Escreve o Jornal I que "o antigo primeiro-ministro José Sócrates não vai ser chamado à comissão parlamentar de inquérito às parcerias público-privadas (PPP) para explicar as opções tomadas enquanto ministro do Equipamento Social sobre o Metro Sul do Tejo. O deputado do PSD Emídio Guerreiro disse à Lusa que, em função das respostas, por escrito, de José Sócrates à comissão de inquérito "não vale a pena" agendar uma audição com o ex-ministro do Equipamento Social para apurar responsabilidades quanto à negociação do Metro Sul do Tejo. Na resposta, por escrito, José Sócrates disse que, "no curto período de 73 dias" em que exerceu funções de ministro do Equipamento Social, entre 23 de janeiro e 6 de abril de 2002, "os desenvolvimentos que este longo processo conheceu consistiram no envio ao Governo do relatório final da comissão de avaliação do concurso público relativo à fase de negociação". Esse relatório da comissão de acompanhamento do concurso público internacional, explicou, "concluía inequivocamente por uma determinada proposta de adjudicação", que recebeu a concordância dos então secretários de Estado dos Transportes e das Finanças. Perante a recusa de paternidade e responsabilidades no contrato do Metro Sul do Tejo por parte de João Cravinho, ouvido em dezembro no Parlamento, os social-democratas propuseram à comissão o envio de inquéritos indicativos aos dois ministros que se sucederam ao engenheiro João Cravinho no Governo de António Guterres, ou seja Ferro Rodrigues e José Sócrates, que o substituiu na ponta final do Executivo. "O concurso público internacional [para o Metro Sul do Tejo] durou quase três anos, tendo-se iniciado em setembro de 1999 e concluído em julho de 2002", realça o antigo governante, na resposta ao presidente da comissão de inquérito às PPP, o deputado do PCP, António Filipe. De acordo com a auditoria do Tribunal de Contas (TdC), ao desempenho do projeto entre 2008 e 2010, "o metro sul do Tejo não apresenta evidências de ser economicamente viável", adiantando que "a própria concessionária reconhece que a viabilidade económica (…) não é possível sem o apoio do Estado". "O atual modelo contratual não se mostra vantajoso nem para o Estado concedente, que assume grande parte do risco de tráfego, pagando anualmente à concessionária indemnizações compensatórias, nem para a concessionária, que acaba por assumir risco de fraude", lê-se no documento. A auditoria de 2011 concluiu ainda que o tráfego real corresponde a menos de 30% das previsões iniciais de procura, o que evidencia uma deficiente estimativa da procura. A comissão de inquérito às PPP rodoviárias e ferroviárias resulta de duas iniciativas: uma do PSD e do CDS e outra do Bloco de Esquerda".