sexta-feira, fevereiro 24, 2023

Sondagem: popularidade de Marcelo continua em queda

Avaliação média do chefe de Estado, que já foi a mais alta de um Presidente desde 2004, está no seu nível mais baixo desde que tomou posse em 2016. Exigência com o Governo mantém-se. Será um cenário normal, dirão muitos, que um Presidente da República vá perdendo alguma da popularidade que o levou ao cargo. Sobretudo tratando-se de Marcelo Rebelo de Sousa, que deu novos contornos ao sentido de popularidade do chefe de Estado. Com quase sete anos passados sobre a sua tomada de posse, o Presidente da República tem agora a sua avaliação média e o conjunto de avaliações positivas mais baixo desde 2016. Habituado a dar notas nos seus comentários semanais nas televisões, é agora Marcelo quem as recebe dos inquiridos: na sondagem do Cesop/Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, recebeu nota positiva, ou seja, igual ou superior a 10 de 79% dos inquiridos. Porém, a avaliação média está em queda acentuada desde o início do segundo mandato, e situa-se agora numa nota de 12,2, o que representa uma queda de 0,7 pontos desde Julho do ano passado. A essa classificação não será alheio o facto de Marcelo Rebelo de Sousa ter praticamente defendido o Governo em quase todas as polémicas que envolveram membros do executivo nos últimos meses. A excepção mais óbvia terá sido o caso da secretária de Estado da Agricultura, a quem Marcelo abriu a porta da rua e que provocou a sua demissão 26 horas depois de lhe ter dado posse em Belém. A oposição tem acusado o Presidente da República, em várias situações, de não exigir o suficiente do Governo.

Sondagem: Queda do PS leva a empate técnico com o PSD e direita ultrapassa a esquerda



Socialistas perdem seis pontos em relação à sondagem de Julho do Cesop. PSD só ganha um ponto. Quem também recupera terreno são o Chega, IL, Bloco e PAN. Direita toda junta chega aos 51%. Não é o PSD que melhora, é sobretudo o PS que piora: se as eleições legislativas se realizassem agora, haveria um empate técnico entre os dois maiores partidos e a direita conseguiria, toda junta, a maioria absoluta. Os resultados da última sondagem do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (Cesop) da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1 dão aos socialistas 32% das intenções de voto e 31% aos sociais-democratas, mostrando uma queda de seis pontos percentuais do PS e apenas uma ligeira subida de um ponto para o PSD quando comparado com o estudo realizado em Julho do ano passado. Um ano depois da maioria absoluta do PS, nem os socialistas nem mesmo a esquerda toda junta consegue alcançar novamente essa fasquia. O PS tem agora menos 9,5 pontos do que a votação que teve nas últimas legislativas, e o PSD está um ponto percentual acima do resultado nas urnas (29,86%). O Chega ganhou 3,5 pontos, a IL ganha 3, e o Bloco 2,5 pontos. Já a CDU encolhe meio ponto. Esta nova sondagem do Cesop/Católica, cujo trabalho de campo foi realizado entre os dias 9 e 17 deste mês, indica que os quatro partidos à direita – PSD, Chega, Iniciativa Liberal (IL) e CDS – obtêm, juntos, 51% das intenções de voto, contra os 47% de uma “geringonça” com todos os partidos da esquerda e o PAN. Aos 31% do PSD juntam-se os 11% do Chega, 8% da IL e 1% do CDS-PP.

Sondagem: Luís Montenegro é menos mau do que Rui Rio


Na avaliação, 26% dizem que o desempenho do novo líder do PSD é “mau” ou “muito mau”, quando Rio somava 32%. Porém, Montenegro só conseguiu subir a classificação “razoável” de 48 para 53%. Já passaram mais de sete meses desde que Luís Montenegro assumiu a presidência do PSD no congresso do Porto, no pavilhão Rosa Mota e onde então chegou acompanhado de Rui Rio, de quem recebeu a liderança do partido. As comparações são incontornáveis: Montenegro é apenas um pouco menos mau do que Rui Rio, de acordo com os resultados da sondagem do Cesop/Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1. Aos mais de mil inquiridos foi pedida uma avaliação do desempenho de Luís Montenegro como líder do PSD e houve uma fatia de um quarto dos inquiridos (26%) que "chumbou" o novo presidente social-democrata, respondendo que é "mau" (20%) e "muito mau" (6%). Ainda assim, Montenegro consegue que mais de metade considere que está a ter uma performance "razoável". Um em cada dez respondeu que tem sido um "bom" desempenho e apenas 1% o sublinhou como "muito bom".

Sondagem da Católica: Portugueses dão nota negativa ao Governo de António Costa

 

De acordo com uma sondagem realizada pelo CESOP - Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e Público, mais de metade dos inquiridos faz uma avaliação negativa do Governo. Ainda assim, uma larga maioria defende que o Executivo de António Costa deve cumprir o mandato até ao fim. Em relação ao Presidente da República, a avaliação foi piorando ao longo dos anos, mas mantém níveis elevados de popularidade. Já em relação a Luís Montenegro, os portugueses fazem uma avaliação mais positiva do desempenho do atual líder do PSD do que do seu antecessor, Rui Rio. Um ano após as últimas eleições legislativas, que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista, os portugueses fazem uma avaliação negativa do Governo de António Costa. Segundo a sondagem da CESOP, mais de metade dos inquiridos (53 por cento) dizem que o desempenho do Executivo tem sido “mau” ou “muito mau”. Por sua vez, 39 por cento avaliam o desempenho do Governo socialista como “razoável” e sete por cento como “bom”. Apenas 0,4 por cento dão nota “muito boa” ao Governo. A avaliação média é pior do que há seis meses, quando metade dos inquiridos avaliava o desempenho do Governo de Costa como “razoável”. A maioria dos portugueses (58 por cento) admite que as recentes polémicas associadas ao Governo alteraram a avaliação que fazem do Executivo e 87 por cento dos inquiridos dizem que os casos e demissões têm impacto na credibilidade do Governo de Costa.

Sondagem da Católica: Tombo do PS deixa direita à espreita

 

Um ano depois da maioria absoluta nas eleições legislativas, a sondagem da Universidade Católica para a RTP evidencia uma grande queda do PS, com apenas 32 por cento dos votos. Na estimativa de resultados eleitorais, os social-democratas surgem logo atrás, com 31 por cento. Se houvesse eleições, o conjunto dos votos dos partidos de direita ultrapassaria a junção dos votos da esquerda, algo que não se verificava desde 2015. A estimativa de resultados eleitorais na mais recente sondagem da Católica para a RTP dá sinais de uma esquerda em declínio e de uma direita em crescendo. Pouco mais de um ano depois das eleições que deram a maioria absoluta ao Partido Socialista, a sondagem mostra uma quebra abrupta do PS para os 32 por cento nas intenções de voto, muito longe dos 41 por cento das eleições de janeiro de 2022. Nesta sondagem da Universidade Católica Portuguesa para a RTP, Antena 1 e jornal Público, o PSD de Luís Montenegro alcança os 31 por cento, mais 1 por cento face à sondagem de julho de 2022, mais três pontos em relação ao resultado das últimas eleições legislativas, ainda sob a liderança de Rui Rio. Nesta sondagem, PSD, Chega e Iniciativa Liberal alcançam em conjunto 50 por cento das intenções de voto. Já o PS, Bloco de Esquerda, CDU, PAN e Livre ficam-se pelos 47 por cento. É a primeira vez que a direita ultrapassa a esquerda desde 2015.

Portugal está a envelhecer a um ritmo mais acelerado do que restantes países europeus

 

Enquanto na média da União Europeia a população envelheceu 2,5 anos, em Portugal o aumento foi de 4,7 anos. E o envelhecimento vai continuar a agravar-se até “entre 2040 e 2050”, avisa demógrafo. A população portuguesa é a que está a envelhecer a um ritmo mais acelerado no conjunto dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE), segundo o Eurostat. Em 2022, metade da população portuguesa tinha mais do que 46,8 anos de idade, a segunda idade mediana mais elevada no conjunto dos países analisados. Itália surge como o país que apresenta uma idade mediana mais elevada (48 anos), mas Portugal destaca-se pelo ritmo acelerado de envelhecimento: 4,7 anos, em dez anos. Em 2012, a idade mediana dos portugueses era de 42,1 anos, tendo aumentado para os referidos 46,8 anos. Em Espanha, que surge logo a seguir a Portugal, a idade mediana da população (isto é, o ponto em que a população se reparte em duas metades) aumentou 4,3 anos, enquanto na Grécia e na Eslováquia o aumento foi de 4,1 anos. “Os outros países vão tendo um índice sintético de fecundidade ligeiramente superior ao nosso – às vezes, não tão ligeiramente assim – e isso, não impedindo que envelheçam, faz com que envelheçam a uma velocidade menor”, interpreta o presidente da Associação Portuguesa de Demografia, Paulo Machado.

331 milhões, 800 milhões ou 1.300 milhões. Afinal, quanto custa descongelar o tempo de serviço dos professores?

Negociações entre Governo e sindicatos dos professores continuam sem acordo, há números para todos os gostos, mas, afinal, quanto custaria ao orçamento a recuperação integral das carreiras? As negociações entre Ministério da Educação e sindicatos dos professores sobre o novo modelo de recrutamento e colocação de docentes deveriam terminar esta quinta-feira. As estruturas sindicais admitem, no entanto, pedir uma reunião suplementar se não existir um acordo. O “braço de ferro” arrasta-se desde setembro e entre as principais reivindicações dos sindicatos está a recuperação integral do tempo de serviço dos professores, de forma a que exista equidade com os docentes da Região Autónoma da Madeira e dos Açores. A Fenprof, estrutura mais representativa do setor da Educação, já assegurou que está disponível para discutir um “protocolo de legislatura com prioridades e faseamentos” sobre o assunto, tendo em conta o peso financeiro da medida. Já do lado do Governo, o ministro da Educação garantiu “total disponibilidade” para discutir a valorização da carreira dos docentes, enquanto o primeiro-ministro reconheceu que os professores acumulam vários anos de “frustração”, mas afastou taxativamente essa hipótese, referindo que teria que fazer o mesmo com as restantes carreiras da Função Pública. Mas afinal, quanto custa descongelar o tempo de serviço dos professores?

Bispo José Ornelas: Drama dos abusos pode contribuir para "purificar" a Igreja

O bispo de Leiria-Fátima defendeu que o tema dos abusos sexuais “é um tema que não pode fugir do caminho quaresmal” e que “tomar a sério este drama será um modo de purificar e transformar positivamente a Igreja”. O também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na sua mensagem para a Quaresma dirigida aos diocesanos de Leiria, escreveu que é no “ambiente de conversão quaresmal” que são assumidos “a revolta e a humilhação pelos abusos sexuais que se verificaram na Igreja em Portugal nos últimos decénios”. “Sem entrar em polémicas sobre números — qualquer caso é uma enormidade injusta e dramática na vida de cada pessoa que foi vítima —, não podemos deixar de repudiar, lamentar e pedir perdão a quem foi objeto de cada um destes repugnantes atos”, sublinhou José Ornelas. Para o bispo de Leiria-Fátima, “repudiar e pedir perdão só têm sentido, porém, se significarem igualmente uma atitude ativa de não resignação e de determinada e concreta atitude de ir ao encontro de quem foi tão injustamente tratado e corajosamente se ergueu para denunciar, colaborando na reconstrução das suas vidas”.

Parte do capital da Bacalhôa, de Berardo, está a ser leiloada por 1,3 milhões de euros

 

Processo de execução colocado pelo BCP acaba na penhora de 1,87% da Bacalhôa de José Berardo. Leilão de parte do capital da produtora vinícola, que avalia toda a empresa em 70,6 milhões de euros, vai durar até 22 de março. Uma parte minoritária das ações da Bacalhôa Vinhos, do universo empresarial de José Berardo, está em leilão. A operação deve-se a um processo de execução colocado pelo BCP e, com a venda, o agente de execução espera conseguir 1,3 milhões de euros. O anúncio consta do site e-leilões, como noticiou inicialmente o Jornal Económico. Segundo os números que são apresentados, está em causa a venda de 1,87% do capital da empresa, ações que são detidas pela Associação de Coleções, de Berardo. O valor base para a compra das ações representativas daquele pedaço de capital da Bacalhôa é 1,3 milhões de euros, sendo que o mínimo que o agente de execução admite obter é 1,1 milhões – ainda assim, o montante de abertura é de 660 milhões. O leilão vai correr por mais um mês, até 22 de março. Tendo em conta este valor base no leilão, a Bacalhôa fica avaliada em 70,6 milhões de euros. A banca defende que José Berardo e as empresas do seu mundo empresarial deixaram por pagar créditos que ascendem a mil milhões de euros, e lançaram mão, uma década depois dos primeiros incumprimentos, de ações judiciais para tentarem ser ressarcidos - o mais relevante ativo que pretendem é a coleção de obras de arte expostas no Centro Cultural de Belém. Há um aviso para quem estiver interessado neste ativo de um grupo empresarial mergulhado em lutas judiciais: “É da exclusiva responsabilidade dos interessados proponentes a análise e interpretação da documentação disponibilizada, sem prejuízo das diligências que entendam efetuar na avaliação do bem a adquirir, assegurando-se que corresponde às expectativas”. Neste caso específico, está em causa o processo que o BCP colocou em 2021 contra a Metalgest e a Associação de Coleções, duas entidades do grupo empresarial Berardo, no Tribunal de Setúbal – comarca onde, já este ano, o mesmo banco colocou uma ação que visa diretamente a Bacalhôa, avaliada em 1,5 milhões. Contactado, o BCP não comenta. Também não há comentários do lado de José Berardo (Expresso, texto dos jornalistas Diogo Cavaleiro e Isabel Vicente)

Paraísos fiscais custam €500 mil milhões em impostos por ano, e regulamentação da União Europeia e OCDE "não é suficiente"

Mais quatro nomes na “lista negra”. Na semana passada, o Conselho Europeu acrescentou quatro países à lista de jurisdições que não colaboram com a União Europeia em assuntos fiscais: Ilhas Virgens Britânicas, Costa Rica, Ilhas Marshall e Rússia. A decisão foi tomada por Maria José Garde, economista espanhola que este mês assumiu a liderança do “grupo do Código de Conduta”, responsável pela elaboração da lista. A iniciativa não tem consequências práticas: o objetivo de Bruxelas, lê-se na página do Conselho Europeu, “não é envergonhar os países” visados, mas sim “encorajar melhorias nas suas legislações fiscais” através de cooperação com a UE. Antes de assumir o novo cargo, Maria José Garde foi diretora-geral dos Impostos em Espanha. Durante a sua alçada, em 2020, a transferência de dinheiro por parte de grandes empresas para paraísos fiscais disparou 131%. Mais de 40% dos lucros das principais companhias espanholas acabaram em contas abertas em territórios como as Bermudas e as Ilhas Virgem Britânicas, segundo o estudo “Missing Profits of Nations”, da Universidade de Berkeley e do National Bureau of Economic Research (NBER), publicado este ano. Os paraísos fiscais são associados a duas atividades: lavar dinheiro proveniente de crimes como o tráfico de armas ou de seres humanos; e evitar impostos. À partida, esta última finalidade não é ilegal: a arte de reduzir o esforço fiscal tem sido continuamente aperfeiçoada por milionários e empresas multinacionais nas últimas décadas, e investigações como os Panamá Papers (2016), Paradise Papers (2017) ou Pandora Papers (2021) mostraram como é uma arte obscura e complexa.

Guerra na Ucrânia vai deixar marcas permanentes na economia da Europa

 

Um ano depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, o choque sobre a inflação e o crescimento não levou a uma recessão severa na UE. Mas, perda de rendimentos reais, maior conflitualidade social, a aumento do protecionismo e da despesa militar são marcas para o futuro. Foi em plena recuperação da crise pandémica que a invasão da Ucrânia pela Rússia, a 24 de fevereiro de 2022, apanhou a economia europeia. O impacto sobre a inflação e o crescimento foi (quase) imediato: a escalada dos preços atingiu níveis inéditos na história do euro e a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) foi abrandando até quase estagnar. O conflito tornou a Europa — Portugal incluído — mais pobre. Ainda assim, um ano depois, os receios de uma recessão severa não se concretizaram e os economistas esperam um regresso à normalidade no crescimento e na inflação. Mas avisam de que há marcas que vão ficar para o futuro, como a perda de rendimentos reais, maior conflitualidade social e aumento do protecionismo e da despesa militar. O aumento dos preços da energia, sobretudo do gás natural, foi um dos efeitos da guerra com maior impacto na economia da União Europeia (UE). Como quase todos os países da UE são importadores de energia, houve “um enorme aumento nos custos de produção, que inflacionou os preços e diminuiu a produção e consumo”, frisa Ricardo Reis, professor da London School of Economics. A que se somou o aumento no preço de bens agrícolas e alguns minérios. “Ambos os efeitos causam uma recessão, sobem a inflação e tornam-nos mais pobres”, vinca o economista.

segunda-feira, fevereiro 20, 2023

Como Putin enganou cinco presidentes norte-americanos para reerguer a URSS

Desde os anos 90 que os Estados Unidos da América confrontam as ações de Vladimir Putin, atravessando o líder russo já cinco presidentes. Nenhum ainda teve sucesso em travar as ambições bélicas russas. De Bill Clinton a Joe Biden, uma investigação inédita aos bastidores do Kremlin revela como Vladimir Putin enganou cinco presidentes norte-americanos, para tentar reconstruir uma Rússia imperial. Putin desconfiava do Presidente Bill Clinton, dado que já tinha publicamente defendido a propagação da liberalização e democracia da Rússia. Porém, diante das câmaras, Clinton agia com cuidado. Apesar do cuidado, desde o início as preocupações de Clinton estavam a concretizar-se: a tentativa de expansão russa.

George Bush

No que dizia respeito a George Bush, por enquanto Putin tinha conquistado o presidente norte-americano. No entanto, a guerra do Iraque virou o jogo e a derrota, para Putin, era um eco dos últimos dias da União Soviética. Na Conferência de Segurança de Munique, o Presidente russo acusou os Estados Unidos de imporem a sua democracia noutras nações. Apenas quatro meses depois, Putin atacou a Geórgia. Perto do fim do mandato, Bush deixaria o crescente conflito com Putin para o sucessor: Barack Obama

Alentejo foi a região portuguesa com maior aumento do PIB em 2021 e a Madeira no topo

 


O PIB português aumentou em todo o território em 2021, mas a região onde mais cresceu foi no Alentejo: 6,8% face a 2020. Face a 2019, o Algarve foi uma das regiões da UE que registou uma maior queda. O Produto Interno Bruto (PIB) português aumentou em todo o território em 2021, ano em que se iniciou a retoma face ao primeiro ano de pandemia. Em relação ao ano anterior, todas as regiões do continente aumentaram o PIB entre 5% e 7%, à exceção da região Centro. Nas ilhas, o destaque vai para a Região Autónoma da Madeira, onde o PIB cresceu 8%. Na Região Autónoma dos Açores a subida foi de 5%. Os dados divulgados esta segunda-feira pelo Eurostat avançam que, em 2021, se registou um aumento do PIB em todas as regiões da União Europeia (UE), excetuando três: a província belga de Brabante Valão (onde houve uma queda de 2,4%), a região francesa de Mayotte (diminuição de 0,7%) e a austríaca de Tirol (uma queda de 0,2% do PIB).


Nas regiões portuguesas (considerando apenas Portugal continental), aquela onde o PIB mais aumentou em 2021 foi o Alentejo (um aumento de 6,8% face a 2020). Seguiu-se a Área Metropolitana de Lisboa (AML) e o Algarve (ambas com um aumento de 5,6%), a região Norte (5,4%) e o Centro (4,8%).

Comparando estes dados com os de 2019 (o último ano antes do início da pandemia), no total 79 regiões tinham um volume do PIB mais elevado. As três regiões com maior crescimento no PIB situavam-se todas na Irlanda. Entre elas estão a Irlanda do Sul (aumento do PIB em 28,4%), a Irlanda de Leste e Central (que subiu o PIB em 15,4%) e a Irlanda do Norte e Oeste (um aumento de 14,1%).

Por seu lado, as regiões onde se registou uma maior queda do PIB em 2021 — quando comparado com 2019 –, localizam-se em Espanha e Portugal, nomeadamente: as ilhas Baleares, em Espanha (uma queda de 15%), o Algarve (menos 13,8%) e as ilhas Canárias, também em Espanha (uma descida de 13,4%). Três regiões fortemente dependentes do turismo, uma das atividades mais penalizadas pela pandemia.

O gabinete de estatística europeu ressalva que, a partir de 2019, com a pandemia da Covid-19 todas as regiões da UE foram fortemente afetadas, especialmente no que diz respeitos aos indicadores económicos e sociais. Por esse motivo, o volume de crescimento do PIB registado em 2021 é, em muitos casos, inversamente proporcional às quedas registadas em 2020. Relativamente ao PIB per capita, o destaque vai para a região do Luxemburgo, que em 2021 detinha o mais elevado (268%). Seguem-se a Irlanda do Sul (261%) e a Irlanda de Leste e Central (239%). O Eurostat adianta que estes valores se explicam, parcialmente, pelo elevado fluxo de trabalhadores que emigram para Luxemburgo — em 2021, o salário mínimo no Luxemburgo para os trabalhadores não qualificados era de 2.200 euros — e Bruxelas e por algumas empresas multinacionais que têm como domicílio a Irlanda.

No que toca ao caso português, as regiões onde o PIB per capita surge mais elevado em 2021 são a AML e o Algarve (com 96% e 76%, respetivamente). O Alentejo registava um PIB per capita de 71%, a região Centro de 66% e o Norte de 65%. O país encontra-se maioritariamente no nível mais abaixo na escala utilizada pelo Eurostat. As regiões onde o PIB per capita se mostra mais elevado situam-se na Europa Central e nos países nórdicos (ECO digital, texto da jornalista Mariana Marques Tiago)

Venezuela: Las diferencias en la oposición dificultan la celebración de las primarias en junio

Las elecciones primarias que había planificado la oposición venezolana como instrumento para dirimir sus diferencias y escoger un liderazgo unificado para enfrentar a Nicolás Maduro en las presidenciales de 2024 ha entrado en una zona de turbulencias. El final del gobierno interino de Juan Guaidó a finales de 2022ha tensado aún más la relación entre los líderes opositores y si hace un mes se hablaba de celebrar las primarias en junio de este año ahora esa fecha se antoja difícil. Hace unas semanas había consenso en todos los extremos las fuerzas democráticas en la idea de las primarias abiertas a la población, pero el retardo de sus gestiones, el silencio de los políticos y la lentitud en torno a la obtención de los recursos ha encendido las alarmas. Algunas fuentes vinculadas a la oposición ya confirman que es difícil que puedan celebrarse en junio. En las propias corrientes opositoras hay diferencias muy claras sobre el proceso. Por ejemplo, sobre la pertinencia de solicitar o no la asistencia del Consejo Nacional Electoral, -instancia que domina el chavismo pero que tiene presencia opositora- y sobre la viabilidad del voto de la diáspora. La Plataforma Unitaria ya solicitó al CNE la habilitación de los 14.000 centros de votación del país, una demanda que aún no ha sido respondida. Vente Venezuela, el partido de María Corina Machado, ha insistido en organizar unos comicios con voto manual. Sobre este punto también abundan las divergencias.

Venezuela: El chavismo avanza en el control estatal de las ONG

 

La advertencia de Diosdado Cabello de hace una semana se concretó. El número dos del chavismo presentó este martes un proyecto de ley en la Asamblea Nacional para controlar el trabajo de las organizaciones no gubernamentales y que levanta las alarmas en la sociedad civil por las posibles restricciones que plantee a la libertad de asociación, la actuación en un contexto de crisis humanitaria y a la recepción de fondos de cooperación internacional que sostienen a la mayoría de esas asociaciones. “Detrás de una ONG hay caras, partidos políticos, lo demás es una absoluta hipocresía. Estoy seguro que si nosotros revisamos los nombres de quienes están detrás de esas fachadas llamadas ONG viven a cuerpo de reyes porque se la pasan viajando por el mundo”, dijo el diputado y vicepresidente del partido de Gobierno (PSUV) durante el debate, en el que se aprobó la norma que ahora irá a una segunda discusión en un Parlamento totalmente controlado por el chavismo.

Venezuela: La caída libre de la oposición venezolana: el cese de Guaidó compromete su influencia y los activos en el extranjero

Estados Unidos ha decidido tomar posesión de la Embajada de Venezuela en Washington una vez que la oposición venezolana dejó sin efecto la existencia de la denominada presidencia interina, alternativa a la de Nicolás Maduro, que ejerció hasta el mes pasado Juan Guaidó. Washington argumenta que al quedar liquidada la plataforma ejecutiva que desconocía la legalidad chavista desde 2019, no existe un interlocutor legítimo con el cual entablar un contacto en calidad de reconocimiento político, y que los intentos de la denominada Comisión de Protección de Activos, nombrada por la Asamblea Nacional del año 2015, para sustituir a la presidencia Interina, no son procedentes. La decisión de Estados Unidos, que muchas personas en Venezuela daban por descontada, ha tomado por sorpresa a ciertos sectores políticos promotores del estatus actual del postinterinato, y ha avivado el agrio intercambio de reclamos que se hacen facciones de la oposición venezolana, responsabilizándose del fracaso por forzar una transición a la democracia en el país.

En particular, han aumentado los temores de que la disolución de la presidencia Interina precipite la pérdida de espacios políticos y los activos internacionales que la oposición venezolana ha controlado y administrado una vez que en 2019 se concretara la irrupción de Juan Guaidó desde el Parlamento desconociendo el Gobierno de Nicolás Maduro, con apoyo de parte de la comunidad democrática internacional. El fin del interinato, una aspiración compartida por muchos antichavistas, presenta ahora sus daños colaterales.

Venezuela: La oposición comienza en España una gira europea para mostrar unidad

 

La Plataforma Unitaria que reúne a la oposición venezolana ha iniciado una gira por Europa para tratar de recomponer las posiciones internacionales sobre la crisis política venezolana, en medio de una distensión de las presiones contra Nicolás Maduro. La primera parada ha sido en Madrid, donde un sector opositor pidió una participación más activa de España en las negociaciones entre el Gobierno chavista y la oposición en México. Este proceso parece estancado después de que en octubre se acordara descongelar fondos del Estado venezolano en el extranjero, bloqueados por las sanciones, para usarlos en la atención humanitaria bajo la administración de Naciones Unidas. Tres meses después, no se ha avanzado en eso. Para el jefe de la delegación opositora, Gerardo Blyde, “es una gira importante para fortalecer el proceso de negociación en México y realinear intereses”, aunque él no ha participado directamente en la reunión en Madrid. Este domingo, el ministro de Exteriores, José Manuel Albares, recibió a una parte de la delegación opositora. El funcionario dijo que España “acompañará el diálogo” a solicitud de los opositores, pero no está claro de qué forma y si se designará a un representante. “La oposición me ha solicitado que España esté tan cerca del proceso de diálogo como sea posible y, por supuesto, les he contestado afirmativamente”, declaró a la agencia EFE.

Venezuela: Nicolás Maduro estrecha sus vínculos con las iglesias evangélicas

 

Un camión con sillas, equipos de sonido y pintura llegó a uno de los complejos de edificios que el Gobierno venezolano construyó hace años dentro de la base militar Fuerte Tiuna en Caracas. Los materiales eran para las iglesias evangélicas Unción de Dios y Salmo 32. Hubo palabras de funcionarios, oraciones con las manos levantadas y un grupo de jóvenes vestidos de blanco hizo coreografías cristianas. Así se concretó hace una semana el primer despacho del nuevo programa gubernamental Mi Iglesia Bien Equipada, anunciado hace unos días por el mandatario Nicolás Maduro, durante la celebración del Día del Pastor y la Pastora Evangélicos, creado por el mismo Maduro en 2019. El mandatario venezolano ha estrechado sus vínculos con un sector de la iglesia evangélica que se ha constituido en un movimiento político para apoyarle. Maduro se ha referido a ella como “la verdadera iglesia de Dios”, para oponerla a las jerarquías católicas, con las que históricamente el chavismo ha tenido fricción,y a los sectores más tradicionales de las iglesias pentecostales. Su hijo, Nicolás Maduro Guerra, al que los pastores llaman hermano en los actos públicos, lleva el pulso de esta relación como un objetivo político y de Gobierno, desde la Vicepresidencia de Asuntos Religiosos del Partido Socialista Unido de Venezuela.

Venezuela: Venesis, una plataforma para reencontrar a los venezolanos en los temas del futuro

Futuro es una palabra que se ha quedado atascada en la prolongada crisis política y humanitaria que vive Venezuela desde hace años. Podría ser casi una incorrección política hablar ello, cuando los venezolanos tienen el saco lleno de los problemas de hoy sobre los que no hay a la vista un horizonte de salida. Sobre ese escenario se lanza la plataforma Venesis, una iniciativa de la Universidad Católica Andrés Bello, que ya se ha dedicado a documentar esa crisis con sus encuestas anuales de condiciones de vida — la única bitácora del estado del país disponible ante la ausencia de datos oficiales públicos — y que ahora se propone a divulgar el futuro a partir de 11 temas que abarcan tres grandes transiciones globales: la energética, la del cambio climático y la digital.

“Queremos plantear las preocupaciones del futuro como lugar de encuentro de los venezolanos”, explica el sociólogo Luis Pedro España, coordinador general de Venesis y director del Centro para el Tercer Sector de la UCAB. “Hay temas de inclusión social todavía por debatir y que iremos sumando —reconoce España— pero partimos de que la Venezuela petrolera ya no tiene respuestas para los retos del futuro”. Los temas están en bisagra con esa transición energética que tiene pendiente el país petrolero, que puede hacerse más costosa para los venezolanos si no se habla de ella a tiempo.

La oposición venezolana convoca primarias el 22 de octubre para elegir al candidato que enfrente a Maduro en 2024

La Comisión Nacional para la Elección Primaria encargada de organizar una consulta nacional para elegir al nuevo líder de la oposición venezolana, de cara a los comicios presidenciales de 2024, ha puesto fecha para el próximo 22 de octubre. Los candidatos se postularán entre mayo y junio y se buscará la forma de que los venezolanos que están en exterior puedan participar en la votación. La oposición atraviesa una grave crisis por las divisiones que hay entre los diferentes partidos, más profundas desde la desaparición del gobierno interino de Juan Guaidó a finales de año. La elección de un nuevo liderazgo es urgente porque será quien se enfrente a Nicolás Maduro en las elecciones de 2024.

La fecha se venía barajando desde hace meses pero aún no se había alcanzado un consenso. El acto de este miércoles, organizado en el Anfiteatro El Hatillo, en las afueras de la ciudad, contó con la presencia de parte de la plana dirigente opositora que sigue en el país – además de algunos precandidatos y el Secretario Ejecutivo de la Plataforma Unitaria, Omar Barboza- miembros del cuerpo diplomático, académicos y activistas de la sociedad civil democrática nacional.

Venezuela: La caída libre de la oposición: el cese de Guaidó compromete su influencia y los activos en el extranjero


Estados Unidos ha decidido tomar posesión de la Embajada de Venezuela en Washington una vez que la oposición venezolana dejó sin efecto la existencia de la denominada presidencia interina, alternativa a la de Nicolás Maduro, que ejerció hasta el mes pasado Juan Guaidó. Washington argumenta que al quedar liquidada la plataforma ejecutiva que desconocía la legalidad chavista desde 2019, no existe un interlocutor legítimo con el cual entablar un contacto en calidad de reconocimiento político, y que los intentos de la denominada Comisión de Protección de Activos, nombrada por la Asamblea Nacional del año 2015, para sustituir a la presidencia Interina, no son procedentes.

La decisión de Estados Unidos, que muchas personas en Venezuela daban por descontada, ha tomado por sorpresa a ciertos sectores políticos promotores del estatus actual del postinterinato, y ha avivado el agrio intercambio de reclamos que se hacen facciones de la oposición venezolana, responsabilizándose del fracaso por forzar una transición a la democracia en el país.

Venezuela: La moda de las bodas comunitarias en Caracas: un sí quiero junto a una multitud

Caracas. “¡Beso, beso, beso!”, decía el alcalde antes de llamar a la próxima pareja que declararía en matrimonio civil, justo después de coordinar que todos miraran a la cámara para el retrato y de invitar a compartir el evento en redes sociales, “para que se sepa”. En la plaza Altamira de Caracas, la tarde de San Valentín, un día de tránsito pesado en la ciudad como toda efeméride comercial, 24 parejas aprovecharon la oferta que hizo la municipalidad de Chacao de casarse en una boda comunitaria, con gastos de maquillaje y peinados pagos para ellas más asesorías en la selección de los vestidos, botella de espumante con copas, fotografías de ocasión y una noche en un hotel para la luna de miel.

“Queremos inculcar valores a los niños y personas que se acercan acá a la plaza y vean que la familia es la base fundamental de la sociedad, queremos fomentar valores morales y familiares”, dijo Gustavo Duque, el mandatario local del municipio más pequeño y de más ingresos de la ciudad. A la boda colectiva se apuntaron todos los que lograron consignar los documentos legales requeridos a tiempo, pues según los organizadores hubo gente que quedó en lista de espera. Wilmer y Merchy fueron los últimos en apuntarse. Tienen una relación de 10 años con hijos, pero habían tenido problemas para renovar la cédula de ella para casarse. “Estoy emocionado”, comentó antes de que su pareja entrara en fila con las otras mujeres vestidas de novias. También formalizaron su historia de amor de 23 años Luis, de 63 años, y Giolly, “ahora de Velásquez”, de 54 años. Eran la pareja de más edad y la más fotografiada en un evento que este alcalde repite por segunda vez, una fórmula que ha sido una vieja tradición de políticos venezolanos, pero que esta vez fue cubierto hasta por las agencias internacionales de noticias. Giolly de Velásquez, 54, se arregla el dobladillo del vestido entre las demás novias antes de la boda colectiva.

Venezuela: La radical María Corina Machado o el comediante Rausseo lideran el comienzo de la carrera por las primarias opositoras

 

El descalabro que ha vivido la oposición venezolana en los últimos meses ha colocado a liderazgos menos tradicionales, incluso impensables hace un tiempo, al frente de la carrera por las primarias del 22 de octubre para escoger el candidato que enfrentará a Nicolás Maduro en las presidenciales de 2024. Una política del espectro más conservador y radical, María Corina Machado, y el comediante Benjamín Rausseo, mejor conocido por su personaje Er Conde del Guácharo, lideran las intenciones de votos entre opositores en distintos sondeos de opinión. Esto ocurre cuando el 66,2% de los encuestados en el mes de enero por More Consulting describen la situación del país como mala.

La oposición intenta recomponerse luego de haberle complicado al Gobierno la partida en los últimos tres años con el cerco internacional y las sanciones, un forcejo en el que la coalición terminó aún más fragmentada. El proceso de primarias parte, sin embargo, con 30% de disposición a participar entre opositores y no alineados, en un escenario en el que el Gobierno ha perdido la fortaleza que logró durante los primeros siete meses de 2022, cuando logró mantener la economía estable. Maduro todavía retiene entre un 26 y 30% de aprobación, lejos de sus peores años de popularidad.

domingo, fevereiro 19, 2023

Bispo do Funchal reconhece falhas da diocese no passado, Só no passado?

O bispo do Funchal reconhece que a diocese pode não ter agido, no passado, como devia nas situações de abusos sexuais por parte de sacerdotes. D. Nuno Brás ouvido pela rádio pública garante que a diocese está solidária com as vítimas no relatório da comissão independente divulgado, onde foram reportados 14 casos na Região.

Perigoso: Os mais novos acham que o holocausto foi um mito: Auschwitz-Birkenau Memorial com visitas online pelo não esquecimento



22% dos Millenials e da Geração Z dos Países baixos acham normais pontos de vista Neonazis, a Fundação Auschwitz-Birkenau vai passar a ter visitas virtuais, acompanhadas por guias em direto, contra a ignorância. Esta é uma iniciativa que faz frente ao desconhecimento que existe, principalmente entre as gerações mais novas, sobre o Holocausto. A Fundação Auschwitz-Birkenau passará a oferecer visitas virtuais ao Auschwitz-Birkenau Memorial. A plataforma serve para pessoas de todas as idades e de todas as partes do mundo. Agenda-se a visita, que será acompanhada por um guia em direto, que vai gravando e fazendo explicações por onde passa. "É possível transmitir a experiência da tragédia pela internet", explicou Wojciech Soczewica, diretor geral da Fundação Auschwitz-Birkenau. "À medida que o guia explica o que estamos a ver no site, nós temos camadas de conteúdo adicional que dão explicações complementares", explicou Aya Feldman, a diretora criativa. No entanto, Aya acredita que Auschwitz é autoexplicativo, é "solo sagrado", pelo que tudo o que adicionam é feito da forma menos intrusiva possível.

Expresso: Como Neeleman, Passos e a Airbus gizaram privatização da TAP em segredo

 

O empresário americano negociou a troca da frota da TAP com a Airbus antes de se tornar acionista e usou a poupança conseguida para entrar na transportadora. Uma operação que só agora se tornou conhecida e que, na reversão da privatização, feita com o Governo de Costa, permitiu a David Neeleman sair com €55 milhões. A TAP está a ponderar contestar o negócio na Justiça. O negócio de troca da frota da TAP que o empresário David Neeleman fez com a fabricante de aviões Airbus na altura da privatização da companhia portuguesa — 12 aviões A 350 por 53 novos contratos para aeronaves A 330neo e A320neo —, em 2015, está sob os holofotes sete anos depois. Tudo porque só agora se ficou a saber que foi o dinheiro ganho com essa operação que a Atlantic Gateway (empresa de Neeleman e Humberto Pedrosa) entregou para capitalizar a companhia. Um segredo bem guardado, mas do qual estavam a par todos os principais intervenientes na privatização do Governo de coligação PSD/CDS e na reversão da privatização já no Governo de António Costa, em 2017. Operação que permitiu ao Estado ficar com a maioria do capital da TAP, perdendo a Atlantic Gateway os 61%.

Madeira: quase 21 mil postos de trabalho na Administração Regional

 

De acordo com a informação divulgada pela Direção Geral da Administração e do Emprego Público (DGAEP) - entidade responsável pela compilação da informação relativa aos recursos humanos dos órgãos e serviços da administração Pública em Portugal - que publicou a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP) para o 4.º trimestre de 2022 no passado dia 14 de fevereiro, existiam 20.901 postos de trabalho na Administração Regional da Madeira (ARM) a 31 de dezembro de 2022. Face ao trimestre anterior, a variação foi de mais 95 (+0,5%) postos de trabalho, observando-se em termos homólogos um aumento de 220 postos (+1,1%). Comparativamente ao final de 2011 houve uma diminuição de 452 postos (-2,1%). Por sua vez, o Instituto de Segurança Social da Madeira, que segundo a classificação de unidades institucionais deve ser apresentado separadamente da ARM, contabilizou 1 398 postos de trabalho em 31/12/2022. Face ao 3.º trimestre de 2022 registou-se um aumento de 121 trabalhadores (+9,5%), e em relação a 31/12/2021, um crescimento de 89 trabalhadores (+6,8%). Comparativamente a 31/12/2011, contabilizaram-se menos 13 trabalhadores (-0,9%).

sexta-feira, fevereiro 17, 2023

Primeira-ministra da Escócia demite-se. “Só muito recentemente comecei a compreender o impacto físico e mental que isto tem em mim”

Nicola Sturgeon anuncia a partida de forma inesperada. Chefia o governo regional e o partido independentista SNP desde 2014 e pretendia fazer das próximas eleições regionais um plebiscito de autodeterminação, depois de o Supremo Tribunal britânico a ter proibido de convocar novo referendo. Nicola Sturgeon vai abandonar a chefia do Governo regional da Escócia e do Partido Nacional Escocês (SNP). A decisão inesperada foi anunciada numa conferência de imprensa, esta quarta-feira, em Edimburgo. Declarando-se orgulhosa do trabalho feito, a dirigente considera que parte da boa governação é “saber quase instintivamente quando sair”. E afirma que sabe agora, “na cabeça e no coração”, que é o melhor para o SNP e a Escócia. Ficará em funções até à eleição de um sucessor, afirmou.

Aos que fiquem “chocados, desapontados ou até zangados” consigo pela demissão, pede compreensão. “Esta decisão não é uma reação a pressões de curto prazo”, afirma, referindo-se a polémicas recentes. Essas, garante, todos os governos enfrentam. E diz que há semanas que se debatia com esta questão.

“Tenho tido de me esforçar mais nos últimos tempos”, reconhece, para se convencer de que é capaz de continuar no cargo por mais anos. “Cheguei à conclusão de que não.” Alegando que os mais de oito anos no poder propiciaram que se criassem ideias “fixas e difíceis de mudar” sobre si, admite: “Acho que só muito recentemente comecei a compreender, já nem digo a processar, o impacto físico e mental que isto tem em mim.”

Venezuela: "O Governo interino de Guaidó foi uma grande ilusão"

 

Mesmo exilado em Madrid há cerca de seis anos, o advogado e político venezuelano acorda todos os dias a pensar no seu país. Sem esperança numas eleições livres, defende que é necessária ‘uma nova orientação e condução política’ na Venezuela.

De forma breve, para quem não o conhece em Portugal, o que marcou o seu percurso na política venezuelana?

Comecei a dedicar-me à política desde que era praticamente um adolescente. Vivia numa povoação provinciana da Venezuela. Fui estimulado pela minha incursão em atividades complementares à escola. Ali, despertou-se em mim uma preocupação pelos temas sociais e humanos, quando ainda era praticamente uma criança, tinha 12 ou 13 anos de idade. E, desde então, tenho abraçado a atividade política com uma grande paixão. Tanto é assim  que se tornou uma maneira de ser, de desenvolver o meu pensamento crítico, a minha imaginação, desde os 13 anos até agora, aos 67 anos de idade, ou seja, de maneira ininterrupta.

Como é ser um exilado político a viver em Espanha, tão longe da Venezuela?

Muito doloroso, porque não deixa de sentir-se a falta da terra em que nascemos. Então, é uma luta, é uma luta diária entre a nostalgia, a melancolia, as lembranças que vou evocando e a realidade com a qual nos confrontamos, como exilados. É por isso que temos de tentar conciliar esses dois sentimentos. O desejo de voltar e a realidade que nos diz que temos que procurar sobreviver longe da pátria que nos pariu.

Galp quase duplica lucros em 2022 para 881 milhões e aumenta dividendo....

Lucros da petrolífera dispararam 93% em 2022 para 881 milhões de euros. Empresa decidiu aumentar o dividendo para 52 cêntimos por ação e recomprar ações. Também vai vender ativos em Angola. A Galp Energia praticamente duplicou os lucros em 2022, ano que ficou marcado pela crise energética e pelo início da guerra na Ucrânia. O resultado líquido da petrolífera foi positivo em 881 milhões de euros, um crescimento de 93% face ao ano anterior. Face a este resultado, a administração da companhia propõe distribuir um dividendo bruto de 52 cêntimos por ação, que compara com os 50 cêntimos pagos sobre o exercício do ano prévio, e executar um programa de recompra de ações de 500 milhões de euros ao longo do ano de 2023. Em setembro, já tinha distribuído um dividendo intercalar de 26 cêntimos. A Galp anunciou também que vai desinvestir nos ativos upstream (produção/exploração) em Angola. A empresa informa ter assinado um acordo com a SOMOIL – Sociedade Petrolífera Angolana para a venda dos mesmos e espera receber cerca de 830 milhões de euros pela venda, líquidos de impostos. A transação deverá ficar fechada no segundo semestre de 2023.

Portugueses com dificuldades para renovar vistos de residência e aceder a medicamentos na Venezuela

 

Os portugueses estão com dificuldades para renovar os vistos de residência na Venezuela, o que os impede de trabalhar normalmente e levou a APA-Associação de Produtores Agrícolas de Los Altos Mirandinos a apelar à intervenção de Portugal. Situada a sul de Caracas, a APA disse ainda que há dificuldades no acesso a medicamentos para diversos tratamentos e emigrantes a precisar de ajuda económica de Lisboa. “Que o Governo português nos ajude, a nível do Governo daqui, a solucionar este grave problema, porque não podemos nem trabalhar porque os documentos estão caducados”, afirmou a presidente da APA, Maria Neves Correia Pereira. A dirigente associativa falava à Lusa no âmbito de uma jornada de recolha de dados de luso-venezuelanos do estado de Miranda, em São Pedro de Los Altos (35 quilómetros a sul de Caracas) onde vivem agricultores e floricultores portugueses.

Os milhões do FMI para Portugal, de Vasco Gonçalves a Passos Coelho

Em 1977 Soares pediu 2 milhões de contos para combater o buraco nas contas externas. Mas desde 1975 que Portugal bate à porta do FMI tendo pedido 12 operações de financiamento, desde 1975 até ao resgate de 2011. Quando se fala de resgates a Portugal pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) inicia-se a história recordando o financiamento obtido em 1977 pelo primeiro governo de Mário Soares para combater o buraco nas contas externas.

Em abril daquele ano, Medina Carreira, ministro das Finanças, e Silva Lopes, governador do Banco de Portugal (BdP), enviaram uma Carta de Intenções ao FMI em Washington pedindo um financiamento ao abrigo de uma linha de crédito que, no dicionário do Fundo, se chama stand-by agreement (SBA, no acrónimo em inglês). É um programa dirigido a economias de rendimento médio que exige condições, metas a cumprir, para receber o dinheiro. Foi o primeiro SBA a que Lisboa recorreu.

Portugal sacou, então, do Fundo 2 milhões de contos, na estimativa do Expresso, usando os câmbios da unidade monetária do FMI, o direito especial de saque (SDR, no acrónimo em inglês), para escudos referidos por José João Barreiros Pãozinho no seu trabalho de investigação sobre os SDR e o ÉCU no Sistema Monetário Internacional ("O Direito de Saque Especial e o ÉCU no Sistema Monetário Internacional", 1988). O conto valia mil escudos, que era a moeda portuguesa de então.

ONU pede que sejam levantadas as sanções internacionais contra a Venezuela

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos pediu o levantamento das sanções internacionais contra a Venezuela porque agravam a crise económica e social que já levou mais de sete milhões de pessoas a abandonar o país. Embora as raízes da crise económica na Venezuela sejam anteriores à imposição de sanções económicas (…), é evidente que as sanções impostas em 2017 agravaram a crise económica e prejudicaram os direitos humanos”, disse Volker Turk. O responsável falava numa conferência de imprensa em La Guaira (norte de Caracas), no fim de uma visita de três dias ao país. Na altura, disse ter recomendado “que os Estados-membros suspendessem as medidas (sanções), que têm um efeito prejudicial sobre os direitos humanos e agravam a situação” no país. Durante a visita à Venezuela, Volker Turk teve reuniões com o Governo do Presidente Nicolás Maduro, representantes da sociedade civil, da oposição, da Igreja Católica e ativistas dos Direitos Humanos. Dessa ronda de conversações, disse ter percebido “o estado fragmentado e dividido da sociedade venezuelana e a confiança mútua fraturada entre grupos”, bem como “a necessidade premente e a ânsia expressa por muitas das pessoas para que sejam construídas pontes para tentar colmatar essas brechas”. “É importante promover o diálogo e fomentar a cura, após décadas de rutura”, disse o Alto-Comissário, referindo-se a desafios políticos, económicos, sociais e de Direitos Humanos, e à necessidade de que “os atores nacionais e internacionais, e a ONU, ajudem a Venezuela a superar a crise”. Volker Turk disse que teve “conversações francas” com as autoridades e encorajou-as a dar passos significativos para reformar os “setores da justiça e da segurança, a ter a iniciativa de fomentar a confiança com as vítimas e organizações da sociedade civil, a promover o diálogo, a responder muito particularmente às vítimas e a tratá-las” (Lusa)

Estado obrigado a pagar indemnizações a lesados do BPN. Valor é superior a 2,7 milhões de euros

O Estado vai reembolsar o EuroBic por todas as indemnizações que o banco tem sido condenado a pagar a ex-clientes do Banco Português de Negócios (BPN) que investiram ao engano em obrigações emitidas pela Sociedade Lusa de Negócios, então proprietária do banco.  A notícia é avançada pelo Jornal de Notícias, que adianta que este reembolso consta do acordo da reprivatização do BPN, nacionalizado em 2008 e alienado três anos mais tarde ao BIC, atual EuroBic. "O Estado está obrigado a reembolsar o atual banco EuroBic, pelas despesas por si liquidadas, na execução de decisões judiciais referentes a litígios, conforme disposto no acordo quadro e no contrato de compra e venda das ações representativas da totalidade do capital social e direitos de voto do banco BPN", confirma o Ministério das Finanças ao Jornal de Notícias. A tutela diz ainda que estão a ser instituídos "os procedimentos necessários para proceder ao reembolso junto do banco EuroBic das decisões que já se tornaram definitivas, escusando-se a adiantar o valor em causa, justificando com "a necessidade de permitir que a justiça aprecie cada uma das situações para aferir a ilicitude da atuação do então banco BPN". Ainda assim, o jornal noticia que, no último trimestre de 2022, o Supremo Tribunal de Justiça confirmou o ressarcimento em pelo menos 2,7 milhões de euros aos lesados do BPN (CNN-Portugal)

Reportagem: Por obra e desgraça dos Espírito Santo

A queda do Banco Espírito Santo (BES), em 2014, já custou aos portugueses mais de 8 mil milhões de euros. Oito anos e meio depois da resolução do BES está previsto que finalmente recomece esta semana a instrução do caso, agora com um novo juiz. É um dos maiores processos da história da justiça portuguesa que conta com 27 arguidos, 23 pessoas e quatro empresas. A figura central é Ricardo Salgado, ex-presidente do banco e representante máximo de um clã que do nada e em quatro gerações se tornou num dos mais poderosos do país

A família Espírito Santo cultivou as relações certas e moveu interesses nos meandros económicos e políticos como ninguém. Mas de onde vem afinal a fortuna e o poder dos Espírito Santo? Que segredos esconde esta família? Uma família que veio do nada, mas rapidamente subiu à mais alta roda da sociedade portuguesa, e foi lá do alto, que caiu com estrondo.

Tudo começou em 1850 com José Maria do Espírito Santo Silva. Filho de pais incógnitos, quem o levou ao batizado foi a parteira. O primeiro elemento do clã terá recebido o nome de Maria, por ter nossa senhora como madrinha de batismo, os nomes Espírito Santo foram acrescentados no crisma, e Silva, alegadamente do pai, que por razões sociais não assumiu a paternidade e que se especula que tenha sido o conde de Rendufe.

Atrasos e cancelamentos: Companhias aéreas devem 260 milhões a passageiros

 

Com mais voos afetados, TAP e easyJet lideram queixas dos passageiros. No total, 650 mil clientes têm direito a compensação. Aeroporto Humberto Delgado é um dos piores do mundo, de acordo com o ranking da AirHelp. As fronteiras abriram depois de dois anos de pandemia e os aviões receberam autorização para voltar a descolar. Os céus de todo o mundo pintaram-se de aeronaves carregadas de passageiros sedentos de viajar e o caos somou-se nos aeroportos. O ano passado ficou marcado pela retoma das viagens que valeu ao turismo nacional uma recuperação brutal com um recorde em receitas, de 22 mil milhões de euros. No mesmo sentido, também aumentaram os constrangimentos nos aeroportos nacionais; somaram-se atrasos e cancelamentos à boleia da falta de recursos humanos e de um crescimento inesperado.

Nos vários aeroportos do país, 63 mil voos sofreram alguma irregularidade, afetando nove milhões de passageiros, ou seja, quase um terço dos mais de 26 milhões de passageiros que voaram a partir de Portugal, de acordo com os dados recolhidos pela AirHelp para o Dinheiro Vivo. "Portugal é um dos países que mais sofreram com irregularidades em voos ao longo de 2022", aponta o advogado especialista em direitos dos passageiros aéreos da empresa em Portugal, Pedro Miguel Madaleno. No total, registaram-se 3700 voos cancelados no país - cerca de 2% do total de voos -, afetando mais de 400 mil passageiros. Segundo a AirHelp, são 650 mil os passageiros elegíveis para receber uma compensação ao abrigo do regulamento CE 261/2004, que regula os direitos dos passageiros aéreos de voos operados na União Europeia, ou seja, uma subida de 14% em comparação com 2019, e de 375% face a 2021. Com um valor médio de compensação a rondar os 400 euros, as companhias aéreas devem aos clientes 260 milhões de euros.

Caso do aeroporto da Madeira dá força a argumentos para IMI sobre barragens

Sentença do Tribunal do Funchal obriga a região a cobrar imposto municipal. Fundamentos são idênticos aos que a Câmara de Miranda do Douro usa para reclamar ao fisco o IMI das centrais hídricas. Ao fim de oito anos, o Tribunal Administrativo e Fiscal do Funchal decidiu na semana passada que os edifícios do Aeroporto Internacional da Madeira, sob concessão da ANA, estão sujeitos ao Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), o que obrigará os serviços tributários da região a inscreverem os imóveis na matriz predial e a cobrarem o tributo à empresa detida pelo grupo francês Vinci.

Embora a sentença ainda seja uma decisão de primeira instância que ainda é passível de recurso, o sentido da decisão foi recebido com ânimo na Câmara de Miranda do Douro. A autarquia transmontana está a preparar uma acção contra a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) justamente por causa da ausência de cobrança de IMI sobre as duas barragens instaladas no concelho — e os fundamentos que usa para reclamar a aplicação do imposto são exactamente os mesmos que o tribunal utilizou, na sentença de 20 de Janeiro, para concluir que, no caso do aeroporto, o IMI deve ser cobrado. A questão central prende-se com a exploração de bens do domínio público e o seu enquadramento tributário.

Banif: Teia de negócios e corrupção entre Portugal, Angola e Brasil

O jornalista António José Vilela conta como o antigo Banco Internacional do Funchal foi usado pela elite angolana para lavar dinheiro e as redes que foram geradas a partir daí. A Teia do Banif. O título do livro do jornalista António José Vilela condensa a forma como o antigo Banco Internacional do Funchal foi usado pela elite angolana para branqueamento de capitais e corrupção em Portugal e para criar uma rede a partir dessa instituição financeira.

No prefácio deste livro, editado pela Casa das Letras, João Paulo Batalha escreve: "A partir da investigação a uma tentativa obscura de figuras do Estado angolano comprarem discretamente um banco menor do sistema financeiro português (Banif) chegamos a um procurador comprado pelos angolanos (Operação Fizz), aos esquemas de lavagem de dinheiro e fuga ao fisco montados ao serviço dos poderosos em Portugal (Operação Monte Branco e Furacão); à cultura de tráfico de influências que apanhou Armando Vara , um dos grandes políticos de negócios do país (Face Oculta), (...) à máquina de lavar dinheiro que Isabel dos Santos e outros figurões angolanos montaram no sistema financeiro português e à cúpula desta economia da corrupção que dominou o país durante anos, no plano económico (BES) e no plano político (Operação Marquês)."

Opinião: Sondagem e a Turquia

A  publicação de uma sondagem, sobretudo quando isso ocorre em ano eleitoral, é sempre motivo para especulações, interpretações desalinhadas, reações pindéricas, tontices partidárias, algumas invenções, nomeadamente na transformação especulativa de percentagens em mandatos de eleitos, entre outros itens que permitem uma abordagem puramente especulativa neste tipo de trabalho. Ainda por cima com um universo não muito alargado e com uma elevada percentagem de indecisos.

Durante anos lidei com este tema, procurando desconstruir conclusões especulativas ou não, percebendo habilidades subjacentes, enfim, colocando as sondagens, em termos de validade, no lugar que realmente lhes pertence. As sondagens são, sempre foram, uma referência, valorizada ou ridicularizada pelos políticos conforme os resultados para as suas hostes forem ou não favoráveis. No caso vertente, apesar de uma sondagem ser apenas uma referência, passível de deixar alguns indicadores aos interessados, a verdade é que existe uma significativa distância temporal que pode impedir que os indicadores agora divulgados tenham depois correspondência com a realidade. 

Opinião: Patifarias

A sociedade portuguesa foi esta semana confrontada - pessoalmente acho que todos estavam à espera de um relatório dramático e denunciador de situações graves - com as conclusões do trabalho de uma comissão constituída para  estudar a gravidade e a amplitude do escândalo dos abusos sexuais no âmbito da Igreja católica portuguesa e das várias estruturas de actividade a ela ligadas. Foi um soco no estômago, não pelos casos relatados - acho que o silêncio foi muito maior do que as denúncias, pelo que o levantamento realizado será apenas a ponta de um enorme icebergue - mas pela forma como a pouca-vergonha e a patifaria de centenas de bandalhos, alguns ainda no activo, se processava e pelo descaramento criminoso de padres patifes e de outros membros da Igreja que enxovalharam a instituição e pisaram a religiosidade católica.

São escândalos que podem colocar em causa a crença das pessoas nas virtudes e na mensagem da Igreja, são relações de confiança e de fé que podem ruir, são dúvidas e questionamentos sobre a religiosidade que vão colocar muita coisa em causa e que porventura aumentarão o crescente distanciamento dos cidadãos face à Igreja Católica que cometeu o pecado do silêncio e da negação. Mesmo sabendo que a verdade era uma triste e criminosa realidade protagonizada por patifes que actuaram durante anos com total impunidade.