quinta-feira, julho 11, 2013

Marcelo Rebelo de Sousa diz que Presidente da República deu um estalo à classe política

O comentador político Marcelo Rebelo de Sousa afirmou hoje que a intervenção do Presidente da República, apelando a um entendimento entre PSD, PS e CDS-PP, foi um "estalo à classe política", e que os partidos devem "devolver a bola". "Foi, à sua maneira, um estalo grande na classe política toda, Governo  e oposição. Um estalo no PC e no BE ao dizer que não há eleições, no Governo  ao não dizer claramente que esta é a solução que dura até 2015 e no PS ao  não dar eleições, mas que talvez dê em 2014, sabendo que isso divide o PS",  disse. O antigo líder social-democrata, à margem de uma apresentação de um  livro sobre direito europeu, em Lisboa, adiantou ainda os nomes do governador  do Banco de Portugal e do presidente do Conselho Económico e Social, respetivamente  Carlos Costa e Silva Peneda, como potenciais figuras tutelares para o eventual  acordo tripartido sugerido por Cavaco Silva."O Presidente achou que tinha força para dar esses estalos construtivos,  esperando que os partidos pegassem. Acho que os partidos devem devolver  a bola. Vamos negociar, mas vamos esclarecer dois ou três pontos que estão  por esclarecer", continuou. O jurista considerou que a atitude do Chefe de Estado foi "uma jogada  de risco no sentido de que a crise não acabou", podendo adensar-se "se,  de repente, os partidos mantiverem a negociação de forma muito mais longa  do que o Presidente pensava"."Não é de risco no sentido de que o Presidente tentava encontrar uma  fórmula que fosse a linha intermédia entre tudo o que ouviu. Foi a procura  do menor risco possível no imediato. Pode ser um risco a prazo", alertou. Para Rebelo de Sousa, "o que há de novo é a ideia de que o Presidente  está aberto para que nesse acordo entre a convocação de eleições a partir  de 30 de junho (de 2014)"."O que é uma ironia do destino, mais ou menos na mesma altura em que  estamos hoje, o que daria eleições em setembro e orçamento do Estado em  março de 2015", observou, acrescentando que cabe às forças políticas avaliarem  este "meio-termo", o "meio da estrada" no qual Cavaco Silva as colocou. O professor de Direito disse que o Presidente da República "quis, intencionalmente,  ser vago naquilo que propôs porque é uma proposta destinada a seduzir os  três destinatários"."Tem de ter contradições porque é a mesma coisa que seduzir senhorios  e inquilinos", comparou, adiantando que, se fosse ainda líder partidário,  "reagiria com um 'nim' e negociava". Rebelo de Sousa analisou ainda que "se nenhum (dos partidos) comprar  (a proposta)", Cavaco Silva poderá sempre dirigir-se aos portugueses e dizer  que "a culpa" não é sua e que tentou o melhor, apesar do "custo de não ter  fechado a crise".