sábado, novembro 06, 2010

Só nos Açores é que tipos destes têm hipóteses? (II)

Não vou falar de outros casos, igualmente pouco abonatórios porque a justiça entendeu que não existiam provas, apesar de até hoje subsistirem dúvidas quanto à verdade. Mas vou avivar a memória do DN do Funchal - e pensei eu que ia finalmente desvendar o mistério desta aldrabice toda... - recordando um texto do Expresso e uma fotografia do próprio DN do Funchal:
"Lavagem franca e com "perdão"
Esteve fugida à Justiça mais de dez anos. Débora Raposo vai agora a julgamento, mas não é obrigada a dizer o que fez aos milhões da burla.Mais de doze anos depois dos factos, vai ser julgada, na próxima segunda-feira, uma mulher acusada da prática de uma burla de mais de 6 milhões de euros na Caixa Geral dos Depósitos, balcão de Vila Franca do Campo, Açores. Em 2000, Débora Raposo era dada como 'estando em parte incerta' quando outros nove arguidos foram julgados. Nesse ano, uma reportagem da SIC/Expresso localizou-a no Canadá. A extradição só foi conseguida em Agosto passado, sete anos depois. Apesar de a Polícia Judiciária ter referenciado o seu envolvimento com redes internacionais de 'lavagem' de dinheiro, uma fonte ligada ao processo disse-nos que "não houve orientação para a investigação ser alargada para fora do país". Débora Raposo vai responder pelos crimes de associação criminosa, burla qualificada e falsificação de documento, mas não foi acusada do crime de branqueamento de capitais. E, isso, apesar do Ministério Público ter concluído que diversas viagens ao estrangeiro, realizadas em 1996 (Gotemburgo, Londres, ilha de Man, Buenos Aires...), terem demonstrado "de forma exuberante" que as actividades da arguida "eram tudo menos transparentes". A SIC/Expresso investigou o recurso (em 1996) a diversas praças "offshore" (Turks and Caicos Islands) para constituição de sociedades (Hartland Holdings Limited) e abertura de contas (Nicósia do Norte, Chipre). A compra de cartas de crédito a bancos do Leste e o, tentado, desconto das mesmas junto de bancos ocidentais levaram a arguida a realizar inúmeras operações bancárias, nomeadamente a celebração de um contrato - para aceder à 'prestação de serviços de engenharia financeira' -, em Buenos Aires, com um banco (Banco de Santo André) pertencente a uma sociedade financeira de uma igreja ortodoxa russa...! Nessas operações no exterior, a arguida e os seus colaboradores viajavam em primeira classe e hospedavam-se em hotéis de luxo. Em Buenos Aires, por exemplo, instalaram-se no Sheraton - a mesma cadeia usada por Débora Raposo em Lisboa -, numa suite, durante cerca de dois meses. Simultaneamente, no Funchal, Débora ocupava outra suite, no Savoy, e por sua conta tinha ainda mais um apartamento de luxo no Reids... Durante os anos de 95/96, a arguida nunca usou cheques nem cartões de crédito, pagava sempre em "cash", mesmo quando as somas eram de centenas de contos. Na operação 'Buenos Aires' contou com três 'assessores', financeiros e jurídicos, nomeadamente Ricardo Rodrigues, então sócio e procurador da "offshore", Hartland Holdings, na sociedade Colégio Internacional do Funchal, para quem, e em nome de quem, se procurou um alegado "financiamento externo". O actual vice-presidente do Grupo Parlamentar do PS é agora testemunha no julgamento, depois de ter sido arguido e de ter visto os respectivos autos arquivados. O MP não encontrou qualquer indício de envolvimento de Rodrigues na burla à CGD, embora tenha considerado que subsistiam dúvidas: "... as dúvidas que pairam sobre a nossa visão acerca da actividade de tal arguido... (têm) apenas a ver com a contribuição do mesmo nas actividades subsequentes levadas a cabo pelos principais arguidos... e, nomeadamente pela Débora Raposo, para concretizar a aplicação e 'lavagem' das enormes quantias de que ilicitamente estes se foram apropriando". Na dúvida, os autos foram arquivados com base no princípio "in dubio pro reu
".(pelo jornalista do Expresso, Estêvão Gago da Câmara, Outubro de 2007)
Nota: curiosamente algém ouviu falar disto na imprensa regional da Madeira? Mas não foram empresas madeirenses as burladas? Em que pé está o assunto? A entrevista poderia ter sido uma boa oportunidade para obtermos respostas. Não foi porque o objectivo era outro. E para ele tudo serve. Até de indivíduos destes que são uma ofensa para a política e os políticos. Porque acusados pela justiça mas valendo-se da imunidade, VERGONHOSO

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