Segundo o Económico, “Pires de Lima desafia Passos a demitir o responsável pelas fugas para Marques Mendes. As fugas de informação recorrentes para o comentador político Marques Mendes e a divulgação do relatório do FMI num jornal em primeira mão têm deixado o CDS e alguma ala do PSD com os nervos em franja. Estas fugas levaram mesmo ontem o presidente do Conselho Nacional do CDS, Pires de Lima, a desafiar Passos Coelho para que "demita" o responsável por elas. Um "aviso à navegação", como admitiu fonte centrista ao Económico, para que o_Executivo cuide melhor da estratégia de comunicação (que nos últimos meses é vista como "desastrosa") e trave estas fugas. Ainda assim, nada que esteja a criar uma cisão fatal na coligação PSD/CDS que, segundo a mesma fonte, "já viveu dias muito piores", nomeadamente com a TSU e o Orçamento. De qualquer forma, o papel de Marques Mendes na estratégia de comunicação do Governo é muito mal visto no CDS e também no PSD. Os democratas-cristãos consideram que os anúncios de medidas da maioria ou do Governo pelo ex-líder na televisão colocam em causa a credibilidade da equipa de Passos e dão sinais de "desrespeito" pelo parceiro de coligação. Na Antena 1, Pires de Lima referiu-se mesmo ao ex-líder do PSD num tom irónico, ao classificá-lo como o "incansável Marques Mendes", apelidando a comunicação governamental de "rara", "tola" e "ineficaz". Também não é inocente o facto de as críticas recorrentes acabarem por levar indirectamente ao ministro Miguel Relvas, responsável pela comunicação política do Governo. O politólogo Carlos Jalali diz que Pires de Lima deixou ao ministro "um recado nas entrelinhas" quando disse: "é obrigação do primeiro-ministro (...) - seja esse responsável [pelas fugas] assessor ou secretário de Estado - porque estou longe de imaginar que possa ser alguém com assento no Conselho de Ministros - obviamente demitir a pessoa das funções que ocupa para recuperarmos um estilo de comunicação directo e que inspire confiança entre o Governo e os cidadãos".
Esta declaração "recoloca pressão sobre Miguel Relvas e vem confirmar que as tensões existentes entre os partidos da coligação não são apenas sobre opções políticas económicas, mas também na forma", assume ao Económico Jalali. O nome do ministro dos Assuntos Parlamentares foi, aliás, alvo de outro ataque ontem, pela voz de Freitas do Amaral, que diz que Relvas já devia ter saído "há muito tempo por razões éticas", tal como Vítor Gaspar devia ser substituído por alguém "mais humanista, mais sensível aos problemas sociais".
Mas se as palavras de Pires de Lima vinculam o CDS, as de Freitas são claramente rejeitadas pelos centristas. O fundador do partido diz que a coligação "já não é um casamento de amor, é um casamento de conveniência" e admite que o Presidente da República pode dissolver a Assembleia, "se houver uma situação social grave". Algo que para Freitas parece "provável", tendo em conta que "o ano de 2013 só tem comparação em dificuldades e perigos com 1975". No Facebook, o vice-presidente do CDS responde a Freitas, acusando-o de ter "uma vida política, feita a moldar o carácter - cuja firmeza é distintiva dos grandes Homens - às circunstâncias, e em razão delas". Uma referência ao facto de ter sido fundador do CDS e ex-ministro de Sócrates. Carlos Jalali também não concorda com Freitas do Amaral e lembra que Cavaco já deixou bem claro que não provocará "de mote próprio" qualquer crise política”.