimento Meridional do Atlântico (Amoc), que também inclui a Corrente do Golfo, pode entrar em colapso completo após o ano de 2100 se as emissões de gases do efeito estufa continuarem altas.

A Amoc é um fenômeno crucial para manter o clima do noroeste da Europa mais ameno que, por exemplo, regiões do Canadá na mesma latitude. Um eventual colapso não só provocaria invernos bem mais extremos na Europa como reduziria a umidade que chega ao continente, provocando secas no verão, além de deslocamentos nas faixas de precipitação tropical. O resultado esperado é de desertificação em algumas regiões e temperaturas abaixo de 30 graus negativos em outras.

Sondagem revela que mais de um terço dos portugueses gostariam que o País ainda tivesse colónias



Cinquenta anos após o processo de descolonização, uma parte significativa da sociedade portuguesa continua a revelar uma relação ambivalente com o passado imperial. Uma sondagem recente indica que 31,5% dos portugueses gostariam que Portugal ainda tivesse colónias, num resultado que evidencia a persistência de uma visão imperial na memória coletiva, apesar das transformações políticas, sociais e históricas ocorridas desde o fim do regime colonial.

De acordo com dados divulgados pelo Público, o estudo foi desenvolvido pelo Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa (IPRI-NOVA) em parceria com a DOMP–Instituto de Estudos, no âmbito do projeto “Legados do Colonialismo Português em África — Os portugueses, o Império e a Guerra Colonial”, envolvendo uma amostra representativa de 1.116 inquiridos. A investigação é coordenada cientificamente por António Costa Pinto, Bernardo Pinto da Cruz e Teresa Furtado.

Apesar de mais de 31% manifestarem nostalgia pelo império, a maioria dos inquiridos avalia positivamente o processo de descolonização: quase 58% consideram que as independências foram boas ou muito boas para Portugal, enquanto 34% as classificam como más ou muito más. Em termos comparativos, Portugal surge como o país europeu com maior percentagem de respostas favoráveis à manutenção de um império colonial, superando o Reino Unido e os Países Baixos, um dado que, segundo os autores, traduz uma relação simultaneamente marcada pela rejeição política e pela valorização simbólica do passado imperial.

segunda-feira, dezembro 29, 2025

Confiança melhora, mas desigualdade financeira agrava-se entre os portugueses

Incumprimento aumenta, ansiedade económica cresce e o custo de vida deixa marcas permanentes em mais de metade da população, revela o European Consumer Payment Report 2025. Apesar de alguns sinais de recuperação na confiança dos consumidores europeus, Portugal segue uma trajetória distinta. Os dados do European Consumer Payment Report 2025 (ECPR), divulgado pela Intrum, empresa de cobranças revelam um agravamento do incumprimento financeiro, um aumento da ansiedade económica e um alargamento do fosso entre consumidores com rendimentos altos e baixos.

Em 2025, apenas 77% dos consumidores portugueses afirmam ter pago todas as suas contas dentro dos prazos, uma quebra face aos 85% registados em 2024, contrariando a tendência europeia. Na União Europeia, a percentagem de consumidores que cumprem todas as obrigações aumentou de 63% em 2023 para 76% em 2025, segundo o mesmo relatório. “Apesar de alguns sinais de melhoria na confiança dos consumidores, persistem fragilidades relevantes no bem-estar financeiro das famílias portuguesas”, afirma Luís Salvaterra, director-geral da Intrum Portugal, sublinhando que Portugal “continua a revelar uma evolução distinta da média europeia”.

Profecias: 2027 será o ano do Juízo Final? Papa Leão XIV será o último? Profecia secreta do Vaticano do séc. XII ganha especial atenção

Este documento, conhecido como “Profecia dos Papas”, teria sido escrito no século XII e contém uma lista enigmática de 112 papas, descrevendo cada um deles através de frases curtas em latim. O último nome na lista corresponderia ao atual líder da Igreja Católica, o Papa Francisco. Um antigo manuscrito atribuído a São Malaquias, encontrado nos Arquivos Secretos do Vaticano, voltou a ganhar atenção ao prever que o Juízo Final ocorrerá em 2027. Este documento, conhecido como “Profecia dos Papas”, teria sido escrito no século XII e contém uma lista enigmática de 112 papas, descrevendo cada um deles através de frases curtas em latim. O último nome na lista corresponderia ao atual líder da Igreja Católica, o Papa Francisco.

A profecia foi descoberta em 1595 pelo monge beneditino Arnold Wion, que afirmou ter encontrado os escritos de São Malaquias nos arquivos do Vaticano. A passagem final do texto diz: “Na última perseguição à Santa Igreja Romana reinará Pedro, o Romano, que apascentará o seu rebanho entre muitas tribulações. Após isso, a cidade das sete colinas será destruída e o terrível Juiz julgará o povo. O fim.”

Duzentas casas ocupadas e exigência de 17 mil euros para abandonar: jovem ocupa deixa autoridades em alerta


Um dos maiores receios de proprietários de imóveis é a ocupação ilegal das suas casas, sobretudo quando os processos de despejo são longos e a impunidade parece prevalecer. É neste contexto que se destaca o caso de Marc M., um jovem de 22 anos que se tornou um dos ocupantes mais ativos da Catalunha, com mais de 200 imóveis ocupados nos últimos quatro anos, principalmente propriedades de bancos e fundos de investimento. Segundo a imprensa espanhola, Marc M. acumula 225 denúncias e 31 detenções, mas todas resultam apenas em multas devido à natureza leve dos crimes. O seu método é consistente: ocupa o imóvel e exige aos proprietários quantias que variam entre 500 e 5.000 euros para abandonar a residência. Na falta de pagamento, vende as chaves a famílias vulneráveis, que acabam envolvidas em processos judiciais complexos.

Um dos episódios mais recentes ocorreu em Arenys de Munt, onde o jovem chegou a exigir 17.000 euros por abandonar uma habitação equipada com alarme e devidamente trancada. Quando os proprietários recusaram o pagamento, Marc entregou a casa a outro ocupante, deixando provas da sua intervenção. As autoridades, os Mossos d’Esquadra, conseguiram posteriormente identificar a pessoa que recebeu as chaves.

Canárias alterou regras: acaba con el sorteo de vivienda pública y exige diez años de residencia



El Consejo de Gobierno aprobó un decreto para la adjudicación de vivienda pública que acaba con el sorteo e implanta una «baremación objetiva» para la adjudicación. Así lo explicó el consejero de Vivienda, Pablo Rodríguez, en la rueda de prensa posterior a la reunión que tuvo lugar en Santa Cruz de Tenerife. Rodríguez, quien aclaró que el decreto entrará en vigor una vez que el Consejo Consultivo dé su visto bueno, elimina el tradicional «sorteo» por el que hasta ahora se adjudicaban las viviendas de promoción pública y, en su lugar, se establece un baremo en el que se tendrá en cuenta la situación social, económica y familiar de las personas adjudicatarias.

Europa: há falta de crença em Portugal


Em Portugal, os níveis de confiança interpessoal estão entre os mais baixos da Europa. Em 2022, apenas 17% dos portugueses afirmaram concordar com a ideia de que “se pode confiar na maioria das pessoas”, segundo dados do "Integrated Values Survey". Este valor contrasta fortemente com os países nórdicos, que dominam o topo da tabela europeia. Dinamarca, Noruega, Finlândia, Suécia e Islândia ocupam cinco dos seis primeiros lugares, com níveis de confiança frequentemente acima dos 60% ou 70%. Estas sociedades partilham um conjunto de características institucionais e socioeconómicas que parecem estar fortemente associadas à confiança interpessoal: redes de apoio social robustas, baixos níveis de corrupção, menor desigualdade e instituições públicas eficientes.
A comparação sugere que a confiança não é apenas uma questão cultural, mas resulta de um processo cumulativo ligado à qualidade das instituições e da organização social. Estados que funcionam de forma previsível, imparcial e eficiente tendem a gerar níveis mais elevados de confiança interpessoal. Ao mesmo tempo, essa maior confiança reforça esses próprios fatores institucionais, ao reduzir os custos de cooperação, facilitar a ação coletiva e aumentar o cumprimento voluntário de regras, criando um círculo virtuoso entre confiança social e qualidade institucional.
O caso português, por contraste, aponta para um défice estrutural de confiança que pode estar ligado a fragilidades institucionais persistentes, perceções de injustiça e níveis mais elevados de desigualdade. Mais do que um traço cultural imutável, a confiança interpessoal surge assim como um indicador sensível da qualidade do Estado e do funcionamento da sociedade (Mais Liberdade, Masis Factos)

O portuga está lixado!

Em Portugal, o esforço necessário para pagar os presentes de Natal é significativamente mais elevado do que na maioria dos países europeus. Em média, um trabalhador português precisa de 41 horas de trabalho para gerar rendimento suficiente para cobrir uma despesa de cerca de 400 euros em presentes natalícios (valor que cada português irá gastar este Natal, em média, de acordo com um estudo do IPAM). Este valor contrasta de forma marcada com países como os Países Baixos e a Alemanha, onde para comprar a mesma quantidade de presentes, ajustada aos diferentes níveis de preços, são necessárias apenas 17 horas de trabalho. A diferença resulta de um fator estrutural: o baixo rendimento líquido por hora de trabalho, em paridade de poderes de compra. Quando se compara o número de horas necessárias para pagar exatamente a mesma despesa, torna-se evidente que os trabalhadores portugueses têm um poder de compra muito inferior ao dos seus congéneres do centro e norte da Europa.

Portugal compara sobretudo com vários países do sul e leste europeu, onde o esforço necessário ultrapassa na maioria dos casos as 40 horas. Já nas economias com salários mais elevados e maior produtividade, o mesmo consumo representa uma fração muito menor do tempo de trabalho mensal. Assim, o Natal acaba por ser financeiramente mais “caro” para quem vive em países com rendimentos baixos, mesmo quando os preços são ajustados para permitir comparações mais justas (Mais Liberdade, Mais Factos)

Os sucessos de Milei...

Há cerca de dois anos, Javier Milei, que se autointitula como liberal-libertário e até anarcocapitalista, tomou posse como presidente da Argentina. Tem sido um período marcado por reformas económicas ousadas e ajustes estruturais profundos, que numa primeira fase foram duros para os argentinos, mas que atualmente se traduzem numa melhoria de quase todos os indicadores face ao que se verificava no período pré Milei. Em jeito de avaliação ao trabalho que tem sido desenvolvido, apresentamos a evolução de oito dos principais indicadores socioeconómicos na Argentina desde que Milei tomou posse (Mais Liberdade, Mais Factos)

Saúde portuguesa

O número de médicos e enfermeiros por mil utentes em Portugal, aumentou, desde 2015, tanto a nível agregado como na maioria das regiões. Ainda assim, este reforço de recursos humanos não parece ser suficiente para aliviar a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS). Entre Setembro de 2015 e Setembro de 2025, o rácio nacional de médicos por mil utentes passou de 2,5 para 3,0, enquanto o de enfermeiros aumentou de 3,8 para 4,9. A evolução foi transversal às regiões, com especial destaque para o Norte e o Centro. Esta evolução sugere que o problema do SNS não se resume apenas ao número de médicos e enfermeiros, mas envolve também questões de organização, eficiência e distribuição dos recursos (Mais Liberdade, Mais Factos)

¿Cuáles son las curvas que debe enfrentar Canarias en 2026?



Agárrense que vienen curvas. El Gobierno de Canarias lleva semanas advirtiendo de que las circunstancias de 2026 «vienen mal dadas», que el escenario económico se presenta complicado y que el Archipiélago se enfrenta a desafíos, tanto a nivel nacional como internacional, que nos distanciarán de los espectaculares crecimientos de los años anteriores. Sin embargo, Canarias encara este cambio de ciclo económico desde una buena posición en la parrilla de salida, con excelentes números en empleo, turismo e incremento de la riqueza y muchos de los deberes hechos. Por lo que no se espera un trazado tan complejo como el del Gran Premio de Mónaco, ni una curva tan peligrosa como la de Loews. Pero curvas habrá, y en las curvas siempre hay que tener cuidado: huir del blanco, acelerar en la cúspide y entrar en buena posición. Pero, ¿cuáles son esos giros que tienen en alerta a quienes pilotan el monoplaza canario? La ralentización de la economía, el bloqueo político a nivel nacional, las negociaciones para el nuevo marco de financiación europeo y el contexto geopolítico internacional son cuatro aspectos que pueden marcar el devenir económico en el Archipiélago en el próximo año.

Canárias a braços com uma crise da banana: el precio del plátanose derrumba por completo en la Península y ya solo deja pérdidas...

El ingreso que obtendrá el cosechero por ventas en la última semana, la 50, alcanza los 0,44 euros por kilo, tras caer el precio en origen el 36% en siete días; la cantidad retornada al productor a duras penas cubre el 50% del coste agrícola; la previsión indica empeoramiento, con cuatro semanas críticas por delante. El plátano de Canarias se queda sin las alegrías tradicionales de las navidades y los Reyes. Una vez más, pues se trata de un comportamiento habitual en estas fechas, las semanas del mes de diciembre y parte de enero juegan una muy mala pasada a los cosecheros locales de plátanos, que tienen que padecer el hecho de que su fruta expedida a la Península obtenga bajísimos precios al por mayor y en verde o incluso se aproxime al abismo de casi no tener cotizaciones.

La culpa, como casi siempre: el desequilibrio entre la oferta y la demanda (casi nadie compra plátano en estas fechas y las islas mandan ahora a la semana seis millones de kilos) y la competencia de la banana, siempre más asequible por barata, con un euro por kilo menos que el plátano en el precio de compra final, como diferencia más habitual en los mercados del resto de España.

Canarias fue el pasado año la segunda comunidad donde más creció el PIB

Canarias fue en 2024 la segunda comunidad autónoma española donde más creció el PIB, concretamente un 4,4%, según la contabilidad regional de España que ha dado a conocer este martes el Instituto Nacional de Estadística (INE). La Comunidad de Madrid y la de Cataluña son las economías regionales con mayor peso dentro del PIB nacional en el año 2024, con un 19,8% y un 19% del total, respectivamente, seguidas de Andalucía (13,3%). El PIB madrileño a precios corrientes se situó a cierre de 2024 en 316.193 millones de euros y el catalán, en 302.303 millones. El peso de Madrid se ha mantenido estable en los últimos años, por encima del 19%, y se sitúa por encima de Cataluña de forma ininterrumpida desde 2017, cuando la superó por tan solo una décima, mientras que en el año 2020 estaba seis décimas por encima (19,6% Madrid y 19% Cataluña) y en 2023 estaba casi un punto por encima (19,8% Madrid y 18,9% Cataluña).

Murcia, la comunidad que más crece

Murcia, con un incremento del PIB en términos de volumen del 4,4%, fue la comunidad autónoma que registró un mayor crecimiento del producto interior bruto en 2024, seguida de Canarias (4,4%) y Baleares (4,2%), mientras que los menores aumentos fueron en Cantabria (2,5%) y País Vasco (2,6%).

Problemas também em Canárias

fonte: La Provincia

Madeira: Novo grupo hoteleiro chega em 2027


Fonte: DN-Lisboa, Economia

Canárias, as duas frentes decisivas, financiamento e Bruxelas

fonte: El Dia

segunda-feira, dezembro 22, 2025

A Economia do ano?...

Portugal foi considerado a “economia do ano” pela revista The Economist. A distinção foi recebida com entusiasmo pelo Governo e, em parte, com razão. É raro Portugal surgir bem classificado em rankings e indicadores económicos internacionais, sobretudo quando comparado com economias mais ricas e mais produtivas da OCDE. O ranking da The Economist avalia cinco dimensões — crescimento do PIB, inflação, volatilidade da inflação, desempenho bolsista e emprego. Portugal apresenta resultados sólidos em todas elas, destacando-se no controlo da inflação e na criação de emprego. Nestas áreas, o desempenho recente foi efetivamente melhor do que o de muitos países da OCDE.

Este reconhecimento é positivo. Reflete estabilidade macroeconómica e uma recuperação robusta após choques sucessivos. Reflete também a capacidade da economia portuguesa para tirar partido de um contexto externo relativamente favorável. A maior distância geográfica relativamente ao conflito na Ucrânia e a menor dependência energética e comercial da Rússia ajudaram Portugal a absorver o choque melhor do que outros países europeus. A isto, juntaram-se fatores como o forte dinamismo do turismo e a entrada significativa de imigrantes no mercado de trabalho.

Num país habituado a aparecer nos rankings sobretudo pelos piores motivos, não deixa de ser relevante surgir, desta vez, do lado positivo da tabela. Dito isto, importa evitar leituras excessivamente triunfalistas. O ranking atribui um peso elevado a fatores conjunturais e temporários. Além disso, todos os indicadores avaliam variações e dinâmicas recentes, e não níveis absolutos ou “fotografias” da economia. Acresce que o mercado de trabalho acaba por ser valorizado duas vezes, nos indicadores de PIB e de emprego, o que beneficia economias mais trabalho-intensivas, como é a portuguesa. Por outro lado, o ranking não avalia crescimento potencial, produtividade ou sustentabilidade de longo prazo — precisamente onde Portugal continua a revelar fragilidades persistentes. Em suma, a distinção é bem-vinda e merece ser assinalada, mas não deve ser confundida com uma transformação estrutural da economia portuguesa. Serve como sinal de que é possível estar entre os melhores, mas, tornar Portugal um verdadeiro exemplo a nível internacional exigirá reformas profundas. Até porque, os ventos favoráveis que nos têm beneficiado não durarão para sempre (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Prémios Nobel

Prémio Nobel da Paz, atribuído este ano a María Corina Machado “pela sua incansável luta em prol dos direitos democráticos do povo da Venezuela e pela transição pacífica de um regime autoritário para uma democracia justa” já foi entregue. No discurso proferido pela sua filha, a laureada referiu que a sua geração “nasceu numa democracia vibrante” e que tomavam isso como garantido. “Presumíamos que a liberdade era tão permanente quanto o ar que respirávamos. Quando percebemos o quão frágeis as nossas instituições se tinham tornado, um homem, que outrora liderara um golpe militar para derrubar a democracia, foi eleito presidente. Muitos pensavam que o carisma poderia substituir o Estado de Direito”.

“Já passaram três décadas de luta contra uma ditadura brutal e já tentámos tudo: os diálogos foram traídos, os protestos de milhões foram esmagados, as eleições foram engendradas. Acreditar-se num futuro parecia impossível”. No entanto, em outubro de 2023 “a Venezuela acordou” e “reclamou o seu direito de votar” nas eleições primárias, que uniram “uma rede de cidadãos”. Renasceu então “a confiança de uma nação”, apontou Corina Machado. Ao longo das últimas décadas, o Nobel da Paz já destacou várias personalidades que lutaram corajosamente contra regimes autoritários (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Comunicações judiciais de corrupção e crimes conexos

Nos últimos dois anos, a grande maioria das comunicações judiciais de corrupção e crimes conexos, em Portugal, refere-se a entidades da esfera pública, revelando a profunda exposição do Estado a este tipo de criminalidade. De acordo com dados do Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC), das 698 comunicações realizadas, a Administração Local concentra mais de metade das mesmas (51%), seguida da Administração Central (24%) e da Administração Regional Autónoma e Outros Organismos sob Tutela Pública (15%). Apenas 10% dos casos envolvem o setor privado.

Entre as áreas públicas mais sinalizadas, os Municípios destacam-se de forma esmagadora, representando 39,8% de todas as comunicações judiciais. Seguem-se as forças e serviços de segurança (9,7%), e as freguesias (9,3%). O padrão é claro: a corrupção em Portugal está profundamente enraizada na administração pública, sobretudo na administração local, onde as responsabilidades em termos de licenciamento, contratação pública e gestão de recursos criam contextos de maior vulnerabilidade. Estes dados confirmam a necessidade de reforçar a transparência, os mecanismos de prevenção e a capacidade de investigação, nesta esfera do Estado (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Dia Internacional contra a Corrupção.

Os megaprocessos judiciais na Comarca de Lisboa, muito deles ligados à corrupção e crimes conexos, continuam a revelar uma Justiça extremamente lenta e pouco eficaz. Segundo um estudo do Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, entre 2013 e Setembro de 2023, estes processos de especial complexidade demoraram, em média, 8 anos e 1 mês até transitarem em julgado. Apenas 29% dos casos são resolvidos em menos de 5 anos, 16% estendem-se até aos 7 anos e outros 16% até aos 9 anos. Há ainda 10% de processos que demoram entre 9 e 11 anos, 13% entre 11 e 13 anos e 9% entre 13 e 15 anos. Cerca de 6% prolongam-se, mesmo, por 15 anos ou mais — tempos dificilmente compatíveis com uma Justiça célere, previsível e capaz de produzir efeitos dissuasores. O estudo revela também que quase metade dos processos analisados estão relacionados com corrupção ou crimes conexos (branqueamento de capitais, burla, fraude, etc.), precisamente o tipo de criminalidade em que a rapidez e a eficácia judicial são essenciais para garantir confiança pública e combater a impunidade. A morosidade crónica destes megaprocessos prejudica não apenas o funcionamento institucional, mas também a percepção de justiça por parte dos cidadãos e empresas, que vêem investigações prolongarem-se durante muitos anos. A lentidão reduz também o efeito preventivo das condenações e fragiliza a capacidade de investigação (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Licenciamento ambiental

O licenciamento ambiental em Portugal continua a ser um dos maiores entraves ao investimento, bloqueando atualmente 1,3 mil milhões de euros, segundo um inquérito da Associação Industrial Portuguesa (AIP). O inquérito, realizado a 238 empresas, revela que a morosidade e a complexidade dos processos condicionam projetos essenciais para a competitividade do país. Entre os tipos de investimento mais afetados, destacam-se a construção de novas instalações (43%), a expansão de unidades já existentes (33%) e a instalação de novos equipamentos (21%). Ou seja, atrasos burocráticos afetam não apenas novos projetos, mas também empresas que querem modernizar-se, ou aumentar capacidade.

Os principais motivos de bloqueio incluem exigências relacionadas com alterações aos PDM (Plano Diretor Municipal), PP (Plano de Pormenor) e PU (Plano de Urbanização), em cerca de 43% dos casos, restrições de classificação territorial como REN (Reserva Ecológica Nacional), ou RAN (Reserva Agrícola Nacional), em 33% dos casos, critérios de emissões ou resíduos (17%) e limitações associadas a servidões e a áreas protegidas (9%). O impacto temporal é significativo: 30% dos projetos ficam parados entre 1 e 2 anos, 32% entre 2 e 5 anos, e 14% ultrapassam mesmo os 5 anos de espera — tempos incompatíveis com os ciclos de investimento modernos.

As entidades mais frequentemente apontadas como responsáveis pelos bloqueios, são: a Agência Portuguesa do Ambiente (76%), as Comissões de Coordenação de Desenvolvimento Regional (CCDR) (72%) e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) (71%), seguidos das Câmaras Municipais (54%), Direção-Geral da Alimentação e Veterinária (DGAV) (47%) e a Agência para a Competitividade e Inovação (IAPMEI) (43%). Num país que procura atrair investimento, estes atrasos representam um travão significativo ao crescimento económico, à inovação e à competitividade internacional (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

Por falar em greves gerais...

Recentemente teve lugar mais uma greve geral, em Portugal, um instrumento de contestação social que não ocorria há mais de 10 anos. A última greve geral aconteceu em 2013, no auge da intervenção da Troika, quando estavam em vigor medidas de austeridade muito severas. A greve geral de 2025 ocorreu num contexto económico distinto do de há uma década: o desemprego está em níveis historicamente baixos (6,1%) e os salários reais crescem a bom ritmo (+3%). No entanto, a mobilização dos sindicatos reflete preocupações com a reforma do mercado laboral, que o governo pretende levar a cabo com o objetivo de incentivar a criação de um mercado de trabalho mais dinâmico e mais capaz de se ajustar aos ritmos de mudança da economia global. Desde o 25 de Abril de 1974, registaram-se apenas 11 greves gerais — nove sob governos liderados pelo PSD e duas sob governos do PS. Isto, apesar de o PS ter liderado governos durante cerca de metade do período desde 1976 (em 25 dos 49 anos).

Importa também notar que as duas principais centrais sindicais - CGTP e UGT, historicamente, apresentam uma maior proximidade ideológica às forças políticas da esquerda. Essa afinidade não determina, mas tende a moldar o calendário e a intensidade das mobilizações, sobretudo quando estão em causa reformas estruturais promovidas por governos de orientação distinta. Assim, as greves gerais acabam frequentemente por assumir, também, uma dimensão de disputa política, para além da sua natureza estritamente laboral (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

A polémica da degradação das residências

Recentemente, o Ministro da Educação gerou polémica ao afirmar que os serviços públicos tendem a degradar-se mais rapidamente quando servem populações exclusivamente de baixos rendimentos, em vez de agregarem utilizadores de diferentes níveis socioeconómicos. No entanto, o próprio Ministro enquadrou melhor a afirmação, referindo que “os alunos mais carenciados não são responsáveis pela degradação” e que “quando temos um serviço público que é usado apenas por pessoas que não têm voz, que são de rendimentos mais baixos, por razões de gestão, o serviço se degrada”.

Mas, será que, por exemplo, as escolas com maior concentração de alunos mais pobres tendem a ser “mais esquecidas”? Os dados sugerem que sim. Desde 2007, as escolas secundárias públicas nos distritos de Lisboa e Porto com menor concentração de alunos beneficiários da Ação Social Escolar (ASE) foram mais abrangidas por requalificações. Cerca de 60,9% das escolas com menos de 10% de alunos com ASE beneficiaram de intervenções. Esse valor desce para 54,0% nas escolas onde entre 10% e 20% dos alunos recebem ASE. O contraste torna-se mais evidente nas escolas com maior concentração de alunos de baixos rendimentos: apenas 35,4% das escolas onde mais de 20% dos alunos beneficiam de ASE tiveram requalificações desde 2007. Ou seja, quanto maior a concentração de alunos economicamente mais vulneráveis, menor a probabilidade de investimento em infraestruturas.

Este padrão sugere que o problema das carentes condições de infraestruturas nas escolas com mais crianças de meios socioeconómicos mais baixos, resulta de um ciclo cumulativo de desinvestimento: escolas que servem populações mais carenciadas são menos requalificadas por estas terem menor poder reivindicativo, o que agrava a sua degradação física, reduz a sua atratividade e reforça a segregação socioeconómica no sistema educativo. Longe de ser uma questão moral, trata-se de um problema de equidade e eficiência do investimento público (fonte: Mais Liberdade, Mais Factos)

sábado, dezembro 13, 2025

Opinião: A greve que acelerou demasiado?

A greve geral desta semana (escrevo este texto na véspera da iniciativa político-sindical, sem conhecer o impacto e as habituais manipulações e distorções informativas das partes envolvidas na acção), mesmo que o neguem, foi mais uma iniciativa da central sindical do PCP - a CGTP - à qual aderiu a UGT, supostamente por oportunismo partidário, pessoal (no caso da sua liderança) e sindical - a central terá eleições no início do próximo ano e precisa de distanciar-se do executivo de Montenegro – por ser controlada pela ala sindicalista socialista.

Confesso que não li a versão original da proposta de alteração da legislação laboral do governo de Montenegro - que precisa ser mais claro, abandonando truques políticos no discurso e deixando de lado alguma arrogância e uma certa lógica de rei-na-pança a par de atitudes próprias de quem se julga único dono da verdade e das propostas válidas - nem isso sequer é importante. Ainda. E porquê? Porque há um processo negocial aberto, que obviamente vai dar origem a uma ou mais novas versões dessa proposta, as quais podem inclusivamente tornar os pretensos "fundamentos" da greve geral absolutamente obsoletos. Não acredito que muitas das propostas constantes da versão original montenegrista venham a constar de uma eventual versão futura da nova legislação laboral que venha a ser negociada séria e eficazmente, e aprovada de forma consensualizada. E nessa altura sim, o mundo sindical, se encontrar motivos suficientemente fortes de contestação, deve mobilizar-se abertamente, sem hesitações, sem subterfúgios e sem truques e chamar as pessoas para um combate pelo qual vale a pena lutar. Portugal não pode continuar a crescer economicamente, segundo dizem, mas a ter também cada vez mais precariedade, salários baixos, abusos empresariais, despedimentos em crescendo, jovens sem emprego ou, se trabalham, sem os rendimentos compatíveis com a sua formação, pobreza acelerada, etc. Mas esta legislação laboral, que vai continuar a ser negociada mesmo depois da tal greve geral, tenha tido ela o impacto e a dimensão que tenha tido - só pode ser assim! - não é a versão final, sobre a qual tudo se decidirá e com base na qual o mundo laboral e as relações entre empregadores e empregados vão funcionar e ser reguladas. Nada disso.