Segundo o Público, "quase dois terços do erro da previsão do Governo de mais de 3000 milhões de euros para a receita fiscal durante o ano passado deveu-se à quebra do consumo e do investimento e o efeito que esta teve na cobrança do IVA. De acordo com os números divulgados na quarta-feira à noite pelo Ministério das Finanças, a cobrança de impostos em Portugal em 2012 ascendeu a 32.025 milhões de euros. O resultado representa um falhanço em praticamente toda a linha da projecção que tinha sido feita pelo Governo em Outubro de 2011, quando, com a troika já a fiscalizar as finanças públicas portuguesas, apontou para uma receita fiscal de 35.159 milhões de euros, ou seja, mais 3133 milhões de euros do que aquilo que acabou por se verificar. São quase 2% do PIB, um valor capaz de fazer derrapar qualquer projecção para o défice público. O Governo falhou em quase todos os impostos. Dos nove cuja receita é discriminada pelas Finanças no seu boletim mensal de execução, em apenas um a previsão feita no orçamento acabou por ser cumprida, o Imposto Único de Circulação, cuja receita ficou 10,8% acima da projecção. Nos outros impostos, o erro de previsão é, em alguns casos, difícil de compreender. No imposto sobre veículos, com os indicadores de confiança dos consumidores a mostrarem há mais de quatro anos que não existe qualquer apetência para compra de bens duradouros, o Governo avançou com uma previsão de receita de 743,8 milhões. No final do ano, a verba conseguida foi menos de metade: 361,9 milhões de euros. No entanto, a perda mais grave para os cofres do Estado ocorreu, sem dúvida, no IVA. A receita deste imposto - muito dependente da evolução do consumo e do investimento - ficou 13,3% abaixo do orçamentado, ou seja, entraram menos 1967 milhões de euros nos cofres do Estado. O erro de projecção no IVA representou 63% do falhanço registado. O mais grave, uma vez que dá indicações negativas para o futuro, é que mesmo em Outubro do ano passado, quando estava já a projectar as receitas para 2013, o Governo continuou a falhar nas estimativas para 2012. Nessa altura apontou para uma receita fiscal de 601 milhões de euros mais alta do que aquela que se veio a verificar. Erros grandes de previsão nos impostos não são inéditos em Portugal. Em Outubro de 2008, um mês depois da falência do Lehman Brothers, o Governo liderado por José Sócrates, com Teixeira dos Santos nas Finanças, foi também incapaz de realizar uma previsão minimamente acertada para as receitas fiscais do ano seguinte. Em 2009, as receitas fiscais ficaram 6471,5 milhões de euros abaixo da verba inscrita no OE inicial"