Escreve a TVI que "o eurodeputado do CDS-PP Nuno Melo questionou esta segunda-feira a Comissão Europeia sobre o memorando de assistência a Portugal, nomeadamente se Bruxelas corrobora a ideia do Fundo Monetário Internacional (FMI) de que o impacto de algumas medidas foi subestimado.Nuno Melo quer saber se a «Comissão Barroso» reconhece que «a falha das previsões anteriormente assumidas pela troika, poderá redundar na impossibilidade real de Portugal» e outros países sob resgate de «atingir as metas, termos, condições e prazos, impostos» pelos respetivos memorandos de entendimento.Um documento de trabalho do FMI, elaborado pelo seu economista-chefe, reconhece que os efeitos das medidas de austeridade no desemprego e no comportamento do produto interno bruto (PIB) foram subestimados.Publicado na quinta-feira, o documento, assinado por Olivier Blanchard e pelo investigador Daniel Leigh, conclui num dos seus pontos: «Os que fizeram as previsões subestimaram de forma significativa o aumento do desemprego e a baixa do consumo privado e do investimento resultantes da consolidação orçamental».O eurodeputado do CDS-PP, após ter conhecimento do documento do Fundo, quer agora saber se Bruxelas considera que o «reconhecimento» das falhas dos programas «deveria implicar uma redefinição e recomposição dos planos exigidos aos países intervencionados, reconduzindo-os à sua real capacidade de cumprir termos, prazos e objetivos, em função de resultados exigidos expectáveis».No texto do FMI analisa-se o efeito dos chamados «multiplicadores orçamentais», que estimam a capacidade de uma economia em recessão cortas despesas e aumentar impostos no curto prazo, com a esperança de conseguir uma recuperação rápida. Por exemplo, pode dar-se o caso de economias avançadas, como as europeias, em que um euro de consolidação orçamental (corte de despesas mais subida de impostos) implica perdas no PIB superiores a um euro, apesar de se estimar que a perda seria só de metade e ter decidido, com base nesta estimativa, um forte ajustamento económico. O documento, intitulado Growth Forecast Errors and Fiscal Multipliers (Erros nas Previsões de Crescimento e Multiplicadores Orçamentais), está disponível na página na Internet do FMI".