terça-feira, janeiro 22, 2013

Opinião: “O problema da comunicação”

"Passos Coelho tem de dizer claramente que quer reformar o Estado para baixar os impostos. Só assim manterá a sua base social de apoio.
Os juros da dívida descem de forma sustentada, a bolsa atinge máximos de 2011, a Euribor atinge mínimos, mas quem aterra num aeroporto nacional após longa ausência pensa que somos uma nova Grécia. Com uma crise política à beira da esquina, em campanha eleitoral, aliás, em que o líder da oposição já pede uma maioria absoluta aos portugueses e a já célebre conclusão de que afinal não precisávamos de austeridade porque nunca tivemos um problema de sobreendividamento, sempre fomos competitivos e as empresas nunca foram fortemente subsidiadas para gerar um emprego artificial. O problema é a teimosia do governo que “criou” uma taxa de desemprego de 16%. Mudemos portanto para um governo mais dócil, amigo dos subsídios e acima de tudo defensor de um Estado social que nos proteja a todos: ricos ou pobres.
Voltando à realidade. Portugal está no bom caminho. Com muito emprego para criar, mas vislumbrando uma luz ao fundo do túnel. Com o regresso do país aos mercados antes de Setembro, começam a ficar reunidas as condições para invertermos a situação económica. É por isso essencial que Passos Coelho mude o discurso, de uma vez para sempre. Tem de passar da narrativa dos sacrifícios para a esperança e o investimento.
É também por isso uma boa altura para o primeiro-ministro aprender a comunicar de forma eficaz com os portugueses. O seu maior erro é pensar que a batalha da comunicação está perdida desde o início. Em vez de falar para a classe média, o governo concentra-se nos herméticos indicadores macroeconómicos.
Se o governo quer reformar o Estado para reduzir a despesa (e de seguida baixar os impostos e libertar dinheiro para as empresas e as famílias), então Passos Coelho não deve utilizar eufemismos como “alívio fiscal” ou dizer asneiras como “refundar”. Seja claro: “Quero reformar para baixar os impostos de todos.” A maioria só conseguirá ultrapassar os cenários catastróficos da queda do governo se mantiver a sua base social de apoio, que sempre apoiou esse objectivo simples.
Crise de valores
A liberdade de imprensa, ao que consta, esteve ameaçada recentemente por se desconhecerem os accionistas da Newshold, empresa proprietária do “Sol”. Em vez de verificarem a independência editorial que aquele semanário tem revelado ao longo da sua existência, o PS e o mainstream do jornalismo português inquietaram-se com tal questão. Esta foi recentemente esclarecida pelos accionistas da empresa, tendo, aparentemente, a liberdade de imprensa sido reposta.
Numa altura de grave crise económica do sector da comunicação social, parece que não tem importância conhecer os grupos financeiros responsáveis pelos créditos (e boa parte das receitas publicitárias) das depauperadas empresas jornalísticas. Ao desconhecer essa questão, a opinião pública (e o PS) pode viver sossegada quanto ao exercício da liberdade de imprensa, confiar que os media sempre noticiarão toda a informação com interesse jornalístico e concluir que o silêncio quase total (com as honrosas excepções do “Jornal de Negócios” e da SIC) sobre a recente investigação jornalística do i a diversos banqueiros do BES só pode significar que a mesma é irrelevante” (texto de Luís Rosa, no Jornal I com a devida vénia)