Segundo a jornalista do Económico Márcia Galrão, "para 2013, temos duas certezas: o Governo de Passos e Portas continua a liderar em São Bento a esta data, apesar de todos os conflitos públicos que beliscaram a confiança entre parceiros; e os portugueses não vão ter como fugir ao "enorme" aumento de impostos que foi desenhado por Vítor Gaspar. Fora isto, tudo é uma incógnita. Vai o Governo resistir no próximo ano? Irá Paulo Portas continuar a permitir ataques às bandeiras do CDS em nome da estabilidade política e do interesse nacional? Quererá António José Seguro precipitar o país para eleições antecipadas? Para estas perguntas não existem respostas fechadas e o grau de resistência do Governo é visto como o ponto-chave do próximo ano. A nível político, 2013 será, seguramente, mais um ano de dificuldades para o país e para o Executivo e nem as palavras optimistas do primeiro-ministro na mensagem de Natal, dizendo que "ainda não podemos declarar vitória sobre a crise, mas estamos hoje muito mais perto de o conseguir", chegam para tranquilizar os portugueses. A ideia de que 2013 significará mais uma brutal queda nos rendimentos disponíveis das famílias e que será o ano em que todas as dificuldades se tornarão ainda mais insuportáveis, faz crescer o medo da tensão social. Conseguirá o Governo resistir a ela é outra das incógnitas, com políticos e analistas a anteciparem um cartão vermelho ao PSD nas eleições autárquicas do Outono que obrigará Passos a repensar a legitimidade democrática que tem. Da direita à esquerda ninguém arrisca prever cenários risonhos para 2013, embora todos aqueles que o Económico ouviu sejam unânimes na esperança de que o país resista e o Governo aguente o embate, a bem do interesse nacional. António Capucho acredita que "o único antídoto seria a adopção de medidas credíveis que proporcionassem a inversão do sentimento muito negativo face ao futuro e que está a alastrar". O politólogo António Costa Pinto aponta como maior risco o "insucesso das medidas que foram tomadas e a necessidade de se avançarem com mais medidas de austeridade, como já se tem antecipado". É por isso, que a execução orçamental do primeiro trimestre ou, no limite, do primeiro semestre, são apontadas como um momento-chave para a credibilidade do Governo. Se Passos perceber que tudo está a correr mal, apesar da receita dura que impôs ao país, o que fará? E que fará Paulo Portas perante o insucesso dessa receita de que fez questão de discordar publicamente? A sobrevivência da coligação é outra das interrogações. Hermínio Loureiro, autarca do PSD, não tem dúvidas: "todos somos poucos para a missão difícil do novo ano e a coligação tem que funcionar à prova de bala". Também o ex-deputado social-democrata Luís Rodrigues considera que "este Governo é sempre melhor do que qualquer um do PS" e várias fontes do grupo parlamentar do CDS assumem que qualquer divergência na coligação deverá continuar a ser resolvida internamente, sem colocar em causa a estabilidade do Governo. Imprescindível continua a ser, para muitos, o refrescamento da equipa que governa o país. Constantemente adiada desde o Verão, a remodelação "já tarda", diz Capucho, defendendo "uma profunda remodelação do Governo que pudesse proporcionar caras novas de maior credibilidade numa estrutura mais operacional do que a existente".
De qualquer forma, Costa Pinto não antecipa "grandes tensões na coligação no próximo ano". Os cortes de quatro mil milhões na despesa estrutural do Estado que o Executivo terá que fazer a tempo da sétima avaliação da ‘troika, funcionarão, para o politólogo, como "cimento ideológico". Uma leitura que está longe de ser unânime: "As posições do PSD e CDS parecem muito distantes no que toca a saber onde cortar os quatro mil milhões de euros e se Passos continuar a atirar aos pensionistas, não sei se o CDS estará disposto a morrer enquanto partidos dos reformados, como já morreu enquanto partido do contribuinte", frisa o ex-ministro do PS Augusto Santos Silva.
Se o último ano deu sinais de que o Governo podia cair por dentro, com conflitos insolúveis na coligação, as expectativas para 2013 apontam para riscos sobretudo externos a São Bento. Provas de fogo não faltarão, a começar logo pela decisão do Tribunal Constitucional sobre o OE/2013. Um novo chumbo deixará o Governo com um problema em m mãos e a credibilidade ferida. A par disso, estarão os primeiros sinais do sucesso ou insucesso da estratégia montada, com os dados da execução orçamental do primeiro trimestre e semestre a ser aguardados com grande ansiedade.
Por último, é preciso também perceber qual será a estratégia do principal partido da oposição no novo ano. Depois de um 2012 que serviu para Seguro fazer o PS descolar totalmente do memorando assinado por Sócrates, as últimas semanas têm sido ricas em declarações de socialistas a assumir que estão preparados para voltar ao poder. A ameaça já foi deixada pelo próprio secretário-geral, quando ameaçou com uma moção de censura e pedido de eleições antecipadas assim que entender que o actual Governo não reúne condições políticas para continuar em funções. Embora Costa Pinto não acredite na "precipitação de uma crise que leve à queda do Governo" por parte do PS, admite que os socialistas vão continuar a tentar "capitalizar o descontentamento e a alternativa". Ainda assim, salvaguarda que tudo vai depender da evolução das intenções de voto, uma vez que as projecções continuam a dar a vitória ao PS sem maioria absoluta, vista como imprescindível para responder aos desafios que Portugal enfrenta. Santos Silva arrisca ainda assim apontar uma data: "se o PS ganhar as eleições autárquicas do Outono, duvido que deixe de reclamar eleições antecipadas".