quinta-feira, agosto 09, 2007

Pois é: Jornalistas contra gratuito da Controlinveste

Jornalistas ao serviço de várias publicações da “Controlinveste” estão a contestar a forma como foi anunciada a criação do novo jornal gratuito do grupo, com lançamento agendado para Setembro, considerando que este projecto põe em causa os seus direitos de autor e apresenta riscos de descaracterização dos vários jornais. A contestação está a ser desenvolvida sob a forma de abaixo-assinados que já correm nas redacções do "Jornal de Notícias", do "Diário de Notícias" e "O Jogo", devendo estender-se a outros órgãos de informação do grupo. Os subscritores consideram que o lançamento do jornal “Global”, com o qual o grupo pretende agregar criações de jornalistas nos órgãos de informação detidos pela Controlinveste, é feito no pressuposto da entrada em vigor de uma lei que os jornalistas contestam e que foi aliás vetada pelo Presidente da República no dia 3 de Agosto. Nos abaixo-assinados, que têm um texto-base comum mas são adaptados aos vários títulos, os jornalistas começam por afirmar-se "surpreendidos com o teor do anúncio, no passado dia 26, do lançamento, em Setembro, de um jornal gratuito agregando criações jornalísticas produzidas por profissionais ao serviço de órgãos de informação do Grupo Controlinveste". Seguidamente: "Registam que o grupo já está a agir no pressuposto das regras sobre direitos de autor previstas no novo Estatuto do Jornalista, como se este já se encontrasse em vigor e procurando impor a sua vontade, sabendo que os jornalistas discordam de tais regras e que vão lutar contra a sua aplicação. "Protestam pelo facto de a decisão de criar a referida publicação nos moldes em que foi anunciada designadamente a utilização de trabalhos assinados de jornalistas que integram as várias redacções do grupo não ter sido precedida de qualquer consulta a estes profissionais. "Exprimem a sua preocupação pelo risco de descaracterização e de desvalorização progressivas do JN e das restantes publicações da empresa e do grupo, através da replicação sistemática de trabalhos seus no novo jornal, criando nos leitores a ideia de que se tornará dispensável a aquisição regular dessas publicações. "Receiam que o grupo esteja a desinvestir (nos vários jornais) com importantes tradições na Imprensa portuguesa e profunda identificação com os seus leitores. "Consideram que o projecto em causa pode constituir uma contradição com a necessidade de continuados esforços de valorização de cada um dos órgãos de informação, aprofundando a sua relação com os seus públicos, reafirmando a sua identidade própria e a sua singularidade irrepetível." No documento que circula no JN, os jornalistas "advertem que, em particular no que diz respeito aos jornalistas ao serviço do “Jornal de Notícias”, a eventual reutilização de trabalhos seus sem o seu consentimento constitui uma violação flagrante das garantias consagradas no Protocolo de Acordo de Junho de 1998, que não estão dispostos a aceitar". Por sua vez, o abaixo-assinado em subscrição no DN, os profissionais "advertem que pretendem" que seja "assegurado para si tratamento igual ao dos jornalistas ao serviço do "Jornal de Notícias".

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