quarta-feira, janeiro 02, 2013

Governo: docentes e advogados empatam num elenco onde a gestão também marca

Segundo a jornalista do Jornal I, Margarida Bon de Sousa, "a experiência profissional do actual governo é díspar: quatro professores, quatro advogados, um jornalista, dois gestores e um administrador. Será que Pedro Passos Coelho olhou para os currículos dos vários ministros quando escolheu o elenco do actual governo? A quase paridade entre advogados e professores que existe na Assembleia da República foi transposta para o executivo. Mas no grupo há alguns pesos pesados que não existem no parlamento: maior percentagem de doutoramentos e mais experiência em administração e gestão de empresas privadas. O actual executivo é composto por quatro docentes, o mesmo número de advogados, dois gestores, um jornalista e um administrador. O próprio chefe do governo vem do sector privado, onde durante anos foi administrador no grupo Fomentivest, de Ângelo Correia, ligado à área do ambiente. O número dois do governo, Vítor Gastar, publicou vários livros e artigos científicos. Mas a sua experiência profissional está sobretudo ligada ao sector financeiro e económico. Tem uma comprovada experiência negocial, tendo sido o represente pessoal do ministro das Finanças no grupo que conduziu ao Tratado de Maastricht e foi conselheiro especial do Banco de Portugal e director-geral da área de investigação do Banco Central Europeu de Setembro de 1998 a Dezembro de 2004. O ministro das Finanças dirigiu ainda o departamento de Investigação e Estatísticas do Banco de Portugal e foi director de Estudos Económicos do Ministério das Finanças.
10º LUGAR PARA O FINACIAL TIMES
Segundo a lista do “Financial Times” publicada pela sétima vez, Gaspar até é dos melhores ministros das Finanças das 19 potências económicas da Europa: estava em 18.º lugar em 2011, tendo este ano subido para a 10ª posição. O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, lidera o ranking. Já Paulo Portas não tem experiência directa empresarial, mas conhece bem o mundo das empresas e as suas ligações ao poder político. Enquanto director do jornal “Independente” trouxe para a praça pública muitos casos de ligações de políticos a empresários que acabaram por desgastar a imagem e os governos de Cavaco Silva. Paulo Macedo é, sem dúvida, um dos pesos pesados do actual executivo. Enquanto director-geral dos Impostos, deu um novo rumo à máquina fiscal do Estado, introduzindo novos métodos de gestão e melhorando significativamente os resultados. Numa altura em que se falou do seu nome para assumir a pasta das Finanças, os amigos mais próximos chegaram a ironizar, dizendo que depois de ter levado as finanças para a saúde, iria levar a saúde para as finanças. Miguel Relvas é o único ministro que não tem o currículo no site do governo. Partilha com Pedro Passos Coelho o conhecimento na gestão de empresas: trabalhou como administrador na Firnetec, de onde saiu para integrar o actual governo. Assunção Cristas e Pedro Mota Soares são ambos formados em Direito e têm o percurso convencional de quem passou pelo parlamento antes de chegar ao governo. Um clássico para muitos dos ministros portugueses que depois denotam alguma insensibilidade, pelo menos de início, da vida real. O ministro da Solidariedade e Segurança Social foi informado na concertação social que a diminuição do pagamento nas baixas por doença significaria um peso acrescido para muitas empresas que pagam o remanescente aos seus colaboradores quando estão doentes. Quem não tinha experiência empresarial e que agora parece peixe na água na Economia é Álvaro Santos Pereira. O ministro surpreendeu tudo e todos ao retomar a ideia de um projecto industrial para Portugal, conceito durante longos anos banido por estar associado ao antigo regime.
Clareza
Doutorado em Matemática Aplicada, o ministro da Educação e Ciência tem alguma experiência empresarial: foi durante um ano presidente executivo do Tagus Park antes de integrar o governo. Se aplicar os objectivos que o seu Ministério fixou para a disciplina de português no 12º ano – simplicidade, clareza, organização da informação, concisão e clara distinção entre o que é informação e opinião – na gestão governamental poderá ter algum sucesso. Também são bons princípios para quem quer administrar bem uma empresa"