quarta-feira, janeiro 28, 2026

Relógio do Apocalipse marca 85 segundos para a meia-noite: o ponto mais próximo da destruição de sempre

Criado em 1947, durante a Guerra Fria, pelo Boletim dos Cientistas Atómicos, o Relógio do Apocalipse simboliza a ameaça à sobrevivência da humanidade face a conflitos nucleares, alterações climáticas e outros riscos globais emergentes. O Relógio do Apocalipse, do Boletim dos Cientistas Atómicos, ajustado para 85 segundos da meia-noite, é exibido durante uma conferência de imprensa na Carnegie Endowment for International Peace, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, em Washington.

Os cientistas voltaram a ajustar, esta terça-feira, o Relógio do Apocalipse, também conhecido como Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock, em inglês). Os ponteiros estão agora a 85 segundos da meia-noite, menos cinco segundos do que no ano passado. A decisão, segundo os especialistas do Boletim dos Cientistas Atómicos, é justificada pelo agravamento das tensões geopolíticas, pela intensificação de conflitos armados envolvendo potências nucleares e pelo enfraquecimento da cooperação internacional.

"Há um ano, alertámos para o facto de o mundo estar perigosamente próximo de uma catástrofe global e de que qualquer atraso na inversão deste rumo aumentaria a probabilidade de desastre. Em vez de atenderem a este aviso, a Rússia, a China, os Estados Unidos e outros países de peso tornaram-se progressivamente mais agressivos, adversariais e nacionalistas", lê-se no comunicado deste ano. A guerra na Ucrânia, os confrontos entre a Índia e o Paquistão e os ataques a instalações nucleares iranianas são apontados como exemplos de um cenário internacional cada vez mais instável e preocupante.

Quais são os outros "perigos apocalípticos"?

As alterações climáticas continuam a agravar-se, com níveis recorde de dióxido de carbono, temperaturas médias globais sem precedentes e fenómenos extremos a afetarem milhões de pessoas em todo o mundo. Os especialistas criticam a resposta insuficiente dos Governos e o recuo nas políticas ambientais, sobretudo nos Estados Unidos, que abandonaram oficialmente o Acordo de Paris no mesmo dia em que o Relógio do Apocalipse foi ajustado.

Ano de 2025 foi um dos três mais quentes de sempre e já acima do limite do Acordo de Paris

O relatório alerta ainda para riscos emergentes associados à biotecnologia e à Inteligência Artificial (IA), incluindo a possibilidade de criação de novos agentes patogénicos e a utilização de IA em sistemas militares sensíveis. A crescente influência de regimes autocráticos e a degradação do debate público, marcada pela desinformação, são também vistos como fatores que agravam estes perigos.

Cientistas apelam a ação imediata

Entre as medidas propostas destacam-se a retoma do diálogo entre os EUA e a Rússia para limitar os arsenais nucleares, a regulamentação da IA em sistemas militares, a cooperação internacional para prevenir riscos biológicos e a implementação de políticas eficazes de combate às alterações climáticas. A trajetória atual é considerada "insustentável" e os especialistas sublinham que os cidadãos devem pressionar os Governos a agir de forma a evitar um cenário ainda pior.

Os membros do Boletim dos Cientistas Atómicos, da esquerda para a direita, Jon B. Wolfsthal, Asha M. George, Steve Fetter e Alexandra Bell, revelaram o Relógio do Apocalipse, ajustado para 85 segundos da meia-noite, durante uma conferência de imprensa realizada na Carnegie Endowment for International Peace, na sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, em Washington. Em dezembro de 1945, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, Albert Einstein, Robert Oppenheimer e outros membros do Projeto Manhattan fundaram o Boletim dos Cientistas Atómicos para alertar sobre os riscos da energia nuclear.

Desenhado por Martyl Langsdorf, o Relógio do Apocalipse foi criado em 1947, no auge da Guerra Fria, marcando sete minutos para a meia-noite. Em 1991, com o tratado de redução de armas nucleares entre Estados Unidos e União Soviética, afastou-se para 17 minutos. Atualmente, os ponteiros encontram-se mais próximos da meia-noite do que em qualquer outro momento da sua história (SIC Noticias, texto da jornalista Mariana Jerónimo)

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