"O PS local – tenho que tirar ao chapéu ao PND, por se transformar, finalmente, em mentor dos socialistas locais, já que conseguiu que o maior partido da oposição faça exactamente o que este pequeno partido faz em termos de acção política, só que alguns dias mais tarde… - resolveu vir falar de liberdade de imprensa para as portas do JM. Por mim até podia ir para a ponta do cais ou para qualquer praça pública. Era rigorosamente igual, zero. E quando digo que vale zero, faço-o, não questionando a liberdade dos partidos fizerem e dizerem o que bem entendem (era o que me faltava) mas porque entendo que o problema é essencialmente ético, de moralidade Pode-se discutir – e aceito que existam opiniões divergentes – a situação desta empresa e do envolvimento da Região enquanto proprietário maioritário, o que nada tem com a publicidade institucional que certamente vai reduzir-se substancialmente em termos quantitativos, até porque estas situações de contenção a isso obrigam, quer se trate do sector público, quer dos privados. Aliás, há indicadores oficiais que confirmam essa tendência de quebra acentuada.
Quando digo que a questão é de ética, de princípio, de moralidade, faço-o porque é sabido o comportamento asqueroso da propaganda socialista, a forma como a máquina comunicacional do PS e do governo socialista actua, pressionando jornalistas e administrações de empresas – o próprio Sócrates segundo foi noticiado não se coíbe de, ele próprio, telefonar a jornalistas! – mas sobretudo como a propaganda, incluindo aquela que passa pelos meios de comunicação social, é essencial para a sobrevivência dos socialistas no poder.
A propósito de toda esta realidade e de todas estas encenações e palhaçadas promovidas pela oposição socialista que à falta de iniciativas e de ideias próprias, se limita a copiar o que os partidos mais pequenos realizam, vamos a factos:
- Lembram-se de quem tentou, por processos ainda hoje não desvendados e nunca esclarecidos, comprar a TVI, pelo simples facto de ser uma voz incómoda para o PS?
- Lembram-se de quem faz parte do novo grupo de comunicação social recentemente anunciado e com projectos na área da rádio e da televisão que obviamente não são nem inocentes nem desligados desta estratégia comunicacional e controleira dos socialistas?
- Lembram-se da perseguição e da despromoção recente de uma jornalista, editora política da agência Lusa pelo simples facto de, deontologicamente, se ter recusado, e bem, fazer o frete a um assessor de Sócrates que telefonou a encomendar uma notícia?
- Lembram-se de Carlos César quando afirmou que “há jornais e jornalistas que merecem a nossa censura e não são inimputáveis em democracia. Temos o direito e o dever de denunciar a mentira que é organizar para influenciar”, só porque não lhe agradou as notícias em torno de um polémico caso de uma bolsa de estudo?
- Lembram-se de Carlos César quando afirmou que “o que parece fácil hoje é lançar acusações, boatos e calúnias. Esse terreno perverso é fértil nos partidos e em órgãos de comunicação social”? Ou das suas críticas aos jornalistas a propósito da viagem oficial da sua mulher ao Canadá em representação do marido?
- Lembram-se das pressões feitas sobre grupos privados da comunicação social, ameaçando-os de estrangulamento financeiro caso não fosse dadas orientações específicas?
- Lembram-se do que se passou com o caso das “escutas de Belém”, ainda hoje não esclarecidas, e que constituíram um descarado exemplo de manipulação partidária e política, directa e indirecta, com ou sem agências de comunicação a actuarem a mando do governo socialista e do PS, com interferência editorial à mistura?
- Lembram-se da forma como Sócrates trata os jornalistas, contratando com os sorrisos e a disponibilidade que agora tem evidenciado, porque, claro está porque a campanha eleitoral se aproxima e a necessidade de sobrevivência no poder é mais que tudo? Já agora, porque será que nenhum meio de comunicação social – medo? – até hoje publicou uma listagem completa de todos os assessores de imprensa, assessores de comunicação, adjuntos e outros, adstritos a cada um dos gabinetes dos secretários de estado, ministros e primeiro-ministro? E qual a origem profissional desses assessores de comunicação e adjuntos de imprensa?
- Lembram-se das polémicas sobre a distribuição da publicidade institucional nos Açores onde os jornais mais incómodos para o poder socialista conseguem menos publicidade (valores insignificantes) comparativamente a que algumas publicações continentais e sites de internet com sede em Lisboa? Lembram-se de um estudo segundo o qual o somatório da publicidade distribuída pelo Governo Regional dos Açores nos anos de 2008, 2009 e no primeiro trimestre de 2010 registava valores discrepantes quanto aos valores atribuídos por um executivo socialista?
- Lembram-se do facto do Governo Regional dos Açores ter gasto cerca 36 mil euros em 2010, em publicidade institucional, 12 mil euros dos quais num pequeno jornal gratuito sem qualquer credibilidade no mercado e com posições favoráveis ao actual executivo?
- Lembram-se de quem é dono e controla a 100%, a agência lusa, que distribui noticiário diário para todos os meios de comunicação social, bem como a RTP (todos os centros regionais) e RDP (todos os centros regionais de emissão)? Por acaso alguém duvida da importância que estes meios de comunicação social têm no contexto dos média nacionais? Alguém por causa disso acha que o panorama radiofónico e televisivo nacional não tem liberdade? Há empresários privados de televisão, quer da TVI quer da SIC; que entendem que o Estado deve mudar a sua postura no grupo RTP/RDP, fomentando o que dizem ser um verdadeiro (?) serviço público e alguns vão mais longe ao reclamarem a sua privatização? O que diz o PS local a tudo isto? Cala-se. Melhor, fomenta um descarado lambebotismo por mero interesse, em relação a alguns meios de informação, ataca o JM, critica a direcção regional da RTP, esta como a anterior, pelo simples facto do cargo não ser exercido por um socialista. Chegou a pressionar em Lisboa, quer o governo socialista da República directamente (e sei que o fez, pelo menos protestando pela escolha) para que fosse nomeado um socialista para o lugar, quer instituições do sector. Reclamou junto da ERC e levou “sopa” deste organismo. Afinal o problema da comunicação social na Madeira é apenas o JM? Mas em qual das suas componentes: a da publicidade institucional? Ou a posição da região de fazer parte de uma empresa, em condições conhecidas, e por razões igualmente conhecidas, há pelo menos mais de 20 anos, pese os esforços realizados para que esta situação se resolvesse?
Ouvi o jornalista e presidente da estrutura regional do Sindicato dos Jornalistas garantir ontem que não se pode afirmar que há falta de liberdade de imprensa na Madeira. Não podia dizer coisa diferente, verdade seja dita. Porque não há. Admitiu que existem algumas situações de pressão, tal como existem em todo o lado – os exemplos atrás referidos não são suficientes?! – que não colocam em dúvida essa liberdade de imprensa. Acho que é uma posição lógica. Mas eu acrescento, perguntando: liberdade de imprensa ameaçada, não é perseguir jornalistas com recurso à extinção de postos de trabalho e cartas de despedimento? Liberdade de imprensa ameaçada, não é tentar pagar o menos possível por despedimentos? Liberdade de imprensa ameaçada, não é reduzir salários e alterar funções sem audição prévia dos profissionais? Liberdade de imprensa ameaçada, não é insinuar, dia-sim-dia-não, com novas listas de despedimentos ou candidatos a isso? Liberdade de imprensa ameaçada não é pressionar os jornalistas com alegadas ameaças de despedimento, assentes justificações nas quais ninguém acredita? Liberdade de imprensa ameaçada não é impor procedimentos que colidem com os princípios deontológicos mais essenciais? Liberdade de imprensa ameaçada não é exigir o encerramento de empresas, sabendo que isso provocará o despedimento de dezenas de pessoas, por não haver a coragem de tomar as medidas internas consentâneas com novas realidades, desde logo as do mercado?" (LFM, in "Jornal de Madeira")
quarta-feira, maio 04, 2011
LIBERDADES E DESCARAMENTO
DESCARADO EMBUSTE
Não sou, e acho importante esta declaração de princípio, daqueles que alinham cegamente na teoria de que quanto pior, melhor, ao estilo de alguns políticos e partidos que acham que quanto maiores dificuldades os portugueses sofram, mais-valias eleitorais acabam por retirar.
A História tem demonstrado que esse comportamento é contraproducente e que acaba por ter efeitos exactamente contrários. Por outro lado, acho que a situação presente é demasiado séria, para que toleremos aproveitamentos ou manipulações políticas em torno deste tema ou que nos obriguem a termos que ouvir, impávidos, algumas pessoas falar de coisas que não sabem ou não estão informados, uma intolerável deturpação da realidade.
Aliás, ouvi hoje comentários de políticos a um acordo - que nem sequer tinha sido divulgado pela “troika” que negociou as condições do resgate financeiro do nosso país – que não conheciam. Alguns falam com uma tal convicção que pareciam saber mais que os próprios negociadores. O que pretendo referir, sem insistir somente nos aspectos genéricos do acordo anunciados por Sócrates, prende-se essencialmente com o oportunismo e a encenação subjacente a um descarado embuste propagandístico, mais um, habilmente montado pela equipa de comunicação e de propaganda ao serviço do PS e de Sócrates.
Em primeiro lugar, olhemos para o “timing” escolhido por Sócrates – o intervalo de um jogo de futebol, Barcelona-Real Madrid, certamente seguido na RTP por milhões de portugueses, anúncio repetidamente feito pelos comentadores do jogo. Uma opção que obrigou as duas outras televisões, SIC e TVI, que nem estavam a transmitir o jogo, a “desalinharem” o alinhamento dos seus telejornais para se conectarem a S.Bento. Estavam Ronaldo e Messi e companhia sentados nos balneários a descansar e em Lisboa Sócrates anunciava um acordo de um resgate financeiro, como se nada de especial fosse acontecer a este país, como se não existisse um custo demasiado elevado – como a seu tempo constataremos, provavelmente ontem ou hoje – quando a “troika” revelar o documento na sua versão integral.
É evidente que quando vamos assistir a um jogo de futebol, não saímos ao intervalo, satisfeitos ou desiludidos, sabendo que faltam outros 45m, tempo suficiente para que muita coisa aconteça, até em termos de resultado final. Ora quando por pura propaganda – e acredito que tenha sido feita essa exigência aos estrangeiros – se fala de um documento da envergadura, do impacto e da dimensão deste, retirando dele apenas algumas ideias gerais e positivas (o que não vai ser feito em termos de salários e de pensões, contrariando as notícias divulgadas pelos meios de comunicação social), das duas uma: ou são mentirosos, o que não seria de estranhar nem de espantar pelo historial destes últimos seis anos, ou estão a tentar levar os portugueses por tontos, manipulando a realidade e deturpando os factos. Creio que é na conjugação destes dois factores que encontraremos a melhor explicação para o embuste descarado que nos foi imposto.
E que dizer da presença do “ressuscitado” ministro das finanças, qual D. Sebastião naquele acto propagandístico, saído na penumbra de um combate inglório, que com a sua cara carrancuda – que tanto podia dizer que sabia da realidade que Sócrates não estava a divulgar aos portugueses, como indiciava uma presença contrariada, resultante ainda do saneamento político que lhe foi aplicado com o seu afastamento da lista de candidatos a deputados por parte do PS? Um absurdo.
Tentando retirar benefícios eleitorais e pessoais, Sócrates, que parece temer a reacção das pessoas quando andar em campanha eleitoral e não estiver “controlado” perlas iniciativas controladas pelo PS, acabou por bater de frente. Se o acordo afinal não tem custos, se o acordo afinal, na versão de Sócrates foi um bom acordo, se de acordo com essas declarações idiotas e absurdas do primeiro-ministro – que me pareceu mais apostado em desmentir jornais do que em ser sério e falar com verdade – então coloca-se com pertinência as seguintes dúvidas: porque não pediu este acordo mais cedo, porque demorou tanto tempo a recorrer à ajuda externa, porque sujeitou o país a um constante vexame por parte dos mercados, porque nos obrigou a pagar juros a montantes incomportáveis e que terão (tiveram) impacto negativo na realidade dos nossos dias?
Mais. Porque não falou Sócrates, entre outras questões que ficaremos a saber, nas privatizações de empresas, na redução de transferências para a saúde e a educação, na redução do subsídio de desemprego, quer temporal quer em termos de montante, porque não falou nas medidas de redução de freguesias e quem sabe se de municípios porque não falou na extinção ou fusão inevitável de serviços públicos, porque não falou na extinção de empresas públicas, porque não esclareceu se o Estado vai ter que reduzir ou não despesas, quais e como, porque não falou na continuação do programa de redução dos funcionários públicos porque não falou das alterações à legislação laboral, porque não falou no aumento do IVA nos escalões intermédio e mais reduzido, porque não falou no aumento do IMI e no congelamento dos salários da função pública por mais dois ou três anos, quando teremos uma das taxas de inflação mais elevadas da Europa, porque não falou no aumento dos impostos sobre os rendimentos, etc, etc?
Os portugueses são inteligentes para perceberem que estes acordos, envolvendo um empréstimo de 78 mil milhões de euros, não têm custos elevados e não imporão medidas de austeridade que vão penalizar todos. A propaganda não consegue esconder o que aos poucos se vai ficar a saber em termos de realidade, da realidade habilmente escondida naquele discurso que se limitou a apontar aspectos positivos, em matéria de salários da função pública, do 13º e 14º meses, das pensões, de novos valores para o défice do Estado, etc. Na Grécia, por exemplo, foram apresentados mais dois pacotes de austeridade, cada um mais violento que o outro, quando a monitorização – que será feita em Portugal – percebeu que o apoio proposto e aprovado não resolveria o problema. Já se fala na reorganização da dívida grega, com tudo o que de negativo isso implica. No caso da Irlanda já estão a decorrer negociações para a renegociação dói acordo estabelecido, porque só a banca daquele país precisou de mais de 30 mil milhões de euros do que o inicialmente acordado.
O sucesso deste acordo, a não aprovação de mais medidas depende essencialmente do que formos capazes de fazer. Se pisarmos o risco, se mantivermos no poder o partido e a governação incompetente que nos levou ao abismo e à bancarrota, certamente que vamos direitos a mais um fracasso e que novas medidas adicionais serão reveladas em 2012 e anos seguintes. É sobre isto que os portugueses precisam de pensar. Sem se deixarem enganar ou iludir pela propaganda de quem apenas se quer manter no poder, estando disposto a tudo fazer - tal como o fez em 2009 depois de ter perdido as eleições europeias, três meses antes das legislativas nacionais - para sobreviver e conseguir tal desiderato (LFM)
Crise: o que leu Sócrates
· Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês, nem os substitui por nenhum título de poupança;
· Não mexe no 13.º mês, nem no 14.º mês dos reformados;
· Não tem mais cortes nos salários da função pública;
· Não prevê a redução do salário mínimo;
· E, ao contrário do que ainda hoje diz um jornal, não corta nas pensões acima dos 600 euros - mas apenas nas pensões mais altas, acima dos 1 500 euros, como se fez este ano nos salários e como estava previsto no PEC. Mais: está expressamente admitido o aumento das pensões mínimas, tal como o Governo sempre pretendeu.
Com este acordo o Governo garante também que:
· Não terá de haver nenhuma revisão constitucional;
· Não haverá despedimentos na função pública;
· Não haverá despedimentos sem justa causa;
· Não haverá privatização da Caixa Geral de Depósitos;
· Mantém-se a tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde;
· Mantém-se a escola pública;
· E não haverá privatização da segurança social, nem plafonamento das contribuições, nem alterações à idade legal de reforma, graças à reforma da Segurança Social que fizemos em 2007.
As instituições internacionais reconhecem, portanto, que a situação portuguesa está longe de ser como a de outros países e muito longe de ser como alguns internamente a pretenderam descrever. Não posso entrar, ainda, em muitos detalhes sob o conteúdo do programa – segue-se ainda a consulta final aos partidos políticos - mas, em acordo com a Troika, posso adiantar cinco informações:
- Primeiro, as medidas previstas são essencialmente as do PEC IV. É certo que nalguns casos com maior aprofundamento, com maior detalhe das medidas para 2012 e 2013, algumas – poucas – medidas novas e ainda uma série de procedimentos de análise e monitorização que são habituais neste tipo de programas.
- Segundo, este é um programa para três anos que define metas para uma redução mais gradual do défice: 5,9% do PIB este ano, 4,5% em 2012 e 3% em 2013;
- Terceiro, a fixação de uma meta orçamental de valor superior para este ano resulta, exclusivamente, das alterações no perímetro orçamental recentemente adoptadas pelas autoridades estatísticas e dos efeitos negativos que a rejeição do PEC, a crise política e o próprio pedido de ajuda externa terão no crescimento da nossa economia;
- Quarto, não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. Repito: não são necessárias mais medidas orçamentais para 2011. São suficientes as medidas previstas no Orçamento e as anunciadas no âmbito do PEC IV;
- Quinto, as medidas para o mercado de trabalho baseiam-se, essencialmente, no Acordo Tripartido que celebrámos em Março com os parceiros sociais, com alguns desenvolvimentos sobretudo em áreas já sinalizadas no próprio Acordo e sempre de modo a preservar integralmente o equilíbrio nas relações laborais.
Com este acordo, o País obtém pela segunda vez - agora em termos diferentes – o apoio e a confiança das instituições internacionais, e de novo com base, no essencial, no programa de orientações e medidas que o Governo apresentou em Março. Segue-se, como referi, o procedimento de consulta dos partidos da oposição. O que certamente o País espera é que, desta vez, prevaleça o sentido das responsabilidades e do superior interesse nacional. O Governo manteve ao longo deste processo os deveres de reserva e o sentido institucional que a situação impunha. Estabelecemos, para isso, um sistema de informação e acompanhamento com os partidos da oposição e o Senhor Presidente da República, a quem transmiti hoje mesmo os termos da proposta de acordo. Quero prestar reconhecimento ao excelente trabalho desenvolvido nestas negociações pelo senhor Ministro de Estado e das Finanças e por todos os membros do Governo e técnicos portugueses envolvidos no processo. Dirijo, finalmente, aos portugueses uma palavra de confiança. Nenhuma Nação vence sem confiança em si própria. Esse sentimento de confiança deve prevalecer sobre o negativismo e sobre o pessimismo, atitudes que só conduzem à descrença, à paralisia e à desistência do futuro. Pela minha parte, o que tenho a dizer aos portugueses é isto: nós vamos vencer esta crise”. (fonte: Presidência do Conselho de Ministros)
Crise: 650 mil crianças perderam abono de família nos últimos seis meses...
Grupo Lena vende participação em três jornais regionais
Crise: cortes provocam ruptura de stock nos hospitais
135 médicos foram para o interior do País atrás de melhores salários
Site da SIC com mais utilizadores entre sites de televisões portugueses
Em páginas visitadas, a liderança foi da TVI online, com 4,8 milhões em Março. A SIC online teve 4355 mil páginas visualizadas e a RTP online obteve 3442 mil. No total, estes sites tiveram cerca de 13 milhões de páginas visitadas, mais 13.3% do que o registado no mês anterior.Em páginas visitadas, a RTP online subiu 33.5% face a Fevereiro, a SIC online subiu 8.1% e a TVI online cresceu 6.5%.
A análise tem como base informação do Netpanel da Marktest, um estudo que analisa o comportamento dos internautas portugueses a partir de um painel de utilização doméstica (fonte: Marktest.com, Maio de 2011)
Todos os líderes políticos com saldo de imagem negativo

Jerónimo de Sousa, líder do PCP, baixou 6.3 pontos percentuais face a Março e chega a Abril com um saldo de imagem de -14.3%, o que constitui o seu valor mais baixo de sempre. Face ao observado 12 meses atrás, o valor obtido por Jerónimo de Sousa é agora 18.7 pontos percentuais mais baixo. O líder do Bloco de Esquerda, embora recuperando 0.3 pontos percentuais face a Março, obteve em Abril um índice de -18.2%, o que correspondeu a uma descida homóloga de 22.2 pontos percentuais. O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, foi o segundo político com maior quebra no seu saldo de imagem, que baixou 19 pontos percentuais face a Março, tendo registado em Abril um saldo negativo, de -22.8%, o seu valor mais baixo de sempre. Finalmente, o Primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, manteve-se como o líder partidário com o saldo de imagem mais baixo, chegando a Abril com -41.8%. Este valor correspondeu no entanto a um acréscimo de 6.5 pontos percentuais face a Março, que foi o máximo observado este mês. Recorde-se ainda que em Março o valor de José Sócrates foi o mais baixo de sempre para os políticos que a Marktest vem analisando ao longo dos últimos anos, com um mínimo de -48.3%. O valor obtido em Abril pelo Primeiro-ministro está contudo 20.5 pontos percentuais abaixo do contabilizado 12 meses antes. A análise evolutiva deste indicador permite verificar que José Sócrates se encontra em terreno francamente negativo. O Presidente da República vem revelando uma dinâmica de quebra, chegando mesmo a atingir este mês um valor negativo. O gráfico permite também verificar que os restantes líderes partidários se posicionam agora com valores relativamente próximos entre si, mas em terreno negativo. Refira-se ainda a quebra registada por Passos Coelho, que apresenta agora um índice negativo apenas ultrapassado por José Sócrates.
O Barómetro Político Marktest é realizado regularmente junto dos residentes no Continente com 18 e mais anos. O saldo de imagem resulta da diferença entre as opiniões positivas e as negativas, ponderada pelo peso das respostas expressas (fonte: Marktest.com, Maio de 2011)
O outro lado: "troika" empresta 78 mil milhões a Portugal. 15% são para apoiar a banca
O outro lado: acordo com BCE, Comissão Europeia e FMI facilita acesso ao subsídio de desemprego
Indemnizações baixam
Desde logo, as indemnizações por despedimento baixam de 30 para 20 dias por cada ano de trabalho e passa a haver um tecto máximo de 12 meses. A medida, tal como está prevista no acordo tripartido, destina-se aos novos contratos, mas não foi possível apurar se esta restrição se mantém no plano de resgate ou se os actuais trabalhadores alvo de despedimento colectivo ou por inadaptação também serão afectados. O regime da contracção a prazo também é alterado. O limite máximo dos contratos continua a ser de três anos, mas aumenta o número de renovações durante este período. Finalmente, prevê-se que as comissões de trabalhadores tenham uma maior intervenção na negociação ao nível da empresa da organização do tempo de trabalho. José Sócrates também garantiu ontem que o acordo com a troika "não prevê a redução do salário mínimo", mas também não disse que chegará a 500 euros no fim do ano, como tinha prometido. Ao que o PÚBLICO apurou, no plano de resgate mantém-se a ideia já expressa no PEC IV: a subida de 485 para 500 euros dependerá das circunstâncias".
O outro lado: programa impede futuro governo de atrasar reformas e privatizações
Corte de défice moderado
Tal como o PÚBLICO já tinha noticiado, o acordo para a ajuda externa vai permitir alargar as metas de redução do défice, sendo que este só atingirá os 3 por cento (o limite de Bruxelas) um ano depois do previsto. O Governo terá, assim, de reduzir o défice dos 9,1 por cento em 2010 para 5,9 por cento este ano, em vez dos 4,6 inicialmente previstos. No próximo ano, a meta é de 4,5 por cento (em vez de 3) e, em 2013, Portugal ficará com um défice de três por cento (em vez de dois). O primeiro-ministro José Sócrates justificou o alargamento das metas do défice com "as alterações ao perímetro das contas públicas feitas pelo Eurostat" (a inclusão de algumas empresas públicas de transporte e de parcerias público-privadas elevou o défice de 2010 de 7,3 para 9,1 por cento) e com os "efeitos negativos" sobre a economia resultantes da rejeição do PEC IV e do pedido de ajuda externa. Esta decisão de alongar os prazos de corte do défice era já esperada e gerou mesmo divisões entre a Comissão Europeia e o FMI. Este alargamento de prazos justifica que, do lado da troika, não tenha sido exigido, nas medidas de contenção orçamental de curto prazo, muito mais do que aquilo que já estava no PEC, como o corte das pensões acima de 1500 euros ou a redução das deduções fiscais com as despesas de saúde e educação em sede de IRS. Ainda assim, foram detalhadas algumas medidas e aprofundadas outras, como por exemplo a reestruturação das taxas do IVA, com a passagem de alguns bens de uma taxa reduzida para normal. O primeiro-ministro garantiu ainda que não serão precisas mais medidas de consolidação este ano para atingir o défice de 5,9 por cento para além das que estavam previstas no PEC e que não precisam de aprovação da Assembleia da República para que o Governo as possa colocar em prática. Ainda assim, num despacho assinado na semana passada por Teixeira dos Santos, o Executivo decidiu sujeitar a autorização prévia do ministério das Finanças a assunção de novos compromissos de investimento no âmbito do Programa de Investimentos e Despesas da Administração Central (PIDDAC), de modo a reforçar o controlo orçamental e garantir os limites de despesas fixados no OE".
O outro lado: taxas moderadoras aumentam e atingem mais portugueses
O outro lado: Portugal tem mais tempo para cortar défice mas não evita dois anos de recessão
1. Subsídio de desemprego cortado para 18 meses
A 'troika' e o Governo acordaram um corte significativo na duração do subsídio de desemprego. Actualmente, a prestação para quem está à procura de trabalho pode ir até três anos, mas se a vontade das autoridades internacionais e do Executivo não esbarrar com a dos partidos da oposição, este apoio social será cortado para, no máximo, um ano e meio.
2. Montante máximo da prestação mais baixo
O valor máximo do subsídio que será pago a quem perder o emprego vai baixar. Neste momento a lei prevê que os desempregados não possam ganhar mais do que três vezes o indexante dos apoios sociais - o que corresponde a um limite de 1.257,66 euros por mês. Se a proposta conjunta do Executivo e da 'troika' passar o teste dos partidos, o tecto será reduzido para 1.048,05 euros mensais.
3. Apoio encolhe 10% passados seis meses
O objectivo é estimular a procura mais intensiva e rápida de emprego, logo nos primeiros meses em que o profissional perde o seu posto de trabalho. Para isso, o memorando prevê um corte progressivo no valor do subsídio que deverá ser pelo menos de 10%, assim que tenham decorrido os primeiros seis meses.
4. 12 meses de trabalho chegam para ter subsídio
Para alargar as redes de segurança social, o período mínimo de contribuições necessário para ter direito ao subsídio de desemprego será reduzido de 15 para 12 meses, revela o documento a que o Diário Económico teve acesso. Este requisito já tinha sido reduzido durante o período de aplicação das medidas anti-crise (em 2009), mas voltou a aumentar no ano passado, assim que se intensificou o esforço de consolidação orçamental.
5. Indemnizações por despedimento cortadas
Era uma das medidas que já estava prevista antes do pedido de ajuda internacional. As indemnizações compensatórias por despedimento para os futuros contratados passarão a ser idênticas tanto para contratos sem termo, como para contratos a prazo. O que se prevê é uma indemnização correspondente a 10 dias por cada ano de trabalho, a ser paga pela empresa. A este valor soma-se um montante igual (também calculado com base em dez dias por cada ano de serviço) que será pago através do fundo para os despedimentos, que se prevê criar. Ou seja, no total o trabalhador recebe 20 dias, por cada ano de trabalho. Esta legislação nova será apresentada em Setembro. Para os actuais contratados, será submetida uma proposta até ao final do ano, mas garante-se que os direitos adquiridos até ao momento serão mantidos.
6. Em final de Março há novo ajuste nos valores
No final de Março do próximo ano, os valores das indemnizações serão novamente revistos de forma a serem ajustados de acordo com a média da União Europeia. Ao mesmo tempo, vai ser procurado um mecanismo que permita que cada trabalhador leve consigo os direitos que vai adquirido através das contribuições que serão feitas para o fundo de indemnização dos despedimentos.
7. Negociação colectiva descentralizada
Era outro dos princípios que já estava previsto. Para que os aumentos salariais sejam atribuídos de acordo com a produtividade de cada empresa, todas as empresas com pelo menos 250 trabalhadores podem negociar directamente com as suas comissões de trabalhadores (em vez do actual limite de 500 trabalhadores). Além disso, prevê-se a inclusão de outras condições que permitam a negociação de base empresarial. Segundo apurou o Diário Económico, esta medida vai incluir a possibilidade do aumento salarial aplicado ser definido por cada empresa, dentro de um intervalo acordado para o sector".
O outro lado: limitar deduções fiscais no IRS
O outro lado: mais IMI...
Governo e ''troika'' acordam reduzir número de câmaras e freguesias
segunda-feira, maio 02, 2011
21,3% dos jovens sem emprego
EMIGRAÇÃO SURGE COMO ALTERNATIVA
O ex-secretário de Estado das Comunidades e deputado do PSD, José Cesário, afirmou ontem que a dimensão da nova emigração portuguesa atingiu níveis "impressionantes", principalmente na Europa e em África. "Esse fluxo é mais evidente de alguns anos a esta parte, em 4-5 anos agudizou-se bastante", sublinha José Cesário, recordando que fora da Europa destaca-se o caso de Angola como destino de emigração”.
O misterioso silêncio de Teixeira dos Santos
Despojada de ‘pensão vitalícia’ de 4,99 euros!!!
Mortal
Em 1965, após acordo em tribunal, Maria Gertrudes Marta, cujo marido faleceu, fica a receber “pensão mensal vitalícia de mil escudos”, a pagar pela Sociedade Estoril SARL.
Pensão
A 1 de janeiro de 1977, a CP substitui a Estoril na exploração da Linha de Cascais.
CP
Pouco depois, com problemas financeiros, a Estoril deixa de pagar pensões. Os atrasos são resolvidos com um subsídio da Cruz Vermelha à Estoril (verba a descontar em créditos desta empresa).
Interrupção
Em 1980, Miguel Anacoreta Correia, secretário de Estado dos Transportes, determina que a CP dê à Estoril 60 contos/mês para esta pagar as pensões. É criada a segunda comissão governamental para este caso. Até hoje nada foi feito.
Despacho
Em setembro de 2002, o conselho de gerência da CP (presidido por Crisóstomo Teixeira) comunica o fim dos pagamentos à Sociedade Estoril, invocando não ter “qualquer obrigação legal ou contratual de continuar a suportar” o encargo.
Mudança
Em dezembro de 2002, na conta de Gertrudes já não caem os €4,99.
Surpresa
Em dezembro de 2007, a pensionista faz queixa à Provedoria, que viria depois a pedir à CP uma “reapreciação”.
Queixa
Em dezembro de 2008, a administração da CP (liderada por Cardoso dos Reis), “ponderado o assunto”, não vê “motivo para alterar a posição”.
Irredutível
Face à resposta, a Provedoria coloca a questão à secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino.
Recurso
Em agosto de 2009, a governante dá o apoio à CP, pois “a entidade devedora é a Sociedade Estoril, SA”.
Confirmação
Em setembro de 2010, a Provedoria recorre ao ministro das Obras Públicas, alegando que a CP fez “letra morta” do despacho de 1980.
Inconformismo
Em dezembro de 2010, António Mendonça dá o seu acordo à decisão da CP, empresa que não pode “assumir responsabilidades que não lhe são imputáveis”, sobretudo “numa conjuntura de grandes constrangimentos orçamentais e de grande exigência em rigor”.
Lapidar
A 4 de janeiro de 2011, a Provedoria põe a queixosa a par das diligências e informa-a que se “encontram manifestamente esgotadas” as suas “possibilidades de intervenção”, por não poder “exercer as suas competências junto de entidades privadas”.
Arquivamento" (fonte: Expresso)
Filho mais novo de Kadhafi morto por ataque da NATO?
Quando Portugal pediu ajuda, os cofres públicos só tinham 300 milhões
Opinião: "O caminho para reduzir o défice tem de passar por aumentos de impostos" (Krugman)
"Só o Orçamento do Povo apresenta uma proposta viável para cumprir o objectivo de cortar défice sem atacar selvaticamente os princípios do Estado social. Quando oiço as actuais discussões sobre o orçamento federal, a mensagem que me chega é sempre: "Estamos em crise! Temos de tomar medidas drásticas imediatamente! E temos de manter os impostos baixos, se não cortá-los ainda mais!" E o que me vem à cabeça é que se as coisas são assim tão graves, não devíamos antes aumentar impostos?A minha descrição do debate orçamental não é de maneira nenhuma exagerada. Consideremos a proposta de orçamento do republicano Paul Ryan, que todas as pessoas sérias nos asseguraram ser corajosa e importante. A proposta começa por avisar que "uma grave crise de dívida é inevitável" a menos que se tomem medidas em relação ao défice. Depois pede não um aumento mas um corte dos impostos, com as taxas correspondentes aos mais ricos a fixar--se no valor mais baixo desde 1931. A única forma proposta por Ryan para reduzir o défice são os cortes selvagens na despesa, essencialmente retirando apoios aos mais pobres e vulneráveis (uma análise realista prevê que essa proposta, na verdade, até aumentaria o défice).A proposta do presidente Barack Obama é bem melhor. Pelo menos prevê o aumento dos impostos para os escalões de rendimento mais elevados para os níveis da era Clinton. No entanto, mantém os restantes benefícios fiscais da era Bush - inicialmente apresentados como uma forma de chegar a um excedente orçamental considerável. Em resultado disso, a proposta ainda se apoia muito no corte da despesa e não chega para efectivamente equilibrar o orçamento.Então porque é que ninguém faz uma proposta que reflicta a realidade de que os cortes fiscais da era Bush foram um erro enorme, sugerindo que um aumento das receitas é fundamental para reduzir o défice? Bem, a verdade é que já houve quem a fizesse - e já lá chego. Mas primeiro vamos falar do estado em que estão os impostos nos EUA.Tendo em conta o tom em que decorre a maior parte das discussões sobre o orçamento, seria fácil pensar que estamos esmagados por taxas sem precedentes. A realidade é que as taxas federais caíram significativamente em todos os níveis de rendimentos nos últimos 30 anos - especialmente nos patamares mais elevados. Em geral, os impostos estão percentualmente muito mais baixos relativamente ao rendimento nacional do que se verifica na maioria dos outros países ricos.Ou seja, não temos impostos altos, quer histórica quer comparativamente com outros países. Assim, se estamos realmente horrorizados com o défice orçamental, porque não propor um aumento de impostos como parte da solução?Mas há mais. O cerne da proposta de Ryan é um plano de privatização e fim do financiamento da Medicare. Porém, isto em nada ajudaria a reduzir o défice nos próximos dez anos, razão pela qual a totalidade dos cortes no défice viriam de reduções brutais nos apoios aos necessitados e cortes não especificados na despesa discricionária. Em contrapartida, os aumentos de impostos podem revelar-se medidas de efeito rápido.É por tudo isto que a única proposta orçamental de relevo apresentada que oferece um caminho plausível para equilibrar o orçamento é a que inclui um aumento significativo da carga fiscal: o "Orçamento do Povo", da autoria do Congressional Progressive Caucus, que - ao contrário do plano Ryan, que é apenas ortodoxia da ala direita com uma dose de pensamento mágico misturada - é genuinamente corajoso porque propõe sacrifícios partilhados.É verdade que aumenta as receitas em parte graças à imposição de impostos substancialmente mais elevados aos mais ricos, uma medida popular em qualquer parte excepto em Washington, D. C. Mas também propõe um aumento nos tectos da Segurança Social, aumentando significativamente as taxas para cerca de 6% dos trabalhadores, e rescinde a maioria dos cortes fiscais da era Bush. Não aumenta apenas os que afectam os mais ricos mas, ponderadamente, também os aplicados às famílias de classe média.Calcula-se que tudo isto combinado com cortes na despesa, em particular no orçamento para a Defesa, seria suficiente para equilibrar o orçamento até 2021. Esta proposta consegue esse feito sem desmantelar a herança do New Deal que nos trouxe os benefícios da Segurança Social, a Medicare e a Medicaid.Se a proposta progressiva tem todas estas vantagens, porque não consegue nem metade da atenção dispensada à muito menos viável proposta de Ryan? É verdade que não há hipótese de se tornar lei nos tempos mais próximos. Mas isso também se aplica à proposta de Ryan.A resposta, lamento dizê-lo, é a falta de sinceridade da maioria dos autoproclamados falcões do défice. A sua preocupação com o défice mede-se pela sua vontade de fazer precisamente aquilo que o Orçamento do Povo evita: rasgar o actual contrato social, recuando 80 anos com a desculpa da necessidade. E nem querem dizer que tal viragem radical à direita não é, de facto, necessária.E não é, como revela a proposta de orçamento progressista. Precisamos de reduzir o défice, apesar de não estarmos ainda perante uma crise iminente. Como enfrentamos a maré de sacrifícios é, no entanto, uma escolha nossa - e ao fazermos do aumento de impostos parte da solução podemos evitar o ataque selvagem aos apoios aos pobres e arrasar a segurança da classe média" (texto de Paul Brugman, economista,Prémio Nobel 2008, publicado no The New York Times e transcrito no Jornal i, com a devida vénia)