Escreve o Dinheiro Vivo que "os trabalhadores da administração do Estado são referidos pelo FMI como a maior fonte potencial de poupança. No relatório entregue ao Governo, no qual se sugerem as linhas que permitirão atingir quatro mil milhões de euros, a instituição encontra forma de arrecadar mais de três quartos do valor total só com a função pública. O corte no número de funcionários e as reduções salariais chegam a superar três mil milhões de euros. Na sua lista, o Fundo Monetário Internacional mostra especial interesse na redução do número de funcionários públicos e sugere uma redução entre 10% e 20% dos funcionários para uma poupança que varia entre 795 e 2700 milhões de euros. A medida que deixa sem emprego entre 60 e 120 mil funcionários. Só na Educação, o Fundo lembra que podem ser cortados 14 mil funcionários e colocados entre 30 e 50 mil em mobilidade especial. Para cada cinco saídas, o Fundo admite uma contratação. Como revelam, Portugal pode "seguir o exemplo da Grécia" e adotar um rácio de 5:1. É apresentada ainda uma novidade relativa ao quadro de excedentários. Os técnicos entendem que a colocação deve ser temporária, no máximo dois anos, para depois seguir para uma realocação ou despedimento. Mas há outras medidas, como a redução das contratações ou o corte no valor atribuído aos funcionários. Os técnicos do FMI entendem ainda que não há razão para que os funcionários públicos trabalhem menos horas do que os funcionários privados e propõem um ajustamento para as 40 horas semanais. Por fim, é proposto o fim dos suplementos e quebras no pagamento das horas extraordinárias, bem como incentivado um ajustamento do salário base através da revisão das tabelas salariais da função pública. Este corte deve situar-se entre 3% e 7%, o que poderá levar a uma poupança entre 325 e 760 milhões de euros. O FMI admite que esta redução propicie o fim dos salários premium [mais elevados] que ainda existem na administração pública.
O que já foi cortado
Os cortes na função pública já não são de hoje, o Governo tem-se empenhado na redução do número de funcionários públicos de forma a prosseguir o objetivo que é reduzir a despesa do Estado naquele que é o maior gasto social. O FMI reconhece-o e lembra que só em 2011 houve uma redução de 3,2% no número de funcionários seguido de um corte de 1,4% realizado na primeira metade de 2012. Atualmente, a administração do Estado é composta por 600 mil funcionários públicos, um número que contrasta com o de há oito anos: dados da DGAEP revelam quase 748 mil. Para o número também contribuíram as admissões controladas, com uma entrada para cada duas saídas. Os salários atribuídos também têm sofrido cortes, e só em 2011 a redução foi de 5%. Como em 2012 os funcionários públicos sofreram um corte nos subsídios de férias e Natal, viram os seus vencimentos cair mais 12%. Em 2013 chega a reposição de um deles, mas com a carga fiscal mantém-se tudo praticamente igual. As progressões na carreira, bónus e mudanças de salário resultantes da mobilidade também está congelada desde 2011, fator que irá permanecer pelo menos até ao próximo ano (2014)"