No contexto da União Europeia, Portugal subiu para o quarto lugar entre os países onde o turismo estrangeiro tem maior peso na economia, ficando apenas atrás de Chipre, Malta e Croácia. Mas nem tudo nisto é bom. Os números divulgados pelo Banco de Portugal relativamente às receitas geradas pelo turismo internacional em Portugal em 2024 são impressionantes: os turistas estrangeiros gastaram cerca de 28 mil milhões de euros em Portugal, fazendo com que o turismo internacional representasse 9,7% do nosso PIB.
No contexto da União Europeia, Portugal subiu para o quarto lugar entre os países onde o turismo estrangeiro tem maior peso na economia, ficando apenas atrás de Chipre, Malta e Croácia. Para além disso, entre 2010 e 2024, fomos o país da UE que mais aumentou as exportações de turismo em percentagem do PIB, cerca de cinco pontos percentuais.
Há em tudo isto razões para celebrar: Portugal tornou-se um destino desejado, competitivo e reconhecido internacionalmente. O turismo contribuiu para equilibrar a balança de pagamentos, criar um certo tipo de emprego e dinamizar algumas regiões que durante décadas ficaram à margem do crescimento económico. Negar isso seria intelectualmente desonesto. Mas é precisamente quando os números são tão bons que a prudência se impõe porque uma economia em que quase 10% do PIB depende do consumo de estrangeiros em férias é também uma economia estruturalmente exposta a ciclos económicos externos, a crises geopolíticas ou a alterações nos padrões de mobilidade e a modas turísticas.
Prosperar excessivamente com base nas férias dos outros não é, de todo, uma estratégia de longo prazo! Quando o crescimento se concentra em hotelaria, restauração, lojas de souvenirs e outros serviços de baixo valor acrescentado, o tecido produtivo fragiliza-se. Os salários tendem a ficar comprimidos, a qualificação perde relevância relativa, os jovens mais preparados emigram e as cidades transformam-se em cenários cada vez menos habitáveis para quem nelas trabalha.
Estes e outros custos invisíveis do turismo são raramente contabilizados, mas deveriam: pressão sobre a habitação, infraestruturas saturadas, serviços públicos sobrecarregados, degradação ambiental, conflitos sociais e territoriais. Para sabermos qual é o verdadeiro saldo do turismo na economia portuguesa, seria necessário calcular com rigor esses custos – de Albufeira ao Porto, de Trás-os-Montes ao Corvo – e garantir que a conta continua positiva não apenas em euros, mas também em coesão social, qualidade de vida e sustentabilidade.
Portugal não pode ambicionar ser apenas um destino de excelência para quem vem passar uma semana de férias; não podemos aceitar o destino de “República Dominicana da Europa”, simpática, solarenga e dependente de fluxos externos para funcionar. Celebrar o turismo como parte de um todo mais vasto é legítimo; construir um país dependente dele é um erro estratégico porque não basta sermos visitados: precisamos sobretudo saber para onde queremos ir (Sapo, Opinião de Pedro Castro)

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