"Pedem-me uma antevisão sobre o que se poderá acontecer em 2026 na política regional, num quadro mais amplo de garantia de estabilidade política, económica e social na Madeira. Não é fácil - depois de tudo o que se passou nos últimos dois anos, no país e na Região, com várias crises políticas que conduziram a quedas de governos e a eleições antecipadas, sem que os chamados ciclos eleitorais de governação fossem concluídos - fazer qualquer prognóstico plausível.
Desde logo não considero que as presidenciais
sejam muito importantes para a Autonomia regional, tendo em conta as
competências dos inquilinos de Belém e o facto das competências legislativas e
constitucionais mais importantes e decisivas, estarem centradas na Assembleia
da República.
Claro que para a Autonomia regional é melhor ter
em Belém um aliado, discreto mas influenciador, que compreenda esta conquista
de Abril, do que ter alguém que, por formação ou opção política, prefira
alinhar na contestação à clarificação e reforço constitucional das Autonomias
regionais, questionando uma discussão inserida no do quadro constitucional no
que a este item diz respeito. Acresce que, considerando as promessas e os
protagonistas, salvo algum acidente de percurso que nos conduzisse a um
radicalismo ideológico inconcebível nos tempos que correm, não creio que a Autonomia
saia ameaçada ou sequer seja questionada ou posta em causa após as
presidenciais de 2026.
Em termos gerais, desejaria que a Madeira tivesse a
garantia de estabilidade, que politicamente seja capaz de definir prioridades,
calendarizando-as num quadro de potenciais negociações com Lisboa passíveis de
alcançar sucesso numa lógica de consenso regional alargado, tal como aconteceu
em 1991, a ser pragmaticamente construído, sem o qual duvido que possa ser alcançado
seja o que for de fundamental para o futuro da Autonomia regional.
Obviamente que sabemos todos, até pelo
enquadramento antecedente, que muito do que possa vir a acontecer, se vier a
acontecer, de nocivo para a estabilidade política regional, passa também pelo
tempo da justiça, pela evolução de processos pendentes no MP em Lisboa, que se
arrastam no tempo sem que se perceba qual o seu desfecho e qual o impacto na
política regional das decisões que forem tomadas, se é que poderemos colocar as
coisas nestes termos demasiado simplistas.
Recordo que,
depois do processo eleitoral presidencial, que ficará concluído até final de
Fevereiro de 26 - e admitindo que se manterá uma certa "paz podre" na
política a nível nacional, a par de algumas dúvidas, em termos de política
regional, só plausíveis caso os dois partidos no poder protagonizem mudanças
nas suas lideranças... - teremos eleições regionais, autárquicas e legislativas
nacionais apenas em 2029, seguidas das europeias em 2030. Ou seja, em situações
normais, e sem casos ou casinhos, incluindo com a justiça, existem condições
para uma certa estabilidade temporal de legislatura, o que não deixa de ser
importante no actual contexto político nacional e regional.
Acresce, finalmente, que ninguém sabe ao certo como vai evoluir a realidade política e económica europeia, na medida em que continuamos sob a pressão da guerra, ao mesmo tempo que aumentam os sinais de desilusão dos europeus e os consequentes movimentos de contestação e de questionamento dos milhares de milhões gastos num conflito sem fim, verbas que começam a afectar a vida dos europeus que já se manifestam nos centros das principais capitais europeias, incluindo Bruxelas. Sintomático!" (LFM, Dez 2025) - (Nota: O JM pediu-me um texto para a edição de 1 de Janeiro. Como é "habitual", no meu caso, o texto ultrapassou os caracteres que me são recomendados, pelo que publico na integra o referido texto enviado à redacção do Jornal da Madeira, apenas para dar a conhecer as ideias construídas)

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