terça-feira, janeiro 08, 2013

Barómetro i/Pitagórica: maioria quer ter as condições da Grécia e condena tensões no governo

Escreve o Jornal I que "Passos e Gaspar recusam que Portugal tenha acesso às mesmas condições que a troika deu à Grécia. No início, defenderam a sua aplicação, mas depois recuaram por pressão das instâncias europeias. Cavaco Silva e Paulo Portas continuam a insistir para que Portugal tenha acesso a mais tempo e a uma redução de juros. A maioria dos inquiridos da sondagem i/Pitagórica – 74,6% – concorda com Portas e Cavaco, em detrimento de Passos e Gaspar, cuja posição apenas tem o apoio de 18,3% dos inquiridos. O argumento utilizado pelo primeiro--ministro e o ministro das Finanças para justificarem a sua mais recente posição sobre esta matéria não colhe aprovação junto dos inquiridos. À pergunta "receia que Portugal fique com uma imagem de país incumpridor semelhante à da Grécia", 59,9% respondem "não". No entanto, a percentagem dos que têm este receio é superior à dos que discordam de que as mesmas condições sejam aplicadas a Portugal. 34,4% acha que existe um risco de Portugal vir a ter uma imagem semelhante à da Grécia junto das instâncias europeias. A trapalhada gerada no seio do governo sobre esta questão e o recuo de Vítor Gaspar sobre a aplicação das mesmas condições a Portugal foi mal vista pelo universo dos inquiridos do barómetro i/Pitagórica. À pergunta "como classifica estas declarações do governo", 85,6% dos inquiridos considera-as "confusas". Apenas 14,4% defende que as declarações do governo foram "normais, tendo em conta a importância de não ficarmos demasiado associados à situação grega".Apesar dos últimos meses terem sido férteis em problemas dentro da coligação governamental – uma crise que teve o seu momento mais alto na altura do anúncio do aumento da Taxa Social Única e antes da aprovação do Orçamento do Estado – a maioria dos inquiridos pela sondagem não vê com bons olhos as tensões e as discordâncias entre os partidos que compõem a coligação. 66,5% dos inquiridos defendem que "as divergências deviam ser evitadas, pois criam instabilidade", enquanto apenas 24,7% considera que "as divergências são normais num governo de coligação". Curiosamente, a subida da intenção de voto do CDS em Dezembro – já depois de terminado o período em que o partido de Portas manteve acesas as suas divergências com o primeiro-ministro e o ministro das Finanças – parece confirmar este dado. Contra todas as previsões políticas, esta sondagem parece indiciar que é mais favorável ao CDS manter o low-profile dentro do governo do que aparecer em rota de colisão com o número 1 e o número 2"