Li no Dinheiro Vivo que "Passos Coelho já admitiu que gostaria que o dossier sobre o modelo de privatização da estação pública ficasse decidido até ao final do mês, mas o diferendo entre o PSD e o CDS sobre o tema está a arrastar o processo. Paulo Portas há muito que se tem demonstrado contra a privatização da estação pública e, recentemente, Cavaco Silva também mostrou a sua discordância relativamente à possibilidade do serviço público ser assegurado por privados. No entender do Presidente da República, o mesmo deve ser assegurado pelo Estado. Uma posição discordante relativamente ao último cenário da concessão de 49% da RTP, mantendo-se o Estado como acionista maioritário, mas ficando a gestão nas mãos do privado. Este será o cenário que, segundo tem sido noticiado, o ministro da tutela, Miguel Relvas, mais se inclina. Mas a opção não reúne consenso na coligação. Ontem pela voz do deputado do CDS Raul Almeida ficou clara mais uma vez a posição centrista. "O tempo que tem demorado este processo [de privatização da RTP] é sinal da sua complexidade e da vontade de ser bem feito e bem conduzido", disse à Lusa. E lembrou que "a conclusão deste processo se compare à conclusão das privatizações [até agora]. "Se houver condições para a manutenção do serviço público num cenário de privatização, [então] que ela se possa fazer; se não houver, que ela não se faça", sintetizou. Na RTP, independentemente dos diversos modelos que estão em cima da mesa, a equipa liderada por Alberto da Ponte tem vindo a dar continuidade ao plano de reestruturação da empresa. A Norte o Centro de Produção ganhou autonomia, uma direção e orçamento próprio, tendo a produção da RTP2 sido encaminhada para este centro. Foram também efectuadas mexidas na programação e na grelha - com a passagem da produção programas como a Praça da Alegria para Lisboa - que, segundo Luís Marinho, diretor geral de conteúdos, foi a mais barata de sempre: menos de 55 milhões de euros. Alberto da Ponte fez questão de frisar de que todas as mudanças na organização que a administração estava a implementar tinham o conhecimento e aprovação da tutela. O que parece indicar que, caso a coligação não chegue a um entendimento sobre este dossier, de um futuro conselho de ministros possa sair uma solução que empurre a privatização da RTP para, como já se afirmava no Programa do Governo, para "um momento mais oportuno".