Escrevem as jornalistas do Publico Inês Sequeira e Ana Rute Silva, que "a crise está a bloquear mais de 3500 milhões de euros de investimento em turismo residencial. De uma lista de 18 grandes projectos analisados pelo PÚBLICO, e que somam mais de sete mil milhões de euros no papel, há pelo menos nove que estão a marcar passo, por falta de condições financeiras e dificuldades nas vendas.Há dois anos, o mercado de segundas residências integradas em "resorts" foi apontado pelo Governo como um dos motores de crescimento económico, contribuindo para atingir uma meta de 21 milhões de turistas (quase o dobro do número actual) e receitas na ordem dos 15 mil milhões de euros em 2015. A maioria dos empreendimentos analisados ostenta o estatuto legal de PIN (projecto de potencial interesse nacional), conseguindo mais facilidade nos processos burocráticos de licenciamento. No total, os cálculos do Turismo de Portugal elevam a 12.700 milhões de euros o investimento previsto em mais de 30 grandes empreendimentos para os próximos dez anos. Em causa estão 37.900 unidades (moradias), que se dividem sobretudo entre o interior e o litoral do Alentejo, o Algarve e o Oeste, na zona de Óbidos. Mas à medida que a crise tomou conta dos mercados e a confiança dos compradores diminuiu, muitos dos investidores suspenderam a corrida por questões de precaução. Uns, especialmente no caso de empreendimentos ainda no papel, simplesmente porque os bancos deixaram de emprestar dinheiro. Outros, aguardam por novas tendências" (...) Na ilha madeirense de Porto Santo, o Colombo's Resort é o exemplo de um empreendimento que está em maus lençóis. O grupo internacional Starwood rescindiu o contrato de gestão hoteleira com o grupo SIRAM devido ao atraso na conclusão das obras, paradas desde o Natal. Há já salários de operários em atraso. O empreendimento turístico-imobiliário de luxo enfrenta dificuldades financeiras, agravadas pela crise que atingiu os bancos a que estão ligados investidores deste projecto, entre os quais Joaquim Coimbra (JVC Holding), accionista do BPN, e Goes Ferreira (Grupo IPG), do Millennium bcp. Frustradas as tentativas de atrair novos investidores de países árabes, o presidente do grupo SIRAM, Sílvio Santos, tem procurado obter o apoio dos governos central e regional para evitar a falência do maior investimento privado em curso na ilha e candidato ao financiamento do Programa Integrado Turístico de Natureza Estruturante e Base Regional (PITER)". Parece-me que é bom que olhem para o sector pelo menos de uma forma diferente e considerando a realidade económica conjuntural que condiciona muitos fluxos turísticos. Uma coisa é certa: a crise não se resume ao Madeira Palácio e ao Columbus Resort no porto Santo...
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