segunda-feira, janeiro 21, 2013

Wolfgang Schauble: "Resolver de forma duradoura problemas de países em crise "pode ser doloroso"

Segundo o Jornal I, "o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, admitiu hoje que resolver de forma duradoura os problemas dos países em crise na zona euro implica um ajustamento que “pode ser doloroso”. Numa entrevista publicada hoje nos jornais francês Le Monde e alemão Süddeutsche Zeitung, o ministro alemão afirmou que “quando se quer resolver os problemas de forma duradoura não se consegue evitar um processo de adaptação que pode ser doloroso” em países como a Grécia, Irlanda, Espanha ou Portugal e incluindo na Alemanha. Questionado sobre o caso da Grécia, Schauble afirmou que está consciente de que a resolução da crise é dura para os cidadãos, mas também recordou que a Alemanha e a França lhe oferecem “uma ajuda importante”. Schauble negou que o governo alemão prepare um plano de relançamento económico, mas sublinhou que apoia o aumento do gasto em investigação e desenvolvimento, que aumentou em 13 mil milhões de euros desde 2009, e que está atento em relação ao nível da dívida e ao ajustamento orçamental. “Apoiamos o crescimento através de uma política orçamental equilibrada”, sublinhou Schauble antes de criticar aqueles que acreditam que isso se pode fazer de forma sustentada a partir da emissão de dívida pública. “Isso só é possível excecionalmente em tempos de crise económica, mas com uma crise da dívida pública que só se pode resolver com o regresso da confiança, essa abordagem tem pouco sentido”, argumentou o ministro alemão numa clara referência à situação da zona euro. O ministro das Finanças recordou que o Banco Mundial desaconselhou os estímulos a curto prazo e indicou que as reformas nos países da moeda única vão começar a ter efeitos. Schauble adiantou que tanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) como a Comissão Europeia e a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) consideram que “a política (alemã) é equilibrada e que (a Alemanha) contribui para a redução dos desequilíbrios da economia mundial”. “Por isso vamos no bom caminho”, sublinhou. Questionado sobre se se deve adotar um plano de resgate ao Chipre, o qual se acusa de atuar como um paraíso fiscal e de ser um centro de branqueamento de dinheiro, Schauble respondeu que, em primeiro lugar, é preciso avaliar se aquele país “constitui um perigo para o conjunto da zona euro”, que é uma das condições para ativar o Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEDE). Schauble reconheceu que o setor bancário no Chipre está “estranhamente sobredimensionado” face ao peso económico do Chipre e que há russos que têm ali muito dinheiro que depois regressa à Rússia, mas sublinhou que como ministro não pode decidir sozinho a partir de suposições se por trás de tudo aquilo há lavagem de dinheiro. “Sabemos que só podemos convencer os nossos compatriotas a ajudar o Chipre se conseguirmos provar que esse resgate se apoia em bases sãs e convincentes".