Segundo o Sol, "as despesas com parcerias público-privadas (PPP) e fundações são reduzidas no contexto do défice orçamental, e não é aí que está a chave para a crise, disse hoje o chefe de missão para Portugal do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Vão olhar para as contas do orçamento, vejam o dinheiro que é gasto em fundações e em PPP", disse Abebe Aemro Selassie numa palestra na sede da Ordem dos Economistas, em Lisboa, rejeitando que possa haver soluções milagrosas e indolores para a redução na despesa pública. "As categorias significativas da despesa são salários, pensões, saúde. É preciso olhar para a realidade", continuou Selassie. "Essa ideia de que há um nicho da despesa que podia ser eliminada e com isso resolver o problema [do défice] não é verdade." O economista etíope foi ainda confrontado por uma pergunta da audiência sobre a possibilidade de o Tribunal Constitucional declarar o Orçamento do Estado para 2013 inconstitucional. "Essa é uma questão hipotética, é-me difícil comentar", começou por responder Selassie, que mesmo assim não fugiu à pergunta. "Depois veremos, se e quando isso acontecer. A Constituição é a Constituição. É preciso actuar dentro da legalidade. Nesse caso, o Governo teria de olhar para medidas alternativas, tal como aconteceu no ano passado."